28 Dezembro 2011
05 Dezembro 2011
Um requiem cortado em pedacinhos
Infelizmente, após a saída de João Pereira Bastos, a Antena 2 passou a dar-me motivos bastantes para a não sintonizar de forma assídua e regular, ao invés do que antes fazia. Com muito prazer e proveito intelectual, devo acrescentar em reconhecimento ao anterior director de programas.
Além da notória desqualificação da programação (se é que tal palavra é apropriada a uma grelha, em boa parte, preenchida com espaços de música "ad hoc" e sem qualquer lógica editorial), o capital humano é hoje incomparavelmente de muito mais baixo nível, quer no tocante à preparação intelectual, domínio e uso escorreito da língua portuguesa (léxico, sintaxe e prosódia), quer no que respeita ao timbre e colocação das vozes da locução – aspecto que alguns tendem a considerar acessório mas que não é nada despiciendo em rádio. Como se tudo isto não bastasse, os srs. Rui Pêgo e João Almeida, não percebendo que um canal de serviço público cultural não se pode reger pelos mesmos critérios das estações privadas de onde vieram, não descansaram enquanto não infestaram a Antena 2 com essa autêntica praga que são os sucessivos blocos de 'jingles' e 'spots' promocionais (a coisas da mais variada índole e de nula ou insignificante relevância cultural, denotando uma escandalosa promiscuidade com interesses privados). Para poupar os meus ouvidos a tão recorrente e despudorada agressão, a minha escuta da antena (pretensamente) cultural da rádio pública, passou a restringir-se a uns poucos programas de autor, por coincidência todos iniciados no consulado de João Pereira Bastos (circunstância que não deixa de ser bem eloquente quanto à míngua de programas de qualidade surgidos por iniciativa da direcção sucedânea).
Domingo passado, logo depois do toque de despertar (programado para as 09:05, justamente para escapar ao cartucho de 'jingles' e 'spots', que é disparado na viragem de cada hora), caí na ingenuidade de ligar para a Antena 2. E digo "ingenuidade" porque não decorreu muito tempo até me arrepender da decisão. O locutor de serviço, Pedro Rafael Costa, aparece a dizer que iríamos ouvir o "Requiem", de Mozart, pela Capela Real da Catalunha, de Jordi Savall e de Montserrat Figueras, esta recentemente desaparecida. Sendo a missa de defuntos do genial compositor de Salzburgo uma das minhas obras dilectas de toda a música (erudita ou não), e dado que a gravação que possuo na minha colecção é outra, fiquei com o apetite aguçado e estava na expectativa de começar o meu domingo em grande. Puro engano!... Ao fim de dois ou três andamentos (o que não terá ido muito além de uns escassos dez a quinze minutos), a transmissão é abruptamente interrompida pelo citado locutor, dizendo que a secção seguinte do "Requiem" (a segunda de várias, presume-se) ficaria para o próximo fim-de-semana. Como interpretar tão estrambólico procedimento? Será que o sr. Pedro Rafael Costa deseja a todo o custo fidelizar ouvintes ao seu espaço musical e o truque é repartir obras apetecíveis em pedacinhos, por dias diferentes, no caso com uma semana de desfasamento? Se é essa a ideia, comigo não pega. No próximo domingo, não vou, com toda a certeza, despertar com a Antena 2. Está completamente fora de questão! Preferiria mil vezes comprar o disco e ouvi-lo de fio a pavio, sem quaisquer constrangimentos. Se há obras que só fazem sentido se ouvidas na íntegra a cada fruição, o "Requiem", de Mozart, é indubitavelmente uma delas. Dá-la a ouvir aos pedacinhos em dias diferentes (mas mesmo que fosse no mesmo dia...), não só é um perfeito disparate, como um péssimo serviço prestado à Música. Não dignifica a obra, amesquinha o autor que a criou e defrauda o ouvinte. Tratando-se de uma das mais superlativas obras-primas da História da Música, o "Requiem", de Wolfgang Amadeus Mozart, não é equiparável a uma vulgar telenovela em que se deixa a trama em suspenso para o próximo episódio...
Enquanto cidadão e contribuinte, não posso deixar de formular esta pertinente questão a quem de direito: ninguém quer acudir à Antena 2? Se não, eu tenho de ponderar seriamente a suspensão do pagamento da chamada contribuição do audiovisual.
