01 junho 2010

A infância e a música portuguesa


"Meninos de Todas as Cores" (ilustração de Mara Mendes, in livro/CD "Cancioneiro Crescer com a Música I", de Jorge Salgueiro, Foco Musical – Educação e Cultura, 2001)


"O melhor do mundo são as crianças": este verso tão simples de Fernando Pessoa tornou-se um lugar-comum. E como geralmente acontece com os lugares comuns, gastou-se pelo uso: o seu significado esvaziou-se.
Temos de reconhecer que as crianças têm hoje condições de vida e de crescimento incomparavelmente melhores do que tiveram os seus pais. Porém, não deixa de ser também verdade que muitas delas não são bafejadas pela mesma sorte. O futuro faz-se com todas elas e será tanto melhor quanto mais harmoniosa e feliz for a infância.
Aos poetas e aos músicos – populares e eruditos – nunca o mundo infantil foi indiferente; daí a riqueza de repertório poético-musical sobre e para as crianças: as cantigas de embalar, os contos e histórias de encantar, as canções de recreio, as lengalengas, etc., sem esquecer o repertório de cariz interventivo que a realidade social inspirou a poetas e cantores.
A pretexto do Dia Mundial da Criança, pareceu-nos que seria interessante a realização n' "Os Cantos da Casa" de uma pequena série de programas dedicada à infância. Sem pretensões de exaustividade, procurou-se abarcar boa parte do que de mais qualificado existe neste domínio no nosso património discográfico, incluindo títulos hoje indisponíveis no mercado e que urge reeditar.
Esta série é dedicada a todas as crianças do mundo, designadamente àquelas que, pelas mais variadas circunstâncias (fome, guerra, doenças, maus tratos físicos e psíquicos, etc.), vêem todos os dias ser-lhes negada a oportunidade de serem... crianças.
"Os Cantos da Casa": um programa de Octávio Fonseca e Pedro Ramajal para a Esquerda Ponto Rádio.

Os documentos com as letras e os poemas, especialmente preparados para os Amigos do LUGAR AO SUL, serão facultados a todas as demais pessoas que os solicitarem (contacto: ajferreira74@gmail.com).
E que viva a boa música portuguesa!


Primeira parte: Canções de embalar e histórias de encantar

"Os Cantos da Casa" n.º 84 [01 Jun. 2010]



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1. Embalo – Popular (Paul, Covilhã, Beira Baixa); recolha de José Alberto Sardinha (1981, in "Recolhas Musicais da Tradição Oral Portuguesa: LP 1 – Beira Baixa e Minho", Contralto - Música Popular, Lda., 1982; "Portugal - Raízes Musicais": CD 4 - Beira Baixa e Beira Trasmontana, BMG/JN, 1997)
2. Ó Menino Ó (Popular de Trás-os-Montes) – Brigada Victor Jara (in LP "Tamborileiro", Mundo Novo/Editorial Caminho, 1979, reed. Farol Música, 1996)
3. Canção de Embalar (Tradicional da Beira Baixa) – Musicalbi (in CD "Mastiço", I Som, 2007)
4. Embalo (Tradicional, Serra d'Água, Madeira) – Brigada Victor Jara, com Cristina Branco (in CD "Ceia Louca", Polydor/Universal Music, 2006)
5. Canto de Embalar (instrumental) (Carlos Paredes) – Carlos Paredes (in CD "Espelho de Sons", Philips/Polygram, 1988; CD "Asas Sobre o Mundo", Philips/Polygram, 1989; CD "Uma Guitarra com Gente Dentro: Antologia", Universal Music, 2002)
6. Canção da Infância (Armando Goes) – Luiz Goes (in LP "Coimbra de Ontem e de Hoje", Columbia/VC, 1967, reed. EMI-VC, 1995, Edições Valentim de Carvalho/iPlay, 2008; livro/4CD "Canções Para Quem Vier: Integral 1952-2002": CD 2, EMI-VC, 2002; "O Melhor de Luiz Goes", Edições Valentim de Carvalho/iPlay, 2008)
7. Canção de Embalar (José Afonso) – José Afonso (in LP "Cantares do Andarilho", Orfeu, 1968, reed. Movieplay, 1987, 1996)
8. Canção para a Minha Filha Isabel Adormecer Quando Tiver Medo do Escuro (António Lobo Antunes / Vitorino Salomé) – Vitorino (in CD "Eu Que me Comovo Por Tudo e Por Nada", EMI-VC, 1992)
9. Durme (Tradicional sefardita, adap. Ricardo J. Dias) – Brigada Victor Jara (in CD "Ceia Louca", Polydor/Universal Music, 2006)
10. Ronda dos Espanta Papões II (instrumental) (Manuel António Tentúgal, sobre melodia tradicional) – Vai de Roda (in CD "Terreiro das Bruxas", UPAV, 1990, reed. Mundo da Canção, 2005)
11. Papãozinho (João Pedro Grabato Dias / Amélia Muge) – Amélia Muge (in CD "Múgica", UPAV, 1992)
12. Contar mémés (Nuno Rodrigues) – João Afonso (in CD "Canções de Embalar", CNM, 2001)
13. Menino d'Oiro (instrumental) (José Afonso) – Rão Kyao (in 2CD "Em'Cantado": CD 2, Polydor/Universal Music, 2009)
14. Vai-t'embora passarinho (Popular do Algarve, arr. Isabel Neves) – Vá-de-Viró (in CD "Outras Músicas", Música XXI, 2000)
15. O Sono do João (poema de António Nobre) – Manuela de Freitas (in LP/CD "Poemas de Bibe: Grande Poesia Portuguesa Escolhida para os Mais Pequenos", UPAV, 1990, reed. Público, 2006)
16. O Contador de Sonhos (instrumental) (João Filipe) – João Filipe, com Gnomon (in CD "Contarolando", João Filipe, 2009)
17. Conta-me um Conto (João Lóio) – João Lóio (in CD "O Segredo Maior: Canções a Brincar", Memórias/Fortes & Rangel, 1998, reed. Campo das Letras, col. Palmo e Meio, vol. 45, 2006)
18. O Gato das Botas (conto recolhido por Charles Perrault, adap. Pedro Vaz) – Margarida Carpinteiro (in CD/DVD "As Histórias da Carochinha", NZ Produções/Som Livre, 2004, reed. Chiado Kids/Vidisco, 2010)
19. Indo eu por i abaixo (Popular / Vitorino Salomé) – Vitorino (in LP "Romances", Orfeu, 1981, reed. Movieplay, 1999; 3CD "Tudo": CD 1 – O Alentejo, EMI, 2006)
20. Conta-me contos, ama... (Fernando Pessoa / Janita Salomé) – Janita Salomé (in LP "Lavrar em Teu Peito", EMI-VC, 1985, reed. EMI-VC, 2001)
21. Uma Viagem sem Fim (instrumental) (João Lóio) – João Lóio (in CD "O Segredo Maior: Canções a Brincar", Memórias/Fortes & Rangel, 1998, reed. Campo das Letras, col. Palmo e Meio, vol. 45, 2006)
22. Era uma Vez uma Velha (António Avelar de Pinho / Nuno Rodrigues) – Banda do Casaco (in LP "Coisas do Arco da Velha", Philips/Phonogram Portuguesa, 1976, reed. Philips/Polygram, 1993)
23. Godofredo Cheio de Medo (António Avelar de Pinho / Nuno Rodrigues) – Banda do Casaco (in LP "Contos da Barbearia", Valentim de Carvalho/EMI, 1978)
24. A Cigarra e a Formiga (poema de Mário Pederneiras) – João Villaret (in CD "João Villaret", col. O Melhor dos Melhores, vol. 9, Movieplay, 1994)
25. Retrato d'Homenzinho Pequenino com Frasco (António Avelar de Pinho / Nuno Rodrigues) – Banda do Casaco (in LP "Contos da Barbearia", Valentim de Carvalho/EMI, 1978)


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Segunda parte: No reino das fadas e dos bichos

"Os Cantos da Casa" n.º 100 [16 Fev. 2011]



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1. No Reino das Fadas (instrumental) (Francisco Raimundo) / As Fadas (poema de Antero de Quental) – Reymundo & Célia Figueiredo (in CD "Aromas", Edições FRA, 2006)
2. Fadas do Jardim do Rei (Luísa Barreto) – Luísa Barreto (in livro/CD "Pelo Caminho das Fadas", Centro Lusitano de Unificação Cultural, 1997, reed. 2001)
3. O Fogo do Sol Poente (Luísa Barreto) – Sebastião Antunes (in livro/CD "Pelo Caminho das Fadas", Centro Lusitano de Unificação Cultural, 1997, reed. 2001)
4. Fadas ao Luar (Luísa Barreto) – Luísa Barreto (in livro/CD "Pelo Caminho das Fadas", Centro Lusitano de Unificação Cultural, 1997, reed. 2001)
5. O meu Elfo (Luísa Barreto) – Luísa Barreto (in livro/CD "Pelo Caminho das Fadas", Centro Lusitano de Unificação Cultural, 1997, reed. 2001)
6. Anões e Bruxedos (Luísa Barreto) – Luísa Barreto (in livro/CD "Pelo Caminho das Fadas", Centro Lusitano de Unificação Cultural, 1997, reed. 2001)
7. Terreiro das Bruxas (instrumental) (Manuel António Tentúgal) – Vai de Roda (in CD "Terreiro das Bruxas", UPAV, 1990, reed. Mundo da Canção, 2005)
8. A Bruxa (Luísa Barreto) – Luísa Barreto (in livro/CD "Pelo Caminho das Fadas", Centro Lusitano de Unificação Cultural, 1997, reed. 2001)
9. A Bruxa Que Não Era Assim Tão Má (João Filipe) – João Filipe, com Sameiro Sequeira & Sérgio Castro (in CD "Contarolando", João Filipe, 2009)
10. Esquilo (instrumental) (João Lóio) – João Lóio (in CD "O Segredo Maior: Canções a Brincar", Memórias/Fortes & Rangel, 1998; livro/CD "O Segredo Maior: Canções a Brincar", Campo das Letras, col. Palmo e Meio, vol. 45, 2006)
11. Os Bichos (Inês Pupo / Gonçalo Pratas) – Gonçalo Pratas (in livro/CD "Canta o Galo Gordo: Poemas e Canções para Todo o Ano", Editorial Caminho, 2008)
12. Fungagá da Bicharada (José Barata Moura) – José Barata Moura (in LP "Fungagá da Bicharada", Zip Zip/Sassetti, 1975; CD "Fungagá da Bicharada", CNM, 2004; livro/4CD "Obra Infantil Completa de José Barata Moura", CNM, 2005)
13. Bichos (João Gil / Trovante) – Trovante (in LP "Baile no Bosque", Valentim de Carvalho, 1981, reed. EMI-VC, 1988, Edições Valentim de Carvalho/Som Livre, 2007)
14. Invocação da Alcateia (vocalização) – Francisco Fonseca (in CD "Todo Este Céu", de Né Ladeiras, Columbia/Sony Music, 1997)
15. A Lua e os Lobos (instrumental) (Rão Kyao) – Rão Kyao (in CD "Porto Alto", Farol Música, 2004)
16. La Lhoba Parda (Tradicional, Terra de Miranda, Trás-os-Montes) – Vai de Roda (in CD "Polas Ondas", Alba, 1996)
17. As Abelhas Trabalhadeiras (Maria do Amparo Pereira / Carlos Alberto Moniz) – Carlos Alberto Moniz e Maria do Amparo; narração de Júlio Isidro (in LP "Fungagá da Bicharada", Diapasão/Lamiré, 1976, reed. Strauss, 1994, CNM, 2005)
18. A Cigarra, também a Formiga e outros (Vasco Pereira da Costa / Carlos Alberto Moniz) – Carlos Alberto Moniz e Maria do Amparo; narração de Júlio Isidro (in LP "Fungagá da Bicharada", Diapasão/Lamiré, 1976, reed. Strauss, 1994, CNM, 2005)
19. Caixinha de Música (poema de Matilde Rosa Araújo) – Manuela de Freitas (in LP/CD "Poemas de Bibe: Grande Poesia Portuguesa Escolhida para os Mais Pequenos", UPAV, 1990, reed. Público, 2006)
20. A Formiga no Carreiro (José Afonso) – Sitiados (in CD "Filhos da Madrugada Cantam José Afonso", BMG Ariola, 1994)
21. Leões e Mais – Amélia Muge (João Pedro Grabato Dias / Amélia Muge) (in CD "Todos os Dias...", Columbia/Sony Music, 1994)
22. O Barbeiro – Ronda dos Quatro Caminhos (João Cavadinhas e António Prata / João Cavadinhas) (in LP "Canções Tradicionais Infantis", Transmédia, 1985, reed. Polygram, 1995)
23. A Banda do Maestro Pinguim (José Barata Moura) – José Barata Moura (in EP "A Banhoca da Rita e do André", Zip Zip/Sassetti, 1975; CD "Joana Come a Papa", Strauss, 1993, reed. CNM, 2004; livro/4CD "Obra Infantil Completa de José Barata Moura", CNM, 2005)
24. Tonino di Lamiré (José Barata Moura) – José Barata Moura (in EP "A Banhoca da Rita e do André", Zip Zip/Sassetti, 1975; CD "A Charanga do Zé", Strauss, 2001; livro/4CD "Obra Infantil Completa de José Barata Moura", CNM, 2005)
25. Relincha Pingócios, o Doutor Cavalo Dentista (José Barata Moura) – José Barata Moura (in LP "A Mudança do Macaco Zacarias", Diapasão/Lamiré, 1978; CD "A Mudança do Macaco Zacarias", Strauss, 2001; livro/4CD "Obra Infantil Completa de José Barata Moura", CNM, 2005)
26. O Cavalo (poema de Natália Correia) – Vítor de Sousa (in CD "No Palco da Poesia", Ovação, 1995, reed. Ovação, 2000)
27. Zebra Zulmira (António Avelar de Pinho / Carlos Vidal) – Dani Silva (in CD "O Jardim da Bicharada", Farol Música, 2006; DVD/CD "O Jardim da Bicharada: Os Vídeos", Farol Música, 2008)
28. Canguru Gugu (António Avelar de Pinho / Carlos Vidal e António Avelar de Pinho) – Quinta do Bill (in CD "O Jardim da Bicharada", Farol Música, 2006; DVD/CD "O Jardim da Bicharada: Os Vídeos", Farol Música, 2008)
29. As Desventuras do Rabanete Saltitão (José Barata Moura) – José Barata Moura (in EP "Cantiga do Passeio", Diapasão/Sassetti, 1979; CD "A Charanga do Zé", Strauss, 2001; livro/4CD "Obra Infantil Completa de José Barata Moura", CNM, 2005)
30. A Vaca Arnestina Maçaroca (José Barata Moura) – José Barata Moura (in EP "A Banhoca da Rita e do André", Zip Zip/Sassetti, 1975; CD "Joana Come a Papa", Strauss, 1993, reed. CNM, 2004; livro/4CD "Obra Infantil Completa de José Barata Moura", CNM, 2005)
31. O Cão D. Pantaleão e o Outro Cão (José Barata Moura) – José Barata Moura (in LP "Fungagá da Bicharada", Zip Zip/Sassetti, 1975; CD "Fungagá da Bicharada", CNM, 2004; livro/4CD "Obra Infantil Completa de José Barata Moura", CNM, 2005)
32. Gastão era Perfeito (José Afonso) – José Afonso (in LP "Venham Mais Cinco", Orfeu, 1973, reed. Movieplay, 1987, 1996)
33. A Morte do Rato (poema de Tóssan) – Mário Viegas (in LP/CD "Poemas de Bibe: Grande Poesia Portuguesa Escolhida para os Mais Pequenos", UPAV, 1990, reed. Público, 2006)
34. Maria Gata (Amélia Muge) – Amélia Muge (in livro/CD "Uma Autora, 202 Canções", Caracter, 2009)
35. O mundo só vai prestar (Popular brasileira / João Lóio) – João Lóio, com Regina Castro & António Paulo Silva (in CD "O Segredo Maior: Canções a Brincar", Memórias/Fortes & Rangel, 1998; livro/CD "O Segredo Maior: Canções a Brincar", Campo das Letras, col. Palmo e Meio, vol. 45, 2006)
36. A Andorinha da Primavera (Pedro Ayres Magalhães / Carlos Maria Trindade) – Madredeus (in CD "O Paraíso", EMI-VC, 1997)
37. Andorinhas no Terreiro (instrumental) (Fernando Costa) – Roda Pé (in CD "Pousio", Public-art, 2008)
38. Balada das Vinte Meninas (Matilde Rosa Araújo / Jorge Constante Pereira) – Vitorino (in LP "Cantigas de Ida e Volta", Orfeu, 1975)
39. Papagaio (Sidónio Muralha / Jorge Constante Pereira) – Fausto Bordalo Dias (in LP "Cantigas de Ida e Volta", Orfeu, 1975)
40. O Canário (Popular) – Trupe Barlaventina (in CD "Lendas do País do Sul", Concertante, 1999)
41. Olha o Rouxinol (Tradicional do Alentejo, arr. António Prata com Carlos Barata e Pedro Fragoso) – Ronda dos Quatro Caminhos & Grupo Cantares de Évora (in 2CD "Alçude": CD 1, Ovação, 2001)
42. Senhora Cegonha (Tradicional do Alentejo) – Grupo Coral de Cantares Regionais de Portel (in CD "Cantares Regionais de Portel", Lusosom, 1993; CD "25 Anos a Cantar Portel", Ovação, 2004; CD "O Melhor de Grupo Coral de Cantares Regionais de Portel", Ovação, 2010)
43. Segredo (poema de Miguel Torga) – Afonso Dias (in CD "Cantando Espalharey", Vol. III, Edere, 2002)
44. Malfamagrifada (Tradicional, adap. António Avelar de Pinho / Nuno Rodrigues) – Banda do Casaco (in LP "Contos da Barbearia", Valentim de Carvalho/EMI, 1978)
45. Faz de conta (poema de Eugénio de Andrade) – Mário Viegas & Manuela de Freitas (in LP/CD "Poemas de Bibe: Grande Poesia Portuguesa Escolhida para os Mais Pequenos", UPAV, 1990, reed. Público, 2006)


