23 setembro 2018

Max: "Outono na Cidade"



Começou hoje o Outono de 2018. Assinalamos a entrada da estação da nostalgia resgatando a canção "Outono na Cidade", na voz de Max. Trata-se de uma das mais belas que o ilustre cantor madeirense gravou, mas também – e estranhamente – uma das menos conhecidas. Motivo acrescido para aqui a apresentarmos e com ela comemorarmos, ainda que muito singelamente, o centenário do nascimento do criador de "Pomba Branca, Pomba Branca", "Noite" e "A Rosinha dos Limões".
Sem prejuízo da inclusão deste e de outros espécimes do repertório de Max na 'playlist' da Antena 1 (o que teria o efeito – benéfico – de diminuir o insuportável peso da escória com que a atafulharam), a direcção de programas peca por omissão se não aproveitar o tempo que falta para o ano terminar (três meses e uma semana) para render a Max a homenagem que o país lhe deve em razão do relevante contributo que deu para o enriquecimento do nosso património musical/fonográfico. David Ferreira, que o evocou na sua rubrica a 19 de Abril [>> RTP-Play] e que lamentou (com inteira razão) o facto das entidades oficiais do continente se estarem a esquecer do centenário do reputado compositor e intérprete, está em boa posição para levar a cabo essa celebração com a amplitude e o desenvolvimento que se impõem.



Outono na Cidade



Letra: Ferro Rodrigues e Fernando Santos
Música: Carlos Dias
Intérprete: Max* (in EP "Tingo Lingo Lingo", Decca/VC, 1962; CD "O Melhor de Max: Vol. 2", EMI-VC, 1993; CD "Max: Essencial", Edições Valentim de Carvalho/CNM, 2014)




[instrumental]

Vento que traz nostalgia
D'um amor perdido
Nas ruas da vida,
Sombras e melancolia,
Um adeus sentido
De mulher esquecida.
       Nas folhas da esperança
       Caídas sem dono,
       Há passos de criança:
       É Outono!

Outono na cidade
Tem gosto de saudade:
É terna despedida que não esquece,
É doce melodia
Que vem no fim do dia
Que o Sol – bom e doirado – ainda aquece.

Cai a folha – folha nua –,
Chuva d'oiro molhando a rua:
Outono na cidade,
Que fria claridade!
Sorriso que desce da Lua!

Gente que corre apressada
Na manhã brumosa,
Sonolenta e fria;
Vida que sonha acordada
A canção formosa,
Luz do meio-dia.
       No azul infindo
       O povo bem sente
       O teu adeus, tão lindo,
       Sol poente!

[instrumental]

Cai a folha – folha nua –,
Chuva d'oiro molhando a rua:
Outono na cidade,
Que fria claridade!
Sorriso que desce da Lua!


* Max – voz
Orquestra dirigida por Jorge Costa Pinto



Capa da compilação "Max: Essencial" (Edições Valentim de Carvalho/CNM, 2014)