"Meninos de Todas as Cores" (ilustração de Mara Mendes, in livro/CD "Cancioneiro Crescer com a Música I", de Jorge Salgueiro, Foco Musical – Educação e Cultura, 2001)
"O melhor do mundo são as crianças": este verso tão simples de Fernando Pessoa tornou-se um lugar-comum. E como geralmente acontece com os lugares comuns, gastou-se pelo uso: o seu significado esvaziou-se.
Temos de reconhecer que as crianças têm hoje condições de vida e de crescimento incomparavelmente melhores do que tiveram os seus pais. Porém, não deixa de ser também verdade que muitas delas não são bafejadas pela mesma sorte. O futuro faz-se com todas elas e será tanto melhor quanto mais harmoniosa e feliz for a infância.
Aos poetas e aos músicos – populares e eruditos – nunca o mundo infantil foi indiferente; daí a riqueza de repertório poético-musical sobre e para as crianças: as cantigas de embalar, os contos e histórias de encantar, as canções de recreio, as lengalengas, etc., sem esquecer o repertório de cariz interventivo que a realidade social inspirou a poetas e cantores.
A pretexto do Dia Mundial da Criança, pareceu-nos que seria interessante a realização n' "Os Cantos da Casa" de uma pequena série de programas dedicada à infância. Sem pretensões de exaustividade, procurou-se abarcar boa parte do que de mais qualificado existe neste domínio no nosso património discográfico, incluindo títulos hoje indisponíveis no mercado e que urge reeditar.
Esta série é dedicada a todas as crianças do mundo, designadamente àquelas que, pelas mais variadas circunstâncias (fome, guerra, doenças, maus tratos físicos e psíquicos, etc.), vêem todos os dias ser-lhes negada a oportunidade de serem... crianças.
"Os Cantos da Casa": um programa de Octávio Fonseca e Pedro Ramajal para a Esquerda Ponto Rádio.
Os documentos com as letras e os poemas, especialmente preparados para os Amigos do LUGAR AO SUL, serão facultados a todas as demais pessoas que os solicitarem (contacto: ajferreira74@gmail.com).
E que viva a boa música portuguesa!
Primeira parte: Canções de embalar e histórias de encantar
1. Embalo – Popular (Paul, Covilhã, Beira Baixa); recolha de José Alberto Sardinha (1981, in "Recolhas Musicais da Tradição Oral Portuguesa: LP 1 – Beira Baixa e Minho", Contralto - Música Popular, Lda., 1982; "Portugal - Raízes Musicais": CD 4 - Beira Baixa e Beira Trasmontana, BMG/JN, 1997)
2. Ó Menino Ó (Popular de Trás-os-Montes) – Brigada Victor Jara (in LP "Tamborileiro", Mundo Novo/Editorial Caminho, 1979, reed. Farol Música, 1996)
3. Canção de Embalar (Tradicional da Beira Baixa) – Musicalbi (in CD "Mastiço", I Som, 2007)
4. Embalo (Tradicional, Serra d'Água, Madeira) – Brigada Victor Jara, com Cristina Branco (in CD "Ceia Louca", Polydor/Universal Music, 2006)
5. Canto de Embalar (instrumental) (Carlos Paredes) – Carlos Paredes (in CD "Espelho de Sons", Philips/Polygram, 1988; CD "Asas Sobre o Mundo", Philips/Polygram, 1989; CD "Uma Guitarra com Gente Dentro: Antologia", Universal Music, 2002)
6. Canção da Infância (Armando Goes) – Luiz Goes (in LP "Coimbra de Ontem e de Hoje", Columbia/VC, 1967, reed. EMI-VC, 1995, Edições Valentim de Carvalho/iPlay, 2008; livro/4CD "Canções Para Quem Vier: Integral 1952-2002": CD 2, EMI-VC, 2002; "O Melhor de Luiz Goes", Edições Valentim de Carvalho/iPlay, 2008)
7. Canção de Embalar (José Afonso) – José Afonso (in LP "Cantares do Andarilho", Orfeu, 1968, reed. Movieplay, 1987, 1996)
8. Canção para a Minha Filha Isabel Adormecer Quando Tiver Medo do Escuro (António Lobo Antunes / Vitorino Salomé) – Vitorino (in CD "Eu Que me Comovo Por Tudo e Por Nada", EMI-VC, 1992)
9. Durme (Tradicional sefardita, adap. Ricardo J. Dias) – Brigada Victor Jara (in CD "Ceia Louca", Polydor/Universal Music, 2006)
10. Ronda dos Espanta Papões II (instrumental) (Manuel António Tentúgal, sobre melodia tradicional) – Vai de Roda (in CD "Terreiro das Bruxas", UPAV, 1990, reed. Mundo da Canção, 2005)
11. Papãozinho (João Pedro Grabato Dias / Amélia Muge) – Amélia Muge (in CD "Múgica", UPAV, 1992)
12. Contar mémés (Nuno Rodrigues) – João Afonso (in CD "Canções de Embalar", CNM, 2001)
13. Menino d'Oiro (instrumental) (José Afonso) – Rão Kyao (in 2CD "Em'Cantado": CD 2, Polydor/Universal Music, 2009)
14. Vai-t'embora passarinho (Popular do Algarve, arr. Isabel Neves) – Vá-de-Viró (in CD "Outras Músicas", Música XXI, 2000)
15. O Sono do João (poema de António Nobre) – Manuela de Freitas (in LP/CD "Poemas de Bibe: Grande Poesia Portuguesa Escolhida para os Mais Pequenos", UPAV, 1990, reed. Público, 2006)
16. O Contador de Sonhos (instrumental) (João Filipe) – João Filipe, com Gnomon (in CD "Contarolando", João Filipe, 2009)
17. Conta-me um Conto (João Lóio) – João Lóio (in CD "O Segredo Maior: Canções a Brincar", Memórias/Fortes & Rangel, 1998, reed. Campo das Letras, col. Palmo e Meio, vol. 45, 2006)
18. O Gato das Botas (conto recolhido por Charles Perrault, adap. Pedro Vaz) – Margarida Carpinteiro (in CD/DVD "As Histórias da Carochinha", NZ Produções/Som Livre, 2004, reed. Chiado Kids/Vidisco, 2010)
19. Indo eu por i abaixo (Popular / Vitorino Salomé) – Vitorino (in LP "Romances", Orfeu, 1981, reed. Movieplay, 1999; 3CD "Tudo": CD 1 – O Alentejo, EMI, 2006)
20. Conta-me contos, ama... (Fernando Pessoa / Janita Salomé) – Janita Salomé (in LP "Lavrar em Teu Peito", EMI-VC, 1985, reed. EMI-VC, 2001)
21. Uma Viagem sem Fim (instrumental) (João Lóio) – João Lóio (in CD "O Segredo Maior: Canções a Brincar", Memórias/Fortes & Rangel, 1998, reed. Campo das Letras, col. Palmo e Meio, vol. 45, 2006)
22. Era uma Vez uma Velha (António Avelar de Pinho / Nuno Rodrigues) – Banda do Casaco (in LP "Coisas do Arco da Velha", Philips/Phonogram Portuguesa, 1976, reed. Philips/Polygram, 1993)
23. Godofredo Cheio de Medo (António Avelar de Pinho / Nuno Rodrigues) – Banda do Casaco (in LP "Contos da Barbearia", Valentim de Carvalho/EMI, 1978)
24. A Cigarra e a Formiga (poema de Mário Pederneiras) – João Villaret (in CD "João Villaret", col. O Melhor dos Melhores, vol. 9, Movieplay, 1994)
25. Retrato d'Homenzinho Pequenino com Frasco (António Avelar de Pinho / Nuno Rodrigues) – Banda do Casaco (in LP "Contos da Barbearia", Valentim de Carvalho/EMI, 1978)
1. No Reino das Fadas (instrumental) (Francisco Raimundo) / As Fadas (poema de Antero de Quental) – Reymundo & Célia Figueiredo (in CD "Aromas", Edições FRA, 2006)
2. Fadas do Jardim do Rei (Luísa Barreto) – Luísa Barreto (in livro/CD "Pelo Caminho das Fadas", Centro Lusitano de Unificação Cultural, 1997, reed. 2001)
3. O Fogo do Sol Poente (Luísa Barreto) – Sebastião Antunes (in livro/CD "Pelo Caminho das Fadas", Centro Lusitano de Unificação Cultural, 1997, reed. 2001)
4. Fadas ao Luar (Luísa Barreto) – Luísa Barreto (in livro/CD "Pelo Caminho das Fadas", Centro Lusitano de Unificação Cultural, 1997, reed. 2001)
5. O meu Elfo (Luísa Barreto) – Luísa Barreto (in livro/CD "Pelo Caminho das Fadas", Centro Lusitano de Unificação Cultural, 1997, reed. 2001)
6. Anões e Bruxedos (Luísa Barreto) – Luísa Barreto (in livro/CD "Pelo Caminho das Fadas", Centro Lusitano de Unificação Cultural, 1997, reed. 2001)
7. Terreiro das Bruxas (instrumental) (Manuel António Tentúgal) – Vai de Roda (in CD "Terreiro das Bruxas", UPAV, 1990, reed. Mundo da Canção, 2005)
8. A Bruxa (Luísa Barreto) – Luísa Barreto (in livro/CD "Pelo Caminho das Fadas", Centro Lusitano de Unificação Cultural, 1997, reed. 2001)
9. A Bruxa Que Não Era Assim Tão Má (João Filipe) – João Filipe, com Sameiro Sequeira & Sérgio Castro (in CD "Contarolando", João Filipe, 2009)
10. Esquilo (instrumental) (João Lóio) – João Lóio (in CD "O Segredo Maior: Canções a Brincar", Memórias/Fortes & Rangel, 1998; livro/CD "O Segredo Maior: Canções a Brincar", Campo das Letras, col. Palmo e Meio, vol. 45, 2006)
11. Os Bichos (Inês Pupo / Gonçalo Pratas) – Gonçalo Pratas (in livro/CD "Canta o Galo Gordo: Poemas e Canções para Todo o Ano", Editorial Caminho, 2008)
12. Fungagá da Bicharada (José Barata Moura) – José Barata Moura (in LP "Fungagá da Bicharada", Zip Zip/Sassetti, 1975; CD "Fungagá da Bicharada", CNM, 2004; livro/4CD "Obra Infantil Completa de José Barata Moura", CNM, 2005)
13. Bichos (João Gil / Trovante) – Trovante (in LP "Baile no Bosque", Valentim de Carvalho, 1981, reed. EMI-VC, 1988, Edições Valentim de Carvalho/Som Livre, 2007)
14. Invocação da Alcateia (vocalização) – Francisco Fonseca (in CD "Todo Este Céu", de Né Ladeiras, Columbia/Sony Music, 1997)
15. A Lua e os Lobos (instrumental) (Rão Kyao) – Rão Kyao (in CD "Porto Alto", Farol Música, 2004)
16. La Lhoba Parda (Tradicional, Terra de Miranda, Trás-os-Montes) – Vai de Roda (in CD "Polas Ondas", Alba, 1996)
17. As Abelhas Trabalhadeiras (Maria do Amparo Pereira / Carlos Alberto Moniz) – Carlos Alberto Moniz e Maria do Amparo; narração de Júlio Isidro (in LP "Fungagá da Bicharada", Diapasão/Lamiré, 1976, reed. Strauss, 1994, CNM, 2005)
18. A Cigarra, também a Formiga e outros (Vasco Pereira da Costa / Carlos Alberto Moniz) – Carlos Alberto Moniz e Maria do Amparo; narração de Júlio Isidro (in LP "Fungagá da Bicharada", Diapasão/Lamiré, 1976, reed. Strauss, 1994, CNM, 2005)
19. Caixinha de Música (poema de Matilde Rosa Araújo) – Manuela de Freitas (in LP/CD "Poemas de Bibe: Grande Poesia Portuguesa Escolhida para os Mais Pequenos", UPAV, 1990, reed. Público, 2006)
20. A Formiga no Carreiro (José Afonso) – Sitiados (in CD "Filhos da Madrugada Cantam José Afonso", BMG Ariola, 1994)
21. Leões e Mais – Amélia Muge (João Pedro Grabato Dias / Amélia Muge) (in CD "Todos os Dias...", Columbia/Sony Music, 1994)
22. O Barbeiro – Ronda dos Quatro Caminhos (João Cavadinhas e António Prata / João Cavadinhas) (in LP "Canções Tradicionais Infantis", Transmédia, 1985, reed. Polygram, 1995)
23. A Banda do Maestro Pinguim (José Barata Moura) – José Barata Moura (in EP "A Banhoca da Rita e do André", Zip Zip/Sassetti, 1975; CD "Joana Come a Papa", Strauss, 1993, reed. CNM, 2004; livro/4CD "Obra Infantil Completa de José Barata Moura", CNM, 2005)
24. Tonino di Lamiré (José Barata Moura) – José Barata Moura (in EP "A Banhoca da Rita e do André", Zip Zip/Sassetti, 1975; CD "A Charanga do Zé", Strauss, 2001; livro/4CD "Obra Infantil Completa de José Barata Moura", CNM, 2005)
25. Relincha Pingócios, o Doutor Cavalo Dentista (José Barata Moura) – José Barata Moura (in LP "A Mudança do Macaco Zacarias", Diapasão/Lamiré, 1978; CD "A Mudança do Macaco Zacarias", Strauss, 2001; livro/4CD "Obra Infantil Completa de José Barata Moura", CNM, 2005)
26. O Cavalo (poema de Natália Correia) – Vítor de Sousa (in CD "No Palco da Poesia", Ovação, 1995, reed. Ovação, 2000)
27. Zebra Zulmira (António Avelar de Pinho / Carlos Vidal) – Dani Silva (in CD "O Jardim da Bicharada", Farol Música, 2006; DVD/CD "O Jardim da Bicharada: Os Vídeos", Farol Música, 2008)
28. Canguru Gugu (António Avelar de Pinho / Carlos Vidal e António Avelar de Pinho) – Quinta do Bill (in CD "O Jardim da Bicharada", Farol Música, 2006; DVD/CD "O Jardim da Bicharada: Os Vídeos", Farol Música, 2008)
29. As Desventuras do Rabanete Saltitão (José Barata Moura) – José Barata Moura (in EP "Cantiga do Passeio", Diapasão/Sassetti, 1979; CD "A Charanga do Zé", Strauss, 2001; livro/4CD "Obra Infantil Completa de José Barata Moura", CNM, 2005)
30. A Vaca Arnestina Maçaroca (José Barata Moura) – José Barata Moura (in EP "A Banhoca da Rita e do André", Zip Zip/Sassetti, 1975; CD "Joana Come a Papa", Strauss, 1993, reed. CNM, 2004; livro/4CD "Obra Infantil Completa de José Barata Moura", CNM, 2005)
31. O Cão D. Pantaleão e o Outro Cão (José Barata Moura) – José Barata Moura (in LP "Fungagá da Bicharada", Zip Zip/Sassetti, 1975; CD "Fungagá da Bicharada", CNM, 2004; livro/4CD "Obra Infantil Completa de José Barata Moura", CNM, 2005)
32. Gastão era Perfeito (José Afonso) – José Afonso (in LP "Venham Mais Cinco", Orfeu, 1973, reed. Movieplay, 1987, 1996)
33. A Morte do Rato (poema de Tóssan) – Mário Viegas (in LP/CD "Poemas de Bibe: Grande Poesia Portuguesa Escolhida para os Mais Pequenos", UPAV, 1990, reed. Público, 2006)
34. Maria Gata (Amélia Muge) – Amélia Muge (in livro/CD "Uma Autora, 202 Canções", Caracter, 2009)
35. O mundo só vai prestar (Popular brasileira / João Lóio) – João Lóio, com Regina Castro & António Paulo Silva (in CD "O Segredo Maior: Canções a Brincar", Memórias/Fortes & Rangel, 1998; livro/CD "O Segredo Maior: Canções a Brincar", Campo das Letras, col. Palmo e Meio, vol. 45, 2006)
36. A Andorinha da Primavera (Pedro Ayres Magalhães / Carlos Maria Trindade) – Madredeus (in CD "O Paraíso", EMI-VC, 1997)
37. Andorinhas no Terreiro (instrumental) (Fernando Costa) – Roda Pé (in CD "Pousio", Public-art, 2008)
38. Balada das Vinte Meninas (Matilde Rosa Araújo / Jorge Constante Pereira) – Vitorino (in LP "Cantigas de Ida e Volta", Orfeu, 1975)
39. Papagaio (Sidónio Muralha / Jorge Constante Pereira) – Fausto Bordalo Dias (in LP "Cantigas de Ida e Volta", Orfeu, 1975)
