19 novembro 2020

Bernardo Santareno: centenário do nascimento



SANTARENO, Bernardo (pseudónimo de António Martinho do Rosário) (19/11/1920, Santarém - 31/8/1980, Lisboa). Licenciado em Medicina pela Universidade de Coimbra, especializou-se em psiquiatria, cujos conhecimentos aplicou no sentido da orientação profissional. Tendo iniciado a sua carreira literária com três livros de versos (A Morte na Raiz, 1954; Romances do Mar, 1955; Os Olhos da Víbora, 1957), a publicação, neste último ano, de um volume de teatro, em que juntou três peças (A Promessa, O Bailarino e A Excomungada), constituiu a revelação impetuosa de um dos maiores dramaturgos da nossa língua. Sobretudo a primeira destas peças, ainda nesse ano levada à cena pelo Teatro Experimental do Porto, numa encenação de António Pedro, mas retirada ao fim de alguns dias sob pressão dos círculos mais reaccionários da Igreja, anunciava já as características essenciais do que viria a ser a sua obra futura, divisível por dois ciclos perfeitamente separáveis mas complementares. No primeiro, que vai até 1962, a estrutura adoptada é a da dramaturgia realista pós-ibseniana, temperada por um lirismo e uma simbologia de estirpe iorquiana; o segundo, iniciado em 1966, recorre à fórmula narrativa do teatro épico brechtiano, correspondendo a uma evolução estética e ideológica que, no entanto, obedece a uma grande coerência intrínseca. Se nas peças que constituem o «ciclo aristotélico» do teatro de Santareno (além das três já mencionadas, O Lugre e O Crime de Aldeia Velha, 1959; António Marinheiro, O Duelo e O Pecado de João Agonia, 1961; Anunciação, 1962) avulta a vertente existencial das suas personagens e do conflito em que se debatem, é a componente social, acompanhada de um marcado propósito interventivo, que predomina nas que integram o «ciclo narrativo» (O Judeu, 1966; O Inferno, 1967; A Traição do Padre Martinho, 1969; Português, Escritor, 45 Anos de Idade, 1974; O Punho, inédita até 1987, e as quatro peças num acto integradas no volume Os Marginais e a Revolução, 1979). Todavia, excepto do ponto de vista estrutural, não existe ruptura daquelas para estas. O problema da frustração carnal, onde radica o cerne da acção dramatizada em A Promessa, domina todas as peças seguintes, embora derivando nas primeiras de causas intrínsecas às personagens, ou por elas interiorizadas (o voto de abstinência de Maria do Mar e José n' A Promessa, o histerismo de Joana n' O Crime de Aldeia Velha, o homossexualismo de João Agonia, o incesto em António Marinheiro e enquadrando-se nas últimas num circunstancialismo histórico e social em que essa frustração se projecta num plano superior ao indivíduo, vindo a pôr em causa o seu lugar na colectividade a que pertence e conflituando o seu relacionamento com ela. Religiosidade e superstição, misticismo e erotismo são os pólos entrecruzados de um excruciante jogo dialéctico entre o bem e o mal, que se relativiza e torna cada vez mais concreto à medida que a obra progride e evolui no sentido de uma crescente consciencialização social. O que, a princípio, se desenhava como transgressão de um código moral (quebra de promessa ou voto religioso, amores incestuosos ou contranatura) desvenda-se-nos, à luz dos dramas narrativos posteriores, como também violação da ordem social vigente, e esta como expressão dos interesses da classe detentora do poder, contra cuja iniquidade é pois lícita a insurreição. Daí a rejeição anárquica dos «amantes malditos» de O Inferno, a «traição» do Padre Martinho e a sua final opção política, bem como a do «português, escritor», que prefere o silêncio à cumplicidade com essa ordem iníqua, violentamente denunciada na peça homónima, em que pode ler-se o testamento espiritual de quem, com o autor destes dramas exemplares, «amassando com as [suas] mãos a mentira, a fealdade, a traição, o despudor» aspirou a «ensinar o povo a conhecer o rosto autêntico da beleza, da verdade, da coragem e da virtude», como ele fez dizer a António José da Silva, o Judeu, perseguido e queimado pelo Santo Ofício, através do qual Santareno transpõe para o século XVIII a sua própria condição de escritor silenciado pelo fascismo.