Textos relacionados:
Formas de poluição sonora na rádio pública
Antena 2: quando os spots promocionais de tornam um flagelo
Bach achincalhado na Antena 2
Promoção à RTP-1 na Antena 2
Antena 0,2: a arte que destoca
A 'macdonaldização' da Antena 2
Sobre o estado da Antena 2
Além da notória desqualificação da programação (se é que tal palavra é apropriada a uma grelha, em boa parte, preenchida com espaços de música "ad hoc" e sem qualquer lógica editorial), o capital humano é hoje incomparavelmente de muito mais baixo nível, quer no tocante à preparação intelectual, domínio e uso escorreito da língua portuguesa (léxico, sintaxe e prosódia), quer no que respeita ao timbre e colocação das vozes da locução – aspecto que alguns tendem a considerar acessório mas que não é nada despiciendo em rádio. Como se tudo isto não bastasse, os srs. Rui Pêgo e João Almeida, não percebendo que um canal de serviço público cultural não se pode reger pelos mesmos critérios das estações privadas de onde vieram, não descansaram enquanto não infestaram a Antena 2 com essa autêntica praga que são os sucessivos blocos de 'jingles' e 'spots' promocionais (a coisas da mais variada índole e de nula ou insignificante relevância cultural, denotando uma escandalosa promiscuidade com interesses privados). Para poupar os meus ouvidos a tão recorrente e despudorada agressão, a minha escuta da antena (pretensamente) cultural da rádio pública, passou a restringir-se a uns poucos programas de autor, por coincidência todos iniciados no consulado de João Pereira Bastos (circunstância que não deixa de ser bem eloquente quanto à míngua de programas de qualidade surgidos por iniciativa da direcção sucedânea).
Domingo passado, logo depois do toque de despertar (programado para as 09:05, justamente para escapar ao cartucho de 'jingles' e 'spots', que é disparado na viragem de cada hora), caí na ingenuidade de ligar para a Antena 2. E digo "ingenuidade" porque não decorreu muito tempo até me arrepender da decisão. O locutor de serviço, Pedro Rafael Costa, aparece a dizer que iríamos ouvir o "Requiem", de Mozart, pela Capela Real da Catalunha, de Jordi Savall e de Montserrat Figueras, esta recentemente desaparecida. Sendo a missa de defuntos do genial compositor de Salzburgo uma das minhas obras dilectas de toda a música (erudita ou não), e dado que a gravação que possuo na minha colecção é outra, fiquei com o apetite aguçado e estava na expectativa de começar o meu domingo em grande. Puro engano!... Ao fim de dois ou três andamentos (o que não terá ido muito além de uns escassos dez a quinze minutos), a transmissão é abruptamente interrompida pelo citado locutor, dizendo que a secção seguinte do "Requiem" (a segunda de várias, presume-se) ficaria para o próximo fim-de-semana. Como interpretar tão estrambólico procedimento? Será que o sr. Pedro Rafael Costa deseja a todo o custo fidelizar ouvintes ao seu espaço musical e o truque é repartir obras apetecíveis em pedacinhos, por dias diferentes, no caso com uma semana de desfasamento? Se é essa a ideia, comigo não pega. No próximo domingo, não vou, com toda a certeza, despertar com a Antena 2. Está completamente fora de questão! Preferiria mil vezes comprar o disco e ouvi-lo de fio a pavio, sem quaisquer constrangimentos. Se há obras que só fazem sentido se ouvidas na íntegra a cada fruição, o "Requiem", de Mozart, é indubitavelmente uma delas. Dá-la a ouvir aos pedacinhos em dias diferentes (mas mesmo que fosse no mesmo dia...), não só é um perfeito disparate, como um péssimo serviço prestado à Música. Não dignifica a obra, amesquinha o autor que a criou e defrauda o ouvinte. Tratando-se de uma das mais superlativas obras-primas da História da Música, o "Requiem", de Wolfgang Amadeus Mozart, não é equiparável a uma vulgar telenovela em que se deixa a trama em suspenso para o próximo episódio...
Enquanto cidadão e contribuinte, não posso deixar de formular esta pertinente questão a quem de direito: ninguém quer acudir à Antena 2? Se não, eu tenho de ponderar seriamente a suspensão do pagamento da chamada contribuição do audiovisual.
Textos relacionados:
Formas de poluição sonora na rádio pública
Antena 2: quando os spots promocionais de tornam um flagelo
Bach achincalhado na Antena 2
Promoção à RTP-1 na Antena 2
Antena 0,2: a arte que destoca
A 'macdonaldização' da Antena 2
Sobre o estado da Antena 2
20 Outubro 2011
Porquê o fim do "Teatro Imaginário"?
A 27 de Dezembro de 2006, na sequência da morte de Eduardo Street, tive o ensejo de tocar na questão do importantíssimo acervo de teatro radiofónico guardado no arquivo da RDP e de lembrar a quem de direito da obrigação que a rádio estatal tinha (tem) – enquanto concessionária do serviço público de radiodifusão – de dar aos ouvintes (designadamente aos mais novos) a oportunidade de fruírem desse património cultural.