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Terceira parte: Brincando, brincando...

"Os Cantos da Casa" n.º 108 [01 Jun. 2011]



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1. Pedagogia (poema de Miguel Torga) – Afonso Dias (in CD "Cantando Espalharey", vol. I, Edere, 2001)
2. Faz de conta (Eugénio de Andrade / Júlio Pereira) – Júlio Pereira, com Sara Tavares (in CD "Faz de Conta", EMI-VC, 2003)
3. Bichinho de conta (Maria Rosa Colaço / Paulo Ferreira Rodrigues) – João Almeida & Diana Matos (in livro/CD "Sementes de Música para bebés e crianças", Editorial Caminho, 2008)
4. Joaninha voa, voa (Tradicional) – Ana Maria Ferrão (in livro/CD "Sementes de Música para bebés e crianças", Editorial Caminho, 2008)
5. Uma joaninha (João Lóio) – João Lóio, com Ana Luísa Dias de Carvalho & Regina Castro (in CD "O Segredo Maior: Canções a Brincar", Memórias/Fortes & Rangel, 1998; livro/CD "O Segredo Maior: Canções a Brincar", Campo das Letras, col. Palmo e Meio, vol. 45, 2006)
6. O Pastorinho (Amélia Muge) – Amélia Muge (in CD "Todos os Dias...", Columbia/Sony Music, 1994)
7. Aquela Nuvem (poema de José Gomes Ferreira) – Afonso Dias (in CD "Cantando Espalharey", vol. III, Edere, 2002)
8. Cavalinho, Cavalinho (Matilde Rosa Araújo / Jorge Constante Pereira) – Fausto Bordalo Dias (in LP "Cantigas de Ida e Volta", Orfeu, 1975)
9. Quero um Cavalo de Várias Cores (poema de Reinaldo Ferreira) – José Fanha (in livro/CD "Poemas com Animais", Gailivro, 2004)
10. Que o Mundo É Meu (Reinaldo Ferreira / Ricardo J. Dias, arr. Ricardo J. Dias e Mário Delgado) – Filipa Pais (in CD "À Porta do Mundo", Vachier & Associados, 2003)
11. Bárbara Rosinha (Vitorino Salomé) – Vitorino (in LP "Cantigas de Encantar", EMI-VC, 1989, reed. EMI-VC, 2000)
12. Planeta dos Encantos (instrumental) (João Filipe) – João Filipe (in CD "Contarolando", João Filipe, 2009)
13. É Tão Bom (Sérgio Godinho / Jorge Constante Pereira) – Sérgio Godinho (in LP "Sérgio Godinho Canta com os Amigos do Gaspar", Philips/Polygram, 1988, reed. Universal Music, 2001)
14. Maravilha (José Afonso) – Real Companhia (in livro/CD "Pé Ante Pé", Edição Tê, 2003)
15. Que linda falua (instrumental) (Tradicional) – Opus Ensemble (in LP "Temas do Cancioneiro Português", EMI Classics, 1987, reed. EMI Classics, 1998)
16. Rema, Rema (Tradicional dos Açores) – João Almeida (in livro/CD "Sementes de Música para bebés e crianças", Editorial Caminho, 2008)
17. O mar também canta (instrumental / vocalizos) (Ana Lourenço) – Diana Matos (in livro/CD "Sementes de Música para bebés e crianças", Editorial Caminho, 2008)
18. Balada do Sino (José Afonso) – Teresa Paula Brito (in EP "Teresa Paula Brito Canta José Afonso", Riso e Ritmo, 1970; CD "Teresa Paula Brito", col. Clássicos da Renascença, vol. 61, Movieplay, 2000)
19. Boia, boia, binha (instrumental) (Tradicional) – Opus Ensemble (in LP "Temas do Cancioneiro Português", EMI Classics, 1987, reed. EMI Classics, 1998)
20. Avenida de Angola (José Afonso, sobre quadra popular) – Cristina Branco (in CD "Abril", Universal Music Classics France, 2007)
21. As pombinhas da Cat'rina (instrumental) (Tradicional) – Opus Ensemble (in LP "Temas do Cancioneiro Português", EMI Classics, 1987, reed. EMI Classics, 1998)
22. A pomba (Tradicional, Cedovim, Foz Côa, Alto Douro) – Diana Matos (in livro/CD "Sementes de Música para bebés e crianças", Editorial Caminho, 2008)
23. A pombinha e o pombinho (Tradicional) – Diana Matos & João Almeida (in livro/CD "Sementes de Música para bebés e crianças", Editorial Caminho, 2008)
24. Pombinha, passarinho, rolinha (Popular do Algarve, arr. Eduarda Alves e Margarida Guerreiro) – Moçoilas (in CD "Já Cá Vai Roubado", Casa da Cultura de Loulé, 2001)
25. Don Solidon (Popular da Estremadura, arr. Paulo Cunha) – Vá-de-Viró (in CD "Vivências", Vá-de-Viró, 1998)
26. Teresinha (Tradicional) – João Almeida (in livro/CD "Sementes de Música para bebés e crianças", Editorial Caminho, 2008)
27. Era bonitinha (Tradicional, Portel, Alto Alentejo) – João Almeida (in livro/CD "Sementes de Música para bebés e crianças", Editorial Caminho, 2008)
28. Menina, se bem me queres (Tradicional) – João Almeida (in livro/CD "Sementes de Música para bebés e crianças", Editorial Caminho, 2008)
29. No jardim (instrumental / vocalizos) (Paulo Ferreira Rodrigues) – João Almeida & Diana Matos (in livro/CD "Sementes de Música para bebés e crianças", Editorial Caminho, 2008)
30. Estando a dobar (Tradicional / Fernando Marques Gomes) – Diana Matos & João Almeida (in livro/CD "Sementes de Música para bebés e crianças", Editorial Caminho, 2008)
31. Se esta rua fosse minha (vocalizos / instrumental) (Tradicional do Brasil) – João Almeida (in livro/CD "Sementes de Música para bebés e crianças", Editorial Caminho, 2008)
32. Indo eu por Braga acima (Tradicional do Minho) – João Almeida (in livro/CD "Sementes de Música para bebés e crianças", Editorial Caminho, 2008)
33. Dança da Rosa (Matilde Rosa Araújo / Fernando Lopes-Graça) – Meninos Cantores do Município da Trofa (in CD "Histórias de (en)Cantar", Quarta Vaga Produções/Edisco, 2000)
34. A Ciranda (Tradicional galaico-portuguesa) – João Almeida & Diana Matos (in livro/CD "Sementes de Música para bebés e crianças", Editorial Caminho, 2008)
35. Bailando (Neusa Abreu) – Xarabanda (in CD "Instrumentos Musicais da Tradição Popular Madeirense", Associação Musical e Cultural Xarabanda, 2007)
36. Bate palminhas (Ana Maria Ferrão) – Diana Matos (in livro/CD "Sementes de Música para bebés e crianças", Editorial Caminho, 2008)
37. Triste Viuvinha (Popular) – Vitorino com os sobrinhos (in LP "Cantigas de Encantar", EMI-VC, 1989, reed. EMI-VC, 2000)
38. Cantiga de Roda (Popular) – Ronda dos Quatro Caminhos (in LP "Canções Tradicionais Infantis", Schiu!/Transmédia, 1985, reed. Polygram, 1995)
39. Machadinha (Popular) – Roda Pé (in CD "Pousio", Public-art, 2008)
40. Saia da Carolina (Tradicional galaico-portuguesa) – Arrefole (in CD "Veículo Climatizado", Açor/Emiliano Toste, 2006)
41. Alecrim / Os Olhos da Marianita / O Meu Pião (instrumental) (Tradicional) – Reymundo (in CD "Aromas", Edições FRA, 2006)
42. João (Vitorino Salomé) – Vitorino (in LP "Cantigas de Encantar", EMI-VC, 1989, reed. EMI-VC, 2000)
43. Brinquedo (poema de Miguel Torga) – Manuela de Freitas (in LP/CD "Poemas de Bibe: Grande Poesia Portuguesa Escolhida para os Mais Pequenos", UPAV, 1990, reed. Público, 2006)
44. Papelinho (Tradicional, Torre do Terrenho, Trancoso, Beira Alta) – Chuchurumel (in CD "No Castelo de Chuchurumel", Chuchurumel/Luzlinar, 2005)
45. Rondel do Alentejo (poema de Almada Negreiros) – Mário Viegas (in LP/CD "Poemas de Bibe: Grande Poesia Portuguesa Escolhida para os Mais Pequenos", UPAV, 1990, reed. Público, 2006)
46. Trângulo Mângulo (Popular, Santa Marta de Penaguião, Trás-os-Montes / Carlos Guerreiro) – Gaiteiros de Lisboa (in CD "Bocas do Inferno", Farol Música, 1997)
47. Lenga-lenga da Velha (Popular) – Crianças de Proença-a-Nova (Beira Baixa); recolha de José Alberto Sardinha (in "Portugal - Raízes Musicais": CD 4 - "Beira Baixa e Beira Trasmontana", BMG/JN, 1997)
48. Lenga-lengas (Popular e Afonso Dias / Afonso Dias) – Afonso Dias (in CD "Olhar de Pássaro", Concertante, 2000)
49. Conto do Bicho Papão (Sebastião Antunes) – Quadrilha (in CD "Entre Luas", Ovação, 1997)