LUIZ FRANCISCO REBELLO (in "Dicionário de Literatura Portuguesa", Org. e dir. Álvaro Manuel Machado, Lisboa: Editorial Presença, 1996 – p. 435-436)


BIBLIOGRAFIA:

Poesia:
- A Morte na Raiz, Coimbra: Edição do autor, 1954
- Romances do Mar, Santarém: Edição do autor, 1955
- Os Olhos da Víbora, Lisboa: Casa do Ardina, 1957

Narrativas:
- Nos Mares do Fim do Mundo (Doze meses com os pescadores bacalhoeiros portugueses, por bancos da Terra Nova e da Gronelândia), Lisboa: Edições Ática, 1959

Teatro:
- Teatro, Lisboa: Edição do autor, 1957
        - A Promessa
        - O Bailarino
        - A Excomungada
- O Lugre, Lisboa: Edições Ática, 1959
- O Crime da Aldeia Velha, Lisboa: Edições Ática, 1959
- António Marinheiro (O Édipo de Alfama), Porto: Divulgação, 1960
- Os Anjos e o Sangue, Lisboa: Edições Ática, 1961
- O Duelo, Lisboa: Edições Ática, 1961
- O Pecado de João Agonia | Irmã Natividade (nova versão de A Excomungada), pref. Manuel Dinis Jacinto, Porto: Divulgação, 1961
- O Prisioneiro, in jornal "Correio do Ribatejo", 1961
- Anunciação, Lisboa: Edições Ática, 1962
- O Judeu, Lisboa: Edições Ática, 1966
- O Inferno, Lisboa: Edições Ática, 1968
- A Traição do Padre Martinho, Lisboa: Edições Ática, 1969
- Português, Escritor, 45 anos de Idade, Lisboa: Edições Ática, 1974
- Três Quadros de Revista, 1975, in "Obras Completas", Vol. IV, Org., posfácio e notas de Luiz Francisco Rebello, Lisboa: Editorial Caminho, 1987
        - Os Vendedores de Esperança
        - A Guerra Santa
        - O Milagre das Lágrimas
- Os Marginais e a Revolução, 1979, in "Obras Completas", Vol. IV, Org., posfácio e notas de Luiz Francisco Rebello, Lisboa: Editorial Caminho, 1987
        - Restos
        - A Confissão
        - Monsanto (antes intitulada O Senhor Silva e, depois, Na Berma da Estrada)
        - Vida Breve em Três Fotografias
- O Punho, 1980, in "Obras Completas", Vol. IV, Org., posfácio e notas de Luiz Francisco Rebello, Lisboa: Editorial Caminho, 1987

Traduções:
- La Contessa, de Maurice Druon, 1963
- Vigilância Especial, de Jean Genet, 1965
- O Viajante, de Georges Schehadé, 1966


Faz hoje um século que nasceu o mais proeminente dramaturgo português da segunda metade do século XX e, como lembra Luiz Francisco Rebello, um dos maiores da língua portuguesa: Bernardo Santareno.
Pouco depois das 18h:00, a Antena 2 transmitiu "Nos Mares do Fim do Mundo", uma adaptação por Jorge Silva Melo de passagens da obra homónima original. Louva-se o cuidado que a direcção da rádio cultural da estação pública teve em não deixar passar em claro a efeméride, mas lamenta-se a falta de sonorização naquela versão, a exemplo, aliás, de (quase) tudo o que até agora apareceu no espaço "Teatro sem Fios", ao arrepio da melhor tradição do teatro radiofónico. O que poderia ser um produto digno e cativante de se ouvir foi num pastel algo insípido que poucos desejarão voltar a 'ingerir'. No pólo diametralmente oposto a estas canhestras produções para a rádio, e sem sair do universo santareniano, estão duas adaptações dos inícios dos anos 90 de que guardamos mui grata memória: "António Marinheiro (O Édipo de Alfama)" e "O Pecado de João Agonia". Sabíamos que outras peças de Santareno tiveram versão radiofónica nos tempos áureos do teatro radiofónico e agora, consultando a plataforma RTP-Arquivos, lográmos referenciar seis: "Irmã Natividade" (Tempo de Teatro, 1978), "O Lugre" (Tempo de Teatro, 1979), "A Promessa" (Tempo de Teatro, 1979), "O Duelo" (Tempo de Teatro, 1985), "Anunciação" (Tempo de Teatro, 1986) e "O Crime da Aldeia Velha" (Noite de Teatro, 1995).
A cifra de oito talvez não corresponda à totalidade das produções radiofónicas feitas a partir de textos do dramaturgo até ao ano (2005) em que Eduardo Street se aposentou, mas é curioso verificar que sejam todas posteriores à Revolução dos Cravos. Razão óbvia: sendo Bernardo Santareno um autor malquisto pela ditadura era impensável que um dos principais órgãos de propaganda do regime, a Emissora Nacional, fosse divulgar as suas peças.
A esmagadora maioria dos ouvintes hodiernos, mormente os jovens, nunca escutou as citadas versões radiofónicas, e também muito poucos tomaram contacto com elas em palco, ou mesmo terão visto as adaptações cinematográficas d' "O Crime da Aldeia Velha" e d' "A Promessa", realizadas, respectivamente, por Manuel Guimarães e António de Macedo. Ora, e sendo verdade que qualquer pretexto é bom para se resgatar o património radiofónico de teatro, o centenário de Bernardo Santareno (que tem hoje o epicentro mas que vai estender-se por mais algum tempo) afigura-se, obviamente, o melhor de todos para a Antena 2, em cumprimento das suas obrigações culturais, proporcionar aos seu auditório a (re)descoberta da magistral obra que o insigne dramaturgo nos legou. A reposição de uma peça por semana é perfeitamente acomodável na grelha em vigor e o horário até poderá ser o mesmo de hoje. Nada a objectar.
Fica expresso o pedido, na esperança de que o director de programas em funções tenha a hombridade de tomá-lo em boa conta, dignificando assim o serviço público de rádio.