No Verão de 2007, a direcção de programas da Antena 2 entendeu por bem render homenagem a Eduardo Street, resgatando das teias de aranha cerca de uma dúzia de peças por ele realizadas. Saudei então a iniciativa, mas não deixei de lamentar a curta duração do ciclo.
Em Maio de 2010, portanto, volvidos mais três anos, encarei com regozijo o início da retransmissão do "Teatro Imaginário". Tendo em conta as centenas de peças existentes no arquivo histórico, eu estava na expectativa de me puder deliciar por alguns anos com as peças que Eduardo Street e outros antes dele (como Odete de Saint-Maurice) tão diligentemente realizaram. Pura ilusão! Desde finais de Agosto último, o "Teatro Imaginário" deixou de aparecer na Antena 2. Agora apenas temos aquele arremedo de teatro radiofónico, entre o experimental e o grosseiro, a que chamam de "Teatro Sem Fios". Eu pergunto: porquê o fim do "Teatro Imaginário"? Espero que não me venham com a desculpa esfarrapada da contenção de custos pois estamos a falar de registos do arquivo histórico, o mesmo é dizer de "produtos" acabados, logo sem encargos financeiros acrescidos para a empresa. Bem diferente, portanto, do desinteressante e enfadonho q.b. "Teatro Sem Fios". A haver cortes, que deixassem cair este último e mantivessem o "Teatro Imaginário".
De tudo o que ouvi na recente e inexplicavelmente interrompida reposição do "Teatro Imaginário", relevo as nove peças de Gil Vicente: "O Auto de Mofina Mendes", "O Velho da Horta", "A Farsa de Inês Pereira", "Auto da Barca do Inferno", "Romagem dos Agravados", "Auto de Sibila Cassandra", "Amadis de Gaula", "Auto da Cananeia" e "O Juiz da Beira". Magnífico e sublime o trabalho dos actores que nelas intervieram com o seu talento e arte. Tesouros que não têm preço e que, presumivelmente, estão longe de ser os únicos relativos a Gil Vicente. Quero acreditar que das dezenas de peças que o fundador do teatro português escreveu, outras terão sido transpostas para teatro radiofónico, tais como: "Auto da Visitação" (também conhecido por "Monólogo do Vaqueiro") (1502); "Auto da Índia" (1509); "Auto dos Reis Magos" (1510); "Auto da Fé" (1510); "Quem tem Farelos?" (1515); "Auto da Barca do Purgatório" (1518); "Auto da Barca da Glória" (1519); "Auto da Alma" (1518); "Auto da Fama" (1520); "O Pranto de Maria Parda" (1522); "Auto da Feira" (1526); "Breve Sumário da História de Deus" (1527), "Auto da Lusitânia" (1532); "Floresta de Enganos" (1536).
Não terá a rádio estatal a obrigação cultural de resgatá-las todas e dá-las a ouvir?
E quem diz Gil Vicente, diz Almeida Garrett, António Patrício, Luís de Sttau Monteiro e Bernardo Santareno (apenas para citar quatro proeminentes dramaturgos nacionais) dos quais não constou qualquer obra na temporada finda em Agosto. Importa não esquecer ainda os grandes autores estrangeiros que Eduardo Street, e outros, adaptaram e realizaram para a estação pública, desde os gregos antigos (Ésquilo, Sófocles, Eurípedes, Aristófanes) até ao teatro do absurdo (Beckett, Ionesco) passando por Shakespeare, Lope de Vega, Calderón de La Barca, Corneille, Molière, Racine, Marivaux, Goldoni, Beaumarchais, Schiller, Pushkin, Ibsen, Strindberg, Oscar Wilde, Bernard Shaw, Tchekov, Pirandello, Federico García Lorca, Bertolt Brecht, Eugene O'Neill, Tennessee Williams, Arthur Miller, Jean Anouilh, entre muitos outros.
Poderemos falar de verdadeiro serviço público de rádio quando tão valioso património fonográfico é ocultado aos ouvintes e deixado a apodrecer nas catacumbas da Rádio e Televisão de Portugal? Perante tal atitude obscurantista de quem dirige a Antena 2, com que ânimo poderão os (potenciais) amantes da arte de Talma continuar a desembolsar a contribuição do audiovisual?
