20 outubro 2009

Petição pública: por uma ANTENA 1 mais divulgadora da música portuguesa



«Decerto já se aperceberam que a nossa ANTENA 1 não está a fazer um verdadeiro serviço público, no que concerne à divulgação da nossa música portuguesa, nomeadamente, de uma forma desinteressada, com a difusão de grupos e/ou intérpretes individuais de todo o país. Como Editor Fonográfico há treze anos (http://www.emilianotoste.pt) e, actualmente, com um catálogo considerável na área da música portuguesa, com alguns intérpretes nomeados para os principais prémios deste país, tenho verificado que os meus editados não têm sido contemplados com uma divulgação efectiva, tendo-o sido, apenas, de uma forma pontual (por exemplo, através de ARMANDO CARVALHÊDA e ANA SOFIA CARVALHÊDA, a nível nacional e MÁRIO JORGE PACHECO e SIDÓNIO BETTENCOURT, a nível regional). O mesmo sentem outros editores que, também, têm prestado um serviço sério e contributivo para a dignificação da arte musical portuguesa.
É de salientar que esta posição não é isolada, porque reflecte o sentir de muitos cidadãos, com os quais tenho dialogado sobre este assunto.
Para não irmos mais longe, basta-nos percorrer a nossa vizinha Espanha e verificarmos a sorte que têm os seus cidadãos músicos. São muito bem divulgados!
É por este motivo que me dirijo a vós, no sentido de contar com o vosso contributo, através da vossa assinatura (no caso da vossa concordância), a qual chegará às Entidades responsáveis por este serviço público, alertando-as para esta pobre realidade que, em nada dignifica a nossa cultura, a nível nacional e internacional.
Desde já, muito obrigado pelo vosso contributo.

Subscreve,
Emiliano Toste - Editor Fonográfico e Professor - BI: 5012748» (in
http://www.peticaopublica.com/?pi=P2009N490)