40. O Canário (Popular) – Trupe Barlaventina (in CD "Lendas do País do Sul", Concertante, 1999)
41. Olha o Rouxinol (Tradicional do Alentejo, arr. António Prata com Carlos Barata e Pedro Fragoso) – Ronda dos Quatro Caminhos & Grupo Cantares de Évora (in 2CD "Alçude": CD 1, Ovação, 2001)
42. Senhora Cegonha (Tradicional do Alentejo) – Grupo Coral de Cantares Regionais de Portel (in CD "Cantares Regionais de Portel", Lusosom, 1993; CD "25 Anos a Cantar Portel", Ovação, 2004; CD "O Melhor de Grupo Coral de Cantares Regionais de Portel", Ovação, 2010)
43. Segredo (poema de Miguel Torga) – Afonso Dias (in CD "Cantando Espalharey", Vol. III, Edere, 2002)
44. Malfamagrifada (Tradicional, adap. António Avelar de Pinho / Nuno Rodrigues) – Banda do Casaco (in LP "Contos da Barbearia", Valentim de Carvalho/EMI, 1978)
45. Faz de conta (poema de Eugénio de Andrade) – Mário Viegas & Manuela de Freitas (in LP/CD "Poemas de Bibe: Grande Poesia Portuguesa Escolhida para os Mais Pequenos", UPAV, 1990, reed. Público, 2006)
1. Pedagogia (poema de Miguel Torga) – Afonso Dias (in CD "Cantando Espalharey", vol. I, Edere, 2001)
2. Faz de conta (Eugénio de Andrade / Júlio Pereira) – Júlio Pereira, com Sara Tavares (in CD "Faz de Conta", EMI-VC, 2003)
3. Bichinho de conta (Maria Rosa Colaço / Paulo Ferreira Rodrigues) – João Almeida & Diana Matos (in livro/CD "Sementes de Música para bebés e crianças", Editorial Caminho, 2008)
4. Joaninha voa, voa (Tradicional) – Ana Maria Ferrão (in livro/CD "Sementes de Música para bebés e crianças", Editorial Caminho, 2008)
5. Uma joaninha (João Lóio) – João Lóio, com Ana Luísa Dias de Carvalho & Regina Castro (in CD "O Segredo Maior: Canções a Brincar", Memórias/Fortes & Rangel, 1998; livro/CD "O Segredo Maior: Canções a Brincar", Campo das Letras, col. Palmo e Meio, vol. 45, 2006)
6. O Pastorinho (Amélia Muge) – Amélia Muge (in CD "Todos os Dias...", Columbia/Sony Music, 1994)
7. Aquela Nuvem (poema de José Gomes Ferreira) – Afonso Dias (in CD "Cantando Espalharey", vol. III, Edere, 2002)
8. Cavalinho, Cavalinho (Matilde Rosa Araújo / Jorge Constante Pereira) – Fausto Bordalo Dias (in LP "Cantigas de Ida e Volta", Orfeu, 1975)
9. Quero um Cavalo de Várias Cores (poema de Reinaldo Ferreira) – José Fanha (in livro/CD "Poemas com Animais", Gailivro, 2004)
10. Que o Mundo É Meu (Reinaldo Ferreira / Ricardo J. Dias, arr. Ricardo J. Dias e Mário Delgado) – Filipa Pais (in CD "À Porta do Mundo", Vachier & Associados, 2003)
11. Bárbara Rosinha (Vitorino Salomé) – Vitorino (in LP "Cantigas de Encantar", EMI-VC, 1989, reed. EMI-VC, 2000)
12. Planeta dos Encantos (instrumental) (João Filipe) – João Filipe (in CD "Contarolando", João Filipe, 2009)
13. É Tão Bom (Sérgio Godinho / Jorge Constante Pereira) – Sérgio Godinho (in LP "Sérgio Godinho Canta com os Amigos do Gaspar", Philips/Polygram, 1988, reed. Universal Music, 2001)
14. Maravilha (José Afonso) – Real Companhia (in livro/CD "Pé Ante Pé", Edição Tê, 2003)
15. Que linda falua (instrumental) (Tradicional) – Opus Ensemble (in LP "Temas do Cancioneiro Português", EMI Classics, 1987, reed. EMI Classics, 1998)
16. Rema, Rema (Tradicional dos Açores) – João Almeida (in livro/CD "Sementes de Música para bebés e crianças", Editorial Caminho, 2008)
17. O mar também canta (instrumental / vocalizos) (Ana Lourenço) – Diana Matos (in livro/CD "Sementes de Música para bebés e crianças", Editorial Caminho, 2008)
18. Balada do Sino (José Afonso) – Teresa Paula Brito (in EP "Teresa Paula Brito Canta José Afonso", Riso e Ritmo, 1970; CD "Teresa Paula Brito", col. Clássicos da Renascença, vol. 61, Movieplay, 2000)
19. Boia, boia, binha (instrumental) (Tradicional) – Opus Ensemble (in LP "Temas do Cancioneiro Português", EMI Classics, 1987, reed. EMI Classics, 1998)
20. Avenida de Angola (José Afonso, sobre quadra popular) – Cristina Branco (in CD "Abril", Universal Music Classics France, 2007)
21. As pombinhas da Cat'rina (instrumental) (Tradicional) – Opus Ensemble (in LP "Temas do Cancioneiro Português", EMI Classics, 1987, reed. EMI Classics, 1998)
22. A pomba (Tradicional, Cedovim, Foz Côa, Alto Douro) – Diana Matos (in livro/CD "Sementes de Música para bebés e crianças", Editorial Caminho, 2008)
23. A pombinha e o pombinho (Tradicional) – Diana Matos & João Almeida (in livro/CD "Sementes de Música para bebés e crianças", Editorial Caminho, 2008)
24. Pombinha, passarinho, rolinha (Popular do Algarve, arr. Eduarda Alves e Margarida Guerreiro) – Moçoilas (in CD "Já Cá Vai Roubado", Casa da Cultura de Loulé, 2001)
25. Don Solidon (Popular da Estremadura, arr. Paulo Cunha) – Vá-de-Viró (in CD "Vivências", Vá-de-Viró, 1998)
26. Teresinha (Tradicional) – João Almeida (in livro/CD "Sementes de Música para bebés e crianças", Editorial Caminho, 2008)
27. Era bonitinha (Tradicional, Portel, Alto Alentejo) – João Almeida (in livro/CD "Sementes de Música para bebés e crianças", Editorial Caminho, 2008)
28. Menina, se bem me queres (Tradicional) – João Almeida (in livro/CD "Sementes de Música para bebés e crianças", Editorial Caminho, 2008)
29. No jardim (instrumental / vocalizos) (Paulo Ferreira Rodrigues) – João Almeida & Diana Matos (in livro/CD "Sementes de Música para bebés e crianças", Editorial Caminho, 2008)
30. Estando a dobar (Tradicional / Fernando Marques Gomes) – Diana Matos & João Almeida (in livro/CD "Sementes de Música para bebés e crianças", Editorial Caminho, 2008)
31. Se esta rua fosse minha (vocalizos / instrumental) (Tradicional do Brasil) – João Almeida (in livro/CD "Sementes de Música para bebés e crianças", Editorial Caminho, 2008)
32. Indo eu por Braga acima (Tradicional do Minho) – João Almeida (in livro/CD "Sementes de Música para bebés e crianças", Editorial Caminho, 2008)
33. Dança da Rosa (Matilde Rosa Araújo / Fernando Lopes-Graça) – Meninos Cantores do Município da Trofa (in CD "Histórias de (en)Cantar", Quarta Vaga Produções/Edisco, 2000)
34. A Ciranda (Tradicional galaico-portuguesa) – João Almeida & Diana Matos (in livro/CD "Sementes de Música para bebés e crianças", Editorial Caminho, 2008)
35. Bailando (Neusa Abreu) – Xarabanda (in CD "Instrumentos Musicais da Tradição Popular Madeirense", Associação Musical e Cultural Xarabanda, 2007)
36. Bate palminhas (Ana Maria Ferrão) – Diana Matos (in livro/CD "Sementes de Música para bebés e crianças", Editorial Caminho, 2008)
37. Triste Viuvinha (Popular) – Vitorino com os sobrinhos (in LP "Cantigas de Encantar", EMI-VC, 1989, reed. EMI-VC, 2000)
38. Cantiga de Roda (Popular) – Ronda dos Quatro Caminhos (in LP "Canções Tradicionais Infantis", Schiu!/Transmédia, 1985, reed. Polygram, 1995)
39. Machadinha (Popular) – Roda Pé (in CD "Pousio", Public-art, 2008)
40. Saia da Carolina (Tradicional galaico-portuguesa) – Arrefole (in CD "Veículo Climatizado", Açor/Emiliano Toste, 2006)
41. Alecrim / Os Olhos da Marianita / O Meu Pião (instrumental) (Tradicional) – Reymundo (in CD "Aromas", Edições FRA, 2006)
42. João (Vitorino Salomé) – Vitorino (in LP "Cantigas de Encantar", EMI-VC, 1989, reed. EMI-VC, 2000)
43. Brinquedo (poema de Miguel Torga) – Manuela de Freitas (in LP/CD "Poemas de Bibe: Grande Poesia Portuguesa Escolhida para os Mais Pequenos", UPAV, 1990, reed. Público, 2006)
44. Papelinho (Tradicional, Torre do Terrenho, Trancoso, Beira Alta) – Chuchurumel (in CD "No Castelo de Chuchurumel", Chuchurumel/Luzlinar, 2005)
45. Rondel do Alentejo (poema de Almada Negreiros) – Mário Viegas (in LP/CD "Poemas de Bibe: Grande Poesia Portuguesa Escolhida para os Mais Pequenos", UPAV, 1990, reed. Público, 2006)
46. Trângulo Mângulo (Popular, Santa Marta de Penaguião, Trás-os-Montes / Carlos Guerreiro) – Gaiteiros de Lisboa (in CD "Bocas do Inferno", Farol Música, 1997)
47. Lenga-lenga da Velha (Popular) – Crianças de Proença-a-Nova (Beira Baixa); recolha de José Alberto Sardinha (in "Portugal - Raízes Musicais": CD 4 - "Beira Baixa e Beira Trasmontana", BMG/JN, 1997)
48. Lenga-lengas (Popular e Afonso Dias / Afonso Dias) – Afonso Dias (in CD "Olhar de Pássaro", Concertante, 2000)
49. Conto do Bicho Papão (Sebastião Antunes) – Quadrilha (in CD "Entre Luas", Ovação, 1997)
1. Anjos de Pijama (III) (Matilde Rosa Araújo / Andreia Pinto Correia) – Meninos Cantores do Município da Trofa (in CD "Anjos de Pijama", Câmara Municipal da Trofa, 2009)
2. Bom-dia (Inês Pupo / Gonçalo Pratas) – Gonçalo Pratas (in livro/CD "Canta o Galo Gordo: Poemas e Canções para Todo o Ano", Editorial Caminho, 2008)
3. Cá Vou Eu p'rá Escola (Luís Miguel Viterbo / João Paulo Esteves da Silva, arr. José Mário Branco) – Maria João (in CD "Bom-Dia, Benjamin!", Movieplay, 1995)
4. Outra Margem (Maria Rosa Colaço / Trovante) – Trovante (in LP "Baile no Bosque", Valentim de Carvalho, 1981, reed. EMI-VC, 1988, Edições Valentim de Carvalho/Som Livre, 2007)
5. Meninos de Todas as Cores (Luísa Ducla Soares / Jorge Salgueiro) – Crianças sob a direcção de Jorge Salgueiro (in livro/CD "Cancioneiro Crescer com a Música I", Foco Musical – Educação e Cultura, 2001)
6. As Cores (Inês Pupo / Gonçalo Pratas) – Cristina Branco (in livro/CD "Canta o Galo Gordo: Poemas e Canções para Todo o Ano", Editorial Caminho, 2008)
7. As Cores (José Barata Moura) – José Barata Moura (in EP "Canções Infantis", Zip Zip/Sassetti, 1974; CD "A Mudança do Macaco Zacarias", Strauss, 2001; livro/4CD "Obra Infantil Completa de José Barata Moura", CNM, 2005)
8. As Notas (José Barata Moura) – José Barata Moura (in EP "Canções Infantis", Zip Zip/Sassetti, 1974; CD "A Mudança do Macaco Zacarias", Strauss, 2001; livro/4CD "Obra Infantil Completa de José Barata Moura", CNM, 2005)
9. 12 Meses (a rodar) (Maria de Vasconcelos) – Maria de Vasconcelos (in CD "Canções da Maria", Arthouse/Edições Valentim de Carvalho, 2012)
10. Abrilinho Volta ao Ninho (Vitorino Salomé) – Vitorino (in livro/CD "Abril, Abrilzinho", Praça das Flores e Público, 2006)
11. Primavera, Verão, Outono, Inverno (Inês Pupo / Gonçalo Pratas) – Gonçalo Pratas (in livro/CD "Canta o Galo Gordo: Poemas e Canções para Todo o Ano", Editorial Caminho, 2008)
12. Canção do Inverno (Luísa Barreto) – Luísa Barreto (in livro/CD "Pelo Caminho das Fadas", Centro Lusitano de Unificação Cultural, 1997, reed. 2001)
13. Ritual da Chuva (poema ameríndio, trad. Herberto Hélder) – Mário Viegas (in LP/CD "Poemas de Bibe: Grande Poesia Portuguesa Escolhida para os Mais Pequenos", UPAV, 1990, reed. Público, 2006)
14. A Menina Gotinha de Água (Papiniano Carlos / João Filipe) – João Filipe, com Sameiro Sequeira (in CD "Contarolando", João Filipe, 2009)
15. Loas à Chuva e ao Vento (Matilde Rosa Araújo / Fernando Lopes-Graça) – Bando dos Gambozinos (in CD "As Cançõezinhas da Tila", Fortes & Rangel, 1996, reed. Editora Civilização, 1998)
16. Lua Depois da Chuva (Cecília Meireles / Luís Pedro Fonseca) – Lena d'Água (in LP/CD "Ou Isto ou Aquilo", Edisom, 1992)
17. O Alfabeto (José Jorge Letria) – José Jorge Letria (in LP "O Circo da Alegria", Diapasão/Sassetti, 1979; reed. CD "Pim, Pam, Pum", Strauss, 1999)
18. As Letras (José Barata Moura) – José Barata Moura (in EP "Canções Infantis", Zip Zip/Sassetti, 1974; CD "A Mudança do Macaco Zacarias", Strauss, 2001; livro/4CD "Obra Infantil Completa de José Barata Moura", CNM, 2005)
19. A Dança do B (poema de Maria Alberta Menéres) – Afonso Dias (in CD "Cantando Espalharey", vol. III, Edere, 2002)
20. C (Glória Maria Marreiros / Afonso Dias) – Afonso Dias & Francisco Fanhais (in CD "Abecedário a Rimar", Edere, 2003)
21. O Xarope do Amor - Ciência fascinante com "C" (Maria de Vasconcelos) – Maria de Vasconcelos (in CD "Canções da Maria II", Edições Valentim de Carvalho, 2013)
22. A Mimi Caçarola - Canção com "Ç" (Maria de Vasconcelos) – Maria de Vasconcelos (in CD "Canções da Maria II", Edições Valentim de Carvalho, 2013)
23. E (Glória Maria Marreiros / Afonso Dias) – Afonso Dias & Carla Moreira (in CD "Abecedário a Rimar", Edere, 2003)
24. G (Glória Maria Marreiros / Afonso Dias) – Afonso Dias (in CD "Abecedário a Rimar", Edere, 2003)
25. P (Glória Maria Marreiros / Afonso Dias) – Afonso Dias & Carla Moreira (in CD "Abecedário a Rimar", Edere, 2003)
26. R (Glória Maria Marreiros / Afonso Dias) – Afonso Dias & Carla Moreira (in CD "Abecedário a Rimar", Edere, 2003)
27. Laranjinha e Raposinho – O casamento com "S" que vale de Z (Maria de Vasconcelos) – Maria de Vasconcelos (in CD "Canções da Maria II", Edições Valentim de Carvalho, 2013)
28. X (Glória Maria Marreiros / Afonso Dias) – Afonso Dias (in CD "Abecedário a Rimar", Edere, 2003)
29. Z (Glória Maria Marreiros / Afonso Dias) – Afonso Dias (in CD "Abecedário a Rimar", Edere, 2003)
30. Eu Já Sei Escrever (Nuno Artur Silva, Luís Miguel Viterbo e Sílvia Cunha / José Peixoto, arr. José Mário Branco) – Maria João (in CD "Bom-Dia, Benjamin!", Movieplay, 1995)
31. Os Ditongos a Cantar (Maria de Vasconcelos) – Maria de Vasconcelos (in CD "Canções da Maria", Arthouse/Edições Valentim de Carvalho, 2012)
32. Tudo Certo! Maravilha! (Sílaba forte) (Maria de Vasconcelos) – Maria de Vasconcelos (in CD "Canções da Maria II", Edições Valentim de Carvalho, 2013)