Textos relacionados:
Eduardo Street: morreu o grande artesão do teatro radiofónico
Teatro Imaginário: ciclo Eduardo Street na Antena 2
No Verão de 2007, a direcção de programas da Antena 2 entendeu por bem render homenagem a Eduardo Street, resgatando das teias de aranha cerca de uma dúzia de peças por ele realizadas. Saudei então a iniciativa, mas não deixei de lamentar a curta duração do ciclo.
Em Maio de 2010, portanto, volvidos mais três anos, encarei com regozijo o início da retransmissão do "Teatro Imaginário". Tendo em conta as centenas de peças existentes no arquivo histórico, eu estava na expectativa de me puder deliciar por alguns anos com as peças que Eduardo Street e outros antes dele (como Odete de Saint-Maurice) tão diligentemente realizaram. Pura ilusão! Desde finais de Agosto último, o "Teatro Imaginário" deixou de aparecer na Antena 2. Agora apenas temos aquele arremedo de teatro radiofónico, entre o experimental e o grosseiro, a que chamam de "Teatro Sem Fios". Eu pergunto: porquê o fim do "Teatro Imaginário"? Espero que não me venham com a desculpa esfarrapada da contenção de custos pois estamos a falar de registos do arquivo histórico, o mesmo é dizer de "produtos" acabados, logo sem encargos financeiros acrescidos para a empresa. Bem diferente, portanto, do desinteressante e enfadonho q.b. "Teatro Sem Fios". A haver cortes, que deixassem cair este último e mantivessem o "Teatro Imaginário".
De tudo o que ouvi na recente e inexplicavelmente interrompida reposição do "Teatro Imaginário", relevo as nove peças de Gil Vicente: "O Auto de Mofina Mendes", "O Velho da Horta", "A Farsa de Inês Pereira", "Auto da Barca do Inferno", "Romagem dos Agravados", "Auto de Sibila Cassandra", "Amadis de Gaula", "Auto da Cananeia" e "O Juiz da Beira". Magnífico e sublime o trabalho dos actores que nelas intervieram com o seu talento e arte. Tesouros que não têm preço e que, presumivelmente, estão longe de ser os únicos relativos a Gil Vicente. Quero acreditar que das dezenas de peças que o fundador do teatro português escreveu, outras terão sido transpostas para teatro radiofónico, tais como: "Auto da Visitação" (também conhecido por "Monólogo do Vaqueiro") (1502); "Auto da Índia" (1509); "Auto dos Reis Magos" (1510); "Auto da Fé" (1510); "Quem tem Farelos?" (1515); "Auto da Barca do Purgatório" (1518); "Auto da Barca da Glória" (1519); "Auto da Alma" (1518); "Auto da Fama" (1520); "O Pranto de Maria Parda" (1522); "Auto da Feira" (1526); "Breve Sumário da História de Deus" (1527), "Auto da Lusitânia" (1532); "Floresta de Enganos" (1536).
Não terá a rádio estatal a obrigação cultural de resgatá-las todas e dá-las a ouvir?
E quem diz Gil Vicente, diz Almeida Garrett, António Patrício, Luís de Sttau Monteiro e Bernardo Santareno (apenas para citar quatro proeminentes dramaturgos nacionais) dos quais não constou qualquer obra na temporada finda em Agosto. Importa não esquecer ainda os grandes autores estrangeiros que Eduardo Street, e outros, adaptaram e realizaram para a estação pública, desde os gregos antigos (Ésquilo, Sófocles, Eurípedes, Aristófanes) até ao teatro do absurdo (Beckett, Ionesco) passando por Shakespeare, Lope de Vega, Calderón de La Barca, Corneille, Molière, Racine, Marivaux, Goldoni, Beaumarchais, Schiller, Pushkin, Ibsen, Strindberg, Oscar Wilde, Bernard Shaw, Tchekov, Pirandello, Federico García Lorca, Bertolt Brecht, Eugene O'Neill, Tennessee Williams, Arthur Miller, Jean Anouilh, entre muitos outros.
Poderemos falar de verdadeiro serviço público de rádio quando tão valioso património fonográfico é ocultado aos ouvintes e deixado a apodrecer nas catacumbas da Rádio e Televisão de Portugal? Perante tal atitude obscurantista de quem dirige a Antena 2, com que ânimo poderão os (potenciais) amantes da arte de Talma continuar a desembolsar a contribuição do audiovisual?