Capa da 1.ª edição do livro de narrativas "Nos Mares do Fim do Mundo" (Edições Ática, 1959).
Uma edição fac-similada foi publicada em 2019, por iniciativa conjunta da editora "A Bela e o Monstro" e do jornal "Público".

«Nos Mares do Fim do Mundo foi, em grande parte, escrito a bordo do arrastão "David Melgueiro", na primeira campanha de 1957, a primeira também em que eu servi na frota bacalhoeira portuguesa, como médico. Mas depois desta, tomei parte numa segunda, em 1958, agora a bordo do "Senhora do Mar" e do navio-hospital "Gil Eannes", em que assisti sobretudo aos barcos de pesca à linha. Assim pude de facto conhecer, por vezes intimamente, todos os aspectos da vida dos pescadores bacalhoeiros portugueses, em mares da Terra Nova e da Gronelândia, e completar este livro.» (Bernardo Santareno)



Capa da reedição (parcial) de 1997 (Col. 98 Mares, Expo' 98).



Capa da reedição de 1999 (Edições Ática).
Edição com capa idêntica saiu em 2006 sob a chancela da Editorial Nova Ática.



Capa da reedição de 2016 (E-Primatur).
Esta edição inclui dois textos inéditos ("Responsabilidade" e "Rebelião"), e ainda fotografias novas e a ficha de inscrição do médico no Grémio dos Armadores de Navios de Pesca do Bacalhau.


Nota: Ainda a respeito da obra "Nos Mares do Fim do Mundo", recomenda-se vivamente a leitura do muito interessante artigo de Maria João Falcão no blogue "Falcão de Jade".

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Artigos relacionados:
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02 novembro 2020

Belaurora: "Saudade"


Escultura funerária representativa da Saudade, pertencente ao jazigo de D. Joana Nepomuceno Burguette de Oliveira Barata, 1866, Cemitério dos Prazeres, Lisboa.
© Rotas Lusitanas (https://rotaslusitanas.blogspot.com/)


«A saudade é um luto, / Uma dor, uma aflição; / Ai, é um cortinado roxo, / Saudade, que me cobre o coração.» Esta quadra surge em diversas variantes daquela que é, muito provavelmente, a mais popular de todas as cantigas dolentes açorianas que exprimem a dor pela ausência ou perda de pessoa querida, comummente denominadas de "Saudade". Bem menos conhecida é uma outra "Saudade", da pequena ilha do Corvo, mas igualmente impregnada de profunda plangência; essa característica e o teor dos versos tornam-na perfeitamente adequada para assinalar este Dia de Finados, o primeiro (e, esperamos, o último) sob a vigência da pandemia de COVID-19, que tantas vítimas já causou, directas ou colaterais.
Conhecemos quatro recriações, publicadas em CD, da aludida "Saudade" corvina: a primeira, de 1999, pelo Grupo de Cantares Belaurora; a segunda, de 2010, por Helena Oliveira; a terceira, de 2015, pela Brigada Victor Jara; e a quarta, de 2018, por Rafael Carvalho, que tem a particularidade de ser um instrumental executado em viola da terra. Escolhemos a primeira, que consideramos ser a mais tocante e impressiva, quer pela irrepreensível interpretação vocal de Carla Medeiros, quer pelo muito bem gizado arranjo que serve primorosamente a índole melancólica da melodia.

Não somos ouvintes da Antena 1-Açores mas queremos acreditar que o Grupo de Cantares Belaurora, assim como outros grupos e artistas em nome individual radicados no arquipélago que se dedicam à recriação do cancioneiro açoriano, seja objecto de cabal divulgação. Na Antena 1 do continente, a música tradicional portuguesa (das múltiplas regiões) só tem lugar nos espaços "Cantos da Casa" [rubrica >> RTP-Play / programa >> RTP-Play] e, uma vez por outra, perdida no meio do fado, no programa "Alma Lusa" [>> RTP-Play]. E ainda por cima com a pecha de os horários de emissão se situarem no período em que a generalidade dos ouvintes está a dormir, ou seja, sempre depois do noticiário da meia-noite e antes do sinal horário das 08h:00 da manhã. Na 'playlist', música tradicional é coisa que não entra, talvez porque fosse destoar da imensa escória da área pop com que a atafulharam. Perguntamos: com que ânimo e disposição é que os pagantes da contribuição do audiovisual vão continuar a desembolsar a espórtula anual de 34,20 euros (+ I.V.A.) para sustentar uma rádio que lhes oculta a música mais identitária do seu país?