33. O Sr. EGA e a Fada Madrinha da Gramática Mágica com pós de perlimpimpim (Maria de Vasconcelos) – Maria de Vasconcelos (in CD "Canções da Maria II", Edições Valentim de Carvalho, 2013)
34. Nomes Colectivos (Maria de Vasconcelos) – Maria de Vasconcelos (in CD "Canções da Maria", Arthouse/Edições Valentim de Carvalho, 2012)
35. A Fonte das Palavras (Carlos Tê / João Gil) – Rui Veloso / Cabeças no Ar (in CD "Cabeças no Ar", EMI-VC, 2002)
36. Que fizeste das palavras? (poema) – Eugénio de Andrade (in CD "Eugénio de Andrade por Eugénio de Andrade", Numérica, 1997)
37. Os Números a Cantar (Maria de Vasconcelos) – Maria de Vasconcelos (in CD "Canções da Maria", Arthouse/Edições Valentim de Carvalho, 2012)
38. Cantilena (Maria Alberta Menéres / Jorge Constante Pereira) – Fausto Bordalo Dias & Vitorino (in LP "Cantigas de Ida e Volta", Orfeu, 1975)
39. Tiquetaque - As horas e a tabuada do 5 (Maria de Vasconcelos) – Maria de Vasconcelos (in CD "Canções da Maria II", Edições Valentim de Carvalho, 2013)
40. Zizi, Sua Alteza - A amizade com 'Z' (Maria de Vasconcelos) – Maria de Vasconcelos (in CD "Canções da Maria II", Edições Valentim de Carvalho, 2013)
1. Canção das Perguntas (João Lóio) – João Lóio & Ana Luísa Dias de Carvalho (in CD "O Segredo Maior: Canções a Brincar", Memórias/Fortes & Rangel, 1998; livro/CD "O Segredo Maior: Canções a Brincar", Campo das Letras, col. Palmo e Meio, vol. 45, 2006)
2. Coral (poema de Sophia de Mello Breyner Andresen) – Manuela de Freitas (in LP/CD "Poemas de Bibe: Grande Poesia Portuguesa Escolhida para os Mais Pequenos", UPAV, 1990, reed. Público, 2006)
3. Partes de Mim (Inês Pupo / Gonçalo Pratas) – Gonçalo Pratas (in livro/CD "Canta o Galo Gordo: Poemas e Canções para Todo o Ano", Editorial Caminho, 2008)
4. Canção dos Cinco Dedos (Carlos Paião) – Carlos Paião (in LP "Algarismos", EMI-VC, 1982; 2LP/CD "O Melhor de Carlos Paião", EMI-VC, 1991; 2CD "Letra e Música: 15 Anos Depois": CD 2, EMI-VC, 2003; CD "Perfil", Edições Valentim de Carvalho/Som Livre, 2007; 2CD "Letra e Música: 25 Anos Depois": CD 2, EMI, 2013)
5. Inspira - Expira (O Aparelho Respiratório) (Maria de Vasconcelos) – Maria de Vasconcelos (in CD "Canções da Maria II", Edições Valentim de Carvalho, 2013)
6. Era uma Vez um Coração (Maria de Vasconcelos) – Maria de Vasconcelos (in CD "Canções da Maria", Arthouse/Edições Valentim de Carvalho, 2012)
7. Poema do Coração (poema de António Gedeão) – Afonso Dias (in CD "Poesia de António Gedeão", col. Selecta, Música XXI, 2006)
8. Comer e Digerir (O Aparelho Digestivo) (Maria de Vasconcelos) – Maria de Vasconcelos (in CD "Canções da Maria II", Edições Valentim de Carvalho, 2013)
9. Comer Bem ou Comer Mal (Inês Pupo / Gonçalo Pratas) – Gonçalo Pratas (in livro/CD "Canta o Galo Gordo: Poemas e Canções para Todo o Ano", Editorial Caminho, 2008)
10. Balada do Pão (instrumental) (Rão Kyao) – Rão Kyao (in CD "Porto Alto", Farol Música, 2004)
11. Pitinha (Rima infantil recolhida por Adolfo Coelho) – Cucha Carvalheiro (in livro/Cassete "Rimas e Jogos Infantis", Lisboa Editora, 1994, reed. livro/CD, Lisboa Editora, 2004)
12. Frutos (poema de Eugénio de Andrade) – Manuela de Freitas (in LP/CD "Poemas de Bibe: Grande Poesia Portuguesa Escolhida para os Mais Pequenos", UPAV, 1990, reed. Público, 2006)
13. Laranja Doce Laranja (Ana Zanatti / João Gil, arr. Ruben Alves) – Vários artistas (in CD "Planeta Adormecido: Banda Sonora do Filme", Ovação, 2010)
14. Dança do Raminho de Laranjeira (Matilde Rosa Araújo / Fernando Lopes-Graça) – Meninos Cantores do Município da Trofa (in CD "Histórias de (en)Cantar", Quarta Vaga Produções/Edisco, 2000)
15. Laranjinhas (Teresa Muge, arr. Teresa Muge e Amélia Muge) – Moçoilas (in CD "Qu'é Que Tens a Ver com Isso?", Ocarina, 2006)
16. Rifão Quotidiano (poema de Mário-Henrique Leiria) – Mário Viegas (in LP/CD "Poemas de Bibe: Grande Poesia Portuguesa Escolhida para os Mais Pequenos", UPAV, 1990, reed. Público, 2006)
17. Figuinho da Capa Rota (Matilde Rosa Araújo / Fernando Lopes-Graça) – Meninos Cantores do Município da Trofa (in CD "Histórias de (en)Cantar", Quarta Vaga Produções/Edisco, 2000)
18. Amora Madura (Popular do Alentejo, arr. José Afonso) – José Afonso (in LP "Eu Vou Ser como a Toupeira", Orfeu, 1972; reed. Movieplay, 1987, 1996, Art'Orfeu Media, 2012)
19. Calimero e a Pêra Verde (Tradicional do Baixo Alentejo / Pascale Rubens + Tradicional do Baixo Alentejo) – Celina da Piedade, com Naragonia (in 2CD "Em Casa": CD 2, Celina da Piedade/Melopeia, 2012)
20. Alecrim (instrumental) (Tradicional) – Opus Ensemble (in LP "Temas do Cancioneiro Português", EMI Classics, 1987, reed. EMI Classics, 1998)
21. Manjerico, Revira a Folha (Tradicional, Casegas, Covilhã, Beira Baixa) – Diana Matos (in livro/CD "Sementes de Música para bebés e crianças", Editorial Caminho, 2008)
22. Erva-Cidreira (Tradicional do Alentejo, Celina da Piedade e Alex Gaspar / Tradicional do Alentejo, arr. Celina da Piedade e Alex Gaspar) – Celina da Piedade (in CD "O Cante das Ervas", Xmusic, 2014)
23. O Cravo Vaidoso (José Jorge Letria / Vitorino Salomé) – Vitorino (in livro/CD "Abril, Abrilzinho", Praça das Flores e Público, 2006)
24. Os Malmequeres (A. F. Pinto / Carlos Branco) – Pedra d'Hera (in CD "Ventos", Ovação, 2006)
25. Vira dos Malmequeres(Popular do Ribatejo, arr. Rui Vaz) – Tonicha (in CD "Canções d'Aquém e d'Além Tejo", Polydor/Polygram, 1995; CD "Canções para os Meus Netos... de Qualquer Idade", Universal Music, 2008)
26. Flor de Jacarandá (Vitorino Salomé, arr. José Manuel Marreiros) – Vitorino (in LP "Negro Fado", EMI-VC, 1998, reed. EMI-VC, 199?; CD "As Mais Bonitas", EMI-VC, 1993; 3CD "Tudo": CD 2 – Lisboa, EMI, 2006)
27. Florinha (Luísa Barreto) – Luísa Barreto (in livro/CD "Pelo Caminho das Fadas", Centro Lusitano de Unificação Cultural, 1997, reed. 2001)
28. A Flor (poema de Almada Negreiros) – Vítor de Sousa (in CD "No Palco da Poesia", Ovação, 1995, reed. Ovação, 2000)
29. Aquarela (Toquinho, Vinicius de Moraes, Guido Morra e Maurizio Fabrizio) – Real Companhia (in livro/CD "Pé Ante Pé", Edição Tê, 2003)
30. A Feiticeira (história de António Prata) – Mário Viegas (in LP "Canções Tradicionais Infantis", de Ronda dos Quatro Caminhos, Schiu!/Transmédia, 1985, reed. Polygram, 1995)
1. Romance Ingénuo de Duas Linhas Paralelas (poema de José Fanha) – Trupe Barlaventina (in CD "O Perfume da Palavra", Concertante, 1999)
2. Canção do Cometa (Ana Zanatti / João Gil, arr. Ruben Alves) – Vários artistas (in CD "Planeta Adormecido: Banda Sonora do Filme", Ovação, 2010)
3. O Sistema Solar (Planetas) (Maria de Vasconcelos) – Maria de Vasconcelos (in CD "Canções da Maria", Arthouse/Edições Valentim de Carvalho, 2012)
4. A Explicação das Estrelas (Carlos Tê / Rui Veloso) – Cabeças no Ar (in CD "Cabeças no Ar", EMI-VC, 2002)
5. Dom Afonso Fundador (Risoleta Pinto Pedro / Jorge Salgueiro) – Orquestra Didáctica da Foco Musical, dir. Jorge Salgueiro (in livro/CD "Cantata 'O Conquistador'", Foco Musical – Educação e Cultura, 2005)
6. Romance da Bela Infanta (Tradicional de Trás-os-Montes) – Diana Matos (in livro/CD "Sementes de Música para bebés e crianças", Editorial Caminho, 2008)
7. Partida (José Jorge Letria / Carlos Alberto Moniz) – Carlos Alberto Moniz (in CD "Vasco da Gama: A Grande Viagem", Grupo Forum, 1997)
8. Índia (José Jorge Letria / Carlos Alberto Moniz) – Carlos Alberto Moniz (in CD "Vasco da Gama: A Grande Viagem", Grupo Forum, 1997)
9. Lisboa (José Jorge Letria / Carlos Alberto Moniz) – Carlos Alberto Moniz (in CD "Vasco da Gama: A Grande Viagem", Grupo Forum, 1997)
10. O Achamento do Brasil: Abertura (instrumental) (Jorge Salgueiro) – Orquestra Didáctica da Foco Musical, dir. Jorge Salgueiro (in livro/CD "O Achamento do Brasil: Ópera em II Actos", Foco Musical – Educação e Cultura, 2004)
11. O Achamento do Brasil: Recitativo e ária de Pedro Álvares Cabral (Risoleta Pinto Pedro / Jorge Salgueiro) – Orquestra Didáctica da Foco Musical, dir. Jorge Salgueiro (in livro/CD "O Achamento do Brasil: Ópera em II Actos", Foco Musical – Educação e Cultura, 2004)
12. O Achamento do Brasil: Coro dos marinheiros (Risoleta Pinto Pedro / Jorge Salgueiro) – Orquestra Didáctica da Foco Musical, dir. Jorge Salgueiro (in livro/CD "O Achamento do Brasil: Ópera em II Actos", Foco Musical – Educação e Cultura, 2004)
13. Dez (João Filipe e Luís de Camões / João Filipe) – João Filipe, com Sameiro Sequeira & Folk.at.Rua (in CD "Contarolando", João Filipe, 2009)
14. O Zeca (José Jorge Letria / Manuel Freire) – Manuel Freire (in livro/CD "Abril, Abrilzinho", Praça das Flores e Público, 2006)
15. Pela Voz da Telefonia (José Jorge Letria / Vitorino Salomé e Manuel Freire) – Manuel Freire & Vitorino (in livro/CD "Abril, Abrilzinho", Praça das Flores e Público, 2006)
16. Em Cada Esquina da Noite (José Jorge Letria / Manuel Freire) – Manuel Freire (in livro/CD "Abril, Abrilzinho", Praça das Flores e Público, 2006)
17. O Capitão dos Tanques (José Jorge Letria / Vitorino Salomé) – Vitorino (in livro/CD "Abril, Abrilzinho", Praça das Flores e Público, 2006)
18. Cançãozinha da Escola (Matilde Rosa Araújo Fernando Lopes-Graça) / – Meninos Cantores do Município da Trofa (in CD "Histórias de (en)Cantar", Quarta Vaga Produções/Edisco, 2000)
19. Olha o Arco-Íris (Regina Castro / João Lóio) – João Lóio, com Ana Luísa Dias de Carvalho, Isabel Oliveira, Regina Castro & Guilhermino Monteiro (in CD "Mais Um Dia", João Lóio, 2007)
20. João Manquinho (lengalenga infantil recolhida por Adolfo Coelho) – Cucha Carvalheiro (in livro/cassete "Rimas e Jogos Infantis", Lisboa Editora, 1994, reed. livro/CD, Lisboa Editora, 2004)
21. O Zezinho (Tradicional / Jorge Salgueiro) – Crianças sob a direcção de Jorge Salgueiro (in livro/CD "Cancioneiro Crescer com a Música I", Foco Musical – Educação e Cultura, 2001)
22. Meu Sonho Doido (João Lóio) – João Lóio, com Ana Luísa Dias de Carvalho, Isabel Oliveira, Regina Castro & Guilhermino Monteiro (in CD "Mais Um Dia", João Lóio, 2007)
23. Curta-Metragem (Regina Guimarães / Hélder Gonçalves) – Clã (in CD "Disco Voador", A Chave do Som/EMI, 2011)
24. A Corrente do Jogo (Carlos Tê / João Gil) – Cabeças no Ar (in CD "Cabeças no Ar", EMI-VC, 2002)
25. A Fisga (João Monge / João Gil) – Tim / Rio Grande (in CD "Rio Grande", EMI-VC, 1996)
26. Segunda Oportunidade (instrumental) (João Filipe) – João Filipe (in CD "Contarolando", João Filipe, 2009)
27. Baile da Biblioteca (Carlos Tê / João Gil) – Cabeças no Ar (in CD "Cabeças no Ar", EMI-VC, 2002)
28. O Cheiro dos Livros (Carlos Tê / João Gil) – Cabeças no Ar (in CD "Cabeças no Ar", EMI-VC, 2002)
29. A Escola (Jorge Palma) – Jorge Palma (in LP "Bairro do Amor", Philips/Polygram, 1989, reed. Philips/Polygram, 1998; CD "Dá-me Lume: O Melhor de Jorge Palma", Universal Music, 2000)
30. O Que Eu Quero Ser Quando For Grande (Carlos Tê / Rui Veloso) – Rui Veloso (in 2CD "Mingos & Os Samurais": CD 1, EMI-VC, 1990)
31. O Mais Importante na Vida (poema de António Botto) – Manuela de Freitas (in LP/CD "Poemas de Bibe: Grande Poesia Portuguesa Escolhida para os Mais Pequenos", UPAV, 1990, reed. Público, 2006)
32. Canção do Cego Que Vê (Ana Zanatti / João Gil, arr. Ruben Alves) – Vários artistas (in CD "Planeta Adormecido: Banda Sonora do Filme", Ovação, 2010)
33. Pequena Dor (Carlos Tê / Rui Veloso) – Rui Veloso / Cabeças no Ar (in CD "Cabeças no Ar", EMI-VC, 2002)
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Sétima e última parte: Criança bem amada, criança mal amada
1. O Nosso Menino (António Avelar de Pinho / Carlos Alberto Vidal) – Tonicha (in CD "Mulher", Polydor/Polygram, 1997; 2CD "Antologia 77/97": CD 2, Universal Music, 2007)
2. Os Direitos da Criança: parte 6 (poema de Matilde Rosa Araújo) – Pedro Ramajal
3. Gostas, Mãe? (Inês Pupo / Gonçalo Pratas) – Inês Pupo (in livro/CD "Canta o Galo Gordo: Poemas e Canções para Todo o Ano", Editorial Caminho, 2008)
4. Mãe (poema de Almada Negreiros) – Afonso Dias (in CD "Cantando Espalharey", vol. III, Edere, 2002)
5. Ilha da Infância (João Monge / Manuel Paulo) – Manuel Paulo & Nancy Vieira (in livro/CD "Pássaro Cego", Arthouse/Iplay, 2009)
6. Algumas Proposições com Crianças (poema de Ruy Belo) – Pedro Ramajal
7. Criança Mulher I (Fausto Bordalo Dias) – Fausto Bordalo Dias (in LP "Fausto", Philips, 1970)
8. Aquela Criança (José de Jesus Guimarães / Resende Dias) – Florência (in LP "Canções do Dia e da Noite", Orfeu, 1977)
9. Riso de Criança [Manuel Andrade / Acácio Gomes dos Santos (Fado Acácio)]– Carlos Zel (in LP "É Fado: Neste Rio Vou Morrer", Roda/J.C. Donas, 1978, reed. Vidisco, 2002)
10. Os Direitos da Criança: parte 7 (poema de Matilde Rosa Araújo) – Pedro Ramajal
11. É Tão Bom Ser Pequenino [João Linhares Barbosa / Popular (Fado Corrido)] – Rodrigo (in LP "A Última Tourada Real de Salvaterra", EMI/VC, 1972, reed. EMI-VC, 2003, Edições Edições Valentim de Carvalho/Som Livre, 2007; CD "O Melhor de Rodrigo", EMI-VC, 1990; CD "O Melhor de Rodrigo", Edições Edições Valentim de Carvalho/iPlay, 2008; CD "Rodrigo: Essencial", Edições Valentim de Carvalho, 2014)