Textos relacionados:
Eduardo Street: morreu o grande artesão do teatro radiofónico
Teatro Imaginário: ciclo Eduardo Street na Antena 2
19 Setembro 2011
Pérolas da música portuguesa votadas ao ostracismo
José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Amália Rodrigues, Luiz Goes, Carlos Paredes, Pedro Caldeira Cabral, Manuel Freire, Carlos do Carmo, Fausto Bordalo Dias, Sérgio Godinho, José Mário Branco, Luís Cília, Vitorino, Janita Salomé, Teresa Silva Carvalho, Pedro Barroso, Paco Bandeira, Carlos Mendes, Quarteto 1111, Banda do Casaco, Trovante, Né Ladeiras, João Lóio, Afonso Dias, José Medeiros, João Afonso, Amélia Muge, Filipa Pais, Isabel Silvestre (no seio do Grupo de Cantares de Manhouce ou a solo), Teresa Salgueiro (no seio dos Madredeus ou a solo), Rão Kyao, Júlio Pereira, José Peixoto, Pedro Jóia, António Pinho Vargas, João Paulo Esteves da Silva, Brigada Victor Jara, Almanaque, Ronda dos Quatro Caminhos, Vai de Roda, Raízes, Terra a Terra, Pedra d'Hera, José Barros & Navegante, Gaiteiros de Lisboa, Frei Fado d'El Rei, Sebastião Antunes (no seio da Quadrilha ou a solo), Toque de Caixa, Galandum Galundaina, Realejo, Danças Ocultas, Diabo a Sete, Pé na Terra, Roda Pé, Vá-de-Viró, Belaurora, Helena Oliveira (no seio do grupo Orpheu ou a solo), César Prata...
As pessoas minimamente informadas e amantes de boa música sabem que todos os nomes citados são de artistas de primeira água, sendo que a eles se deve uma parte muito significativa do repertório mais valioso e perene da música portuguesa, desde que há registo fonográfico. Pois todos eles (e muitos outros detentores real mérito e valia – a lista completa seria fastidiosa) têm em comum a desdita se serem tratados como "filhos de um deus menor" pela rádio pública do seu próprio país. Uns (a maioria) estão, pura e simplesmente, excluídos na lista de difusão musical (vulgo 'playlist') do canal generalista da rádio estatal, a Antena 1; e os poucos que nela figuram recebem, sem apelo nem agravo, tratamento de terceira classe. Quero com isto dizer que a sua representação se restringe a um ou dois temas (que geralmente nem sequer correspondem ao melhor dos respectivos repertórios), e com uma aparição em antena tão esparsa e rarefeita que ouvi-los torna-se um exercício quase tão difícil como encontrar uma agulha num palheiro.
Em contrapartida, a chamada "pop de plástico" (a vinda de fora e a produzida cá dentro) recebe tratamento de privilégio, quer em número de temas incluídos na 'playlist', quer na frequência de difusão dos mesmos.
Ora, como facilmente se poderá inferir, se a marginalização da melhor música portuguesa é grave em qualquer rádio generalista de Portugal, ainda mais o é na emissora do próprio Estado, atendendo à obrigação que tem (formalmente assumida no contrato de concessão do serviço público de radiodifusão) de a divulgar e promover de forma cabal e satisfatória. Obrigação essa que decorre da circunstância do financiamento ser público – contribuição do audiovisual (que actualmente se cifra em €27,00 anuais + I.V.A.) e transferências directas do Orçamento de Estado.
O que se disse a respeito da Antena 1 aplica-se igualmente à Antena 3, outro canal do chamado "serviço público de rádio" que marginaliza, de forma perfeitamente criminosa, o nosso património musical mais valioso e qualificado.
Urge, portanto, que o problema seja resolvido por quem tem nas suas mãos o poder para tal. E para mostrar, com exemplos concretos e audíveis, o quanto é vasto e qualitativamente superior o repertório votado ao ostracismo pelas Antena 1 e 3, dar-se-á hoje início à expedição de uma circular, ao ritmo de uma por semana, com a letra de um espécime poético-musical (ou instrumental) e respectivo link para audição. Felizmente que a internet, nas suas diversas plataformas de armazenamento de som e vídeo, designadamente no YouTube (http://www.youtube.com/user/montradeperolas), é já (e sê-lo-á cada vez mais) um importante repositório de boa música portuguesa.
Para passar a receber a referida mensagem na sua caixa de e-mail, basta que se inscreva no Grupo de Amigos do LUGAR AO SUL.