Esta é uma petição muitíssimo pertinente e só peca por tardia porque efectivamente a atitude das direcções da RDP-Antena 1, depois da saída de João Coelho e de António Cardoso Pinto (director interino durante algum tempo), face à música portuguesa de qualidade tem sido absolutamente indigna e indecorosa. Atente-se em qual a música que entra na 'playlist' e na que é deliberada e criminosamente excluída. É facilmente constatável (e já tive oportunidade de o fundamentar no texto
'Playlist' da Antena 1: uma vergonha nacional) que a rádio do Estado, longe de prestar um serviço cabal e conveniente no que à música portuguesa diz respeito, se tornou numa espécie de extensão dos departamentos comerciais das editoras mais poderosas e influentes. Resultado: tudo o que não tem a chancela daquele 'lobby' de interesses é implacavelmente posto à margem e deixado na sombra.
De facto, são muitos os discos de música portuguesa de qualidade que a Antena 1 ignora e/ou marginaliza (cf.
Grandes discos da música portuguesa: editados em 2008). E tal acontece não só na afunilada 'playlist' como em programas de autor (por exemplo, no "Vozes da Lusofonia" que deixa de fora álbuns distinguidos com o Prémio José Afonso e contempla – pasme-se! – discos cantados em inglês). Ora, sabendo-se que não é das 'majors' que actualmente sai a melhor música portuguesa, a situação vigente na estação do Estado assume ainda maior gravidade. Esta tem sido uma temática que tenho recorrentemente tratado no blogue "A Nossa Rádio" (http://nossaradio.blogspot.com/), tendo o cuidado de enviar os textos a quem de direito, mas parece que ninguém está interessado em atacar o cancro. Insensibilidade do poder político e das entidades competentes para o problema (que tantos prejuízos tem causado e continua a causar à música portuguesa mais qualificada) ou medo de bulir com interesses instalados? Talvez a resposta seja um misto das duas coisas. Em França e Espanha, como se sabe, estas coisas são tratadas muito seriamente. Por cá, é o deixa andar: "não te rales que eu também não". Esquecem-se as entidades responsáveis que o problema tem uma repercussão cultural (e não só) bem mais nefasta do que à partida possa parecer.
Para a Antena 1, creio que existe uma quota obrigatória de 60 % de música portuguesa. Eu pergunto: de que forma é que tal quota está a ser preenchida? Já alguém se deu ao cuidado de o averiguar? Embora tenha sérias dúvidas quanto ao cumprimento da percentagem em si mesma, dada a profusão de música anglo-americana (ainda por cima de baixíssima qualidade), há outra coisa ainda mais preocupante e inaceitável. Refiro-me obviamente ao facto da 'playlist' estar monopolizada por um único género musical: a pop (a anglo-americana e a nacional, em geral esteticamente tributária daquela). Os géneros musicais de menor potencial económico (portanto, sem interesse para as 'majors', as quais têm de atingir determinados resultados em termos de lucros, porque assim o exigem os accionistas) são implacavelmente marginalizados, sendo relegados para minúsculos apontamentos (durante a semana) ou para programas de autor (ao fim-de-semana), sendo que no último caso nem isso acontece para a música tradicional/folk portuguesa, o que não pode deixar de se considerar uma lacuna muito grave do serviço público de rádio.
Por tudo isto, Emiliano Toste e todos os outros editores que vêem as suas edições serem marginalizadas pela rádio do Estado têm muitíssima razão em se queixarem. Mas os prejudicados não são apenas os pequenos editores: são também os numerosos artistas de mérito silenciados ou deficientemente divulgados, designadamente os que têm vínculo contratual com uma pequena editora ou que lançam os seus trabalhos em edição de autor, e, como não podia deixar de ser, também os ouvintes/contribuintes que assim vêem ser-lhes sonegada, pela rádio que financiam, a oportunidade de tomarem conhecimento de uma parte significativa da boa música portuguesa que se vai produzindo entre nós.
Por um acaso do Destino ou por determinação da Providência ou do Grande Arquitecto do Espaço-Tempo, não me foi dado viver no tempo em que Oliveira Salazar e Marcelo Caetano governaram Portugal, e nessa medida não posso testemunhar com conhecimento de causa qual a música que predominava na Emissora Nacional, a antepassada da Antena 1. Mas baseando-me nos relatos escritos e falados de quem viveu na época, não andarei longe da verdade se disser que o género de música que tinha honras de privilégio era o chamado nacional-cançonetismo (julgo que a expressão é da autoria do jornalista João Paulo Guerra, que actualmente faz a revista de imprensa nas manhãs da Antena 1). E se assim acontecia era porque o regime totalitário o ditava: havia, portanto, uma razão ideológica subjacente. O Estado Novo terminou em 25 de Abril de 1974, e se é certo que o nacional-cançonetismo praticamente desapareceu do éter nacional, inclusive da rádio do Estado, não deixa de ser igualmente verdade que na mesmíssima rádio do Estado, o seu lugar está neste momento a ser ocupado pelo seu equivalente hodierno – a música pop. Com explicar tal situação num regime constitucionalmente democrático e pluralista? A democracia pressupõe o pluralismo de expressão/comunicação e a garantia do exercício de livre escolha por parte dos cidadãos. Mas a livre escolha só é possível se as pessoas tomarem conhecimento do que existe, porque só se deseja e se ama o que se conhece (como diria Fernando Pessoa). Ora é precisamente neste ponto que a rádio pública tem o seu papel a desempenhar, divulgando as obras de qualidade, e sem olhar a quem: se o editor/artista é X ou Y ou se está radicado em Lisboa, no Minho ou no Algarve. Uma rádio pública generalista de âmbito nacional deve reger-se pelo princípio da equidade e dar igualdade de oportunidades a todos os nacionais que apresentem trabalhos de mérito. Não pode favorecer escandalosamente uma parte dos editores/artistas (seja por conluio verbal ou tácito, seja através das famigeradas avenças de promoção), nem tomar partido por uma determinada estética ou linguagem musical como se essa fosse a música oficial do regime. O condicionamento/dirigismo do gosto é uma coisa própria de regimes totalitários (de direita ou de esquerda, para o caso vale o mesmo) e julgo que ninguém defende isso em democracia. Mas é precisamente isso o que a actual direcção de programas da Antena 1 vem fazendo na prática, ignorando por completo as disposições consignadas na legislação que enquadra o serviço público de radiodifusão!