12. Ir Seguro e Sossegado (Fernando Carmino Marques) – Fernando Marques (in CD "O Encontro das Águas", Ovação, 1998)
13. A Vida Como Ela É [Tiago Torres da Silva / Casimiro Ramos (Fado Três Bairros)] – Joana Amendoeira (in CD "Brincar aos Fados", Farol Música, 2014)
14. A Uma Criança (poema de Sebastião da Gama) – Pedro Ramajal
15. Bons Dias, Menino (Júlio de Sousa / Mário Moniz Pereira) – Lucília do Carmo (in LP "Lucília do Carmo", Trova, 1978, reed. Fatum/UPAV, 1992, Universal Music, 2003)
16. Menino de Oiro, Menino de Lata (Joaquim Pessoa, sobre quadra popular / Alexandre de Rezende e Carlos Mendes) – Tonicha (in LP "Ela por Ela", Polydor/Polygram, 1980, reed. Polydor/Polygram, 1996; 2CD "Antologia 77/97": CD 2, Universal Music, 2007)
17. Poema para um Menino ()Luiz Goes) – Luiz Goes (in LP "Canções de Amor e de Esperança", Columbia/VC, 1972, reed. EMI-VC, 1995; CD "O Melhor de Luiz Goes", EMI-VC, 1989; livro/4CD "Canções Para Quem Vier: Integral 1952-2002": CD 3, EMI-VC, 2002; CD "O Melhor de Luiz Goes", Edições Edições Valentim de Carvalho/iPlay, 2008; CD "Luiz Goes: Essencial", Edições Valentim de Carvalho, 2014)
18. Menino da Rua (Mário Contumélias / Manuel José Soares) – Teresa Silva Carvalho (in single "Nordeste / Menino da Rua", Orfeu, 1977; CD "Teresa Silva Carvalho", col. Clássicos da Renascença, vol. 63, Movieplay, 2000)
19. Anti-Anne Frank (poema de António Gedeão) – Pedro Ramajal
20. Menino do Sol-Posto [João Fezas Vital / José Joaquim Cavalheiro Júnior (Fado Menor do Porto)] – Rodrigo (in LP "Só Para Quem Gosta de Fado", Rossil, 1981)
21. Os Putos (José Carlos Ary dos Santos / Paulo de Carvalho) – Carlos do Carmo (in single "Os Putos / Fado de Todos Nós", Trova, 1978; CD "Fado Maestro: 45 Anos de Carreira", Universal Music, 2008)
22. Crianças [Frutuoso França / João Maria dos Anjos (Fado João Maria dos Anjos)] – Frutuoso França (in LP "Frutuoso França", Alvorada, 1978; CD "Frutuoso França", col. Fados do Fado", vol. 14, Movieplay, 1998)
23. Não Quero, Não (Eugénio de Andrade / Teresa Gentil) – Teresa Gentil (in CD "Gent'ilesa", Descalças - Cooperativa Cultural, 2008)
24. Quando Eu For Grande (Manuela de Freitas e José Mário Branco / José Mário Branco) – José Mário Branco (in LP/CD "Correspondências", UPAV, 1990, reed. EMI-VC, 1996)
25. Cinco Reis de Gente (poema de António Botto) – Pedro Ramajal
26. Ardinita [João Linhares Barbosa, sobre quadra popular / Jaime Santos (Fado da Bica)] – Rodrigo (in LP "Uma Noite de Fado em Cascais", Parlophone/VC, 1972; CD "Rodrigo", col. Caravela, EMI-VC, 1996; CD "Rodrigo: Grandes Êxitos", Parlophone/Warner Music, 2013)
27. Domingo no Mundo (Sérgio Godinho, arr. Manuel Faria) – Sérgio Godinho (in CD "Domingo no Mundo", EMI-VC, 1997)
28. Menino do Mar (Carla Lopes) – Frei Fado d'El Rei (in CD "Danças no Tempo", Columbia/Sony Music, 1995)
29. A um Menino Operário em Frente da Montra de um Automóvel (poema de Salette Tavares) – Pedro Ramajal
30. O Menino Negro Não Entrou na Roda (Geraldo Bessa Victor / Luís Cília) – Luís Cília (in LP "Meu País", Le Chant du Monde, 1973)
31. Menino Só (Jorge Cravo) – Jorge Cravo (in CD "Canções d'uma Cidade e d'um Rio", Numérica, 2010)
32. Menino do Bairro Negro (José Afonso) – José Afonso (in EP "Baladas de Coimbra", Rapsódia, 1963; LP "Baladas e Fados de Coimbra", Edisco, 1982; CD "Os Vampiros", Edisco, 1987, 2006)
33. Criança Negra (Jorge Ataíde) – Maria Armanda (in EP "Rio Tejo de Lisboa", Discos Estúdio, 1976; 2CD "Fado Capital": CD 2, Ovação, 1994)
34. Meu menino negro, negro (poema de Matilde Rosa Araújo) – Pedro Ramajal
35. Para os Meninos da Guerra (Manuel Ribeiro Santos / Daniel Marques Ferreira) – Daniel (in EP "Para os Meninos da Guerra", Discos Estúdio, 1968)
36. Enquanto Houver Soldados (Pedro Bandeira Freire e Paco Bandeira / Paco Bandeira) – Paco Bandeira (in LP "Malhas, Malhões e Outras Canções", Imavox, 1980; 10CD "Passageiro de Canções": CD 6, Profissom, 2000)
37. Avisem as Crianças (João Lóio) – João Lóio (in CD "Canções de Amor e Guerra", João Lóio, 2002)
38. Meninos Angolanos (António Manuel Ribeiro / Jorge Manuel Costa) – UHF (in CD "Rock É! Dançando na Noite", AM.RA Discos/Vidisco, 1998; single " Meninos Angolanos", AM.RA Discos, 2001)
39. Os Olhos das Crianças (poema de Sidónio Muralha) – Pedro Ramajal
40. Os Meninos de Huambo (Manuel Rui Monteiro, adap. Paulo de Carvalho / Ruy Mingas) – Paulo de Carvalho (in LP "Desculpem Qualquer Coisinha...", Philips/Polygram, 1985, reed. Philips/Polygram, 1998; 2CD "Antologia 71/86": CD 2, Universal Music, 2007)
41. Meninos d'Oiro (Raul José Aires Corte Peres Cruz, aka. Raul Indipwo, arr. Eduardo Pain) – Raul Indipwo (in CD "Meninos d'Oiro", Fundação Ouro Negro, 1991)
42. Os Direitos da Criança: partes 1 e 2 (poema de Matilde Rosa Araújo) – Pedro Ramajal
43. Jardim da Mocidade (Carlos Tê / João Gil) – Cabeças no Ar (in CD "Cabeças no Ar", EMI-VC, 2002)
Nota:
A maioria dos poemas deste último capítulo foi extraída da antologia "As Crianças, Todas as Crianças" (Lisboa: Livros Horizonte, 1979), organizada por Matilde Rosa Araújo, cuja capa se apresenta ao fundo.
As capas de muitas das outras edições utilizadas nesta série podem ser vistas no blogue "Música para Crianças dos 0 aos 100".
Por: Óscar Mascarenhas (jornalista, ex-presidente do Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas)
«A posição 92.0 FM há muito que está fixa no rádio do meu automóvel, muito antes de Luís Montez a ter genialmente baptizado de Rádio Amália, a 6 de Outubro de 2009, dez anos após a morte da diva que universalizou o fado.
Chamava-se, creio, Rádio Nova Antena, emitia (e ainda emite) a partir de Odivelas, partilhava umas horas da noite com uma comunidade eslava, e tinha (e tem) um alcance restrito à região de Lisboa.
Fui-me transferindo para aquela rádio devido ao meu cada vez mais bilioso divórcio da Antena 2, sequestrada há uns anos por uns iluminados, possuídos de uma erudição peneirenta e de uma arrogância que lhes tem permitido replicar com revoltante sobranceria aos dois provedores que aquela rádio já teve.
Mudei. Para a Rádio Amália – mesmo antes de assim se chamar. Emociono-me mais com o Fado da Meia-Laranja – "Meio-Inferno de Lisboa, onde a morte anda a viver" – de José Manuel Osório, do que com as elucubrações onanistas de um presunçoso a explicar-me não sei que dores de alma de Aaron Copland pelos "índios apalaches" no seu "Appalachian Spring" que – já agora – o compositor começou por lhe chamar "Ballet for Martha", que não consta que fosse índia – e muito menos apalache!
O que a Rádio Amália me proporciona não é só fado, mas toda a música portuguesa de qualidade, dispensando-me de Rutes Marlenes e das brejeiradas pimbas e pisca-pisca. Mas a Rádio Amália é muito mais do que isso: está a repovoar os bairros, entrelaçá-los, gerir comunidades de vizinhos que se dedicam mutuamente as músicas pedidas, tudo isto num caldo de formidáveis gargalhadas prazenteiras desse distribuidor nato de boa disposição chamado Joaquim Maralhas – com vénia para todos os outros que trabalham naquela rádio.
A alegria que é ouvir um vizinho declamar quase todos os nomes dos inquilinos do seu prédio e da sua rua, ressuscitando o Bairro da Bela Vista e retirando-lhe a condição de soturno dormitório de Lisboa. Ou outro a prestar homenagem ao "presidente da república popular de Moscavide" (Viva ele!). A Rádio Amália está a desempenhar o melhor papel de uma rádio: a tecer comunidades.
Por que me lembrei de vos falar da Rádio Amália? Porque estive até há pouco retido duas semanas na China pela fuligem islandesa e a Rádio Amália me fez companhia pela internet o tempo todo. E como estou a escrever num jornal onde a maioria dos leitores só pode ouvir a Rádio Amália como eu a ouvi na China – pela internet – queria com eles partilhar este segredo: ainda há uma rádio que nos diz que é possível os portugueses se entenderem – e serem amigos.
Bem-haja Rádio Amália, rádio minha gente!» [Óscar Mascarenhas, in "Jornal de Notícias", 10.05.2010]
Muito pertinente e assertivo é este artigo de opinião do jornalista Óscar Mascarenhas. Também eu, que era ouvinte da Antena 2 e, por vezes, da Antena 1, dou comigo a ouvir, cada vez mais amiúde, a Rádio Amália, embora o fado esteja longe de constituir exclusivamente o meu universo de fruição musical. A verdade é que a Rádio Amália, à parte a excessiva carga publicitária e a repetição algo massacrante de determinados anúncios, está a prestar um serviço que é de toda a justiça enaltecer. Estamos em presença de uma estação – e isso ouve-se e sente-se – onde os nossos artistas são respeitados e onde se acarinha a música que é visceralmente nossa, no caso o fado, sempre com uma assinalável fasquia de qualidade na oferta musical, envolta num prazenteiro trabalho de locução. Está, por isso, de parabéns o empresário Luís Montez por ter tido a ousadia e a visão estratégica de arrancar com a Rádio Amália e, bem assim, todos quantos nela trabalham e ela devotam o melhor do seu esforço. Mesmo tratando-se de uma estação privada e, nessa medida, com fins lucrativos, não escondo que ficarei muito satisfeito se a Rádio Amália se tornar a emissora mais ouvida na cidade de Lisboa e região metropolitana. O que teria também a vantagem de evidenciar, com mais ênfase, a degradação em que caiu o chamado serviço público de rádio, designadamente as Antenas 1 e 2, às mãos dos tais "iluminados" onanistas (e de quem lhes tem dado cobertura).
Os males de que padece a Antena 2 são sobejamente conhecidos e eu, em Julho de 2008, tive o ensejo de comunicar a quem de direito um conjunto de medidas a adoptar para os debelar (cf. Antena 0,2: a arte que destoca). E sei que muitos outros ouvintes se pronunciaram no mesmo sentido. Se quem tinha nas suas mãos o poder de as levar a efeito e, ao arrepio do mais elementar bom senso, optou por não o fazer, terá agora de prestar contas aos ouvintes/contribuintes.
Relativamente à Antena 1, e ressalvando os espaços (poucos) da responsabilidade de Armando Carvalhêda, Ana Sofia Carvalhêda e Edgar Canelas, é facilmente constatável que a actual direcção de programas tem em muito pouca conta a música portuguesa mais autêntica e qualificada (ao contrario do que seria expectável e razoável numa estação estatal), privilegiando ao invés os subprodutos pop que as multinacionais (Universal, EMI, Sony/BMG) e a editora do grupo Média Capital (Farol Música) querem vender. Basta atentar na vergonhosa 'playlist' para se perceber o que acabo de afirmar.
Com a Rádio Amália, o fado passou a ter uma antena onde é tratado com a dignidade que merece. Fica a faltar uma estação nos mesmos moldes para a grande música popular portuguesa (tradicional e de autor). Uma rádio onde se pudesse ouvir José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Carlos Paredes, Pedro Caldeira Cabral, Manuel Freire, Fausto Bordalo Dias, Sérgio Godinho, José Mário Branco, Luís Cília, Vitorino, Janita Salomé, Teresa Silva Carvalho, Teresa Paula Brito, Pedro Barroso, Paco Bandeira, Carlos Mendes, João Lóio, Francisco Naia, Afonso Dias, Fernando Marques, Quarteto 1111, Banda do Casaco, Trovante, Charanga, Né Ladeiras, Teresa Salgueiro (no seio dos Madredeus ou com o Lusitânia Ensemble), Amélia Muge, João Afonso, Filipa Pais, Isabel Silvestre, Rão Kyao, Júlio Pereira, José Peixoto, Pedro Jóia, Manuel d'Oliveira, Joel Xavier, Norberto Lobo, Luís Baptis, Ricardo Parreira, Luísa Amaro, Eduardo Ramos, Francisco Raimundo (Reymundo), Brigada Victor Jara, Almanaque, Raízes, Pedra d'Hera, Terra a Terra, Ronda dos Quatro Caminhos, Vai de Roda, Maio Moço, Trigo Limpo, Alafum, Romanças, José Barros & Navegante, Real Companhia, Sebastião Antunes (no seio do grupo Quadrilha ou a solo), Gaiteiros de Lisboa, Frei Fado d'El Rei, Chamaste-m'Ó, Toque de Caixa, Galandum Galundaina, Lenga Lenga, Trasga, Tuna Popular Lousense, Vá-de-Viró, Dar de Vaia, Nem Truz Nem Muz, Arco da Velha, Marenostrum, Encontros da Eira, Xarabanda, Almma, Belaurora, Aníbal Raposo, Teresa Gentil, Helena Oliveira, Realejo, Danças Ocultas, Fol&ar, Lufa Lufa, Mendes Harmónica Trio, Trilhos, Mandrágora, Dazkarieh, Uxu Kalhus, Mu, Monte Lunai, Gnomon, Roncos do Diabo, Roldana Folk, Lúmen, Pé na Terra, Diabo a Sete, Chuchurumel, César Prata, Assobio, João Filipe, Origem, Andarilhos, Banda Futrica, Ginga, A Barca dos Castiços, Stockholm Lisboa Project, Notas & Voltas, Cantos d'Aurora, Modas à Margem do Tempo, Vento Suão, Sons do Vagar, Roda Pé, Contrabando, Musicalbi, Adufeiras de Monsanto, Cantares de Évora, Moçoilas, Segue-me à Capela, Vozes do Imaginário, etc., etc.
Ao contrário do que algumas pessoas poderão supor, a música popular portuguesa é de uma riqueza extraordinária, quer no número de intérpretes, quer na diversidade estilística, quer na discografia. Direi mesmo que, para muita gente, há aqui um mundo insuspeito e por revelar.