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Quarta parte: Na escola – Primeiros passos

"Os Cantos da Casa" n.º 190 [18 Set. 2014]



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1. Anjos de Pijama (III) (Matilde Rosa Araújo / Andreia Pinto Correia) – Meninos Cantores do Município da Trofa (in CD "Anjos de Pijama", Câmara Municipal da Trofa, 2009)
2. Bom-dia (Inês Pupo / Gonçalo Pratas) – Gonçalo Pratas (in livro/CD "Canta o Galo Gordo: Poemas e Canções para Todo o Ano", Editorial Caminho, 2008)
3. Cá Vou Eu p'rá Escola (Luís Miguel Viterbo / João Paulo Esteves da Silva, arr. José Mário Branco) – Maria João (in CD "Bom-Dia, Benjamin!", Movieplay, 1995)
4. Outra Margem (Maria Rosa Colaço / Trovante) – Trovante (in LP "Baile no Bosque", Valentim de Carvalho, 1981, reed. EMI-VC, 1988, Edições Valentim de Carvalho/Som Livre, 2007)
5. Meninos de Todas as Cores (Luísa Ducla Soares / Jorge Salgueiro) – Crianças sob a direcção de Jorge Salgueiro (in livro/CD "Cancioneiro Crescer com a Música I", Foco Musical – Educação e Cultura, 2001)
6. As Cores (Inês Pupo / Gonçalo Pratas) – Cristina Branco (in livro/CD "Canta o Galo Gordo: Poemas e Canções para Todo o Ano", Editorial Caminho, 2008)
7. As Cores (José Barata Moura) – José Barata Moura (in EP "Canções Infantis", Zip Zip/Sassetti, 1974; CD "A Mudança do Macaco Zacarias", Strauss, 2001; livro/4CD "Obra Infantil Completa de José Barata Moura", CNM, 2005)
8. As Notas (José Barata Moura) – José Barata Moura (in EP "Canções Infantis", Zip Zip/Sassetti, 1974; CD "A Mudança do Macaco Zacarias", Strauss, 2001; livro/4CD "Obra Infantil Completa de José Barata Moura", CNM, 2005)
9. 12 Meses (a rodar) (Maria de Vasconcelos) – Maria de Vasconcelos (in CD "Canções da Maria", Arthouse/Edições Valentim de Carvalho, 2012)
10. Abrilinho Volta ao Ninho (Vitorino Salomé) – Vitorino (in livro/CD "Abril, Abrilzinho", Praça das Flores e Público, 2006)
11. Primavera, Verão, Outono, Inverno (Inês Pupo / Gonçalo Pratas) – Gonçalo Pratas (in livro/CD "Canta o Galo Gordo: Poemas e Canções para Todo o Ano", Editorial Caminho, 2008)
12. Canção do Inverno (Luísa Barreto) – Luísa Barreto (in livro/CD "Pelo Caminho das Fadas", Centro Lusitano de Unificação Cultural, 1997, reed. 2001)
13. Ritual da Chuva (poema ameríndio, trad. Herberto Hélder) – Mário Viegas (in LP/CD "Poemas de Bibe: Grande Poesia Portuguesa Escolhida para os Mais Pequenos", UPAV, 1990, reed. Público, 2006)
14. A Menina Gotinha de Água (Papiniano Carlos / João Filipe) – João Filipe, com Sameiro Sequeira (in CD "Contarolando", João Filipe, 2009)
15. Loas à Chuva e ao Vento (Matilde Rosa Araújo / Fernando Lopes-Graça) – Bando dos Gambozinos (in CD "As Cançõezinhas da Tila", Fortes & Rangel, 1996, reed. Editora Civilização, 1998)
16. Lua Depois da Chuva (Cecília Meireles / Luís Pedro Fonseca) – Lena d'Água (in LP/CD "Ou Isto ou Aquilo", Edisom, 1992)
17. O Alfabeto (José Jorge Letria) – José Jorge Letria (in LP "O Circo da Alegria", Diapasão/Sassetti, 1979; reed. CD "Pim, Pam, Pum", Strauss, 1999)
18. As Letras (José Barata Moura) – José Barata Moura (in EP "Canções Infantis", Zip Zip/Sassetti, 1974; CD "A Mudança do Macaco Zacarias", Strauss, 2001; livro/4CD "Obra Infantil Completa de José Barata Moura", CNM, 2005)
19. A Dança do B (poema de Maria Alberta Menéres) – Afonso Dias (in CD "Cantando Espalharey", vol. III, Edere, 2002)
20. C (Glória Maria Marreiros / Afonso Dias) – Afonso Dias & Francisco Fanhais (in CD "Abecedário a Rimar", Edere, 2003)
21. O Xarope do Amor - Ciência fascinante com "C" (Maria de Vasconcelos) – Maria de Vasconcelos (in CD "Canções da Maria II", Edições Valentim de Carvalho, 2013)
22. A Mimi Caçarola - Canção com "Ç" (Maria de Vasconcelos) – Maria de Vasconcelos (in CD "Canções da Maria II", Edições Valentim de Carvalho, 2013)
23. E (Glória Maria Marreiros / Afonso Dias) – Afonso Dias & Carla Moreira (in CD "Abecedário a Rimar", Edere, 2003)
24. G (Glória Maria Marreiros / Afonso Dias) – Afonso Dias (in CD "Abecedário a Rimar", Edere, 2003)
25. P (Glória Maria Marreiros / Afonso Dias) – Afonso Dias & Carla Moreira (in CD "Abecedário a Rimar", Edere, 2003)
26. R (Glória Maria Marreiros / Afonso Dias) – Afonso Dias & Carla Moreira (in CD "Abecedário a Rimar", Edere, 2003)
27. Laranjinha e Raposinho – O casamento com "S" que vale de Z (Maria de Vasconcelos) – Maria de Vasconcelos (in CD "Canções da Maria II", Edições Valentim de Carvalho, 2013)
28. X (Glória Maria Marreiros / Afonso Dias) – Afonso Dias (in CD "Abecedário a Rimar", Edere, 2003)
29. Z (Glória Maria Marreiros / Afonso Dias) – Afonso Dias (in CD "Abecedário a Rimar", Edere, 2003)
30. Eu Já Sei Escrever (Nuno Artur Silva, Luís Miguel Viterbo e Sílvia Cunha / José Peixoto, arr. José Mário Branco) – Maria João (in CD "Bom-Dia, Benjamin!", Movieplay, 1995)
31. Os Ditongos a Cantar (Maria de Vasconcelos) – Maria de Vasconcelos (in CD "Canções da Maria", Arthouse/Edições Valentim de Carvalho, 2012)
32. Tudo Certo! Maravilha! (Sílaba forte) (Maria de Vasconcelos) – Maria de Vasconcelos (in CD "Canções da Maria II", Edições Valentim de Carvalho, 2013)
33. O Sr. EGA e a Fada Madrinha da Gramática Mágica com pós de perlimpimpim (Maria de Vasconcelos) – Maria de Vasconcelos (in CD "Canções da Maria II", Edições Valentim de Carvalho, 2013)
34. Nomes Colectivos (Maria de Vasconcelos) – Maria de Vasconcelos (in CD "Canções da Maria", Arthouse/Edições Valentim de Carvalho, 2012)
35. A Fonte das Palavras (Carlos Tê / João Gil) – Rui Veloso / Cabeças no Ar (in CD "Cabeças no Ar", EMI-VC, 2002)
36. Que fizeste das palavras? (poema) – Eugénio de Andrade (in CD "Eugénio de Andrade por Eugénio de Andrade", Numérica, 1997)
37. Os Números a Cantar (Maria de Vasconcelos) – Maria de Vasconcelos (in CD "Canções da Maria", Arthouse/Edições Valentim de Carvalho, 2012)
38. Cantilena (Maria Alberta Menéres / Jorge Constante Pereira) – Fausto Bordalo Dias & Vitorino (in LP "Cantigas de Ida e Volta", Orfeu, 1975)
39. Tiquetaque - As horas e a tabuada do 5 (Maria de Vasconcelos) – Maria de Vasconcelos (in CD "Canções da Maria II", Edições Valentim de Carvalho, 2013)
40. Zizi, Sua Alteza - A amizade com 'Z' (Maria de Vasconcelos) – Maria de Vasconcelos (in CD "Canções da Maria II", Edições Valentim de Carvalho, 2013)


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Quinta parte: Na escola – Prosseguindo o caminho

"Os Cantos da Casa" n.º 199 [29 Jan. 2015]



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1. Canção das Perguntas (João Lóio) – João Lóio & Ana Luísa Dias de Carvalho (in CD "O Segredo Maior: Canções a Brincar", Memórias/Fortes & Rangel, 1998; livro/CD "O Segredo Maior: Canções a Brincar", Campo das Letras, col. Palmo e Meio, vol. 45, 2006)
2. Coral (poema de Sophia de Mello Breyner Andresen) – Manuela de Freitas (in LP/CD "Poemas de Bibe: Grande Poesia Portuguesa Escolhida para os Mais Pequenos", UPAV, 1990, reed. Público, 2006)
3. Partes de Mim (Inês Pupo / Gonçalo Pratas) – Gonçalo Pratas (in livro/CD "Canta o Galo Gordo: Poemas e Canções para Todo o Ano", Editorial Caminho, 2008)
4. Canção dos Cinco Dedos (Carlos Paião) – Carlos Paião (in LP "Algarismos", EMI-VC, 1982; 2LP/CD "O Melhor de Carlos Paião", EMI-VC, 1991; 2CD "Letra e Música: 15 Anos Depois": CD 2, EMI-VC, 2003; CD "Perfil", Edições Valentim de Carvalho/Som Livre, 2007; 2CD "Letra e Música: 25 Anos Depois": CD 2, EMI, 2013)
5. Inspira - Expira (O Aparelho Respiratório) (Maria de Vasconcelos) – Maria de Vasconcelos (in CD "Canções da Maria II", Edições Valentim de Carvalho, 2013)
6. Era uma Vez um Coração (Maria de Vasconcelos) – Maria de Vasconcelos (in CD "Canções da Maria", Arthouse/Edições Valentim de Carvalho, 2012)
7. Poema do Coração (poema de António Gedeão) – Afonso Dias (in CD "Poesia de António Gedeão", col. Selecta, Música XXI, 2006)
8. Comer e Digerir (O Aparelho Digestivo) (Maria de Vasconcelos) – Maria de Vasconcelos (in CD "Canções da Maria II", Edições Valentim de Carvalho, 2013)
9. Comer Bem ou Comer Mal (Inês Pupo / Gonçalo Pratas) – Gonçalo Pratas (in livro/CD "Canta o Galo Gordo: Poemas e Canções para Todo o Ano", Editorial Caminho, 2008)
10. Balada do Pão (instrumental) (Rão Kyao) – Rão Kyao (in CD "Porto Alto", Farol Música, 2004)
11. Pitinha (Rima infantil recolhida por Adolfo Coelho) – Cucha Carvalheiro (in livro/Cassete "Rimas e Jogos Infantis", Lisboa Editora, 1994, reed. livro/CD, Lisboa Editora, 2004)
12. Frutos (poema de Eugénio de Andrade) – Manuela de Freitas (in LP/CD "Poemas de Bibe: Grande Poesia Portuguesa Escolhida para os Mais Pequenos", UPAV, 1990, reed. Público, 2006)
13. Laranja Doce Laranja (Ana Zanatti / João Gil, arr. Ruben Alves) – Vários artistas (in CD "Planeta Adormecido: Banda Sonora do Filme", Ovação, 2010)
14. Dança do Raminho de Laranjeira (Matilde Rosa Araújo / Fernando Lopes-Graça) – Meninos Cantores do Município da Trofa (in CD "Histórias de (en)Cantar", Quarta Vaga Produções/Edisco, 2000)
15. Laranjinhas (Teresa Muge, arr. Teresa Muge e Amélia Muge) – Moçoilas (in CD "Qu'é Que Tens a Ver com Isso?", Ocarina, 2006)
16. Rifão Quotidiano (poema de Mário-Henrique Leiria) – Mário Viegas (in LP/CD "Poemas de Bibe: Grande Poesia Portuguesa Escolhida para os Mais Pequenos", UPAV, 1990, reed. Público, 2006)
17. Figuinho da Capa Rota (Matilde Rosa Araújo / Fernando Lopes-Graça) – Meninos Cantores do Município da Trofa (in CD "Histórias de (en)Cantar", Quarta Vaga Produções/Edisco, 2000)
18. Amora Madura (Popular do Alentejo, arr. José Afonso) – José Afonso (in LP "Eu Vou Ser como a Toupeira", Orfeu, 1972; reed. Movieplay, 1987, 1996, Art'Orfeu Media, 2012)
19. Calimero e a Pêra Verde (Tradicional do Baixo Alentejo / Pascale Rubens + Tradicional do Baixo Alentejo) – Celina da Piedade, com Naragonia (in 2CD "Em Casa": CD 2, Celina da Piedade/Melopeia, 2012)
20. Alecrim (instrumental) (Tradicional) – Opus Ensemble (in LP "Temas do Cancioneiro Português", EMI Classics, 1987, reed. EMI Classics, 1998)
21. Manjerico, Revira a Folha (Tradicional, Casegas, Covilhã, Beira Baixa) – Diana Matos (in livro/CD "Sementes de Música para bebés e crianças", Editorial Caminho, 2008)
22. Erva-Cidreira (Tradicional do Alentejo, Celina da Piedade e Alex Gaspar / Tradicional do Alentejo, arr. Celina da Piedade e Alex Gaspar) – Celina da Piedade (in CD "O Cante das Ervas", Xmusic, 2014)
23. O Cravo Vaidoso (José Jorge Letria / Vitorino Salomé) – Vitorino (in livro/CD "Abril, Abrilzinho", Praça das Flores e Público, 2006)
24. Os Malmequeres (A. F. Pinto / Carlos Branco) – Pedra d'Hera (in CD "Ventos", Ovação, 2006)
25. Vira dos Malmequeres(Popular do Ribatejo, arr. Rui Vaz) – Tonicha (in CD "Canções d'Aquém e d'Além Tejo", Polydor/Polygram, 1995; CD "Canções para os Meus Netos... de Qualquer Idade", Universal Music, 2008)
26. Flor de Jacarandá (Vitorino Salomé, arr. José Manuel Marreiros) – Vitorino (in LP "Negro Fado", EMI-VC, 1998, reed. EMI-VC, 199?; CD "As Mais Bonitas", EMI-VC, 1993; 3CD "Tudo": CD 2 – Lisboa, EMI, 2006)
27. Florinha (Luísa Barreto) – Luísa Barreto (in livro/CD "Pelo Caminho das Fadas", Centro Lusitano de Unificação Cultural, 1997, reed. 2001)
28. A Flor (poema de Almada Negreiros) – Vítor de Sousa (in CD "No Palco da Poesia", Ovação, 1995, reed. Ovação, 2000)
29. Aquarela (Toquinho, Vinicius de Moraes, Guido Morra e Maurizio Fabrizio) – Real Companhia (in livro/CD "Pé Ante Pé", Edição Tê, 2003)
30. A Feiticeira (história de António Prata) – Mário Viegas (in LP "Canções Tradicionais Infantis", de Ronda dos Quatro Caminhos, Schiu!/Transmédia, 1985, reed. Polygram, 1995)