Saudade



Letra e música: Tradicional (Vila Nova do Corvo, Açores)
Informante: Ti Pedro Pimentel Cepo
Recolha: Carlos Sousa (1995)
Intérprete: Belaurora* / voz solo de Carla Medeiros (in CD "Lágrimas de Saudade", Açor/Emiliano Toste, 1999; 2CD "Quinze Anos de Cantigas": CD 2, faixa 20, Açor/Emiliano Toste, 2000) [>> Facebook Vídeos]


[instrumental]

Oh! oh! oh!

Oh! Em má hora, oh!, em má hora, anjo querido,
Me pediste uma flor...
Das que eu tenho, das que eu tenho aqui,
São quatro, oh!, são quatro,
Nem uma fala em amor.

Oh! oh! oh!
Oh! oh! oh!
Oh! oh! oh!
Oh! oh! oh!

Oh! A primeira, oh!, a primeira é uma saudade
Que me deram quando amei;
Custa caro, custa caro,
É um tesouro, é um tesouro
Que com lágrimas comprei.

Oh! oh! oh!
Oh! oh! oh!
Oh! oh! oh!
Oh! oh! oh!

Oh! A segunda, oh!, a segunda é um martírio
Cujo espinho atravessou
O coração, o coração
Que a regava, que a regava...
De pranto ela murchou.

Oh! oh! oh!
Oh! oh! oh!
Oh! oh! oh!
Oh! oh! oh!

Oh! A terceira, oh!, a terceira é um cravo,
É um goivo, não to dou!
Fui colhê-lo, fui colhê-lo
Ao cemitério, ao cemitério...
Entre campas vegetou.

Oh! oh! oh!
Oh! oh! oh!
Oh! oh! oh!
Oh! oh! oh!

Oh! A quarta, oh!, a quarta é uma rosa,
É uma rosa, mas olha:
Se eu morrer, se eu morrer
E tu souberes, e tu souberes,
Na minha campa a desfolha!

Oh! oh! oh!
Oh! oh! oh!
Oh! oh! oh!
Oh! oh! oh!...


Nota: «Esta "Saudade" aprendi-a com o Ti Pedro Cepo, aquando do Primeiro Festival do Ramo Grande, na ilha Terceira (1995).
A letra foi-me enviada, directamente do Corvo, por Tibério Silva, com o desejo expresso de um dia a poder ouvir cantada pelo Belaurora.» (Carlos Sousa / Belaurora)

* Belaurora:
Ana Medeiros – coros, violão, cavaquinho, viola baixo e percussão
Carla Medeiros – voz solo, coros e percussão
Carlos Sousa – voz solo, coros, violão, bandolim e violino
Carmen Medeiros – coros e percussão
Carolina Costa – coros e percussão
Eduardo Medeiros – coros e acordeão
Francisco Nascimento – coros e violão
Isabel Meireles – coros e percussão
Laureno Sousa – coros e percussão
Margarida Sousa – coros e percussão
Pedro Medeiros – coros, flauta e clarinete
Quitéria Sousa – coros e percussão
Rui Lucas – coros e violão
Tiago Sousa – coros e percussão
Tomás Sousa – voz solo, coros e violão

Arranjos – Carlos Sousa e Ana Medeiros
Direcção artística – Carlos Sousa
Gravação – Emiliano Toste, no "Solar do Conde", Capelas (Ponta Delgada), em Dezembro de 1998
Misturas – Emiliano Toste, Carlos Sousa e Pedro Barreiros
Masterização – Emiliano Toste
URL: http://www.belaurora.com/iniciop.php
https://www.facebook.com/grupodecantaresbelaurora/
https://www.sinfonias.org/mais/musica-portuguesa-anos-80/directorio/760-belaurora
https://pgl.gal/belaurora-grupo-de-cantares-popular-dos-acores/
https://www.youtube.com/channel/UC2OgEof5SLnYuIxifii24hQ/videos?query=belaurora



Capa do CD "Lágrimas de Saudade", do grupo Belaurora (Açor/Emiliano Toste, 1999)
Desenho – Gilberto Bernardo

01 outubro 2020

José Barros e Navegante: "Músicos, Cravos e Rosas"


Henri Matisse, "La Musique" ("A Música"), 1910, óleo sobre tela, 260 x 389 cm, Museu do Hermitage, Sampetersburgo, Rússia