Para assinar a petição é favor clicar
aqui.

12 outubro 2009

Prémio Carlos Paredes (novo regulamento)

Transcreve-se abaixo o novo regulamento do Prémio Carlos Paredes, de acordo com a redacção publicada no Diário da República, II.ª série, de 20 de Maio de 2009.
A alteração mais significativa é o facto de já não colocada com condição que os discos sejam exclusivamente de música instrumental, passando a ser aceites «todos os trabalhos de música não erudita, que contribuam para o reforço da nossa identidade cultural, nomeadamente os de raiz popular portuguesa, que tenham sido editados em CD, com distribuição comercial, no decurso do ano civil anterior a que a edição do prémio diga respeito.»
A recepção das candidaturas decorre entre os dias 16 e 30 de Outubro.
Pena é que não se tivesse aproveitado a alteração ao regulamento para actualizar o exíguo valor pecuniário do prémio – 2.500 euros. Um galardão que enverga um nome tão importante como o de Carlos Paredes devia ter uma dignidade em concordância com tal estatuto, o que manifestamente não acontece com aquele montante. É de aplaudir que as câmaras municipais e outras entidades criem prémios para a música portuguesa, mas quando as dotações pecuniárias são pouco mais que simbólicas nem o nome do patrono fica devidamente dignificado nem o artista vê reconhecido o seu trabalho como merece.
O Prémio José Afonso, da Câmara Municipal da Amadora, tem a dotação de 5.000 euros e devo dizer que não é muito. Quererá a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira dar a entender que Carlos Paredes tem metade do mérito artístico de José Afonso? Eu até sou um grande apreciador da obra de José Afonso mas não escondo que a de Carlos Paredes se situa num plano superior, não só em termos puramente técnicos como pelo carácter muito mais universal que a sua música reveste, ainda que genuinamente portuguesa. Carlos Paredes é a portugalidade feita música, é a música portuguesa na sua essência mais profunda e intemporal. E se há música instrumental que é imediatamente associada a Portugal, em qualquer parte do mundo – da Lapónia à Nova Zelândia ou da Cochinchina à Patagónia –, essa é a de Carlos Paredes.

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NOVO REGULAMENTO DO PRÉMIO CARLOS PAREDES

Artigo 1.º
É intenção da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, com a instituição deste prémio, homenagear um dos maiores criadores musicais portugueses do século XX e incentivar a criação e a difusão de música de qualidade feita por portugueses;

Artigo 2.º
1 - Podem concorrer ao Prémio Carlos Paredes todos os trabalhos de música não erudita, que contribuam para o reforço da nossa identidade cultural, nomeadamente os de raiz popular portuguesa, que tenham sido editados em CD, com distribuição comercial, no decurso do ano civil anterior a que a edição do prémio diga respeito.
2 - O prémio será atribuído ao intérprete da obra que venha a ser distinguida.

Artigo 3.º
Serão aceites candidaturas de todos os tipos de música não enquadráveis na designação de Música Erudita.

Artigo 4.ºAs candidaturas podem ser apresentadas directamente pelos intérpretes ou através das editoras discográficas;

Artigo 5.ºSó podem concorrer a este prémio intérpretes portugueses, independentemente de terem gravado ou não em Portugal, desde que preencham os requisitos estabelecidos no art.º 2.º do presente Regulamento;

Artigo 6.º
1 - As obras concorrentes deverão ser entregues ou enviadas, em cinco exemplares, ao Departamento de Cultura, Turismo e Actividades Económicas, da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, para apreciação do júri.
2 - As obras a concurso não serão devolvidas.