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Sexta parte: Na escola – Rumo ao futuro



"Os Cantos da Casa" n.º 208 [01 Jun. 2015]
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1. Romance Ingénuo de Duas Linhas Paralelas (poema de José Fanha) – Trupe Barlaventina (in CD "O Perfume da Palavra", Concertante, 1999)
2. Canção do Cometa (Ana Zanatti / João Gil, arr. Ruben Alves) – Vários artistas (in CD "Planeta Adormecido: Banda Sonora do Filme", Ovação, 2010)
3. O Sistema Solar (Planetas) (Maria de Vasconcelos) – Maria de Vasconcelos (in CD "Canções da Maria", Arthouse/Edições Valentim de Carvalho, 2012)
4. A Explicação das Estrelas (Carlos Tê / Rui Veloso) – Cabeças no Ar (in CD "Cabeças no Ar", EMI-VC, 2002)
5. Dom Afonso Fundador (Risoleta Pinto Pedro / Jorge Salgueiro) – Orquestra Didáctica da Foco Musical, dir. Jorge Salgueiro (in livro/CD "Cantata 'O Conquistador'", Foco Musical – Educação e Cultura, 2005)
6. Romance da Bela Infanta (Tradicional de Trás-os-Montes) – Diana Matos (in livro/CD "Sementes de Música para bebés e crianças", Editorial Caminho, 2008)
7. Partida (José Jorge Letria / Carlos Alberto Moniz) – Carlos Alberto Moniz (in CD "Vasco da Gama: A Grande Viagem", Grupo Forum, 1997)
8. Índia (José Jorge Letria / Carlos Alberto Moniz) – Carlos Alberto Moniz (in CD "Vasco da Gama: A Grande Viagem", Grupo Forum, 1997)
9. Lisboa (José Jorge Letria / Carlos Alberto Moniz) – Carlos Alberto Moniz (in CD "Vasco da Gama: A Grande Viagem", Grupo Forum, 1997)
10. O Achamento do Brasil: Abertura (instrumental) (Jorge Salgueiro) – Orquestra Didáctica da Foco Musical, dir. Jorge Salgueiro (in livro/CD "O Achamento do Brasil: Ópera em II Actos", Foco Musical – Educação e Cultura, 2004)
11. O Achamento do Brasil: Recitativo e ária de Pedro Álvares Cabral (Risoleta Pinto Pedro / Jorge Salgueiro) – Orquestra Didáctica da Foco Musical, dir. Jorge Salgueiro (in livro/CD "O Achamento do Brasil: Ópera em II Actos", Foco Musical – Educação e Cultura, 2004)
12. O Achamento do Brasil: Coro dos marinheiros (Risoleta Pinto Pedro / Jorge Salgueiro) – Orquestra Didáctica da Foco Musical, dir. Jorge Salgueiro (in livro/CD "O Achamento do Brasil: Ópera em II Actos", Foco Musical – Educação e Cultura, 2004)
13. Dez (João Filipe e Luís de Camões / João Filipe) – João Filipe, com Sameiro Sequeira & Folk.at.Rua (in CD "Contarolando", João Filipe, 2009)
14. O Zeca (José Jorge Letria / Manuel Freire) – Manuel Freire (in livro/CD "Abril, Abrilzinho", Praça das Flores e Público, 2006)
15. Pela Voz da Telefonia (José Jorge Letria / Vitorino Salomé e Manuel Freire) – Manuel Freire & Vitorino (in livro/CD "Abril, Abrilzinho", Praça das Flores e Público, 2006)
16. Em Cada Esquina da Noite (José Jorge Letria / Manuel Freire) – Manuel Freire (in livro/CD "Abril, Abrilzinho", Praça das Flores e Público, 2006)
17. O Capitão dos Tanques (José Jorge Letria / Vitorino Salomé) – Vitorino (in livro/CD "Abril, Abrilzinho", Praça das Flores e Público, 2006)
18. Cançãozinha da Escola (Matilde Rosa Araújo Fernando Lopes-Graça) / – Meninos Cantores do Município da Trofa (in CD "Histórias de (en)Cantar", Quarta Vaga Produções/Edisco, 2000)
19. Olha o Arco-Íris (Regina Castro / João Lóio) – João Lóio, com Ana Luísa Dias de Carvalho, Isabel Oliveira, Regina Castro & Guilhermino Monteiro (in CD "Mais Um Dia", João Lóio, 2007)
20. João Manquinho (lengalenga infantil recolhida por Adolfo Coelho) – Cucha Carvalheiro (in livro/cassete "Rimas e Jogos Infantis", Lisboa Editora, 1994, reed. livro/CD, Lisboa Editora, 2004)
21. O Zezinho (Tradicional / Jorge Salgueiro) – Crianças sob a direcção de Jorge Salgueiro (in livro/CD "Cancioneiro Crescer com a Música I", Foco Musical – Educação e Cultura, 2001)
22. Meu Sonho Doido (João Lóio) – João Lóio, com Ana Luísa Dias de Carvalho, Isabel Oliveira, Regina Castro & Guilhermino Monteiro (in CD "Mais Um Dia", João Lóio, 2007)
23. Curta-Metragem (Regina Guimarães / Hélder Gonçalves) – Clã (in CD "Disco Voador", A Chave do Som/EMI, 2011)
24. A Corrente do Jogo (Carlos Tê / João Gil) – Cabeças no Ar (in CD "Cabeças no Ar", EMI-VC, 2002)
25. A Fisga (João Monge / João Gil) – Tim / Rio Grande (in CD "Rio Grande", EMI-VC, 1996)
26. Segunda Oportunidade (instrumental) (João Filipe) – João Filipe (in CD "Contarolando", João Filipe, 2009)
27. Baile da Biblioteca (Carlos Tê / João Gil) – Cabeças no Ar (in CD "Cabeças no Ar", EMI-VC, 2002)
28. O Cheiro dos Livros (Carlos Tê / João Gil) – Cabeças no Ar (in CD "Cabeças no Ar", EMI-VC, 2002)
29. A Escola (Jorge Palma) – Jorge Palma (in LP "Bairro do Amor", Philips/Polygram, 1989, reed. Philips/Polygram, 1998; CD "Dá-me Lume: O Melhor de Jorge Palma", Universal Music, 2000)
30. O Que Eu Quero Ser Quando For Grande (Carlos Tê / Rui Veloso) – Rui Veloso (in 2CD "Mingos & Os Samurais": CD 1, EMI-VC, 1990)
31. O Mais Importante na Vida (poema de António Botto) – Manuela de Freitas (in LP/CD "Poemas de Bibe: Grande Poesia Portuguesa Escolhida para os Mais Pequenos", UPAV, 1990, reed. Público, 2006)
32. Canção do Cego Que Vê (Ana Zanatti / João Gil, arr. Ruben Alves) – Vários artistas (in CD "Planeta Adormecido: Banda Sonora do Filme", Ovação, 2010)
33. Pequena Dor (Carlos Tê / Rui Veloso) – Rui Veloso / Cabeças no Ar (in CD "Cabeças no Ar", EMI-VC, 2002)


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Sétima e última parte: Criança bem amada, criança mal amada