Fundado em 1992, por iniciativa de José Barros que saíra do grupo Romanças, o grupo Navegante tem, até à data, nove títulos publicados (oito CDs e um DVD), a saber: "Navegante" (1994), "Cantigas Partindo-se" (1997), "Não Há Heróis" (1999), "Rimances" (2001), "...Vivos. E ao Vivo" (2003), "Meu Bem, Meu Mal" (2008), "Cantigas Tradicionais Portuguesas de Natal e Janeiras" (2009), "Cantares do Povo Português" (2012, DVD) e "À'Baladiça" (2018).
A recriação do cancioneiro tradicional foi o móbil inicial, tendo a partir de certa altura surgido a necessidade de também criar repertório novo, assente, como se impunha, nos paradigmas estéticos da matriz musical popular. Assim aconteceu em "Meu Bem, Meu Mal" e, de modo ainda mais radical, em "À'Baladiça", integralmente constituído por temas originais. A abrir o alinhamento do álbum mais recente está a canção "Músicos, Cravos e Rosas", escrita e composta por José Barros, a qual, atendendo ao título e – sobretudo – à temática abordada na letra, não podia vir mais a propósito para funcionar como mote à celebração deste Dia Mundial da Música.
Serve para exprimirmos o nosso penhorado agradecimento a José Barros e aos músicos que com ele têm colaborado, pelo significativo contributo que deram (e, esperamos, continuem a dar) para o enriquecimento do nosso património musical/fonográfico. E serve também, neste tempo de pandemia, para manifestarmos o nosso apreço e solidariedade a todos os músicos de mérito – homens (cravos) e mulheres (rosas) – que estão a passar por dificuldades muito sérias, nalguns casos a roçar a indigência, em consequência do cancelamento dos concertos agendados, no âmbito das medidas restritivas impostas pelas autoridades político-sanitárias com o propósito de conter a disseminação do altamente contagioso e temível SARS-CoV-2.
Para ajudar à desgraça, a Antena 1, que tem a obrigação legal (e ética, em razão da taxa cobrada aos cidadãos e às empresas de Portugal) de estar na linha da frente no que concerne à divulgação da música popular portuguesa de qualidade, insiste em preencher a sua 'playlist' (a qual ocupa mais de 95 % do tempo musical do canal incluindo os horários de maior audiência – é bom ter presente este dado) com quantidades industriais de lixo sonoro, boa parte do qual exógeno. Assim dita a vontade e o capricho de Rui Pêgo e dos seus acólitos, inconscientes (ou talvez não) do prejuízo e do dano que estão a causar aos melhores músicos e autores portugueses. Perguntamos: por que motivo quem está acima e tem a competência e o poder de extirpar o cancro se abstém de agir?



Músicos, Cravos e Rosas



Letra e música: José Barros
Arranjo: José Barros
Intérprete: José Barros e Navegante* (in CD "À'Baladiça", Tradisom, 2018)




[instrumental]

É pela música
que encantas os sentidos,
apurados pelos sonhos
mais antigos
de entender a emoção
e a alegria,
provocado o coração
em agonia.
Vais levado pelo vento,
pelos sons do pensamento.

Cravos
são livres, são bravos.
Rosas
são belas, são prosas.
[bis]

[instrumental]

É pelo som do mar
no canto das sereias
que te vão contar
compassos e colcheias,
mas tu és o tempo forte
e o agasalho.
Tempo fraco não é sorte,
é trabalho.
Vais levado pelo vento,
pelos sons do pensamento.

Cravos
são livres, são bravos.
Rosas
são belas, são prosas.
[bis]

[instrumental]

Quem te compra
cria garras de encantar.
Vendes a alma?
Essa não se pode comprar.
Na viagem pelos sons
desta braguesa
oiço histórias
de uma canção portuguesa.
É uma luta contra o vento,
não se vende o pensamento.

Cravos
são livres, são bravos.
Rosas
são belas, são prosas.
[3x]

Cravos e rosas.


* Navegante:
José Barros – voz, viola braguesa, cavaquinho
Miguel Tapadas – piano
Pedro Batalha – baixo
Abel Batista – bateria
Músicos convidados:
José Manuel David – small pipe
Miguel Veras – guitarra
Rui Júnior – percussão

Produção e direcção musical – José Barros
Gravação – Miguel Salema e José Barros
Misturas e masterização – António Pinheiro da Silva
URL: https://www.facebook.com/jbnavegante/
https://tradisom.com/produto/abaladica/
https://www.youtube.com/user/jobarnavega/videos
https://www.youtube.com/playlist?list=OLAK5uy_lXVi2_IoBLpa-Sh-yJVyhkZ65lLKt_17s



Capa do CD "À'Baladiça", de José Barros e Navegante (Tradisom, 2018)
Fotografia – Rui Moreno
Grafismo – Ivone Ralha

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Artigos relacionados:
'Playlist' da Antena 1: uma vergonha nacional (II)
Fernando Tordo: "Bendita Música"
Pedro Barroso: "Música de Mar"
Sérgio Godinho: "Mão na Música"

22 setembro 2020

Diabo a Sete: "Outono Embargado"


Vincent Van Gogh, "Jardin Public à Arles" ("Jardim Público em Arles"), Outubro de 1888, óleo sobre tela, 72 x 92 cm, Colecção particular