Textos relacionados:
'Playlist' da Antena 1: uma vergonha nacional
Petição pública: por uma ANTENA 1 mais divulgadora da música portuguesa
Considerações sobre a 'playlist' da Antena 1
As pessoas minimamente informadas e amantes de boa música sabem que todos os nomes citados são de artistas de primeira água, sendo que a eles se deve uma parte muito significativa do repertório mais valioso e perene da música portuguesa, desde que há registo fonográfico. Pois todos eles (e muitos outros detentores real mérito e valia – a lista completa seria fastidiosa) têm em comum a desdita se serem tratados como "filhos de um deus menor" pela rádio pública do seu próprio país. Uns (a maioria) estão, pura e simplesmente, excluídos na lista de difusão musical (vulgo 'playlist') do canal generalista da rádio estatal, a Antena 1; e os poucos que nela figuram recebem, sem apelo nem agravo, tratamento de terceira classe. Quero com isto dizer que a sua representação se restringe a um ou dois temas (que geralmente nem sequer correspondem ao melhor dos respectivos repertórios), e com uma aparição em antena tão esparsa e rarefeita que ouvi-los torna-se um exercício quase tão difícil como encontrar uma agulha num palheiro.
Em contrapartida, a chamada "pop de plástico" (a vinda de fora e a produzida cá dentro) recebe tratamento de privilégio, quer em número de temas incluídos na 'playlist', quer na frequência de difusão dos mesmos.
Ora, como facilmente se poderá inferir, se a marginalização da melhor música portuguesa é grave em qualquer rádio generalista de Portugal, ainda mais o é na emissora do próprio Estado, atendendo à obrigação que tem (formalmente assumida no contrato de concessão do serviço público de radiodifusão) de a divulgar e promover de forma cabal e satisfatória. Obrigação essa que decorre da circunstância do financiamento ser público – contribuição do audiovisual (que actualmente se cifra em €27,00 anuais + I.V.A.) e transferências directas do Orçamento de Estado.
O que se disse a respeito da Antena 1 aplica-se igualmente à Antena 3, outro canal do chamado "serviço público de rádio" que marginaliza, de forma perfeitamente criminosa, o nosso património musical mais valioso e qualificado.
Urge, portanto, que o problema seja resolvido por quem tem nas suas mãos o poder para tal. E para mostrar, com exemplos concretos e audíveis, o quanto é vasto e qualitativamente superior o repertório votado ao ostracismo pelas Antena 1 e 3, dar-se-á hoje início à expedição de uma circular, ao ritmo de uma por semana, com a letra de um espécime poético-musical (ou instrumental) e respectivo link para audição. Felizmente que a internet, nas suas diversas plataformas de armazenamento de som e vídeo, designadamente no YouTube (http://www.youtube.com/user/montradeperolas), é já (e sê-lo-á cada vez mais) um importante repositório de boa música portuguesa.
Para passar a receber a referida mensagem na sua caixa de e-mail, basta que se inscreva no Grupo de Amigos do LUGAR AO SUL.
Textos relacionados:
'Playlist' da Antena 1: uma vergonha nacional
Petição pública: por uma ANTENA 1 mais divulgadora da música portuguesa
Considerações sobre a 'playlist' da Antena 1
30 Agosto 2011
R.T.P. condenada em tribunal
Para conhecimento dos cidadãos/contribuintes portugueses aqui se transcreve uma notícia publicada no semanário angolano "Novo Jornal", de 26 de Agosto de 2011:
«A RTP foi condenada em tribunal por despedimento ilícito do jornalista Gabriel Alves, a quem terá de pagar uma indemnização que ultrapassa o meio milhão de euros.
O repórter, uma das caras mais conhecidas na informação desportiva, e trabalhador da RTP durante 32 anos, foi despedido em 2007.
A discórdia entre o jornalista e a estação remonta a 2006, altura em que Gabriel Alves realizou a cobertura do Campeonato do Mundo de Futebol da Alemanha para a Televisão Pública de Angola (TPA), na sequência de um acordo de colaboração entre as duas estações públicas. Findo o período estabelecido, a TPA convidou o jornalista a permanecer por mais um mês, comunicando essa intenção à RTP, que não se pronunciou, favorável ou desfavoravelmente. Quando regressou à RTP Gabriel Alves foi impedido de realizar qualquer trabalho. O jornalista interpôs uma acção no Tribunal de Trabalho, que agora condenou a RTP a pagar os salários em atraso desde Novembro de 2007 até Julho de 2011, a que se somam vários subsídios e a indemnização por antiguidade. No total, Gabriel Alves deverá receber um valor próximo de 550 mil euros.» (in "Novo Jornal", 26.08.2011)
Em 2007, o presidente do Conselho de Administração da R.T.P. era Almerindo Marques. Alguém vai agora pedir-lhe responsabilidades por este acto de gestão gravemente danoso para os bolsos dos contribuintes? É claro que não! O sr. Almerindo pode ficar absolutamente descansadinho da vida...
Adenda (em 31.08.2011):
O jornalista Hugo Leal teve a gentileza de me alertar para o facto desta notícia ter sido publicada, em primeira-mão, pelo diário português "Correio da Manhã", no dia 21.08.2011. O seu a seu dono.