"Os Cantos da Casa" n.º 232 [01 Jun. 2016]
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1. O Nosso Menino (António Avelar de Pinho / Carlos Alberto Vidal) – Tonicha (in CD "Mulher", Polydor/Polygram, 1997; 2CD "Antologia 77/97": CD 2, Universal Music, 2007)
2. Os Direitos da Criança: parte 6 (poema de Matilde Rosa Araújo) – Pedro Ramajal
3. Gostas, Mãe? (Inês Pupo / Gonçalo Pratas) – Inês Pupo (in livro/CD "Canta o Galo Gordo: Poemas e Canções para Todo o Ano", Editorial Caminho, 2008)
4. Mãe (poema de Almada Negreiros) – Afonso Dias (in CD "Cantando Espalharey", vol. III, Edere, 2002)
5. Ilha da Infância (João Monge / Manuel Paulo) – Manuel Paulo & Nancy Vieira (in livro/CD "Pássaro Cego", Arthouse/Iplay, 2009)
6. Algumas Proposições com Crianças (poema de Ruy Belo) – Pedro Ramajal
7. Criança Mulher I (Fausto Bordalo Dias) – Fausto Bordalo Dias (in LP "Fausto", Philips, 1970)
8. Aquela Criança (José de Jesus Guimarães / Resende Dias) – Florência (in LP "Canções do Dia e da Noite", Orfeu, 1977)
9. Riso de Criança [Manuel Andrade / Acácio Gomes dos Santos (Fado Acácio)]– Carlos Zel (in LP "É Fado: Neste Rio Vou Morrer", Roda/J.C. Donas, 1978, reed. Vidisco, 2002)
10. Os Direitos da Criança: parte 7 (poema de Matilde Rosa Araújo) – Pedro Ramajal
11. É Tão Bom Ser Pequenino [João Linhares Barbosa / Popular (Fado Corrido)] – Rodrigo (in LP "A Última Tourada Real de Salvaterra", EMI/VC, 1972, reed. EMI-VC, 2003, Edições Edições Valentim de Carvalho/Som Livre, 2007; CD "O Melhor de Rodrigo", EMI-VC, 1990; CD "O Melhor de Rodrigo", Edições Edições Valentim de Carvalho/iPlay, 2008; CD "Rodrigo: Essencial", Edições Valentim de Carvalho, 2014)
12. Ir Seguro e Sossegado (Fernando Carmino Marques) – Fernando Marques (in CD "O Encontro das Águas", Ovação, 1998)
13. A Vida Como Ela É [Tiago Torres da Silva / Casimiro Ramos (Fado Três Bairros)] – Joana Amendoeira (in CD "Brincar aos Fados", Farol Música, 2014)
14. A Uma Criança (poema de Sebastião da Gama) – Pedro Ramajal
15. Bons Dias, Menino (Júlio de Sousa / Mário Moniz Pereira) – Lucília do Carmo (in LP "Lucília do Carmo", Trova, 1978, reed. Fatum/UPAV, 1992, Universal Music, 2003)
16. Menino de Oiro, Menino de Lata (Joaquim Pessoa, sobre quadra popular / Alexandre de Rezende e Carlos Mendes) – Tonicha (in LP "Ela por Ela", Polydor/Polygram, 1980, reed. Polydor/Polygram, 1996; 2CD "Antologia 77/97": CD 2, Universal Music, 2007)
17. Poema para um Menino ()Luiz Goes) – Luiz Goes (in LP "Canções de Amor e de Esperança", Columbia/VC, 1972, reed. EMI-VC, 1995; CD "O Melhor de Luiz Goes", EMI-VC, 1989; livro/4CD "Canções Para Quem Vier: Integral 1952-2002": CD 3, EMI-VC, 2002; CD "O Melhor de Luiz Goes", Edições Edições Valentim de Carvalho/iPlay, 2008; CD "Luiz Goes: Essencial", Edições Valentim de Carvalho, 2014)
18. Menino da Rua (Mário Contumélias / Manuel José Soares) – Teresa Silva Carvalho (in single "Nordeste / Menino da Rua", Orfeu, 1977; CD "Teresa Silva Carvalho", col. Clássicos da Renascença, vol. 63, Movieplay, 2000)
19. Anti-Anne Frank (poema de António Gedeão) – Pedro Ramajal
20. Menino do Sol-Posto [João Fezas Vital / José Joaquim Cavalheiro Júnior (Fado Menor do Porto)] – Rodrigo (in LP "Só Para Quem Gosta de Fado", Rossil, 1981)
21. Os Putos (José Carlos Ary dos Santos / Paulo de Carvalho) – Carlos do Carmo (in single "Os Putos / Fado de Todos Nós", Trova, 1978; CD "Fado Maestro: 45 Anos de Carreira", Universal Music, 2008)
22. Crianças [Frutuoso França / João Maria dos Anjos (Fado João Maria dos Anjos)] – Frutuoso França (in LP "Frutuoso França", Alvorada, 1978; CD "Frutuoso França", col. Fados do Fado", vol. 14, Movieplay, 1998)
23. Não Quero, Não (Eugénio de Andrade / Teresa Gentil) – Teresa Gentil (in CD "Gent'ilesa", Descalças - Cooperativa Cultural, 2008)
24. Quando Eu For Grande (Manuela de Freitas e José Mário Branco / José Mário Branco) – José Mário Branco (in LP/CD "Correspondências", UPAV, 1990, reed. EMI-VC, 1996)
25. Cinco Reis de Gente (poema de António Botto) – Pedro Ramajal
26. Ardinita [João Linhares Barbosa, sobre quadra popular / Jaime Santos (Fado da Bica)] – Rodrigo (in LP "Uma Noite de Fado em Cascais", Parlophone/VC, 1972; CD "Rodrigo", col. Caravela, EMI-VC, 1996; CD "Rodrigo: Grandes Êxitos", Parlophone/Warner Music, 2013)
27. Domingo no Mundo (Sérgio Godinho, arr. Manuel Faria) – Sérgio Godinho (in CD "Domingo no Mundo", EMI-VC, 1997)
28. Menino do Mar (Carla Lopes) – Frei Fado d'El Rei (in CD "Danças no Tempo", Columbia/Sony Music, 1995)
29. A um Menino Operário em Frente da Montra de um Automóvel (poema de Salette Tavares) – Pedro Ramajal
30. O Menino Negro Não Entrou na Roda (Geraldo Bessa Victor / Luís Cília) – Luís Cília (in LP "Meu País", Le Chant du Monde, 1973)
31. Menino Só (Jorge Cravo) – Jorge Cravo (in CD "Canções d'uma Cidade e d'um Rio", Numérica, 2010)
32. Menino do Bairro Negro (José Afonso) – José Afonso (in EP "Baladas de Coimbra", Rapsódia, 1963; LP "Baladas e Fados de Coimbra", Edisco, 1982; CD "Os Vampiros", Edisco, 1987, 2006)
33. Criança Negra (Jorge Ataíde) – Maria Armanda (in EP "Rio Tejo de Lisboa", Discos Estúdio, 1976; 2CD "Fado Capital": CD 2, Ovação, 1994)
34. Meu menino negro, negro (poema de Matilde Rosa Araújo) – Pedro Ramajal
35. Para os Meninos da Guerra (Manuel Ribeiro Santos / Daniel Marques Ferreira) – Daniel (in EP "Para os Meninos da Guerra", Discos Estúdio, 1968)
36. Enquanto Houver Soldados (Pedro Bandeira Freire e Paco Bandeira / Paco Bandeira) – Paco Bandeira (in LP "Malhas, Malhões e Outras Canções", Imavox, 1980; 10CD "Passageiro de Canções": CD 6, Profissom, 2000)
37. Avisem as Crianças (João Lóio) – João Lóio (in CD "Canções de Amor e Guerra", João Lóio, 2002)
38. Meninos Angolanos (António Manuel Ribeiro / Jorge Manuel Costa) – UHF (in CD "Rock É! Dançando na Noite", AM.RA Discos/Vidisco, 1998; single " Meninos Angolanos", AM.RA Discos, 2001)
39. Os Olhos das Crianças (poema de Sidónio Muralha) – Pedro Ramajal
40. Os Meninos de Huambo (Manuel Rui Monteiro, adap. Paulo de Carvalho / Ruy Mingas) – Paulo de Carvalho (in LP "Desculpem Qualquer Coisinha...", Philips/Polygram, 1985, reed. Philips/Polygram, 1998; 2CD "Antologia 71/86": CD 2, Universal Music, 2007)
41. Meninos d'Oiro (Raul José Aires Corte Peres Cruz, aka. Raul Indipwo, arr. Eduardo Pain) – Raul Indipwo (in CD "Meninos d'Oiro", Fundação Ouro Negro, 1991)
42. Os Direitos da Criança: partes 1 e 2 (poema de Matilde Rosa Araújo) – Pedro Ramajal
43. Jardim da Mocidade (Carlos Tê / João Gil) – Cabeças no Ar (in CD "Cabeças no Ar", EMI-VC, 2002)


Nota:
A maioria dos poemas deste último capítulo foi extraída da antologia "As Crianças, Todas as Crianças" (Lisboa: Livros Horizonte, 1979), organizada por Matilde Rosa Araújo, cuja capa se apresenta ao fundo.
As capas de muitas das outras edições utilizadas nesta série podem ser vistas no blogue "Música para Crianças dos 0 aos 100".

21 maio 2010

Rádio Amália, rádio minha gente

Por: Óscar Mascarenhas (jornalista, ex-presidente do Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas)



«A posição 92.0 FM há muito que está fixa no rádio do meu automóvel, muito antes de Luís Montez a ter genialmente baptizado de Rádio Amália, a 6 de Outubro de 2009, dez anos após a morte da diva que universalizou o fado.
Chamava-se, creio, Rádio Nova Antena, emitia (e ainda emite) a partir de Odivelas, partilhava umas horas da noite com uma comunidade eslava, e tinha (e tem) um alcance restrito à região de Lisboa.
Fui-me transferindo para aquela rádio devido ao meu cada vez mais bilioso divórcio da Antena 2, sequestrada há uns anos por uns iluminados, possuídos de uma erudição peneirenta e de uma arrogância que lhes tem permitido replicar com revoltante sobranceria aos dois provedores que aquela rádio já teve.
Mudei. Para a Rádio Amália – mesmo antes de assim se chamar. Emociono-me mais com o Fado da Meia-Laranja – "Meio-Inferno de Lisboa, onde a morte anda a viver" – de José Manuel Osório, do que com as elucubrações onanistas de um presunçoso a explicar-me não sei que dores de alma de Aaron Copland pelos "índios apalaches" no seu "Appalachian Spring" que – já agora – o compositor começou por lhe chamar "Ballet for Martha", que não consta que fosse índia – e muito menos apalache!
O que a Rádio Amália me proporciona não é só fado, mas toda a música portuguesa de qualidade, dispensando-me de Rutes Marlenes e das brejeiradas pimbas e pisca-pisca. Mas a Rádio Amália é muito mais do que isso: está a repovoar os bairros, entrelaçá-los, gerir comunidades de vizinhos que se dedicam mutuamente as músicas pedidas, tudo isto num caldo de formidáveis gargalhadas prazenteiras desse distribuidor nato de boa disposição chamado Joaquim Maralhas – com vénia para todos os outros que trabalham naquela rádio.
A alegria que é ouvir um vizinho declamar quase todos os nomes dos inquilinos do seu prédio e da sua rua, ressuscitando o Bairro da Bela Vista e retirando-lhe a condição de soturno dormitório de Lisboa. Ou outro a prestar homenagem ao "presidente da república popular de Moscavide" (Viva ele!). A Rádio Amália está a desempenhar o melhor papel de uma rádio: a tecer comunidades.
Por que me lembrei de vos falar da Rádio Amália? Porque estive até há pouco retido duas semanas na China pela fuligem islandesa e a Rádio Amália me fez companhia pela internet o tempo todo. E como estou a escrever num jornal onde a maioria dos leitores só pode ouvir a Rádio Amália como eu a ouvi na China – pela internet – queria com eles partilhar este segredo: ainda há uma rádio que nos diz que é possível os portugueses se entenderem – e serem amigos.
Bem-haja Rádio Amália, rádio minha gente!» [Óscar Mascarenhas, in "Jornal de Notícias", 10.05.2010]


Muito pertinente e assertivo é este artigo de opinião do jornalista Óscar Mascarenhas. Também eu, que era ouvinte da Antena 2 e, por vezes, da Antena 1, dou comigo a ouvir, cada vez mais amiúde, a Rádio Amália, embora o fado esteja longe de constituir exclusivamente o meu universo de fruição musical. A verdade é que a Rádio Amália, à parte a excessiva carga publicitária e a repetição algo massacrante de determinados anúncios, está a prestar um serviço que é de toda a justiça enaltecer. Estamos em presença de uma estação – e isso ouve-se e sente-se – onde os nossos artistas são respeitados e onde se acarinha a música que é visceralmente nossa, no caso o fado, sempre com uma assinalável fasquia de qualidade na oferta musical, envolta num prazenteiro trabalho de locução. Está, por isso, de parabéns o empresário Luís Montez por ter tido a ousadia e a visão estratégica de arrancar com a Rádio Amália e, bem assim, todos quantos nela trabalham e ela devotam o melhor do seu esforço. Mesmo tratando-se de uma estação privada e, nessa medida, com fins lucrativos, não escondo que ficarei muito satisfeito se a Rádio Amália se tornar a emissora mais ouvida na cidade de Lisboa e região metropolitana. O que teria também a vantagem de evidenciar, com mais ênfase, a degradação em que caiu o chamado serviço público de rádio, designadamente as Antenas 1 e 2, às mãos dos tais "iluminados" onanistas (e de quem lhes tem dado cobertura).
Os males de que padece a Antena 2 são sobejamente conhecidos e eu, em Julho de 2008, tive o ensejo de comunicar a quem de direito um conjunto de medidas a adoptar para os debelar (cf. Antena 0,2: a arte que destoca). E sei que muitos outros ouvintes se pronunciaram no mesmo sentido. Se quem tinha nas suas mãos o poder de as levar a efeito e, ao arrepio do mais elementar bom senso, optou por não o fazer, terá agora de prestar contas aos ouvintes/contribuintes.
Relativamente à Antena 1, e ressalvando os espaços (poucos) da responsabilidade de Armando Carvalhêda, Ana Sofia Carvalhêda e Edgar Canelas, é facilmente constatável que a actual direcção de programas tem em muito pouca conta a música portuguesa mais autêntica e qualificada (ao contrario do que seria expectável e razoável numa estação estatal), privilegiando ao invés os subprodutos pop que as multinacionais (Universal, EMI, Sony/BMG) e a editora do grupo Média Capital (Farol Música) querem vender. Basta atentar na vergonhosa 'playlist' para se perceber o que acabo de afirmar.
Com a Rádio Amália, o fado passou a ter uma antena onde é tratado com a dignidade que merece. Fica a faltar uma estação nos mesmos moldes para a grande música popular portuguesa (tradicional e de autor). Uma rádio onde se pudesse ouvir José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Carlos Paredes, Pedro Caldeira Cabral, Manuel Freire, Fausto Bordalo Dias, Sérgio Godinho, José Mário Branco, Luís Cília, Vitorino, Janita Salomé, Teresa Silva Carvalho, Teresa Paula Brito, Pedro Barroso, Paco Bandeira, Carlos Mendes, João Lóio, Francisco Naia, Afonso Dias, Fernando Marques, Quarteto 1111, Banda do Casaco, Trovante, Charanga, Né Ladeiras, Teresa Salgueiro (no seio dos Madredeus ou com o Lusitânia Ensemble), Amélia Muge, João Afonso, Filipa Pais, Isabel Silvestre, Rão Kyao, Júlio Pereira, José Peixoto, Pedro Jóia, Manuel d'Oliveira, Joel Xavier, Norberto Lobo, Luís Baptis, Ricardo Parreira, Luísa Amaro, Eduardo Ramos, Francisco Raimundo (Reymundo), Brigada Victor Jara, Almanaque, Raízes, Pedra d'Hera, Terra a Terra, Ronda dos Quatro Caminhos, Vai de Roda, Maio Moço, Trigo Limpo, Alafum, Romanças, José Barros & Navegante, Real Companhia, Sebastião Antunes (no seio do grupo Quadrilha ou a solo), Gaiteiros de Lisboa, Frei Fado d'El Rei, Chamaste-m'Ó, Toque de Caixa, Galandum Galundaina, Lenga Lenga, Trasga, Tuna Popular Lousense, Vá-de-Viró, Dar de Vaia, Nem Truz Nem Muz, Arco da Velha, Marenostrum, Encontros da Eira, Xarabanda, Almma, Belaurora, Aníbal Raposo, Teresa Gentil, Helena Oliveira, Realejo, Danças Ocultas, Fol&ar, Lufa Lufa, Mendes Harmónica Trio, Trilhos, Mandrágora, Dazkarieh, Uxu Kalhus, Mu, Monte Lunai, Gnomon, Roncos do Diabo, Roldana Folk, Lúmen, Pé na Terra, Diabo a Sete, Chuchurumel, César Prata, Assobio, João Filipe, Origem, Andarilhos, Banda Futrica, Ginga, A Barca dos Castiços, Stockholm Lisboa Project, Notas & Voltas, Cantos d'Aurora, Modas à Margem do Tempo, Vento Suão, Sons do Vagar, Roda Pé, Contrabando, Musicalbi, Adufeiras de Monsanto, Cantares de Évora, Moçoilas, Segue-me à Capela, Vozes do Imaginário, etc., etc.
Ao contrário do que algumas pessoas poderão supor, a música popular portuguesa é de uma riqueza extraordinária, quer no número de intérpretes, quer na diversidade estilística, quer na discografia. Direi mesmo que, para muita gente, há aqui um mundo insuspeito e por revelar.
Dei-me ao trabalho de fazer uma escuta cruzada de dezenas de rádios locais, com emissão on-line, de norte a sul do país, e vi-me grego para ouvir alguns dos nomes acima citados nos alinhamentos de continuidade. Assiste-se, inclusive, a um preocupante fenómeno de mimetismo dos conteúdos musicais mais corriqueiros que pululam nas rádios de cobertura nacional (além da música ‘pimba’, evidentemente). Ressalvam-se alguns programas de autor, quase todos de periodicidade semanal, e mesmo esses num escasso número de estações (no caso do fado, há muito mais oferta). Em face de situação tão confrangedora relativamente à música de matriz tradicional no éter português, e estando a estação pública como está, o aparecimento de uma rádio temática dedicada àquela área musical, viria colmatar um importante lacuna no nosso panorama radiofónico, tornando-se, à partida, o refúgio de muitas pessoas que gostam de boa música portuguesa e não a encontram nas emissoras ao seu dispor.
Posto isto, atrevo-me a lançar um desafio a Luís Montez: e que tal uma rádio para a música popular portuguesa? Não digo em Lisboa, mas talvez no Porto, pois tem sido desta cidade que têm saído alguns dos mais interessantes projectos de música tradicional/folk.