Quando em Portugal Continental eram 14h:31' (13h:31' UTC), o Sol, no seu movimento anual aparente (na verdade, a Terra é que se move), cruzou o equador celeste em direcção ao hemisfério sul. Foi o equinócio do Outono, no hemisfério norte.
Em 2020, a estação da nostalgia fica ensombrada pelo recrudescimento de uma horrífica pandemia vírica, e em tal circunstância afigurou-se-nos inteiramente pertinente, para assinalar a sua chegada, escolhermos a peça instrumental "Outono Embargado", composta por Pedro Damasceno e magnificamente executada pelo seu grupo Diabo a Sete.
Com três álbuns publicados – "Parainfernália" (2007), "tarAra" (2011) e "Figura de Gente" (2016), ao qual pertence o espécime em destaque –, Diabo a Sete é um dos mais lídimos representantes da nova folk portuguesa, não se restringindo à recriação do cancioneiro tradicional (o que seria decerto mais cómodo), outrossim empenhando-se na criação de repertório novo, dando assim um assinalável contributo para o enriquecimento do nosso património musical/fonográfico.
Como se explica, então, que lhe seja negada a merecida presença nas 'playlists' das Antenas 1 e 3? Uma tremenda injustiça que é, aliás, extensiva a dezenas de excelentes projectos (colectivos ou individuais) que em Portugal laboram nas áreas musicais de cariz mais identitário.
Quanto tempo mais é que os pagantes da contribuição do audiovisual, conscientes da importância de existir um serviço público de rádio digno desse nome, terão de esperar até que tão anómala e aberrante situação seja corrigida?



Outono Embargado



Música: Pedro Damasceno
Arranjo: Diabo a Sete e Julieta Silva
Intérprete: Diabo a Sete* (in CD "Figura de Gente", Sons Vadios, 2016)




(instrumental)


* Diabo a Sete:
Celso Bento – flauta de bisel, gaita-de-foles
Eduardo Murta – baixo eléctrico
Luísa Correia – guitarra acústica
Miguel Cardina – bateria, percussões
Pedro Damasceno – machinho
Sara Vidal – harpa

Produção – Quico Serrano
Gravado por Quico Serrano, nos Estúdios da Aguda, Vila Nova de Gaia, de 2014 a 2016
Mistura e masterização – Quico Serrano
URL: https://www.sonsvadios.pt/artistas/diaboasete/
https://diaboasete.bandcamp.com/
https://www.youtube.com/channel/UCSXlbTzyy3PzNLVu65bqohg
https://www.youtube.com/c/SonsVadios/videos?query=diabo+a+sete



Capa do CD "Figura de Gente", do grupo Diabo a Sete (Sons Vadios, 2016)
Grafismo – Luísa Bebiano
Ilustração – Ana Rosa Assunção

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Outros artigos com canções alusivas do Outono:
Celebrando Maria Teresa de Noronha
Max: "Outono na Cidade"
Jorge Cravo: "Outono à Beira-Rio"

20 junho 2020

Trovante: "Noite de Verão" (Manuel da Fonseca)


Eugen von Blaas, "Adrette Venezianerin am Balkon" ("Rapariga Veneziana à Varanda"), 1883, óleo sobre painel de madeira, 30 x 22,5 cm, Colecção particular


Em 2020, o solstício de Verão ocorreu às 21:44, hora UTC (Universal Time Coordinated = Tempo Universal Coordenado), que em Portugal Continental corresponde às 22:44. A circunstância de ser em plena noite, mas ainda em hora boa para se ir apanhar ar fresco, deu-nos a ideia de trazer, para assinalar o início da estação estival, o poema "Noite de Verão", de Manuel da Fonseca, que João Gil musicou para ser gravado pelo seu grupo Trovante e fazer parte integrante do álbum "Terra Firme", editado em Novembro de 1987.
Apesar de ser um dos grupos mais importantes da História da Música (Popular) Portuguesa, o Trovante é hoje em dia virtualmente impossível de se ouvir na Antena 1, a mesma que, volta e meia, dispara o 'jingle' "Antena 1: uma rádio com memória". Como explicar tal anormalidade?



Noite de Verão



Poema: Manuel da Fonseca (ligeiramente adaptado) [texto original >> abaixo]
Música: João Gil
Arranjo: Trovante
Intérprete: Trovante* (in LP "Terra Firme", EMI-VC, 1987, reed. EMI-VC, 1989; CD "O Melhor dos Trovante", EMI Music Portugal, 2010; "Trovante: Grandes Êxitos", EMI Music Portugal, 2013)




[instrumental]

Quando é no Verão das noites claras
e faz calor dentro da gente,
...aquela menina casadoira,
que mora junto ao largo,
vem à varanda ver a Lua.

Roçando o corpo, devagar,
descem por ela as mãos da noite:
sente-se nua.
Sente-se nua, na varanda,
já tão senhora do seu destino,
sem medo às estrelas nem às mãos da noite
— mas baixa os olhos se algum homem passa...

Sente-se nua
— mas baixa os olhos se algum homem passa...
Sente-se nua.