Dei-me ao trabalho de fazer uma escuta cruzada de dezenas de rádios locais, com emissão on-line, de norte a sul do país, e vi-me grego para ouvir alguns dos nomes acima citados nos alinhamentos de continuidade. Assiste-se, inclusive, a um preocupante fenómeno de mimetismo dos conteúdos musicais mais corriqueiros que pululam nas rádios de cobertura nacional (além da música ‘pimba’, evidentemente). Ressalvam-se alguns programas de autor, quase todos de periodicidade semanal, e mesmo esses num escasso número de estações (no caso do fado, há muito mais oferta). Em face de situação tão confrangedora relativamente à música de matriz tradicional no éter português, e estando a estação pública como está, o aparecimento de uma rádio temática dedicada àquela área musical, viria colmatar um importante lacuna no nosso panorama radiofónico, tornando-se, à partida, o refúgio de muitas pessoas que gostam de boa música portuguesa e não a encontram nas emissoras ao seu dispor.
Posto isto, atrevo-me a lançar um desafio a Luís Montez: e que tal uma rádio para a música popular portuguesa? Não digo em Lisboa, mas talvez no Porto, pois tem sido desta cidade que têm saído alguns dos mais interessantes projectos de música tradicional/folk.
Nota: Além da frequência 92.0 FM, para a região de Lisboa, a Rádio Amália pode ser ouvida em qualquer ponto do país e do mundo em: http://www.amalia.fm/?page_id=20
Quando iniciei a colaboração neste sítio prometi a mim mesmo que nem política, nem religião nem futebol (domínios em que a paixão se sobrepõe à razão) seriam aqui abordados.
O modo como a rádio e a televisão públicas se envolveram na recente visita pastoral do papa Bento XVI impelem-me a quebrar esse compromisso e a vir dizer de minha justiça. Quero, em primeiro lugar, deixar claro que não me move qualquer espécie de animosidade contra a Igreja Católica ou contra outra confissão religiosa (cristã ou não cristã). Nesta ordem de ideias, a visita a Portugal de um papa ou de qualquer outro líder religioso não me suscita objecções. Sendo agnóstico e, como tal, não perfilhando qualquer credo, nem por isso deixo de respeitar todas as manifestações religiosas e as pessoas que, de livre vontade, a elas aderem. Reciprocamente, espero que as instituições confessionais e os respectivos fiéis respeitem o meu agnosticismo e a minha liberdade de consciência. O mesmo se aplica ao Estado, constitucionalmente republicano e laico, e aos organismos por ele tutelados que jamais se devem envolver em acções de proselitismo a favor de qualquer confissão. Mas foi exactamente o contrário disto o que fez a Rádio e Televisão de Portugal, com os seus canais de maior audiência – RTP-1 e Antena 1 –, durante a visita de Joseph Ratzinger, visita essa que, como o próprio publicamente afirmou, teve o propósito de reevangelizar a sociedade portuguesa. Na verdade, o que se passou não foi a cobertura noticiosa da visita oficial de um chefe de Estado (no caso, do Estado do Vaticano), o que se podia aceitar em órgãos de comunicação sob tutela estatal, mas uma autêntica e empenhada acção apostólica por parte da empresa pública de rádio e televisão, ao acompanhar, passo por passo, todos os actos de natureza estritamente cultual do chefe da Igreja Católica Romana. Sexta-feira, por volta das 10h:30, ao ligar para a Antena 1, já sabia que ia apanhar quase de certeza com a cobertura do périplo pontifício, mas ao ouvir um jornalista/repórter proferir repetidamente a expressão "santa missa", confesso que me senti violentado na minha liberdade de consciência. Estaria a ouvir uma rádio laica ou uma emissora católica e apostólica? Foi a gota que fez transbordar o copo e me levou a manifestar, com estas linhas, a minha indignação.
Eu não quero ser reenvangelizado (ou melhor dizendo, recatolicizado) e ainda menos por uma estação para a qual desembolso uma contribuição obrigatória! Em tenra idade, a exemplo do que aconteceu (e continua a acontecer) com muitas outras crianças, também me inculcaram os dogmas do catolicismo – Santíssima Trindade, Ressurreição, Ascensão, Imaculada Conceição, etc. – e me quiseram fazer crer que a "mãe de Deus" (pode Deus ter mãe ou pai?) tinha aparecido a três humildes pastorinhos na Cova da Iria. Graças a leituras que fiz, já na idade da razão, e à minha própria reflexão, consegui libertar-me desse fardo. Por isso, dispenso todas as prédicas, imbuídas de sincera ou falsa beatice, com que me querem voltar a pôr o fardo às costas. Não, muito obrigado!
Já sei que os manda-chuvas da Rádio e Televisão de Portugal se vão justificar com um argumento do tipo: «o povo português professa, na sua maioria, a fé católica romana e a empresa não podia ficar alheia ao acontecimento». Pois não só não ficou alheia ao acontecimento, como nele se envolveu de corpo e alma, coisa que, pelas razões que atrás aduzi, jamais se pode aceitar numa entidade pública, que depende de um Estado laico e não confessional. Por outro lado, ao argumentar-se que a maioria dos portugueses é católica não se está a ser rigoroso, porque, na verdade, a população que é efectivamente católica (aferível pela prática dos sacramentos da eucaristia e da confissão) não chega a perfazer um quinto do todo populacional. Dos restantes quatro quintos, uma pequena percentagem professa outras confissões. O grosso não pratica qualquer culto, embora muita gente, tenha recebido uma educação de matriz católica. Aí radica o equívoco: não se é católico por se ter nascido e crescido numa sociedade em que a cultura dominante tem a marca ancestral do catolicismo, mas por uma convicção íntima e bem alicerçada. Muitos portugueses até continuam a casar-se pela igreja e a baptizar os filhos, mas a maior parte – não errarei ao afirmá-lo –, não o faz por convicção religiosa mas por mero hábito cultural e social (porque os pais assim fizeram e porque... parece bem e até dá algum status).
O objectivo da Igreja Católica é arrebanhar para o seu seio todas essas pessoas culturalmente católicas (não praticantes) e nesse âmbito se inserem as viagens apostólicas papais. Será um esforço em vão, ainda que com o apoio obsceno de organismos públicos, porque é remar contra a História. A Europa já foi maioritariamente católica mas nunca mais voltará a sê-lo, mesmo sabendo-se que as depressões económicas incrementam a devoção religiosa. A Europa do futuro será, numa parte (a económica e culturalmente mais favorecida), ateia ou agnóstica, e, noutra parte (a mais humilde), crente, mas não católica – protestante, muçulmana, animista. O grande desafio para a estabilidade social, além da questão económica, será justamente a convivência pacífica dessas duas realidades.
«O programa que o provedor do ouvinte dedicou [em 31 de Julho de 2009] a esta suspensão estabeleceu claramente a necessidade de se encontrar uma solução capaz de preservar e facultar acesso ao arquivo do programa. Este é um assunto da maior importância. Os 30 anos de "Lugar ao Sul" são um esforço monumental de recolha de peças soltas da identidade de toda uma região e constituem certamente um dos mais importantes registos da memória de um país que está em processo de extinção acelerada entre suburbanização, eucaliptização e deslumbramento com TGVs e afins. Trata-se de um património inestimável que a rádio pública tem em mãos. Eu gostaria de perguntar ao provedor que medidas foram tomadas desde Agosto para assegurar a sua boa gestão. Ainda que seja inútil, gostaria ainda de juntar a minha voz à voz de todos os ouvintes que expressaram a sua tristeza e estupefacção pelo fim do "Lugar ao Sul". Era uma demonstração semanal de como a partir de poucos meios se pode chegar a um produto de qualidade e belo, desde que haja dedicação e simplicidade. Um exemplo de serviço público que nos faz muita falta.» [Pedro Barbosa, ouvinte de Lisboa]
«Estamos a avaliar o material produzido para decidir sobre a melhor utilização a dar ao espólio deixado por Rafael Correia. Perante a riqueza dos registos, várias soluções se colocam: reeditar o programa, dando-lhe um enquadramento específico, obtendo para isso autorização do autor; disponibilizá-lo na plataforma web, no site da Antena 1, sem mais, o que nos parece pouco; ou inscrevê-lo no arquivo criativo, um projecto em desenvolvimento no interior da empresa. Para qualquer destas soluções, temos esbarrado sempre numa dificuldade que identificámos desde o momento em que Rafael Correia decidiu terminar a produção do programa: encontrar alguém, no interior da empresa, com disponibilidade, interesse e empenho em manter viva a tradição celebrada pelo autor de "Lugar ao Sul".» [Rui Pêgo, director de programas da Antena 1]
«Os atrasos não se compadecem com as boas intenções ou por outras palavras temos uma boa intenção atrasada. Como disse na altura os conteúdos de rádio serão disponibilizados em suporte passível de consulta generalizada pelos ouvintes interessados. Os arquivos da Rádio ainda não estão totalmente digitalizados de forma a poderem integrar a emissão nas novas plataformas, muito embora esteja previsto para 2010 uma acção forte nesta área. Julgo que, com as comemorações dos 75 anos da fundação da Emissora Nacional possam ser anunciadas ao longo do ano diversas iniciativas que contemplem o acesso a conteúdos e a sua edição em suporte digital.» [Jaime Fernandes, responsável da área de Novos Negócios e Projectos da RTP, in "Em Nome do Ouvinte", 30.04.2010]
Antes de mais, há que louvar a iniciativa do jornalista Adelino Gomes, na sua qualidade de Provedor do Ouvinte, ao dar voz ao ouvinte acima citado, não deixando assim cair no esquecimento a importante questão da acessibilidade ao fabuloso espólio sonoro que Rafael Correia constitui ao longo de três décadas.
Agora, a minha apreciação às explicações dadas por Rui Pêgo e Jaime Fernandes para o facto de entretanto nada ter sido feito.
Começando pelas palavras de Rui Pêgo, quem não conhecesse a desconsideração que sempre nutriu pelo programa (pouco depois de ter sido empossado nas funções de director de programas da Antena 1, uma das primeiras medidas que tomou, em Setembro de 2005, foi nada mais nada menos que a amputação de metade do respectivo tempo de emissão), julgaria que as suas intenções são as mais nobres e dignas. Na verdade, o arrazoado de Rui Pêgo cheira a hipocrisia que tresanda: é o argumento típico de alguém que podendo fazer o bom, se desculpa com a impossibilidade de realizar o óptimo, precisamente com o intuito de nada fazer, porque no seu íntimo nunca existiu a mais pequena vontade de algo de positivo fazer em prol do programa.
E o bom seria: em primeiro lugar, a reposição na grelha da Antena 1, idealmente no horário tradicional (sábado, 9 horas), dos registos mais antigos; para começar, sugiro os que foram feitos fora do Algarve e Baixo Alentejo, regiões a que Rafael Correia se confinou nos últimos anos, por exiguidade de meios materiais colocados à sua disposição; em segundo lugar, a colocação de todo o acervo fonográfico do programa numa página on-line, dentro ou fora do site da Rádio e Televisão de Portugal, sequenciado pelas datas de emissão e com as pequenas sinopses tal como constam no arquivo histórico. E há que atentar numa coisa muito importante: tendo mão criminosa destruído boa parte das gravações dos anos 80, importa que as falhas sejam colmatadas, o que só será possível recorrendo ao arquivo pessoal do autor. Quero acreditar que Rafael Correia não deixará de dar a sua colaboração nesse sentido, desde que abordado com tacto e diplomacia.
Relativamente a Jaime Fernandes, e não tendo razões para lhe atribuir eventual desdém pelo património do "Lugar ao Sul", creio que a justificação para o não cumprimento da promessa que fez em 2009 será mais funda do que a simples inércia que é própria de estruturas pesadas como a da RTP. Refiro-me à força de bloqueio que se encontra na administração, chamada António Luís Marinho, que, tal como Rui Pêgo, sempre encarou o programa como um estorvo. É bom não esquecer que foi precisamente António Luís Marinho, enquanto director-geral da Antena 1, que, em Abril de 2004, desferiu um dos mais vis ataques ao "Lugar ao Sul" em toda a sua história, ao retirá-lo das 9h:00 horas de sábado para o chutar para as 7h:00 horas da madrugada, ficando no seu lugar a 'playlist'.
Por: Manuel Halpern (jornalista e crítico musical)
Um mundo de bolso
Fazer um disco do outro mundo é cada vez mais difícil. Não por já tudo estar inventado (sempre esteve e sempre estará), mas porque o mundo dos Outros está mais parecido com o nosso. Fruto da globalização, os mundos diluem-se, para o bem ou para o mal. Nos anos 60, George Harrison descobriu o caminho musical para a Índia. Nos 90, Talvin Singh, entre outros, encontraram a rota de regresso. As viagens têm sido feitas amiúde. E as paisagens tornaram-se menos misteriosas. Nunca foi tão fácil saber o que se passa na Papuásia Ocidental. E os papuas saberem o que se passa connosco.
O circuito de músicas do mundo intensificou-se na última década. O domínio anglófono/americano do mundo da música coexiste com um crescente interesse pelas diferentes culturas. É o que leva, por exemplo, Mariza e Ana Moura a cantar no Carnegie Hall, de Nova Iorque. São duas vias concorrentes. O lado bom da globalização, que inverte a ideia catastrofista de que a rede global está apenas a criar um mundo homogéneo, cinzento, insípido. Existe a valorização das diferenças, o culto das minorias, nichos que se unem e se impõem por motivos aparentemente estapafúrdios como os hábitos alimentares (movimento vegon).
Se Mariza faz a circum-navegação em concertos, é porque foram criados espaços e hábitos culturais que fazem com que seja aceitável e até desejável que uma cantora interprete uma música diferente numa língua estranha. Franceses e japoneses terão sido pioneiros nesta busca do Outro, e continuam a fazer um investimento nesse domínio. A França mais na edição de vozes de outras latitudes, incluindo fado, música cabo-verdiana e brasileira. O Japão numa assimilação ou apropriação das músicas dos outros, com artistas locais a interpretarem outras músicas, incluindo o fado, bossa nova e chanson française.
O fado expandiu-se de forma espectacular. Foi nos anos 00 (chamemos-lhe assim em homenagem à linguagem binária) que surgiram nomes tão relevantes como Mariza, Ana Moura, Katia Guerreiro, Raquel Tavares ou Carminho. E outros se afirmaram, embora já tivessem gravado discos na década anterior, como Joana Amendoeira, Cristina Branco ou Ana Sofia Varela. Repare-se que, internacionalmente, o fado é coisa de mulheres, salvo algumas excepções, nomes que, timidamente, têm conseguido chamar alguma atenção, como Camané, Pedro Moutinho, Hélder Moutinho, Ricardo Ribeiro ou António Zambujo. Esse facto poderá estar ligado ao quadro imagético criado pela grande referência nacional e internacional, Amália Rodrigues.
Mariza que, quer se goste quer não, é a grande figura da música portuguesa desta década, encarna por si só o espírito miscigenado dos tempos que correm. Não é de todo uma fadista convencional. O que mostra que o fado, mesmo internacional e comercialmente, entrou numa nova etapa. Vale além do castiço. E se em alguns circuitos o fado vale (vende) enquanto tal, sem precisar de mais apresentações, não há dúvida que no caso da cantora conta, acima de tudo, e como mais valia, o seu nome: Mariza. A imagem criada ultrapassa a ideia de fado e por isso é paradigmática.
A própria Mariza é um símbolo quase perfeito de uma década de fusões. Uma afro-europeia que canta o fado, reclamando-se da tradição ao mesmo tempo que a deturpa. E uma cantora de fados mulata, o que, por si só, promete juntar o melhor de dois mundos. A sua postura é algo excêntrica e exótica, mas não de um exotismo provinciano. O fado, na sua voz, tornou-se um espectáculo, uma estratégia de internacionalização da saudade. E a música propriamente dita bebe em várias fontes, avançando e recuando, mas indo sempre além (ou aquém) do fado tradicional. Mariza é, pois, uma cidadã do mundo, por mais que diga que gosta de pendurar a roupa no hotel como se estivesse na Mouraria. Formalmente, o fado manteve-se como a mais popular música de raiz portuguesa, nacional e internacionalmente, com toda uma geração que se assumiu como herdeira de Amália Rodrigues, que morreu pouco antes da nova década começar. E sobreviveu bem. Pouco arriscadas foram as modificações formais. A esse nível, a mais importante reinvenção do fado foi feita pel’A Naifa, grupo de João Aguardela, cuja morte marca negativamente o final dos anos 00.
O fado tornou-se mais internacional, não só porque as fadistas galgaram o mundo a cantá-lo, mas também porque os outros povos se interessaram pela música e fizeram uma coisa sua. Os ‘fadistas’ estrangeiros já não se contam pelos dedos, vão desde a Sérvia ao Japão. Mas há alguns casos mais curiosos, como a basca Maria Berasarte que gravou um disco de fados muito à sua maneira, a catalã Névoa que inventou o fado num novo estilo ou o italiano Marco Poeta que abriu uma casa de fados em Itália.