Nota: Além da frequência 92.0 FM, para a região de Lisboa, a Rádio Amália pode ser ouvida em qualquer ponto do país e do mundo em: http://www.amalia.fm/?page_id=20

17 maio 2010

Antena 1: uma emissora católica e apostólica?



Quando iniciei a colaboração neste sítio prometi a mim mesmo que nem política, nem religião nem futebol (domínios em que a paixão se sobrepõe à razão) seriam aqui abordados.
O modo como a rádio e a televisão públicas se envolveram na recente visita pastoral do papa Bento XVI impelem-me a quebrar esse compromisso e a vir dizer de minha justiça. Quero, em primeiro lugar, deixar claro que não me move qualquer espécie de animosidade contra a Igreja Católica ou contra outra confissão religiosa (cristã ou não cristã). Nesta ordem de ideias, a visita a Portugal de um papa ou de qualquer outro líder religioso não me suscita objecções. Sendo agnóstico e, como tal, não perfilhando qualquer credo, nem por isso deixo de respeitar todas as manifestações religiosas e as pessoas que, de livre vontade, a elas aderem. Reciprocamente, espero que as instituições confessionais e os respectivos fiéis respeitem o meu agnosticismo e a minha liberdade de consciência. O mesmo se aplica ao Estado, constitucionalmente republicano e laico, e aos organismos por ele tutelados que jamais se devem envolver em acções de proselitismo a favor de qualquer confissão. Mas foi exactamente o contrário disto o que fez a Rádio e Televisão de Portugal, com os seus canais de maior audiência – RTP-1 e Antena 1 –, durante a visita de Joseph Ratzinger, visita essa que, como o próprio publicamente afirmou, teve o propósito de reevangelizar a sociedade portuguesa. Na verdade, o que se passou não foi a cobertura noticiosa da visita oficial de um chefe de Estado (no caso, do Estado do Vaticano), o que se podia aceitar em órgãos de comunicação sob tutela estatal, mas uma autêntica e empenhada acção apostólica por parte da empresa pública de rádio e televisão, ao acompanhar, passo por passo, todos os actos de natureza estritamente cultual do chefe da Igreja Católica Romana. Sexta-feira, por volta das 10h:30, ao ligar para a Antena 1, já sabia que ia apanhar quase de certeza com a cobertura do périplo pontifício, mas ao ouvir um jornalista/repórter proferir repetidamente a expressão "santa missa", confesso que me senti violentado na minha liberdade de consciência. Estaria a ouvir uma rádio laica ou uma emissora católica e apostólica? Foi a gota que fez transbordar o copo e me levou a manifestar, com estas linhas, a minha indignação.
Eu não quero ser reenvangelizado (ou melhor dizendo, recatolicizado) e ainda menos por uma estação para a qual desembolso uma contribuição obrigatória! Em tenra idade, a exemplo do que aconteceu (e continua a acontecer) com muitas outras crianças, também me inculcaram os dogmas do catolicismo – Santíssima Trindade, Ressurreição, Ascensão, Imaculada Conceição, etc. – e me quiseram fazer crer que a "mãe de Deus" (pode Deus ter mãe ou pai?) tinha aparecido a três humildes pastorinhos na Cova da Iria. Graças a leituras que fiz, já na idade da razão, e à minha própria reflexão, consegui libertar-me desse fardo. Por isso, dispenso todas as prédicas, imbuídas de sincera ou falsa beatice, com que me querem voltar a pôr o fardo às costas. Não, muito obrigado!
Já sei que os manda-chuvas da Rádio e Televisão de Portugal se vão justificar com um argumento do tipo: «o povo português professa, na sua maioria, a fé católica romana e a empresa não podia ficar alheia ao acontecimento». Pois não só não ficou alheia ao acontecimento, como nele se envolveu de corpo e alma, coisa que, pelas razões que atrás aduzi, jamais se pode aceitar numa entidade pública, que depende de um Estado laico e não confessional. Por outro lado, ao argumentar-se que a maioria dos portugueses é católica não se está a ser rigoroso, porque, na verdade, a população que é efectivamente católica (aferível pela prática dos sacramentos da eucaristia e da confissão) não chega a perfazer um quinto do todo populacional. Dos restantes quatro quintos, uma pequena percentagem professa outras confissões. O grosso não pratica qualquer culto, embora muita gente, tenha recebido uma educação de matriz católica. Aí radica o equívoco: não se é católico por se ter nascido e crescido numa sociedade em que a cultura dominante tem a marca ancestral do catolicismo, mas por uma convicção íntima e bem alicerçada. Muitos portugueses até continuam a casar-se pela igreja e a baptizar os filhos, mas a maior parte – não errarei ao afirmá-lo –, não o faz por convicção religiosa mas por mero hábito cultural e social (porque os pais assim fizeram e porque... parece bem e até dá algum status).
O objectivo da Igreja Católica é arrebanhar para o seu seio todas essas pessoas culturalmente católicas (não praticantes) e nesse âmbito se inserem as viagens apostólicas papais. Será um esforço em vão, ainda que com o apoio obsceno de organismos públicos, porque é remar contra a História. A Europa já foi maioritariamente católica mas nunca mais voltará a sê-lo, mesmo sabendo-se que as depressões económicas incrementam a devoção religiosa. A Europa do futuro será, numa parte (a económica e culturalmente mais favorecida), ateia ou agnóstica, e, noutra parte (a mais humilde), crente, mas não católica – protestante, muçulmana, animista. O grande desafio para a estabilidade social, além da questão económica, será justamente a convivência pacífica dessas duas realidades.

07 maio 2010

É preciso resgatar a memória do "Lugar ao Sul"



«O programa que o provedor do ouvinte dedicou [em 31 de Julho de 2009] a esta suspensão estabeleceu claramente a necessidade de se encontrar uma solução capaz de preservar e facultar acesso ao arquivo do programa. Este é um assunto da maior importância. Os 30 anos de "Lugar ao Sul" são um esforço monumental de recolha de peças soltas da identidade de toda uma região e constituem certamente um dos mais importantes registos da memória de um país que está em processo de extinção acelerada entre suburbanização, eucaliptização e deslumbramento com TGVs e afins. Trata-se de um património inestimável que a rádio pública tem em mãos. Eu gostaria de perguntar ao provedor que medidas foram tomadas desde Agosto para assegurar a sua boa gestão. Ainda que seja inútil, gostaria ainda de juntar a minha voz à voz de todos os ouvintes que expressaram a sua tristeza e estupefacção pelo fim do "Lugar ao Sul". Era uma demonstração semanal de como a partir de poucos meios se pode chegar a um produto de qualidade e belo, desde que haja dedicação e simplicidade. Um exemplo de serviço público que nos faz muita falta.» [Pedro Barbosa, ouvinte de Lisboa]

«Estamos a avaliar o material produzido para decidir sobre a melhor utilização a dar ao espólio deixado por Rafael Correia. Perante a riqueza dos registos, várias soluções se colocam: reeditar o programa, dando-lhe um enquadramento específico, obtendo para isso autorização do autor; disponibilizá-lo na plataforma web, no site da Antena 1, sem mais, o que nos parece pouco; ou inscrevê-lo no arquivo criativo, um projecto em desenvolvimento no interior da empresa. Para qualquer destas soluções, temos esbarrado sempre numa dificuldade que identificámos desde o momento em que Rafael Correia decidiu terminar a produção do programa: encontrar alguém, no interior da empresa, com disponibilidade, interesse e empenho em manter viva a tradição celebrada pelo autor de "Lugar ao Sul".» [Rui Pêgo, director de programas da Antena 1]

«Os atrasos não se compadecem com as boas intenções ou por outras palavras temos uma boa intenção atrasada. Como disse na altura os conteúdos de rádio serão disponibilizados em suporte passível de consulta generalizada pelos ouvintes interessados. Os arquivos da Rádio ainda não estão totalmente digitalizados de forma a poderem integrar a emissão nas novas plataformas, muito embora esteja previsto para 2010 uma acção forte nesta área. Julgo que, com as comemorações dos 75 anos da fundação da Emissora Nacional possam ser anunciadas ao longo do ano diversas iniciativas que contemplem o acesso a conteúdos e a sua edição em suporte digital.» [Jaime Fernandes, responsável da área de Novos Negócios e Projectos da RTP, in "Em Nome do Ouvinte", 30.04.2010]


Antes de mais, há que louvar a iniciativa do jornalista Adelino Gomes, na sua qualidade de Provedor do Ouvinte, ao dar voz ao ouvinte acima citado, não deixando assim cair no esquecimento a importante questão da acessibilidade ao fabuloso espólio sonoro que Rafael Correia constitui ao longo de três décadas.
Agora, a minha apreciação às explicações dadas por Rui Pêgo e Jaime Fernandes para o facto de entretanto nada ter sido feito.
Começando pelas palavras de Rui Pêgo, quem não conhecesse a desconsideração que sempre nutriu pelo programa (pouco depois de ter sido empossado nas funções de director de programas da Antena 1, uma das primeiras medidas que tomou, em Setembro de 2005, foi nada mais nada menos que a amputação de metade do respectivo tempo de emissão), julgaria que as suas intenções são as mais nobres e dignas. Na verdade, o arrazoado de Rui Pêgo cheira a hipocrisia que tresanda: é o argumento típico de alguém que podendo fazer o bom, se desculpa com a impossibilidade de realizar o óptimo, precisamente com o intuito de nada fazer, porque no seu íntimo nunca existiu a mais pequena vontade de algo de positivo fazer em prol do programa.
E o bom seria: em primeiro lugar, a reposição na grelha da Antena 1, idealmente no horário tradicional (sábado, 9 horas), dos registos mais antigos; para começar, sugiro os que foram feitos fora do Algarve e Baixo Alentejo, regiões a que Rafael Correia se confinou nos últimos anos, por exiguidade de meios materiais colocados à sua disposição; em segundo lugar, a colocação de todo o acervo fonográfico do programa numa página on-line, dentro ou fora do site da Rádio e Televisão de Portugal, sequenciado pelas datas de emissão e com as pequenas sinopses tal como constam no arquivo histórico. E há que atentar numa coisa muito importante: tendo mão criminosa destruído boa parte das gravações dos anos 80, importa que as falhas sejam colmatadas, o que só será possível recorrendo ao arquivo pessoal do autor. Quero acreditar que Rafael Correia não deixará de dar a sua colaboração nesse sentido, desde que abordado com tacto e diplomacia.
Relativamente a Jaime Fernandes, e não tendo razões para lhe atribuir eventual desdém pelo património do "Lugar ao Sul", creio que a justificação para o não cumprimento da promessa que fez em 2009 será mais funda do que a simples inércia que é própria de estruturas pesadas como a da RTP. Refiro-me à força de bloqueio que se encontra na administração, chamada António Luís Marinho, que, tal como Rui Pêgo, sempre encarou o programa como um estorvo. É bom não esquecer que foi precisamente António Luís Marinho, enquanto director-geral da Antena 1, que, em Abril de 2004, desferiu um dos mais vis ataques ao "Lugar ao Sul" em toda a sua história, ao retirá-lo das 9h:00 horas de sábado para o chutar para as 7h:00 horas da madrugada, ficando no seu lugar a 'playlist'.