[instrumental]

Quando é no Verão das noites claras
e faz calor dentro da gente,
...aquela menina casadoira,
que mora junto ao largo,
vem à varanda ver a Lua.

Roçando o corpo, devagar,
descem por ela as mãos da noite:
sente-se nua.
Sente-se nua, na varanda,
já tão senhora do seu destino,
sem medo às estrelas nem às mãos da noite
— mas baixa os olhos se algum homem passa...

Sente-se nua
— mas baixa os olhos se algum homem passa...
Sente-se nua.
Sente-se nua.
Sente-se nua.
Sente-se nua.

[instrumental]


* Trovante:
Artur Costa – saxofone
Fernando Júdice – baixo
João Gil – guitarras e coros
José Martins – sintetizador
José Salgueiro – bateria, percussão e coros
Luís Represas – voz
Manuel Faria – piano e sintetizador
Produção – Manuel Faria e Artur Costa
Gravado nos Estúdios Valentim de Carvalho, Paço d'Arcos, em Agosto, Setembro e Outubro de 1987
Engenheiro de som – Paulo Neves
Misturas – Paulo Neves, Manuel Faria e Artur Costa
URL: http://www.sinfonias.org/mais/musica-portuguesa-anos-80/directorio/955-trovante
http://www.macua.org/biografias/trovante.html
https://www.youtube.com/channel/UCbaWTKc3QdgF37Q933YIi4A
https://www.youtube.com/user/DoTempoDosSonhos/videos?query=trovante



NOITE DE VERÃO

(Manuel da Fonseca, in "Planície", Coimbra: Novo Cancioneiro, 1941; "Poemas Completos", Lisboa: Iniciativas Editoriais, 1958; "Poemas Completos", pref. Mário Dionísio, 2.ª edição, Lisboa: Portugália Editora, 1963 – p. 109; "Poemas Completos", pref. Mário Dionísio, 5.ª edição, Lisboa: Forja, 1975 – p. 120)


Quando é no Verão das noites claras
e faz calor dentro da gente,
...aquela menina casadoira,
que mora junto ao largo,
vem à varanda ver a Lua.

Roçando o corpo, devagar,
descem por ela as mãos da noite:
sente-se nua.
Sente-se nua, na varanda,
já tão senhora do seu destino,
sem medo às estrelas nem às mãos da noite
— mas baixa os olhos se algum homem passa...



Capa da 1.ª edição do livro "Planície", de Manuel da Fonseca (Col. Novo Cancioneiro, N.º 6, Coimbra, 1941)
Ilustração – Manuel Ribeiro de Pavia



Capa do LP "Terra Firme", de Trovante (EMI-VC, 1987)
Concepção – Fátima Rolo Duarte
Fotografia – Homem Cardoso

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Artigos relacionados:
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Grupo Banza: "Verão"
Fernando Pardal: "Estio" (Manuel da Fonseca)

18 junho 2020

José Saramago: "Dia Não"



Publicado em 1966, "Os Poemas Possíveis", de José Saramago, foi um dos livros de que Luís Cília se serviu quando começou a trabalhar na trilogia "La Poésie Portugaise de Nos Jours et de Toujours". E logo no primeiro volume, editado em 1967 com o selo Moshé-Naïm, saíram dois poemas de Saramago musicados e cantados por Luís Cília: "Dia Não" e "Contracanto". O primeiro viria a ser gravado também por Manuel Freire, em duas versões, ambas com música de Luís Cília: uma para o LP "Devolta" (1978), produzido por Luís Cília, e outra para o CD "As Canções Possíveis: Manuel Freire canta José Saramago" (1999), produzido por Carlos Alberto Moniz. São estes três registos do "Dia Não" que aqui apresentamos no dia em que se completaram dez anos sobre a morte do nosso primeiro (e único até agora) Nobel da Literatura.
Nesta efeméride do escritor que, depois de Camões e de Pessoa, mais prestigiou Portugal em todo o mundo, era justo e expectável que a direcção de programas da Antena 1, no mínimo, desse a ouvir ao longo do dia um punhado das canções feitas sobre poemas saramaguianos, cuja cifra total ultrapassa actualmente a trintena enumerada no artigo José Saramago na música portuguesa. Mas não. Nada aconteceu, o que nos dá toda a legitimidade para perguntar: andam a dormir na forma? Ou não querem trabalhar, deixando correr o tempo enquanto estão a olhar para o Mar da Palha ou a explorar o Facebook?