Artigo 7.º
1 – A recepção das candidaturas far-se-á entre os dias 16 e 30 de Outubro de cada ano a que o prémio diga respeito.
2 - Sempre que as obras sejam remetidas pelos correios, será considerada, para efeitos de prazo de recepção, a data do registo postal;
3 – Caso não seja recebida nenhuma obra até à data limite estabelecida no n.º 1, a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, através de despacho da Senhora Presidente da Câmara Municipal, poderá decidir, prorrogar o prazo de entrega dos trabalhos, dando-se conhecimento posterior em reunião do executivo.

Artigo 8.º
1 - O Júri será constituído por um representante da Sociedade Portuguesa de Autores, por um representante da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, por um músico e por um crítico musical, ambos de reconhecido prestígio. 2 - O representante da Câmara Municipal presidirá ao Júri e terá voto de qualidade, em caso de empate;

Artigo 9.º
A divulgação da obra vencedora e a entrega do galardão estipulado no artigo 10.º deste regulamento, em cerimónia pública, efectuar-se-á até ao final de cada ano a que a edição seja respeitante.

Artigo 10.ºO valor pecuniário do Prémio Carlos Paredes é de 2.500 Euros, sendo ainda entregues ao vencedor uma placa alusiva ao galardão e um diploma;

Artigo 11.ºO presente Regulamento entra em vigor após serem feitas as aprovações e publicações exigidas por lei.

Artigo 12.º
Das decisões do Júri não haverá recurso.

As candidaturas devem ser enviadas para:
Prémio Carlos Paredes
Câmara Municipal de Vila Franca de Xira
Departamento de Cultura, Turismo e Actividades Económicas
Rua Dr. Manuel de Arriaga, 24
2600-186 Vila Franca de Xira
Tel. 263 287 600 Fax 263 271 516

09 outubro 2009

Madonna na RTP-2 é bom serviço público?



Na antiga RTP-2, que me lembre (pelo menos desde os anos 90), sempre houve ópera, bailado e teatro. Com a reestruturação do canal mandada fazer por Morais Sarmento e a sua transformação em 2:, em Janeiro de 2004, continuou a haver ópera e bailado, e também concertos de música sinfónica/coral, no espaço "Palcos", tendo sido criada para a música não erudita (pop/rock, jazz e world music) o espaço "Músicas". Decorridos cerca de dois anos, e por decisão do novo director de programas, Jorge Wemans, a ópera, o bailado e a música clássica seriam banidos e o espaço "Palcos" passou a ser reservado exclusivamente à música pop/rock e, por vezes, ao jazz. E é assim que há largos meses, no início da madrugada de sexta-feira para sábado, se vêm sucedendo muitos nomes da música pop/rock anglo-americana, geralmente em concertos ao vivo. Como gosto de ser eu o programador da televisão que desejo ver, habituei-me a gravar os programas do meu interesse para os ver a posteriori, a horas decentes, e o espaço "Palcos" tem sido um deles, embora saiba de antemão que nem tudo é aproveitável nem adequado a um canal de serviço público supostamente cultural. Exemplos disso têm sido as colagens de 'videoclips': assim aconteceu há uns meses com a Tina Turner, há algumas semanas com os U2 e voltou a acontecer na semana passada com a Madonna.
A pergunta que eu formulo a quem de direito é esta: é nestes termos e com este género de arte e de artistas que a RTP-2 presta serviço público cultural? Serão os conteúdos musicais/videográficos da MTV os mais recomendáveis para um canal público de televisão vocacionado para a cultura?
Devo dizer que nem sequer sou avesso à presença de música não erudita na RTP-2, mas terá sempre de existir um critério sério e rigoroso de selecção do que é efectivamente digno de figurar num canal cultural. Nesta ordem de ideias, autores/intérpretes como Astor Piazzolla, Chico Buarque ou Amélia Muge têm todo o cabimento na RTP-2, mas já não me parece aceitável dar a mesma dignidade à mais banal "pop music" que a Tina Turner, a Madonna ou a Christina Aguilera tão bem personificam (e apenas cito três nomes que já marcaram presença no "Palcos"). Ainda assim, nem levantaria muitas ondas se no segundo canal da RTP (que vive dos meus impostos) me fosse dada a oportunidade de ver/ouvir, por exemplo, a "Paixão Segundo São Mateus", de J.S. Bach, o bailado "Giselle", de Adolphe Adam, ou a ópera "Dido e Eneias", de Henry Purcell. Como tal não acontece o que, para todos os efeitos, constitui uma grave lacuna do serviço público de televisão, cumpre-me dizer de minha justiça. Digo mais: o sr. Jorge Wemans tem-se revelado um clamoroso erro de 'casting' na direcção do canal cultural da RTP. E aqui uma pergunta se impõe: tendo tal erro de 'casting' sido da responsabilidade da anterior administração (leia-se de Luís Marques) por
que razão a actual administração não o corrige, tornando possível que a RTP-2 retome o caminho do qual jamais se devia ter desviado?