Aqui fica o link:
http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/lazer/tv--media/rtp-condenada-a-pagar-550-mil-euros-a-gabriel-alves
01 Agosto 2011
Porquê a suspensão do "Lugar ao Sul"?
Em virtude dos caprichos umbilicais do sr. Rui Pêgo, o aclamado e popular "Lugar ao Sul" deslizou das 09:00 horas de sábado para as obscuras 07:00. O horário é claramente indigno e aviltante para os ouvintes que depois de uma árdua semana de trabalho gostariam de pôr em dia o seu merecido descanso. No meu caso pessoal, não estando disposto a fazer tal sacrifício, ademais originado por pérfida arbitrariedade, mas não querendo deixar de ouvir o programa no horário a que me habituei, a solução de recurso que se me ofereceu foi a gravação pré-programada. Ora, às 09:00 de sábado passado, mal soou o despertador, liguei o meu aparelho na expectativa de me deliciar com mais uma saborosa e nutritiva conversa de Mestre Rafael Correia com algum poeta, músico ou homem/mulher sábio(a) do nosso Portugal profundo. Para meu desapontamento, surge na gravação um tal José Candeias a conduzir uma emissão a partir do Museu de Portimão, em moldes retintamente decalcados do programa "Terra-a-Terra", emitido na TSF entre as 09:00 e as 11:00 de sábado. Pensei: na "sapiente" cabeça de Rui Pêgo surgiu agora a luminosa ideia de fazer concorrência directa à rádio de Joaquim Oliveira, não com um programa diferente e alternativo mas com um émulo?! Bem, não brotando de tal mente ideias originais, limitando-se a copiar modelos de outrem, nem sequer vou ao ponto de criticar o aparecimento na grelha da Antena 1 de tal programa. Não posso é deixar de me insurgir contra a supressão do "Lugar ao Sul", já que sobre ele não pendia a contingência do seu autor ter entrado de férias (pois deixou de trabalhar para a RDP em meados de 2009), como é o caso dos realizadores dos dois programas seguintes na grelha da Antena 1 – Júlio Isidro ("Ilha dos Tesouros"), Ana Aranha e Iolanda Ferreira ("A Vida dos Sons"). Tratando-se de um programa de arquivo nada justificaria que fosse suspenso. Seria pedir muito à 'editora' Cláudia Almeida que fosse ao arquivo buscar quatro ou cinco registos do "Lugar ao Sul" e de lhes adicionasse uma breve nota de apresentação? Não se pede à sra. Cláudia Almeida mais que a simples menção da data da emissão original, o local da recolha e eventualmente os nomes e ocupações dos interlocutores de Rafael Correia, pois em tudo o que vá além disso a probabilidade de haver erros e incorrecções é muito elevada. Vistas bem as coisas, tal edição nem é absolutamente necessária e talvez seja preferível ouvir as gravações tal qual Rafael Correia as deixou, sem intervenção de terceiros, sobretudo quando se trata de gente incompetente e mal preparada. Deduz-se, portanto, que a suspensão do "Lugar ao Sul" decorreu, não de uma impossibilidade incontornável, mas de decisão arbitrária de Rui Pêgo. Um gesto que, aliás, se inscreve na linha de afronta e de desconsideração com que tal indivíduo sempre tratou os fiéis ouvintes do programa de Rafael Correia. Se o sr. Rui Pêgo fazia mesmo questão que o espaço conduzido por José Candeias tivesse três horas de duração (apesar de tremendamente burocrático e enfadonho de se ouvir – falou o presidente da Junta de Freguesia, segue-se o presidente da Câmara, depois tem a palavra o presidente da associação dos hoteleiros, etc.) que o colocasse entre as 08:00 e as 11:00. Assim, a almejada concorrência à TSF seria taco a taco, logo mais eficaz. É caso para dizer que até nesses aspectos de pura estratégia concorrencial (ainda que contrários à filosofia que deve nortear o serviço público de rádio) Rui Pêgo se revela um autêntico pitosga.
Textos relacionados:
As Escolhas do Provedor: Lugar ao Sul
"Lugar ao Sul" sofre novo ataque
"Lugar ao Sul" sofre novo ataque (II)
Amigos do LUGAR AO SUL no My Space
"Lugar ao Sul": um programa-património
Rafael Correia: o eremita da rádio
É preciso resgatar a memória do "Lugar ao Sul"
"Lugar ao Sul" regressa à Antena 1
"Lugar ao Sul" mutilado, não!