Do outro lado do espelho está a importação de novos estilos, que fogem da lógica pop-rock. Os Balcãs estiveram na moda, em parte graças aos filmes de Kusturika, assim como a música cigana em geral. E houve ainda um conceito mais global de intercultura, veiculado nos discos de Manu Chao, com frutos visíveis um pouco por todo o mundo, mas também em Portugal, com bandas como Dazkarieh, Terrakota ou Kumpania Algazarra.
Simultaneamente, houve uma crise sem precedentes na indústria fonográfica. Nunca se venderam tão poucos discos. Mas, paradoxalmente, os discos nunca foram tão ouvidos. Os programas peer-to-peer baixaram a pique os lucros das editoras, que haviam tido uma postura especulativa desde o aparecimento do CD. Curiosamente, a mesma tecnologia que prejudicou a indústria tornou mais fácil gravar um disco ou uma canção. Ou mesmo divulgar as canções e mostrá-las ao público. Já não é imprescindível a gravação num estúdio musical e o myspace mostrou-se um espaço privilegiado de divulgação musical. Não nos esqueçamos que foi nesse site que se revelaram bandas tão importantes como os Arctic Monkeys ou os Arcade Fire. Ao mesmo tempo que se atingiu um pique de sofisticação na produção, em que as masterizações e remasterizações, a batota feita em estúdio, atingiu um nível de apuramento irreal, há uma contracorrente, low-fi, que se impõe pela simplicidade do método.
Em Portugal, caso flagrante é o ‘movimento’ ligado às editoras Flor Caveira e Amor Fúria, curiosamente, ambas cristãs, a primeira baptista, a segunda católica. Notabilizaram-se nomes como B Fachada, Pontos Negros, João Coração, Samuel Úria ou Tiago Guilul. O seu som caracteriza-se por uma genuinidade de ideias, e uma afirmação da portugalidade da sua música, o que funciona numa contracorrente em relação à americanização do mundo.
A partir da segunda metade da década, a crise fonográfica tomou proporções alarmantes, e nem sequer a aprovação de uma nova lei da rádio, protectora da música portuguesa, afastou a malapata. Entre fusões e falências houve uma mudança brusca no panorama português. O facto mais assinalável foi a cisão da EMI-Valentim de Carvalho, e a saída do próprio David Ferreira (sobrinho de Rui Valentim de Carvalho), da multinacional. Tal como outras grandes editoras, passou a ter uma lógica mais ibérica. Quanto ao precioso espólio da Valentim de Carvalho, passou a ser tratado pela iPlay, nova editora sucessora da Som Livre.
Apesar desta crise acentuada, pequenas editoras, de espírito guerrilheiro, tiveram um papel significativo. Além das já faladas Flor Caveira e Amor Fúria, note-se o esforço da Footmovin/SóHipHop de Bomber Jack, que conseguiu que o hip hop fosse dos géneros mais editados em Portugal (em quantidade de títulos) nos últimos 10 anos. E, por falar em hip hop, um nome ficou, acima dos outros: Sam the Kid. Deslumbrou nas suas duas vertentes, a rimar e a samplar, conferindo um traço de portugalidade (com samplers de fado, por exemplo) ao seu trabalho.
A globalização tornou apetecíveis os mercados internacionais. E é significativo que um grupo tão português como os Deolinda tenha conseguido romper fronteiras e entrar nas listas dos melhores do ano do "Sunday Times". Mas, regra geral, a tentação de internacionalização fez-se através da busca de linguagens universais, cantadas em inglês. A tentativa não é nova. O sucesso é que talvez seja. Foi o que aconteceu com os Gift (o primeiro álbum ainda é dos anos 90), David Fonseca (ex-Silence 4) e, numa perspectiva mais alternativa, Legendary Tigerman ou Wray Gunn. Ainda a outro nível, todo o destaque para Rodrigo Leão, que gravou discos com grandes nomes, como Beth Gibbons ou Neil Hannon.
Com a massificação dos downloads, legais ou ilegais, os concertos ganharam preponderância e transformaram-se definitivamente na mais importante fonte de receita dos artistas. Em Portugal deu-se uma autêntica explosão de festivais de Verão, nem sempre com a qualidade desejada, com destaque para o Rock in Rio, um dos maiores do mundo, e o Optimus Alive. Mas uma das melhores surpresas, a nível de concertos de portugueses, ficou para o final da década e vem de uma geração que já deu todas as provas: falamos de "Três Cantos", que uniu Sérgio Godinho, José Mário Branco e Fausto.
Um barómetro para se saber com que linhas se cose uma década musicalmente é perceber o que anda a fazer Brian Eno. E "Everything that happens will happen Today", o último disco do fundador dos Roxy Music, muito revela. Um álbum feito com David Byrne através da internet e que apenas conheceu edição digital. Dos anos 00 para a frente quem não está on-line... fica de fora.
[in "JL - Jornal de Letras, Artes e Ideias", 30.12.2009]
Estou genericamente de acordo com este artigo de Manuel Halpern, em jeito de balanço da música portuguesa (não erudita) da primeira década do séc. XXI (que na verdade só termina no final de 2010). Gostaria, contudo, que tivesse sido prestada mais atenção à música tradicional/folk que, tal como o fado, teve um grande florescimento na década inaugural do presente século. A década de 90 terá sido a década de maior apagamento, embora nela tenham surgido grupos/intérpretes tão importantes como Navegante, Gaiteiros de Lisboa, Frei Fado d’El Rei, Realejo, Danças Ocultas, Quadrilha, Amélia Muge e Filipa Pais, depois do período áureo que se registou no pós-25 de Abril de 1974 até finais da década de 80, com nomes como Almanaque, Brigada Victor Jara, Vitorino, Teresa Silva Carvalho, Janita Salomé, Júlio Pereira, Terra a Terra, Raízes, Vai de Roda, Pedra d’Hera, Charanga, Rosa dos Ventos, Disto & Daquilo, Trigo Limpo, Ronda dos Quatro Caminhos, Maio Moço... sem esquecer o grupo Trovante pelo importante contributo que deu ao movimento sobretudo com o álbum "Baile no Bosque" (1981). De facto, foi já no século XXI que a música de raiz tradicional ganhou um novo impulso, com o aparecimento e/ou afirmação de um acrescido lote de grupos e músicos de assinalável qualidade, uns mais ligados à tradição portuguesa, outros mais cosmopolitas, por assim dizer. Refiro alguns: Galandum Galundaina, Roda Pé, Dazkarieh (que por acaso até foi citado no texto mas muito de fugida), Roldana Folk, Mandrágora, Mu (estes dois já distinguidos com o Prémio Carlos Paredes), Ginga, Banda Futrica, Segue-me à Capela, Moçoilas, Manuel d’Oliveira, Lúmen, Chuchurumel, Diabo a Sete, Pé na Terra, Fol&ar, Gnomon, Monte Lunai, A Barca dos Castiços, Roncos do Diabo, Ventos da Líria, Assobio, etc. (estes e muitos outros podem ser vistos e ouvidos em http://myspace.com/lugaraosul). Para a pujança e fulgor do movimento, além de importantes festivais e certames musicais (de que o FMM de Sines talvez seja o mais mediático), é de primordial importância o papel desempenhado por editoras independentes (Açor/Emiliano Toste, Vachier & Associados, Ocarina e Hepta Trad, por exemplo) sem as quais excelentes discos não teriam vindo a lume. Digna de menção é igualmente a dedicação de alguns realizadores de rádio, designadamente Luís Rei ("Terra Pura"), João Sá ("Folklândia"), Carlos Norton ("Sopa da Pedra"), Jorge Costa ("Multipistas") e Octávio Fonseca ("Os Cantos da Casa"), que em rádios locais e na internet (com o 'podcast') vêm prestando um serviço de divulgação que é de toda a justiça enaltecer. O que não pode deixar de se lamentar é a atitude de marginalização e menorização das rádios nacionais (incluindo a pública Antena 1) face a este interessantíssimo fenómeno da nossa vida musical, instrumentalizadas que estão pelas 'majors', as quais, como é sabido, enjeitaram por completo a música tradicional/folk e apenas se empenham em promover um género que está completamento gasto e estafado – a pop. Talvez não seja um acaso que o florescimento das músicas de raiz (fado e música tradicional) coincida precisamente com a decadência do género de feição menos identitária. Algo está a mudar na música portuguesa e ainda bem que assim é.
Josefa d'Óbidos, "Natividade", c.1650-60, óleo sobre cobre, 21x16 cm, Colecção particular, Porto, Portugal
Cristo nasceu a 25 de Dezembro? É muito provável que não e há mesmo biblistas e estudiosos que situam a Natividade na Primavera. Certo, certo é que no ano 336, em pleno reinado do imperador Constantino, a Igreja Romana já celebrava o nascimento de Cristo no dia 25 de Dezembro, data até então dedicada ao culto de Sol Invictus e do deus Mitra, precisamente com o propósito de elidir os cultos pagãos e facilitar a implantação do cristianismo. E assim ficou até aos dias de hoje, sedimentado pela tradição. Acreditando-se ou não na natureza divina da figura histórica de Yoshua (Jesus) Cristo, o Natal está estabelecido, na civilização ocidental, como a Festa da Família! E como não há festa sem música, importa celebrar o Natal com a que lhe é própria. Neste caso, com a música portuguesa que as nossas gentes criaram ao longo dos séculos, aqui visitada e reinventada por grupos e intérpretes da actualidade (muitos dos quais completamente silenciados no éter nacional). E porque o espírito natalício convida todos os homens de boa vontade (cristãos ou não) a olharem para além do seu umbigo, num alcance fraternal e solidário, incluem-se também alguns poemas recitados e canções de cariz mais reflexivo e interpelativo. Ficam os votos de que esta edição especial de Natal seja uma experiência gratificante e proveitosa para os ouvintes habituais d' "Os Cantos da Casa" e igualmente para aqueles que agora os descobriram.
Esta edição é dedicada a Rafael Correia, emérito autor da rádio, que durante três décadas realizou e apresentou na RDP o programa "Lugar ao Sul".
"Os Cantos da Casa": um programa de Octávio Fonseca e Pedro Ramajal para a Esquerda Ponto Rádio.
O documento com as letras e os poemas, especialmente preparado para os Amigos do LUGAR AO SUL, será facultado a todas as demais pessoas que o solicitarem (contacto: ajferreira74@gmail.com).
Apresentam-se abaixo os alinhamentos, com os temas devidamente referenciados, da presente edição e também da relativa ao Natal de 2007.
E que viva a boa música portuguesa!
1. Natal (A Vinda de Jesus) (poema de José Régio) – João Villaret (in "Ontem e Hoje", Ovação, 1989)
2. O Galo Cantou – Vozes ao Luar (in "Toadas ao Menino", Açor/Emiliano Toste, 2000)
3. São José Estava Triste (Canção de Natal) – Maio Moço (in "Canto Maior", Tradisom, 2002)
4. Natividade (Arde no coração da noite...) (poema) – Miguel Torga (in "Natal: Um Conto e Vinte e Um Poemas", EMI-VC, 1986, reed. 2000)
5. Ser Pessoa (Fuga) – Amélia Muge (in "Todos os Dias", Columbia/Sony Music, 1994)
6. Rei dos Reis – Vozes ao Luar (in "Toadas ao Menino", Açor/Emiliano Toste, 2000)
7. Cantem, Cantem os Anjos – Coro D. Pedro de Cristo, dir. Francisco Faria (in "Nosso Natal", Coro D. Pedro de Cristo, 1999)
8. Não Há Noite Mais Alegre – Moçoilas (in "Já Cá Vai Roubado", Casa da Cultura de Loulé, 2001)
9. Cantiga de Natal – Navegante (in "Cantigas Tradicionais Portuguesas de Natal e Janeiras", José Barros/MediaFactory, 2009)
10. Da Serra Veio Um Pastor – Xarabanda (in "Cantigas ao Menino Jesus: Natal Tradicional Madeirense", Associação Musical e Cultural Xarabanda, 2008)
11. Chula Pastoril (instrumental) – Maio Moço (in "Canto Maior", Tradisom, 2002)
12. Entrai, Pastores, Entrai – Sons do Vagar (in "Sons do Vagar", Associ'Arte, 2007)
13. Beijai o Menino – Navegante (in "Meu Bem, Meu Mal", Tradisom/Iplay, 2008)
14. Natal d'Elvas – Maria Ana Bobone (in "Nome de Mar", Vachier & Associados/Farol Música, 2006)
15. Natal (Leio o teu nome...) (poema) – Miguel Torga (in "Natal: Um Conto e Vinte e Um Poemas", EMI-VC, 1986, reed. 2000)
16. Não Tendes Cama, Bom Jesus, Não – Segréis de Lisboa, dir. Manuel Morais (in "La Portingaloise: Música do Tempo dos Descobrimentos", Movieplay Classics, 1994)
17. José Embala o Menino – Filipa Pais (in "À Porta do Mundo", Vachier & Associados, 2003)
18. O Meu Menino É d'Oiro – Navegante (in "Cantigas Tradicionais Portuguesas de Natal e Janeiras", José Barros/MediaFactory, 2009)
19. Ó Meu Menino Jesus – Roda Pé (in "Escarpados Caminhos", Public-art, 2004)
20. O Menino Está na Neve – Gaiteiros de Lisboa (in "Invasões Bárbaras", Farol Música, 1995)
21. O Padrinho – Diabo a Sete (in "Parainfernália", Açor/Emiliano Toste, 2007)
22. Natal (Fiel das horas mortas...) (poema) – Miguel Torga (in "Natal: Um Conto e Vinte e Um Poemas", EMI-VC, 1986, reed. 2000)
23. Uma Estrela Se Foi Pôr (Canção ao Menino) – Ronda dos Quatro Caminhos (in "Terra de Abrigo", Ocarina, 2003)
24. Natal dos Simples – Amália Rodrigues (in Single "Natal dos Simples/Balada do Sino", Columbia/VC, 1970; "Amália 50 Anos" - CD "Os Compositores", EMI-VC, 1989; "O Melhor de Amália", vol. 3, EMI-VC, 2003)
25. Vimos Dar as Boas-Festas – Maio Moço (in "Canto Maior", Tradisom, 2002)
26. Deus nos Dê Cá as Boas-Festas – Tereza Salgueiro com Lusitânia Ensemble (in "Matriz", Farol Música, 2009)
27. Natal (Solstício de Inverno...) (poema) – Miguel Torga (in "Natal: Um Conto e Vinte e Um Poemas", EMI-VC, 1986, reed. 2000)
28. Anos Bons – Belaurora (in "Achados do Tempo", Açor/Emiliano Toste, 2003)
29. Janeiras – Vá-de-Viró (in "Escale au Portugal", Playasound, 1995)
30. Canção de Janeiro – Ronda dos Quatro Caminhos (in "Alçude", Ovação, 2001)
31. Reis – Janita Salomé & Cantadores de Redondo (in "Vozes do Sul: uma celebração do cante alentejano", Capella/AudioPro, 2000)
32. Cantiga dos Reis (instrumental) – Encontros da Eira (in "Instrumentais d'Outrora", Associação Cultural Encontros da Eira, 2002)
33. Balada da Neve (poema de Augusto Gil) – João Villaret (in "João Villaret", col. O Melhor dos Melhores", vol. 9, Movieplay, 1994)
34. A Todos o Que é de Todos – Mickael Salgado (in "Fado Amigo", Espacial, 2009)
35. Quando Um Homem Quiser – Paulo de Carvalho (in "MPCC", Orfeu, 1976; "Paulo de Carvalho", col. O Melhor dos Melhores", vol. 19, Movieplay, 1994; "Vida", Farol Música, 2006)
36. Homem Só, Meu Irmão – Luiz Goes (in "Canções do Mar e da Vida", Columbia/VC, 1969, reed. EMI-VC, 1995; "Canções Para Quem Vier: Integral 1952-2002", EMI-VC, 2002)
37. Vou Levar-te Comigo – Duo Ouro Negro (in "Lindeza", Orfeu, 1979; "Duo Ouro Negro", col. O Melhor dos Melhores", vol. 37, Movieplay, 1994; "Kurikutela!: 40 Anos, 40 Êxitos", EMI-VC, 1998; "Duo Ouro Negro", Edições Valentim de Carvalho/Som Livre, 2008)
38. Voto de Natal (poema) – David Mourão-Ferreira (in "Um Monumento de Palavras", EMI-VC, 1995)
39. Dois Garotos – João Braza (in "Fado Que Sonhei", Ovação, 1994; "Fado Capital 2", Ovação, 1996)
40. A Todos Um Bom Natal – Coro Infantil de Santo Amaro de Oeiras (in "A Todos Um Bom Natal", Rádio Triunfo, 1981, reed. Movieplay, 1991, 1999)
1. Oh Bento Airoso – Brigada Victor Jara (in "Monte Formoso", MBP, 1989, reed. Farol Música, 1996)
2. Nasceu, Já Nasceu – Fernando Lopes-Graça; Choral Phidelius, dir. José Robert (in "Segunda Cantata do Natal", EMI, A Voz do Dono/EMI, 1979)
3. Benditas as dores de Maria (texto de Octávio Fonseca) – Pedro Ramajal
4. Quando o Menino Nasceu – Ronda dos Quatro Caminhos (in "Ronda dos Quatro Caminhos", Rádio Triunfo, 1984, reed. Movieplay, 1997)
5. Natal dos Simples (instrumental) – Naná Sousa Dias (in "Ousadias", Polydor/Polygram, 1986)
6. Magnum Mysterium – D. Pedro de Cristo; Madrigalistas de Lisboa, dir. Fernando Eldoro (in "Obras Vocais Religiosas", EMI-VC, 1983)
7. A invenção dos deuses (texto de Octávio Fonseca) – Pedro Ramajal
8. Menino Jesus – Brigada Victor Jara (in "Quem Sai aos Seus", Vadeca, 1981, reed. Edições Valentim de Carvalho/Iplay, 2008)
9. Beijai o Menino – Né Ladeiras (in "Traz os Montes", AlmaLusa/EMI-VC, 1994)
10. Menino Jesus – Almanaque (in "Desfiando Cantigas", EMI-VC, 1984)
11. Presépio (poema de Sebastião da Gama) – Pedro Ramajal 12. José Embala o Menino – Carlos Mendes (in "Chão de Vento", Edisom, 1984)
13. Cantiga de Natal – O Semeador - Grupo de Cantares de Portalegre (in "Tempos Vários", O Semeador - Grupo de Cantares de Portalegre, 1994)
14. Natal dos Simples (instrumental) – Alcino Frazão (in "Guitarra Portuguesa", Movieplay, 1989, reed. 1991)
15. Natal (Nem pareces o mesmo...) (poema de Miguel Torga) – Pedro Ramajal
16. Oração de Santo António – Coro da Academia de Amadores de Música, dir. Fernando Lopes-Graça (in "Canções Regionais", Valentim de Carvalho, 1974; "Canções Heróicas e Canções Regionais Portuguesas", EMI Classics, 1995)
17. O Natal do Moleiro – Alfredo Marceneiro (in "Há Festa na Mouraria", Valentim de Carvalho, 1964, reed. Edições Valentim de Carvalho/Som Livre, 2007; "Saudade", Valentim de Carvalho, 1982)
18. Rondó, da Sonata n.º 3 – João Domingos Bomtempo; Nella Maissa (in "Obras para Piano, vol. 5", A Voz do Dono/EMI, 1982)
19. Dia de Natal (poema de António Gedeão) – Pedro Ramajal
20. Os Pais Natal – Sérgio Godinho & Os Amigos do Gaspar (in "Sérgio Godinho Canta com Os Amigos do Gaspar", Polygram, 1988, reed. Universal, 2003)
21. Natal dos Simples – José Afonso (in "Cantares do Andarilho", Orfeu, 1968; reed. Movieplay, 1987, 1996)
22. Reis do Oriente – Ronda dos Quatro Caminhos (in "Cantigas do Sete-Estrelo", Rádio Triunfo, 1985, reed. Movieplay, 1997)
"Assobio" (de Assobio), "Kronos" (de Cristina Branco), "Tarab" (de Danças Ocultas), "Fado Que te Amo" (de Dâna), "Hemisférios" (de Dazkarieh), "Fado Nosso" (de João Braga), "Contarolando" (de João Filipe), "Meditherranios" (de Luísa Amaro), "Pássaro Cego" (de Manuel Paulo & Nancy Vieira), "Ruas" (de Mísia), "Em'Cantado" (de Rão Kyao) e "A Mãe" (de Rodrigo Leão & Cinema Ensemble). O que é que todos estes álbuns, estilisticamente tão diferentes, têm em comum? Três coisas. Primeira: todos foram publicados no corrente ano de 2009; segunda: todos eles são excelentes trabalhos de música portuguesa; terceira: todos eles não foram Discos Antena 1. E aqui terá de se perguntar: por que motivo não o foram? Não é suposto que o distintivo "Disco Antena 1" seja outorgado às melhores obras discográficas de música portuguesa, não erudita, que vão sendo editadas no país?