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11 janeiro 2010

A música portuguesa na 1.ª década do séc. XXI

Por: Manuel Halpern (jornalista e crítico musical)



Um mundo de bolso

Fazer um disco do outro mundo é cada vez mais difícil. Não por já tudo estar inventado (sempre esteve e sempre estará), mas porque o mundo dos Outros está mais parecido com o nosso. Fruto da globalização, os mundos diluem-se, para o bem ou para o mal. Nos anos 60, George Harrison descobriu o caminho musical para a Índia. Nos 90, Talvin Singh, entre outros, encontraram a rota de regresso. As viagens têm sido feitas amiúde. E as paisagens tornaram-se menos misteriosas. Nunca foi tão fácil saber o que se passa na Papuásia Ocidental. E os papuas saberem o que se passa connosco.
O circuito de músicas do mundo intensificou-se na última década. O domínio anglófono/americano do mundo da música coexiste com um crescente interesse pelas diferentes culturas. É o que leva, por exemplo, Mariza e Ana Moura a cantar no Carnegie Hall, de Nova Iorque. São duas vias concorrentes. O lado bom da globalização, que inverte a ideia catastrofista de que a rede global está apenas a criar um mundo homogéneo, cinzento, insípido. Existe a valorização das diferenças, o culto das minorias, nichos que se unem e se impõem por motivos aparentemente estapafúrdios como os hábitos alimentares (movimento vegon).
Se Mariza faz a circum-navegação em concertos, é porque foram criados espaços e hábitos culturais que fazem com que seja aceitável e até desejável que uma cantora interprete uma música diferente numa língua estranha. Franceses e japoneses terão sido pioneiros nesta busca do Outro, e continuam a fazer um investimento nesse domínio. A França mais na edição de vozes de outras latitudes, incluindo fado, música cabo-verdiana e brasileira. O Japão numa assimilação ou apropriação das músicas dos outros, com artistas locais a interpretarem outras músicas, incluindo o fado, bossa nova e chanson française.
O fado expandiu-se de forma espectacular. Foi nos anos 00 (chamemos-lhe assim em homenagem à linguagem binária) que surgiram nomes tão relevantes como Mariza, Ana Moura, Katia Guerreiro, Raquel Tavares ou Carminho. E outros se afirmaram, embora já tivessem gravado discos na década anterior, como Joana Amendoeira, Cristina Branco ou Ana Sofia Varela. Repare-se que, internacionalmente, o fado é coisa de mulheres, salvo algumas excepções, nomes que, timidamente, têm conseguido chamar alguma atenção, como Camané, Pedro Moutinho, Hélder Moutinho, Ricardo Ribeiro ou António Zambujo. Esse facto poderá estar ligado ao quadro imagético criado pela grande referência nacional e internacional, Amália Rodrigues.
Mariza que, quer se goste quer não, é a grande figura da música portuguesa desta década, encarna por si só o espírito miscigenado dos tempos que correm. Não é de todo uma fadista convencional. O que mostra que o fado, mesmo internacional e comercialmente, entrou numa nova etapa. Vale além do castiço. E se em alguns circuitos o fado vale (vende) enquanto tal, sem precisar de mais apresentações, não há dúvida que no caso da cantora conta, acima de tudo, e como mais valia, o seu nome: Mariza. A imagem criada ultrapassa a ideia de fado e por isso é paradigmática.
A própria Mariza é um símbolo quase perfeito de uma década de fusões. Uma afro-europeia que canta o fado, reclamando-se da tradição ao mesmo tempo que a deturpa. E uma cantora de fados mulata, o que, por si só, promete juntar o melhor de dois mundos. A sua postura é algo excêntrica e exótica, mas não de um exotismo provinciano. O fado, na sua voz, tornou-se um espectáculo, uma estratégia de internacionalização da saudade. E a música propriamente dita bebe em várias fontes, avançando e recuando, mas indo sempre além (ou aquém) do fado tradicional. Mariza é, pois, uma cidadã do mundo, por mais que diga que gosta de pendurar a roupa no hotel como se estivesse na Mouraria. Formalmente, o fado manteve-se como a mais popular música de raiz portuguesa, nacional e internacionalmente, com toda uma geração que se assumiu como herdeira de Amália Rodrigues, que morreu pouco antes da nova década começar. E sobreviveu bem. Pouco arriscadas foram as modificações formais. A esse nível, a mais importante reinvenção do fado foi feita pel’A Naifa, grupo de João Aguardela, cuja morte marca negativamente o final dos anos 00.
O fado tornou-se mais internacional, não só porque as fadistas galgaram o mundo a cantá-lo, mas também porque os outros povos se interessaram pela música e fizeram uma coisa sua. Os ‘fadistas’ estrangeiros já não se contam pelos dedos, vão desde a Sérvia ao Japão. Mas há alguns casos mais curiosos, como a basca Maria Berasarte que gravou um disco de fados muito à sua maneira, a catalã Névoa que inventou o fado num novo estilo ou o italiano Marco Poeta que abriu uma casa de fados em Itália.
Do outro lado do espelho está a importação de novos estilos, que fogem da lógica pop-rock. Os Balcãs estiveram na moda, em parte graças aos filmes de Kusturika, assim como a música cigana em geral. E houve ainda um conceito mais global de intercultura, veiculado nos discos de Manu Chao, com frutos visíveis um pouco por todo o mundo, mas também em Portugal, com bandas como Dazkarieh, Terrakota ou Kumpania Algazarra.
Simultaneamente, houve uma crise sem precedentes na indústria fonográfica. Nunca se venderam tão poucos discos. Mas, paradoxalmente, os discos nunca foram tão ouvidos. Os programas peer-to-peer baixaram a pique os lucros das editoras, que haviam tido uma postura especulativa desde o aparecimento do CD. Curiosamente, a mesma tecnologia que prejudicou a indústria tornou mais fácil gravar um disco ou uma canção. Ou mesmo divulgar as canções e mostrá-las ao público. Já não é imprescindível a gravação num estúdio musical e o myspace mostrou-se um espaço privilegiado de divulgação musical. Não nos esqueçamos que foi nesse site que se revelaram bandas tão importantes como os Arctic Monkeys ou os Arcade Fire. Ao mesmo tempo que se atingiu um pique de sofisticação na produção, em que as masterizações e remasterizações, a batota feita em estúdio, atingiu um nível de apuramento irreal, há uma contracorrente, low-fi, que se impõe pela simplicidade do método.
Em Portugal, caso flagrante é o ‘movimento’ ligado às editoras Flor Caveira e Amor Fúria, curiosamente, ambas cristãs, a primeira baptista, a segunda católica. Notabilizaram-se nomes como B Fachada, Pontos Negros, João Coração, Samuel Úria ou Tiago Guilul. O seu som caracteriza-se por uma genuinidade de ideias, e uma afirmação da portugalidade da sua música, o que funciona numa contracorrente em relação à americanização do mundo.
A partir da segunda metade da década, a crise fonográfica tomou proporções alarmantes, e nem sequer a aprovação de uma nova lei da rádio, protectora da música portuguesa, afastou a malapata. Entre fusões e falências houve uma mudança brusca no panorama português. O facto mais assinalável foi a cisão da EMI-Valentim de Carvalho, e a saída do próprio David Ferreira (sobrinho de Rui Valentim de Carvalho), da multinacional. Tal como outras grandes editoras, passou a ter uma lógica mais ibérica. Quanto ao precioso espólio da Valentim de Carvalho, passou a ser tratado pela iPlay, nova editora sucessora da Som Livre.
Apesar desta crise acentuada, pequenas editoras, de espírito guerrilheiro, tiveram um papel significativo. Além das já faladas Flor Caveira e Amor Fúria, note-se o esforço da Footmovin/SóHipHop de Bomber Jack, que conseguiu que o hip hop fosse dos géneros mais editados em Portugal (em quantidade de títulos) nos últimos 10 anos. E, por falar em hip hop, um nome ficou, acima dos outros: Sam the Kid. Deslumbrou nas suas duas vertentes, a rimar e a samplar, conferindo um traço de portugalidade (com samplers de fado, por exemplo) ao seu trabalho.
A globalização tornou apetecíveis os mercados internacionais. E é significativo que um grupo tão português como os Deolinda tenha conseguido romper fronteiras e entrar nas listas dos melhores do ano do "Sunday Times". Mas, regra geral, a tentação de internacionalização fez-se através da busca de linguagens universais, cantadas em inglês. A tentativa não é nova. O sucesso é que talvez seja. Foi o que aconteceu com os Gift (o primeiro álbum ainda é dos anos 90), David Fonseca (ex-Silence 4) e, numa perspectiva mais alternativa, Legendary Tigerman ou Wray Gunn. Ainda a outro nível, todo o destaque para Rodrigo Leão, que gravou discos com grandes nomes, como Beth Gibbons ou Neil Hannon.
Com a massificação dos downloads, legais ou ilegais, os concertos ganharam preponderância e transformaram-se definitivamente na mais importante fonte de receita dos artistas. Em Portugal deu-se uma autêntica explosão de festivais de Verão, nem sempre com a qualidade desejada, com destaque para o Rock in Rio, um dos maiores do mundo, e o Optimus Alive. Mas uma das melhores surpresas, a nível de concertos de portugueses, ficou para o final da década e vem de uma geração que já deu todas as provas: falamos de "Três Cantos", que uniu Sérgio Godinho, José Mário Branco e Fausto.
Um barómetro para se saber com que linhas se cose uma década musicalmente é perceber o que anda a fazer Brian Eno. E "Everything that happens will happen Today", o último disco do fundador dos Roxy Music, muito revela. Um álbum feito com David Byrne através da internet e que apenas conheceu edição digital. Dos anos 00 para a frente quem não está on-line... fica de fora.

[in "JL - Jornal de Letras, Artes e Ideias", 30.12.2009]


Estou genericamente de acordo com este artigo de Manuel Halpern, em jeito de balanço da música portuguesa (não erudita) da primeira década do séc. XXI (que na verdade só termina no final de 2010). Gostaria, contudo, que tivesse sido prestada mais atenção à música tradicional/folk que, tal como o fado, teve um grande florescimento na década inaugural do presente século. A década de 90 terá sido a década de maior apagamento, embora nela tenham surgido grupos/intérpretes tão importantes como Navegante, Gaiteiros de Lisboa, Frei Fado d’El Rei, Realejo, Danças Ocultas, Quadrilha, Amélia Muge e Filipa Pais, depois do período áureo que se registou no pós-25 de Abril de 1974 até finais da década de 80, com nomes como Almanaque, Brigada Victor Jara, Vitorino, Teresa Silva Carvalho, Janita Salomé, Júlio Pereira, Terra a Terra, Raízes, Vai de Roda, Pedra d’Hera, Charanga, Rosa dos Ventos, Disto & Daquilo, Trigo Limpo, Ronda dos Quatro Caminhos, Maio Moço... sem esquecer o grupo Trovante pelo importante contributo que deu ao movimento sobretudo com o álbum "Baile no Bosque" (1981). De facto, foi já no século XXI que a música de raiz tradicional ganhou um novo impulso, com o aparecimento e/ou afirmação de um acrescido lote de grupos e músicos de assinalável qualidade, uns mais ligados à tradição portuguesa, outros mais cosmopolitas, por assim dizer. Refiro alguns: Galandum Galundaina, Roda Pé, Dazkarieh (que por acaso até foi citado no texto mas muito de fugida), Roldana Folk, Mandrágora, Mu (estes dois já distinguidos com o Prémio Carlos Paredes), Ginga, Banda Futrica, Segue-me à Capela, Moçoilas, Manuel d’Oliveira, Lúmen, Chuchurumel, Diabo a Sete, Pé na Terra, Fol&ar, Gnomon, Monte Lunai, A Barca dos Castiços, Roncos do Diabo, Ventos da Líria, Assobio, etc. (estes e muitos outros podem ser vistos e ouvidos em http://myspace.com/lugaraosul). Para a pujança e fulgor do movimento, além de importantes festivais e certames musicais (de que o FMM de Sines talvez seja o mais mediático), é de primordial importância o papel desempenhado por editoras independentes (Açor/Emiliano Toste, Vachier & Associados, Ocarina e Hepta Trad, por exemplo) sem as quais excelentes discos não teriam vindo a lume. Digna de menção é igualmente a dedicação de alguns realizadores de rádio, designadamente Luís Rei ("Terra Pura"), João Sá ("Folklândia"), Carlos Norton ("Sopa da Pedra"), Jorge Costa ("Multipistas") e Octávio Fonseca ("Os Cantos da Casa"), que em rádios locais e na internet (com o 'podcast') vêm prestando um serviço de divulgação que é de toda a justiça enaltecer. O que não pode deixar de se lamentar é a atitude de marginalização e menorização das rádios nacionais (incluindo a pública Antena 1) face a este interessantíssimo fenómeno da nossa vida musical, instrumentalizadas que estão pelas 'majors', as quais, como é sabido, enjeitaram por completo a música tradicional/folk e apenas se empenham em promover um género que está completamento gasto e estafado – a pop. Talvez não seja um acaso que o florescimento das músicas de raiz (fado e música tradicional) coincida precisamente com a decadência do género de feição menos identitária. Algo está a mudar na música portuguesa e ainda bem que assim é.