"Lugar ao Sul" mutilado, não! (II)
"Lugar ao Sul" mutilado, não! (III)
"Lugar ao Sul": calinadas da 'editora' Cláudia Almeida
Textos relacionados:
As Escolhas do Provedor: Lugar ao Sul
"Lugar ao Sul" sofre novo ataque
"Lugar ao Sul" sofre novo ataque (II)
Amigos do LUGAR AO SUL no My Space
"Lugar ao Sul": um programa-património
Rafael Correia: o eremita da rádio
É preciso resgatar a memória do "Lugar ao Sul"
"Lugar ao Sul" regressa à Antena 1
"Lugar ao Sul" mutilado, não!
"Lugar ao Sul" mutilado, não! (II)
"Lugar ao Sul" mutilado, não! (III)
"Lugar ao Sul": calinadas da 'editora' Cláudia Almeida
21 Julho 2011
"Lugar ao Sul": calinadas da 'editora' Cláudia Almeida
Na nota de apresentação à edição de sábado passado, dia 16 de Julho, do programa "Lugar ao Sul", a sra. Cláudia Almeida começou com estas palavras ('ipsis verbis'): «GNR, Trovante, Vitorino, Fausto Bordalo Dias, Carlos do Carmo, Rui Veloso – a música portuguesa no arranque desta manhã do "Lugar ao Sul". Rafael Correia esteve na piscina do Sport Algés e Dafundo...»
Ora eu estava na expectativa de ouvir todos artistas citados, mas com o desenrolar da emissão vim a constatar que fui grosseiramente enganado. Vitorino e Fausto Bordalo Dias não constaram, ao passo que foram omitidos dois artistas que efectivamente figuraram no programa: João Fernando (tema "Tejo Que Levas as Águas") e Fernando Marques (tema "Cais da Pimenta").
Sendo uma pessoa com conhecimentos bastante limitados no tocante à música/discografia portuguesa, a jornalista Cláudia Almeida, no respeito pelas regras da deontologia profissional, devia documentar-se e/ou informar-se junto de quem a pudesse elucidar. Mas não! Pôs-se a adivinhar e... saiu asneira. João Fernando e Fernando Marques, dois eméritos compositores/intérpretes, se ouviram o programa, não devem ter gostado de ver as suas músicas atribuídas a outrem. E Vitorino e Fausto Bordalo Dias, artistas consagradíssimos e com vasta obra editada, não precisam, com certeza, que obra alheia passe como sua. Enfim, uma trapalhada que teria sido certamente evitada se a edição do programa estivesse em mãos mais sabedoras e profissionais. E neste ponto não podemos deixar de chamar à pedra o sr. Rui Pêgo, pelo flagrante erro de 'casting' que cometeu ao confiar à sra. Cláudia Almeida uma tarefa para a qual ela não tem, comprovadamente, a necessária preparação e competência. Se se disser que Rui Pêgo é igualmente um erro de 'casting' na direcção da rádio pública então ficam explicadas muitas das clamorosas deficiências que se têm registado no serviço durante os últimos anos.
Ora eu estava na expectativa de ouvir todos artistas citados, mas com o desenrolar da emissão vim a constatar que fui grosseiramente enganado. Vitorino e Fausto Bordalo Dias não constaram, ao passo que foram omitidos dois artistas que efectivamente figuraram no programa: João Fernando (tema "Tejo Que Levas as Águas") e Fernando Marques (tema "Cais da Pimenta").
Sendo uma pessoa com conhecimentos bastante limitados no tocante à música/discografia portuguesa, a jornalista Cláudia Almeida, no respeito pelas regras da deontologia profissional, devia documentar-se e/ou informar-se junto de quem a pudesse elucidar. Mas não! Pôs-se a adivinhar e... saiu asneira. João Fernando e Fernando Marques, dois eméritos compositores/intérpretes, se ouviram o programa, não devem ter gostado de ver as suas músicas atribuídas a outrem. E Vitorino e Fausto Bordalo Dias, artistas consagradíssimos e com vasta obra editada, não precisam, com certeza, que obra alheia passe como sua. Enfim, uma trapalhada que teria sido certamente evitada se a edição do programa estivesse em mãos mais sabedoras e profissionais. E neste ponto não podemos deixar de chamar à pedra o sr. Rui Pêgo, pelo flagrante erro de 'casting' que cometeu ao confiar à sra. Cláudia Almeida uma tarefa para a qual ela não tem, comprovadamente, a necessária preparação e competência. Se se disser que Rui Pêgo é igualmente um erro de 'casting' na direcção da rádio pública então ficam explicadas muitas das clamorosas deficiências que se têm registado no serviço durante os últimos anos.
Subscrever:
Mensagens (Atom)