Pois é! A realidade, no entanto, é bem diferente e são muitos os discos de qualidade (aquela lista inicial serve apenas como amostra pois está longe de ser exaustiva) que não têm merecido a dignidade de "Disco Antena 1". E como explicar tal anormalidade? Será que Rui Pêgo e os seus adjuntos andam a dormir na forma? Ou estamos em presença de simples discricionaridade e arbitrariedade na escolha dos discos, sem que a qualidade seja tida em conta? Ou teremos de encontrar a resposta numa coisa ainda mais prosaica, mas perfeitamente aberrante num serviço público de rádio: as avenças de promoção?
Houve um período em que o distintivo "Disco Antena 1" era à partida uma garantia de qualidade e muitas vezes cheguei a comprar CDs levado por essa sugestão. Lamentavelmente, depois de Rui Pêgo ter sido colocado na direcção de programas da rádio do Estado tal capital de confiança foi completamente destruído a ponto daquela vinheta com um círculo vermelho e o algarismo 1 no meio hoje já nada significar. Embora se tenha de reconhecer que alguns discos que aparecem com a referida vinheta têm qualidade, a triste verdade é que muitos outros são medianos e mesmo medíocres. E sei que não sou o único a ter esta opinião. Quando uma colectânea de Paulo Gonzo é considerada "Disco Antena 1" e se ignora um disco distinguido com o Prémio José Afonso (como foi o caso de "Senhor Poeta: Um Tributo a José Afonso", do grupo Frei Fado d'El Rei) isso mostra bem o descrédito a que a actual direcção conduziu a distinção. Se o álbum "Por Este Rio Acima", de Fausto Bordalo Dias, fosse editado hoje e não tivesse o selo de uma editora poderosa que se propusesse negociar com a RDP, é certo que não seria "Disco Antena 1". Isto apesar da posteridade vir a considerá-lo uma obra-prima absoluta da música portuguesa de sempre!
Já agora, outra questão pertinente: a par de tantos discos de música portuguesa de qualidade que são votados ao ostracismo, será aceitável que álbuns brasileiros sejam considerados "Discos Antena 1". Martinho da Vila, Daniela Mercury, Simone e Adriana Calcanhoto contam-se entre os intérpretes de Terras de Vera Cruz contemplados nos últimos tempos. E nem sequer estou a pôr em causa a suposta qualidade daqueles nomes (embora não se deva colocá-los todos no mesmo patamar), mas tão-somente a chamar a atenção para a tremenda falta de razoabilidade de tal opção por parte dos actuais decisores da Antena 1. Será que a estação pública brasileira, a Rádio Nacional de Brasília, procede do mesmo modo? Lá, os melhores discos de música brasileira também são preteridos a favor de álbuns portugueses?
«Decerto já se aperceberam que a nossa ANTENA 1 não está a fazer um verdadeiro serviço público, no que concerne à divulgação da nossa música portuguesa, nomeadamente, de uma forma desinteressada, com a difusão de grupos e/ou intérpretes individuais de todo o país. Como Editor Fonográfico há treze anos (http://www.emilianotoste.pt) e, actualmente, com um catálogo considerável na área da música portuguesa, com alguns intérpretes nomeados para os principais prémios deste país, tenho verificado que os meus editados não têm sido contemplados com uma divulgação efectiva, tendo-o sido, apenas, de uma forma pontual (por exemplo, através de ARMANDO CARVALHÊDA e ANA SOFIA CARVALHÊDA, a nível nacional e MÁRIO JORGE PACHECO e SIDÓNIO BETTENCOURT, a nível regional). O mesmo sentem outros editores que, também, têm prestado um serviço sério e contributivo para a dignificação da arte musical portuguesa.
É de salientar que esta posição não é isolada, porque reflecte o sentir de muitos cidadãos, com os quais tenho dialogado sobre este assunto.
Para não irmos mais longe, basta-nos percorrer a nossa vizinha Espanha e verificarmos a sorte que têm os seus cidadãos músicos. São muito bem divulgados!
É por este motivo que me dirijo a vós, no sentido de contar com o vosso contributo, através da vossa assinatura (no caso da vossa concordância), a qual chegará às Entidades responsáveis por este serviço público, alertando-as para esta pobre realidade que, em nada dignifica a nossa cultura, a nível nacional e internacional.
Desde já, muito obrigado pelo vosso contributo.
Esta é uma petição muitíssimo pertinente e só peca por tardia porque efectivamente a atitude das direcções da RDP-Antena 1, depois da saída de João Coelho e de António Cardoso Pinto (director interino durante algum tempo), face à música portuguesa de qualidade tem sido absolutamente indigna e indecorosa. Atente-se em qual a música que entra na 'playlist' e na que é deliberada e criminosamente excluída. É facilmente constatável (e já tive oportunidade de o fundamentar no texto 'Playlist' da Antena 1: uma vergonha nacional) que a rádio do Estado, longe de prestar um serviço cabal e conveniente no que à música portuguesa diz respeito, se tornou numa espécie de extensão dos departamentos comerciais das editoras mais poderosas e influentes. Resultado: tudo o que não tem a chancela daquele 'lobby' de interesses é implacavelmente posto à margem e deixado na sombra.
De facto, são muitos os discos de música portuguesa de qualidade que a Antena 1 ignora e/ou marginaliza (cf. Grandes discos da música portuguesa: editados em 2008). E tal acontece não só na afunilada 'playlist' como em programas de autor (por exemplo, no "Vozes da Lusofonia" que deixa de fora álbuns distinguidos com o Prémio José Afonso e contempla – pasme-se! – discos cantados em inglês). Ora, sabendo-se que não é das 'majors' que actualmente sai a melhor música portuguesa, a situação vigente na estação do Estado assume ainda maior gravidade. Esta tem sido uma temática que tenho recorrentemente tratado no blogue "A Nossa Rádio" (http://nossaradio.blogspot.com/), tendo o cuidado de enviar os textos a quem de direito, mas parece que ninguém está interessado em atacar o cancro. Insensibilidade do poder político e das entidades competentes para o problema (que tantos prejuízos tem causado e continua a causar à música portuguesa mais qualificada) ou medo de bulir com interesses instalados? Talvez a resposta seja um misto das duas coisas. Em França e Espanha, como se sabe, estas coisas são tratadas muito seriamente. Por cá, é o deixa andar: "não te rales que eu também não". Esquecem-se as entidades responsáveis que o problema tem uma repercussão cultural (e não só) bem mais nefasta do que à partida possa parecer.
Para a Antena 1, creio que existe uma quota obrigatória de 60 % de música portuguesa. Eu pergunto: de que forma é que tal quota está a ser preenchida? Já alguém se deu ao cuidado de o averiguar? Embora tenha sérias dúvidas quanto ao cumprimento da percentagem em si mesma, dada a profusão de música anglo-americana (ainda por cima de baixíssima qualidade), há outra coisa ainda mais preocupante e inaceitável. Refiro-me obviamente ao facto da 'playlist' estar monopolizada por um único género musical: a pop (a anglo-americana e a nacional, em geral esteticamente tributária daquela). Os géneros musicais de menor potencial económico (portanto, sem interesse para as 'majors', as quais têm de atingir determinados resultados em termos de lucros, porque assim o exigem os accionistas) são implacavelmente marginalizados, sendo relegados para minúsculos apontamentos (durante a semana) ou para programas de autor (ao fim-de-semana), sendo que no último caso nem isso acontece para a música tradicional/folk portuguesa, o que não pode deixar de se considerar uma lacuna muito grave do serviço público de rádio.
Por tudo isto, Emiliano Toste e todos os outros editores que vêem as suas edições serem marginalizadas pela rádio do Estado têm muitíssima razão em se queixarem. Mas os prejudicados não são apenas os pequenos editores: são também os numerosos artistas de mérito silenciados ou deficientemente divulgados, designadamente os que têm vínculo contratual com uma pequena editora ou que lançam os seus trabalhos em edição de autor, e, como não podia deixar de ser, também os ouvintes/contribuintes que assim vêem ser-lhes sonegada, pela rádio que financiam, a oportunidade de tomarem conhecimento de uma parte significativa da boa música portuguesa que se vai produzindo entre nós.
Por um acaso do Destino ou por determinação da Providência ou do Grande Arquitecto do Espaço-Tempo, não me foi dado viver no tempo em que Oliveira Salazar e Marcelo Caetano governaram Portugal, e nessa medida não posso testemunhar com conhecimento de causa qual a música que predominava na Emissora Nacional, a antepassada da Antena 1. Mas baseando-me nos relatos escritos e falados de quem viveu na época, não andarei longe da verdade se disser que o género de música que tinha honras de privilégio era o chamado nacional-cançonetismo (julgo que a expressão é da autoria do jornalista João Paulo Guerra, que actualmente faz a revista de imprensa nas manhãs da Antena 1). E se assim acontecia era porque o regime totalitário o ditava: havia, portanto, uma razão ideológica subjacente. O Estado Novo terminou em 25 de Abril de 1974, e se é certo que o nacional-cançonetismo praticamente desapareceu do éter nacional, inclusive da rádio do Estado, não deixa de ser igualmente verdade que na mesmíssima rádio do Estado, o seu lugar está neste momento a ser ocupado pelo seu equivalente hodierno – a música pop. Com explicar tal situação num regime constitucionalmente democrático e pluralista? A democracia pressupõe o pluralismo de expressão/comunicação e a garantia do exercício de livre escolha por parte dos cidadãos. Mas a livre escolha só é possível se as pessoas tomarem conhecimento do que existe, porque só se deseja e se ama o que se conhece (como diria Fernando Pessoa). Ora é precisamente neste ponto que a rádio pública tem o seu papel a desempenhar, divulgando as obras de qualidade, e sem olhar a quem: se o editor/artista é A, B ou C, ou se está radicado em Lisboa, no Minho, em Trás-os-Montes e Alto Douro, nas Beiras, no Alentejo ou no Algarve. Uma rádio pública generalista de âmbito nacional deve reger-se pelo princípio da equidade e dar igualdade de oportunidades a todos os nacionais que apresentem trabalhos de mérito. Não pode favorecer escandalosamente uma parte dos editores/artistas (seja por conluio verbal ou tácito, seja através das famigeradas avenças de promoção), nem tomar partido por uma determinada estética ou linguagem musical como se essa fosse a música oficial do regime. O condicionamento/dirigismo do gosto é uma coisa própria de regimes totalitários (de direita ou de esquerda, para o caso vale o mesmo) e julgo que ninguém defende isso em democracia. Mas é precisamente isso o que a actual direcção de programas da Antena 1 vem fazendo na prática, ignorando por completo as disposições consignadas na legislação que enquadra o serviço público de radiodifusão!
Transcreve-se abaixo o novo regulamento do Prémio Carlos Paredes, de acordo com a redacção publicada no Diário da República, II.ª série, de 20 de Maio de 2009. A alteração mais significativa é o facto de já não colocada com condição que os discos sejam exclusivamente de música instrumental, passando a ser aceites «todos os trabalhos de música não erudita, que contribuam para o reforço da nossa identidade cultural, nomeadamente os de raiz popular portuguesa, que tenham sido editados em CD, com distribuição comercial, no decurso do ano civil anterior a que a edição do prémio diga respeito.» A recepção das candidaturas decorre entre os dias 16 e 30 de Outubro. Pena é que não se tivesse aproveitado a alteração ao regulamento para actualizar o exíguo valor pecuniário do prémio – 2.500 euros. Um galardão que enverga um nome tão importante como o de Carlos Paredes devia ter uma dignidade em concordância com tal estatuto, o que manifestamente não acontece com aquele montante. É de aplaudir que as câmaras municipais e outras entidades criem prémios para a música portuguesa, mas quando as dotações pecuniárias são pouco mais que simbólicas nem o nome do patrono fica devidamente dignificado nem o artista vê reconhecido o seu trabalho como merece. O Prémio José Afonso, da Câmara Municipal da Amadora, tem a dotação de 5.000 euros e devo dizer que não é muito. Quererá a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira dar a entender que Carlos Paredes tem metade do mérito artístico de José Afonso? Eu até sou um grande apreciador da obra de José Afonso mas não escondo que a de Carlos Paredes se situa num plano superior, não só em termos puramente técnicos como pelo carácter muito mais universal que a sua música reveste, ainda que genuinamente portuguesa. Carlos Paredes é a portugalidade feita música, é a música portuguesa na sua essência mais profunda e intemporal. E se há música instrumental que é imediatamente associada a Portugal, em qualquer parte do mundo – da Lapónia à Nova Zelândia ou da Cochinchina à Patagónia –, essa é a de Carlos Paredes.