22 dezembro 2009

Música portuguesa de Natal


Josefa d'Óbidos, "Natividade", c.1650-60, óleo sobre cobre, 21x16 cm, Colecção particular, Porto, Portugal


Cristo nasceu a 25 de Dezembro? É muito provável que não e há mesmo biblistas e estudiosos que situam a Natividade na Primavera. Certo, certo é que no ano 336, em pleno reinado do imperador Constantino, a Igreja Romana já celebrava o nascimento de Cristo no dia 25 de Dezembro, data até então dedicada ao culto de Sol Invictus e do deus Mitra, precisamente com o propósito de elidir os cultos pagãos e facilitar a implantação do cristianismo. E assim ficou até aos dias de hoje, sedimentado pela tradição. Acreditando-se ou não na natureza divina da figura histórica de Yoshua (Jesus) Cristo, o Natal está estabelecido, na civilização ocidental, como a Festa da Família! E como não há festa sem música, importa celebrar o Natal com a que lhe é própria. Neste caso, com a música portuguesa que as nossas gentes criaram ao longo dos séculos, aqui visitada e reinventada por grupos e intérpretes da actualidade (muitos dos quais completamente silenciados no éter nacional). E porque o espírito natalício convida todos os homens de boa vontade (cristãos ou não) a olharem para além do seu umbigo, num alcance fraternal e solidário, incluem-se também alguns poemas recitados e canções de cariz mais reflexivo e interpelativo. Ficam os votos de que esta edição especial de Natal seja uma experiência gratificante e proveitosa para os ouvintes habituais d' "Os Cantos da Casa" e igualmente para aqueles que agora os descobriram.
Esta edição é dedicada a Rafael Correia, emérito autor da rádio, que durante três décadas realizou e apresentou na RDP o programa "Lugar ao Sul".
"Os Cantos da Casa": um programa de Octávio Fonseca e Pedro Ramajal para a Esquerda Ponto Rádio.

O documento com as letras e os poemas, especialmente preparado para os Amigos do LUGAR AO SUL, será facultado a todas as demais pessoas que o solicitarem (contacto: ajferreira74@gmail.com).
Apresentam-se abaixo os alinhamentos, com os temas devidamente referenciados, da presente edição e também da relativa ao Natal de 2007.
E que viva a boa música portuguesa!


"Os Cantos da Casa" n.º 73 - Natal de 2009:



Download >> MP3 [clicar]

1. Natal (A Vinda de Jesus) (poema de José Régio) – João Villaret (in "Ontem e Hoje", Ovação, 1989)
2. O Galo Cantou – Vozes ao Luar (in "Toadas ao Menino", Açor/Emiliano Toste, 2000)
3. São José Estava Triste (Canção de Natal) – Maio Moço (in "Canto Maior", Tradisom, 2002)
4. Natividade (Arde no coração da noite...) (poema) – Miguel Torga (in "Natal: Um Conto e Vinte e Um Poemas", EMI-VC, 1986, reed. 2000)
5. Ser Pessoa (Fuga) – Amélia Muge (in "Todos os Dias", Columbia/Sony Music, 1994)
6. Rei dos Reis – Vozes ao Luar (in "Toadas ao Menino", Açor/Emiliano Toste, 2000)
7. Cantem, Cantem os Anjos – Coro D. Pedro de Cristo, dir. Francisco Faria (in "Nosso Natal", Coro D. Pedro de Cristo, 1999)
8. Não Há Noite Mais Alegre – Moçoilas (in "Já Cá Vai Roubado", Casa da Cultura de Loulé, 2001)
9. Cantiga de Natal – Navegante (in "Cantigas Tradicionais Portuguesas de Natal e Janeiras", José Barros/MediaFactory, 2009)
10. Da Serra Veio Um Pastor – Xarabanda (in "Cantigas ao Menino Jesus: Natal Tradicional Madeirense", Associação Musical e Cultural Xarabanda, 2008)
11. Chula Pastoril (instrumental) – Maio Moço (in "Canto Maior", Tradisom, 2002)
12. Entrai, Pastores, Entrai – Sons do Vagar (in "Sons do Vagar", Associ'Arte, 2007)
13. Beijai o Menino – Navegante (in "Meu Bem, Meu Mal", Tradisom/Iplay, 2008)
14. Natal d'Elvas – Maria Ana Bobone (in "Nome de Mar", Vachier & Associados/Farol Música, 2006)
15. Natal (Leio o teu nome...) (poema) – Miguel Torga (in "Natal: Um Conto e Vinte e Um Poemas", EMI-VC, 1986, reed. 2000)
16. Não Tendes Cama, Bom Jesus, Não – Segréis de Lisboa, dir. Manuel Morais (in "La Portingaloise: Música do Tempo dos Descobrimentos", Movieplay Classics, 1994)
17. José Embala o Menino – Filipa Pais (in "À Porta do Mundo", Vachier & Associados, 2003)
18. O Meu Menino É d'Oiro – Navegante (in "Cantigas Tradicionais Portuguesas de Natal e Janeiras", José Barros/MediaFactory, 2009)
19. Ó Meu Menino Jesus – Roda Pé (in "Escarpados Caminhos", Public-art, 2004)
20. O Menino Está na Neve – Gaiteiros de Lisboa (in "Invasões Bárbaras", Farol Música, 1995)
21. O Padrinho – Diabo a Sete (in "Parainfernália", Açor/Emiliano Toste, 2007)
22. Natal (Fiel das horas mortas...) (poema) – Miguel Torga (in "Natal: Um Conto e Vinte e Um Poemas", EMI-VC, 1986, reed. 2000)
23. Uma Estrela Se Foi Pôr (Canção ao Menino) – Ronda dos Quatro Caminhos (in "Terra de Abrigo", Ocarina, 2003)
24. Natal dos Simples – Amália Rodrigues (in Single "Natal dos Simples/Balada do Sino", Columbia/VC, 1970; "Amália 50 Anos" - CD "Os Compositores", EMI-VC, 1989; "O Melhor de Amália", vol. 3, EMI-VC, 2003)
25. Vimos Dar as Boas-Festas – Maio Moço (in "Canto Maior", Tradisom, 2002)
26. Deus nos Dê Cá as Boas-Festas – Tereza Salgueiro com Lusitânia Ensemble (in "Matriz", Farol Música, 2009)
27. Natal (Solstício de Inverno...) (poema) – Miguel Torga (in "Natal: Um Conto e Vinte e Um Poemas", EMI-VC, 1986, reed. 2000)
28. Anos Bons – Belaurora (in "Achados do Tempo", Açor/Emiliano Toste, 2003)
29. Janeiras – Vá-de-Viró (in "Escale au Portugal", Playasound, 1995)
30. Canção de Janeiro – Ronda dos Quatro Caminhos (in "Alçude", Ovação, 2001)
31. Reis – Janita Salomé & Cantadores de Redondo (in "Vozes do Sul: uma celebração do cante alentejano", Capella/AudioPro, 2000)
32. Cantiga dos Reis (instrumental) – Encontros da Eira (in "Instrumentais d'Outrora", Associação Cultural Encontros da Eira, 2002)
33. Balada da Neve (poema de Augusto Gil) – João Villaret (in "João Villaret", col. O Melhor dos Melhores", vol. 9, Movieplay, 1994)
34. A Todos o Que é de Todos – Mickael Salgado (in "Fado Amigo", Espacial, 2009)
35. Quando Um Homem Quiser – Paulo de Carvalho (in "MPCC", Orfeu, 1976; "Paulo de Carvalho", col. O Melhor dos Melhores", vol. 19, Movieplay, 1994; "Vida", Farol Música, 2006)
36. Homem Só, Meu Irmão – Luiz Goes (in "Canções do Mar e da Vida", Columbia/VC, 1969, reed. EMI-VC, 1995; "Canções Para Quem Vier: Integral 1952-2002", EMI-VC, 2002)
37. Vou Levar-te Comigo – Duo Ouro Negro (in "Lindeza", Orfeu, 1979; "Duo Ouro Negro", col. O Melhor dos Melhores", vol. 37, Movieplay, 1994; "Kurikutela!: 40 Anos, 40 Êxitos", EMI-VC, 1998; "Duo Ouro Negro", Edições Valentim de Carvalho/Som Livre, 2008)
38. Voto de Natal (poema) – David Mourão-Ferreira (in "Um Monumento de Palavras", EMI-VC, 1995)
39. Dois Garotos – João Braza (in "Fado Que Sonhei", Ovação, 1994; "Fado Capital 2", Ovação, 1996)
40. A Todos Um Bom Natal – Coro Infantil de Santo Amaro de Oeiras (in "A Todos Um Bom Natal", Rádio Triunfo, 1981, reed. Movieplay, 1991, 1999)


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"Os Cantos da Casa" n.º 02 - Natal de 2007:



Download >> MP3 [clicar]

1. Oh Bento Airoso – Brigada Victor Jara (in "Monte Formoso", MBP, 1989, reed. Farol Música, 1996)
2. Nasceu, Já Nasceu – Fernando Lopes-Graça; Choral Phidelius, dir. José Robert (in "Segunda Cantata do Natal", EMI, A Voz do Dono/EMI, 1979)
3. Benditas as dores de Maria (texto de Octávio Fonseca) – Pedro Ramajal
4. Quando o Menino Nasceu – Ronda dos Quatro Caminhos (in "Ronda dos Quatro Caminhos", Rádio Triunfo, 1984, reed. Movieplay, 1997)
5. Natal dos Simples (instrumental) – Naná Sousa Dias (in "Ousadias", Polydor/Polygram, 1986)
6. Magnum Mysterium – D. Pedro de Cristo; Madrigalistas de Lisboa, dir. Fernando Eldoro (in "Obras Vocais Religiosas", EMI-VC, 1983)
7. A invenção dos deuses (texto de Octávio Fonseca) – Pedro Ramajal
8. Menino Jesus – Brigada Victor Jara (in "Quem Sai aos Seus", Vadeca, 1981, reed. Edições Valentim de Carvalho/Iplay, 2008)
9. Beijai o Menino – Né Ladeiras (in "Traz os Montes", AlmaLusa/EMI-VC, 1994)
10. Menino Jesus – Almanaque (in "Desfiando Cantigas", EMI-VC, 1984)
11. Presépio (poema de Sebastião da Gama) – Pedro Ramajal
12. José Embala o Menino – Carlos Mendes (in "Chão de Vento", Edisom, 1984)
13. Cantiga de Natal – O Semeador - Grupo de Cantares de Portalegre (in "Tempos Vários", O Semeador - Grupo de Cantares de Portalegre, 1994)
14. Natal dos Simples (instrumental) – Alcino Frazão (in "Guitarra Portuguesa", Movieplay, 1989, reed. 1991)
15. Natal (Nem pareces o mesmo...) (poema de Miguel Torga) – Pedro Ramajal
16. Oração de Santo António – Coro da Academia de Amadores de Música, dir. Fernando Lopes-Graça (in "Canções Regionais", Valentim de Carvalho, 1974; "Canções Heróicas e Canções Regionais Portuguesas", EMI Classics, 1995)
17. O Natal do Moleiro – Alfredo Marceneiro (in "Há Festa na Mouraria", Valentim de Carvalho, 1964, reed. Edições Valentim de Carvalho/Som Livre, 2007; "Saudade", Valentim de Carvalho, 1982)
18. Rondó, da Sonata n.º 3 – João Domingos Bomtempo; Nella Maissa (in "Obras para Piano, vol. 5", A Voz do Dono/EMI, 1982)
19. Dia de Natal (poema de António Gedeão) – Pedro Ramajal
20. Os Pais Natal – Sérgio Godinho & Os Amigos do Gaspar (in "Sérgio Godinho Canta com Os Amigos do Gaspar", Polygram, 1988, reed. Universal, 2003)
21. Natal dos Simples – José Afonso (in "Cantares do Andarilho", Orfeu, 1968; reed. Movieplay, 1987, 1996)
22. Reis do Oriente – Ronda dos Quatro Caminhos (in "Cantigas do Sete-Estrelo", Rádio Triunfo, 1985, reed. Movieplay, 1997)