Dia Não



Poema: José Saramago (in "Os Poemas Possíveis", Lisboa: Portugália Editora, 1966 – p. 24-25)
Música: Luís Cília
Intérprete: Luís Cília* (in LP "La Poésie Portugaise de Nos Jours et de Toujours – 1", Moshé-Naïm, 1967; CD "La Poésie Portugaise de Nos Jours et de Toujours", EMEN, 1996)


De paisagens mentirosas
De luar e alvoradas
De perfumes e de rosas
De vertigens disfarçadas

Que o poema se desnude
De tais roupas emprestadas
Seja seco, seja rude
Como pedras calcinadas

Que não fale em coração
Nem de coisas delicadas
Que diga não quando não
Que não finja mascaradas

De vergonha se recolha
Se as faces tiver molhadas
Para seus gritos escolha
As orelhas mais tapadas

E quando falar de mim
Em palavras amargadas
Que o poema seja assim
Portas e ruas fechadas

Ah! que saudades do sim
Nestas quadras desoladas!


* Luís Cília – voz e guitarra
Marc Vic – guitarra
François Rabbath – contrabaixo
Produção – Moshé Naïm
Gravado nos Studios Europa-Sonor, Paris
URL: http://www.luiscilia.com/
https://www.youtube.com/user/LeoMOV/videos



Dia Não



Poema: José Saramago (in "Os Poemas Possíveis", Lisboa: Portugália Editora, 1966 – p. 24-25)
Música: Luís Cília
Intérprete: Manuel Freire* (in LP "Devolta", Diapasão/Lamiré, 1978)


De paisagens mentirosas
De luar e alvoradas
De perfumes e de rosas
De vertigens disfarçadas

Que o poema se desnude
De tais roupas emprestadas
Seja seco, seja rude
Como pedras calcinadas

Que não fale em coração
Nem de coisas delicadas
Que diga não quando não
Que não finja mascaradas

De vergonha se recolha
Se as faces tiver molhadas
Para seus gritos escolha
As orelhas mais tapadas

E quando falar de mim
Em palavras amargadas
Que o poema seja assim
Portas e ruas fechadas

Ah! que saudades do sim
Nestas quadras desoladas!


* [Créditos gerais do disco:]
Manuel Freire – voz
Luís Cília – guitarra, coros
Pedro Caldeira Cabral – guitarra portuguesa
Celso de Carvalho – viola baixo
Vasco Pimentel – sintetizador ARP Omni, piano
Arranjos e direcção musical – Luís Cília
Produção – Lamiré
Gravado nos Estúdios Musicorde, Lisboa
Técnicos de som – Rui Remígio e Luís Flor



Dia Não



Poema: José Saramago (in "Os Poemas Possíveis", Lisboa: Portugália Editora, 1966 – p. 24-25)
Música: Luís Cília
Intérprete: Manuel Freire (in CD "As Canções Possíveis: Manuel Freire canta José Saramago", Editorial Caminho, 1999, reed. Ovação, 2005)




De paisagens mentirosas
De luar e alvoradas
De perfumes e de rosas
De vertigens disfarçadas

Que o poema se desnude
De tais roupas emprestadas
Seja seco, seja rude
Como pedras calcinadas

Que não fale em coração
Nem de coisas delicadas
Que diga não quando não
Que não finja mascaradas

De vergonha se recolha
Se as faces tiver molhadas
Para seus gritos escolha
As orelhas mais tapadas

E quando falar de mim
Em palavras amargadas
Que o poema seja assim
Portas e ruas fechadas

Ah! que saudades do sim
Nestas quadras desoladas!


* Manuel Freire – voz
Aníbal Lima – violino
Nuno Silva – clarinete
Paulo Gaio Lima – violoncelo
João Paulo Esteves da Silva – piano
Bernardo Moreira – contrabaixo
Orquestração e direcção musical – Carlos Alberto Moniz
Assistência musical – Idália Moniz
Produção – Dito e Feito, Lda.
Gravado nos Estúdios Xangrilá, Lisboa, nos dias 8, 9 e 10 de Março de 1999, por Pedro Ferreira, e nos Estúdios Goya, nos dias 23, 24, 25 e 26 de Março de 1999, por Rosário Sena e José Manuel Fortes
Mistura e masterização – José Manuel Fortes
URL: https://www.facebook.com/ManuelFreireOficial/
https://www.youtube.com/channel/UC-z8xqfA49yS1tAXIBTvQig
https://www.youtube.com/user/DoTempoDosSonhos/videos?query=manuel+freire



Capa da 1.ª edição do livro "Os Poemas Possíveis", de José Saramago (Col. Poetas de Hoje, Portugália Editora, 1966)



Capa do LP "La Poésie Portugaise de Nos Jours et de Toujours – 1", de Luís Cília (Moshé-Naïm, 1967)
Fotografia – Ludwik Lewin
Concepção – Henri Matchavariani



Capa da antologia em CD "La Poésie Portugaise de Nos Jours et de Toujours", de Luís Cília (EMEN, 1996)



Capa do LP "Devolta", de Manuel Freire (Diapasão/Lamiré, 1978)
Fotografias e arranjo gráfico – Maria Judith Cília



Capa da 1.ª edição do CD "As Canções Possíveis: Manuel Freire canta José Saramago" (Editorial Caminho, 1999)
Design e ilustração – José Serrão

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