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NOVO REGULAMENTO DO PRÉMIO CARLOS PAREDES
Artigo 1.º É intenção da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, com a instituição deste prémio, homenagear um dos maiores criadores musicais portugueses do século XX e incentivar a criação e a difusão de música de qualidade feita por portugueses;
Artigo 2.º 1 - Podem concorrer ao Prémio Carlos Paredes todos os trabalhos de música não erudita, que contribuam para o reforço da nossa identidade cultural, nomeadamente os de raiz popular portuguesa, que tenham sido editados em CD, com distribuição comercial, no decurso do ano civil anterior a que a edição do prémio diga respeito. 2 - O prémio será atribuído ao intérprete da obra que venha a ser distinguida.
Artigo 3.º Serão aceites candidaturas de todos os tipos de música não enquadráveis na designação de Música Erudita.
Artigo 4.ºAs candidaturas podem ser apresentadas directamente pelos intérpretes ou através das editoras discográficas;
Artigo 5.ºSó podem concorrer a este prémio intérpretes portugueses, independentemente de terem gravado ou não em Portugal, desde que preencham os requisitos estabelecidos no art.º 2.º do presente Regulamento;
Artigo 6.º 1 - As obras concorrentes deverão ser entregues ou enviadas, em cinco exemplares, ao Departamento de Cultura, Turismo e Actividades Económicas, da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, para apreciação do júri. 2 - As obras a concurso não serão devolvidas.
Artigo 7.º 1 – A recepção das candidaturas far-se-á entre os dias 16 e 30 de Outubro de cada ano a que o prémio diga respeito. 2 - Sempre que as obras sejam remetidas pelos correios, será considerada, para efeitos de prazo de recepção, a data do registo postal; 3 – Caso não seja recebida nenhuma obra até à data limite estabelecida no n.º 1, a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, através de despacho da Senhora Presidente da Câmara Municipal, poderá decidir, prorrogar o prazo de entrega dos trabalhos, dando-se conhecimento posterior em reunião do executivo.
Artigo 8.º 1 - O Júri será constituído por um representante da Sociedade Portuguesa de Autores, por um representante da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, por um músico e por um crítico musical, ambos de reconhecido prestígio. 2 - O representante da Câmara Municipal presidirá ao Júri e terá voto de qualidade, em caso de empate;
Artigo 9.º A divulgação da obra vencedora e a entrega do galardão estipulado no artigo 10.º deste regulamento, em cerimónia pública, efectuar-se-á até ao final de cada ano a que a edição seja respeitante.
Artigo 10.ºO valor pecuniário do Prémio Carlos Paredes é de 2.500 Euros, sendo ainda entregues ao vencedor uma placa alusiva ao galardão e um diploma;
Artigo 11.ºO presente Regulamento entra em vigor após serem feitas as aprovações e publicações exigidas por lei.
Artigo 12.º Das decisões do Júri não haverá recurso.
As candidaturas devem ser enviadas para: Prémio Carlos Paredes Câmara Municipal de Vila Franca de Xira Departamento de Cultura, Turismo e Actividades Económicas Rua Dr. Manuel de Arriaga, 24 2600-186 Vila Franca de Xira Tel. 263 287 600 Fax 263 271 516
Na antiga RTP-2, que me lembre (pelo menos desde os anos 90), sempre houve ópera, bailado e teatro. Com a reestruturação do canal mandada fazer por Morais Sarmento e a sua transformação em 2:, em Janeiro de 2004, continuou a haver ópera e bailado, e também concertos de música sinfónica/coral, no espaço "Palcos", tendo sido criada para a música não erudita (pop/rock, jazz e 'world music') o espaço "Músicas". Decorridos cerca de dois anos, e por decisão do novo director de programas, Jorge Wemans, a ópera, o bailado e a música clássica seriam banidos e o espaço "Palcos" passou a ser reservado exclusivamente à música pop/rock e, por vezes, ao jazz. E é assim que há largos meses, no início da madrugada de sexta-feira para sábado, se vêm sucedendo muitos nomes da música pop/rock anglo-americana, geralmente em concertos ao vivo. Como gosto de ser eu o programador da televisão que desejo ver, habituei-me a gravar os programas do meu interesse para os ver a posteriori, a horas decentes, e o espaço "Palcos" tem sido um deles, embora saiba de antemão que nem tudo é aproveitável nem adequado a um canal de serviço público supostamente cultural. Exemplos disso têm sido as colagens de 'videoclips': assim aconteceu há uns meses com a Tina Turner, há algumas semanas com os U2 e voltou a acontecer na semana passada com a Madonna.
A pergunta que eu formulo a quem de direito é esta: é nestes termos e com este género de 'arte' e de artistas que a RTP-2 presta serviço público cultural? Serão os conteúdos musicais/videográficos da MTV os mais recomendáveis para um canal público de televisão vocacionado para a cultura?
Devo dizer que nem sequer sou avesso à presença de música não erudita na RTP-2, mas terá sempre de existir um critério sério e rigoroso de selecção do que é efectivamente digno de figurar num canal cultural. Nesta ordem de ideias, autores/intérpretes como Astor Piazzolla, Chico Buarque ou Amélia Muge têm todo o cabimento na RTP-2, mas já não me parece aceitável dar a mesma dignidade à mais banal "pop music" que a Tina Turner, a Madonna ou a Christina Aguilera tão bem personificam (e apenas cito três nomes que já marcaram presença no "Palcos"). Ainda assim, nem levantaria muitas ondas se no segundo canal da RTP (que vive dos meus impostos) me fosse dada a oportunidade de ver/ouvir, por exemplo, a "Paixão Segundo São Mateus", de J.S. Bach, o bailado "Giselle", de Adolphe Adam, ou a ópera "Dido e Eneias", de Henry Purcell. Como tal não acontece o que, para todos os efeitos, constitui uma grave lacuna do serviço público de televisão, cumpre-me dizer de minha justiça. Digo mais: o sr. Jorge Wemans tem-se revelado um clamoroso erro de 'casting' na direcção do canal cultural da RTP. E aqui uma pergunta se impõe: tendo tal erro de 'casting' sido da responsabilidade da anterior administração (leia-se de Luís Marques) por que razão a actual administração não o corrige, tornando possível que a RTP-2 retome o caminho do qual jamais se devia ter desviado?
No dia em que se completam dez anos sobre o desaparecimento da maior cantora (não lírica) que Portugal viu nascer, o blogue "A Nossa Rádio" rende-lhe uma singela homenagem, deixando aqui uma bela fotografia e dois poemas de tributo na voz de Afonso Dias.
Já agora, uma questão pertinente: por que motivo o cantautor Afonso Dias não tem direito a figurar na 'playlist' da Antena 1? Se se disser que a própria Amália só marca presença no espaço "Alma Lusa", sabendo-se que o seu repertório não é só fado (e mesmo que fosse...), isso ajuda a perceber a atenção que a música portuguesa mais qualificada vem merecendo da parte de quem dirige a rádio do Estado.
Retrato de Amália
Poema: José Carlos Ary dos Santos
Música: Frederico Valério (Fado Malhoa e Fado Amália)
Intérprete: Afonso Dias* (in CD "Na Asa Loira do Sol: Fados Meridionais", Edere, 2001)
És filha de Camões, filha de Inês
assassinada voz de portuguesa
cantando a nossa imensa pequenez
com laranjas e gomos de tristeza.
É no claro Mondego dos teus olhos
que se debruça o mal da nossa mágoa.
Ao Tejo dos teus gestos que se acolhe
o nosso coração a pulsar água.
Falando desatada de saudade
choras um povo, cantas a balada
mais bonita que soa na cidade
de Lisboa por ti apaixonada.
Luz de Sombra (Amália)
Letra e música: Afonso Dias
Intérprete: Afonso Dias* (in CD "Na Asa Loira do Sol: Fados Meridionais", Edere, 2001)
Erguias o pescoço longo e forte,
com a altivez das garças, das rainhas,
soltando a voz em sinos, campainhas,
em carrilhões de sonho, sombra e morte.
Tua voz foi da nossa o passaporte
com cheiro a alecrins e a sardinhas.
Tu cantaste nas lusas ladainhas,
Rezaste as dores do povo e da má sorte.
Contigo se cantou fado e destino,
no Marceneiro ou em Alexandrino,
na paleta das cores mais vibrantes.
Faltam-nos hoje as vozes que respiram
no mesmo arfar dos corpos que transpiram.
Que os fados são de hoje o que eram dantes.
* Afonso Dias – voz
Vítor do Carmo – guitarra portuguesa
José Santana – viola
Duarte Costa – viola baixo
Produção – André Dias
Gravado nos Estúdios InfoArte, Lagos
Técnicos de som – Joaquim Guerreiro e Fernando Guerreiro
Mistura – Afonso Dias e Fernando Guerreiro
Capa do CD "Na Asa Loira do Sol: Fados Meridionais", de Afonso Dias (CD, Edere, 2001)
Com a devida vénia à jornalista Fernanda Câncio, aqui se transcreve o seu artigo publicado no "Diário de Notícias", de sábado passado:
«Durante quase 30 anos, fez na RDP o programa "Lugar ao Sul". Ganhou uma legião de fiéis e um lugar único na história da rádio portuguesa, que chegou este Verão ao fim. Retrato difícil de um homem secreto com um talento precioso, o de ouvir e fazer falar. E o de perder tempo.
Passou décadas a percorrer o país à procura de pessoas, vozes, histórias, canções, usos e ofícios. A maior parte das vezes só, só ele e o seu gravador, só ele e o equipamento de som. Fez da solidão uma espécie de missão, talvez mesmo de fé. Dizem os colegas e os que o chefiaram que também no estúdio, a montar o programa, se fechava horas, só ele e o seu material, "numa espécie de missa".
"Fazia tudo sozinho, desde conduzir o carro ao resto. Era um trabalho de paixão, chegou a meter dinheiro dele para fazer aquilo". Noel Cardoso, chefe de produção da RDP Sul, não se poupa no retrato. "Tinha uma aptidão extraordinária para descobrir assuntos e pessoas. E era incrível a pôr gente a falar, mesmo a mais rural e fechada. Tinha essa habilidade. Nunca queria falar com os 'conhecidos', perdia muito tempo a procurar. Era o 'Portugal profundo' – a gente do artesanato, das lendas, das canções de trabalho... E fazia três horas de gravação para aproveitar vinte minutos".
A ideia do "Lugar ao Sul" ter-lhe-ia surgido, diz Noel Cardoso, depois de uma estada em França, a partir de algo de semelhante que lá ouviu. Verdade é que programas parecidos chegaram a existir em Portugal, antes e durante, mas ninguém contesta a superioridade do de Rafael. "Ganhou quase tudo o que havia para ganhar em rádio, em termos de prémios e galardões", garante o director de produção da RDP. Apesar de tantas distinções, recusava quase sempre entrevistas. Fotos, impossível: o mais que se encontra é uma coisa tipo passe, de há muito tempo. O telefone de casa toca, sem ninguém atender; de telemóvel ninguém lhe ouviu falar. A vida fora da rádio e do programa é um mistério: autodidacta como sétimo ano "antigo" (actual 11.°); uma mulher e uma filha, talvez; uma casa em Faro; a passagem por um banco e por explicações de inglês, a entrada na Emissora Nacional como jornalista, a passagem a realizador, a ida para França, alguns dizem que "por causa de uma paixão", o regresso e o início, há 29 anos, do "Lugar ao Sul". "Ele não fala com ninguém, o problema é esse", lamenta Noel Cardoso. "E não fala do programa dele: 'Quem quiser falar do programa oiça e fale, eu não falo'".
O programa, de duas horas, era semanal, ao sábado. Ouvintes referiam-se, em cartas para a RDP, ao autor como "parte da família" e quando o "Lugar ao Sul" passou, recentemente, para metade do tempo choveram protestos e temores, o de que fosse a antecâmara do fim. Um temor de que o próprio, adianta João Coelho, director da Antena 1 da RDP, de 1996 a 2002, padecia. "Passava a vida a achar que lhe iam acabar com o programa. De cada vez que eu pedia para falar com ele, vinha convencido que era dessa. É preciso perceber que quando o conheci, nos anos 80, era o tempo da rádio do 'disc jockey' e ele era tudo ao contrário disso: levava muito tempo a fazer as coisas, e fazia-as de uma certa maneira. Sofria muito com a mediania dos quadros intermédios, o que terá criado nele um bocado o sentido da perseguição."
Que terá nascido primeiro, o isolamento ou a solidão? Que terá feito de Rafael Correia o "bicho-do-mato", na expressão de João Coelho, que tantos sublinham? "Aquilo que lhe posso dizer do Rafael Correia é que é uma pessoa muito tímida, muito introvertida, muito individualista. Mas conseguia-se sempre colocar no patamar sintáctico, cultural, dos seus interlocutores, fossem quem fossem. Tem um talento muito invulgar. E recolheu um mosaico interessantíssimo do País", diz José Manuel Nunes, director da RDP, de 1984 a 1991, e presidente do respectivo Conselho de Administração, de 1995 a 2002. Um colega da RDP de Faro prossegue o desenho: "É uma pessoa de poucas falas, muito fechada, de feitio um pouco difícil. Recusava até os contactos dos ouvintes e das pessoas que entrevistara. Elas ligavam para a RDP e ele não as atendia."
Confere com o testemunho de Álvaro José Ferreira, um dos maiores admiradores do programa "Lugar ao Sul" e do seu autor. "Quando o e-mail dele da RDP estava activo, o que sucedeu até Junho passado, cheguei a enviar-lhe várias mensagens, quer para pedir informações sobre temas musicais que passava no programa quer para lhe sugerir pessoas a visitar, mas nunca tive a sorte de obter uma resposta, apesar de saber que teve em consideração algumas das sugestões que lhe fiz." Criador de um "grupo de amigos do LUGAR AO SUL" no MySpace (http://myspace.com/lugaraosul) e detentor de um blogue sobre rádio (http://nossaradio.blogspot.com/), Álvaro Ferreira reproduziu neste último uma longa exortação a várias entidades (a começar pelo Presidente da República e a acabar no Provedor do Ouvinte da RDP) na qual, com o título "Lugar ao Sul": um programa-património, enumera não só as qualidades do mesmo e os prémios e distinções de que foi alvo como cita vários elogios de académicos e ouvintes para, finalmente, secundar Adelino Gomes, actual Provedor da RDP, no repto à administração da RDP para a edição discográfica "do melhor desse inestimável acervo", sugerindo também a colocação on-line do espólio do programa. Mas não fica por aqui: propõe a realização de uma homenagem nacional a Rafael Correia, "talvez no Coliseu dos Recreios".
João Coelho pega na ideia. "Fazia-me sentido que ele recebesse uma condecoração no 10 de Junho. Se alguém merece, é ele." À falta, claro, do que fazia sentido a toda a gente que não passava sem o "Lugar ao Sul" — que continuasse. Aos 72 anos, porém, dois após a reforma obrigatória e já com contratos a termo certo (um expediente que a RDP utiliza para manter ao serviço aqueles que assim o desejam) Rafael Correia terá desistido. A explicação que mais colhe é a de ter sido convocado para uma nova formação tecnológica – é a justificação que Feliciano Estêvão, o director da RDP Sul, adianta.
"Ele não gostava nada de ter de lidar com novos equipamentos, resistia sempre muito", lembra José Manuel Nunes. João Coelho encolhe os ombros: "Às vezes isso é não saber lidar com as pessoas. Não que eu defenda um registo de excepção, mas... Enfim, presumo que ele tenha resolvido fazer um real manguito."» [Fernanda Câncio, in "Diário de Notícias", 26.09.2009]
Nota de rodapé:
De acordo com informações facultadas por fontes internas da própria RDP (insuspeitas), Rafael Correia foi empurrado para a reforma, contra sua vontade, sendo que a sua alegada "desistência" em meados de 2009 se prende, entre outras desconsiderações, com o abstruso vínculo contratual – à margem da lei – que Rui Pêgo, com o assentimento da administração da RDP/RTP, lhe apresentou como condição 'sine qua non' para a continuação do programa.
Os ouvintes do "Lugar ao Sul" e contribuintes do serviço público de rádio prometem que não vão deixar cair a questão e clamam que seja feita justiça ao emérito Rafael das Neves Correia!