Textos relacionados:
Propostas para o serviço público de televisão
Televisão e serviço público

06 outubro 2009

Amália: dez anos de saudade



No dia em que se completam dez anos sobre o desaparecimento da maior cantora (não lírica) que Portugal viu nascer, o blogue "A Nossa Rádio" rende-lhe uma singela homenagem, deixando aqui uma bela fotografia e dois poemas de tributo na voz de Afonso Dias.
Já agora, uma questão pertinente: por que motivo o cantautor Afonso Dias não tem direito a figurar na 'playlist' da Antena 1? Se se disser que a própria Amália só marca presença no espaço "Alma Lusa", sabendo-se que o seu repertório não é só fado (e mesmo que fosse...), isso ajuda a perceber a atenção que a música portuguesa mais qualificada vem merecendo da parte de quem dirige a rádio do Estado.



Retrato de Amália



Poema: José Carlos Ary dos Santos
Música: Frederico Valério (Fado Malhoa e Fado Amália)
Intérprete: Afonso Dias* (in CD "Na Asa Loira do Sol", Edere, 2001)


És filha de Camões, filha de Inês
assassinada voz de portuguesa
cantando a nossa imensa pequenez
com laranjas e gomos de tristeza.

É no claro Mondego dos teus olhos
que se debruça o mal da nossa mágoa.
Ao Tejo dos teus gestos que se acolhe
o nosso coração a pulsar água.

Falando desatada de saudade
choras um povo, cantas a balada
mais bonita que soa na cidade
de Lisboa por ti apaixonada.



Luz de Sombra (Amália)



Letra e música: Afonso Dias
Intérprete: Afonso Dias* (in CD "Na Asa Loira do Sol", Edere, 2001)


Erguias o pescoço longo e forte,
com a altivez das garças, das rainhas,
soltando a voz em sinos, campainhas,
em carrilhões de sonho, sombra e morte.

Tua voz foi da nossa o passaporte
com cheiro a alecrins e a sardinhas.
Tu cantaste nas lusas ladainhas,
Rezaste as dores do povo e da má sorte.

Contigo se cantou fado e destino,
no Marceneiro ou em Alexandrino,
na paleta das cores mais vibrantes.

Faltam-nos hoje as vozes que respiram
no mesmo arfar dos corpos que transpiram.
Que os fados são de hoje o que eram dantes.


* Vítor do Carmo – guitarra portuguesa
José Santana – viola
Duarte Costa – viola baixo
Produção – André Dias
Gravado nos Estúdios InfoArte, Lagos
Técnicos de som – Joaquim Guerreiro e Fernando Guerreiro
Mistura – Afonso Dias e Fernando Guerreiro