20 março 2006

"Café Plaza": viagem às músicas do passado

Realizado e apresentado pelo jornalista Germano Campos, Café Plaza é um espaço que dedicado às músicas do passado, ou melhor, às músicas de sempre mas com a particularidade de terem sido criadas antes dos anos 70. No programa podemos ouvir as canções e os temas instrumentais que fizeram as delícias de quem viveu no período áureo da rádio e do cinema, remontando à época dos discos de 78 rotações que se punham a rodar em grafonolas roufenhas movidas à manivela. Esse tempo passou mas as músicas ficaram, e graças aos avanços da tecnologia as gravações remasterizadas podem hoje ser ouvidas com uma qualidade surpreendente. Os discófilos e os amantes da música sabem que o melhor aferidor da qualidade de uma peça musical é ela resistir à passagem do tempo. E é justamente os temas que apesar de tantos anos volvidos ainda continuam a fascinar não só aqueles que as ouviram na primavera da vida mas também muita gente das gerações posteriores, que Germano Campos recupera no seu programa. É bem verdade que a boa música não tem idade, é como os diamantes que não sofrem a erosão do tempo. Da minha experiência enquanto ouvinte assíduo do “Café Plaza” tenho-o constatado e posso até testemunhar que peças que foram êxitos nos anos 70 são hoje inaudíveis, coisa que não acontece com boa parte das criações dos anos 40 e 50. Alguns poderão dizer que isso resulta da evolução do gosto ao longo das épocas. Não negando existir uma ponta de verdade nesse argumento creio que há algo de mais profundo e essencial que confere carácter intemporal a uma determinada peça musical. Tal como Bach que não duvido irá perdurar até ao fim da Humanidade, também estou em crer que alguma da música popular que se fez no século XX vai continuar a ser apreciada durante muitas décadas e constituir uma referência para muitos vindouros. Nomes como Bing Crosby, Frank Sinatra, Dean Martin, Barry James, Benny Goodman, Glenn Miller, Nat King Cole, Louis Armstrong, Ella Fitzgerald e Doris Day têm acesso privilegiado ao “Café Plaza” mas as portas não estão fechadas à música latina, designadamente a francesa, a hispano-americana e a brasileira. Aliás, as efemérides de figuras importantes da música, do cinema e do teatro, são sempre devidamente assinaladas por Germano Campos com resenhas biográficas dos homenageados e, como não podia deixar de ser, com a transmissão das respectivas interpretações mais emblemáticas.
A quem se queixa – e com razão – da pobreza da programação musical na rádio portuguesa, o “Café PLaza” é um programa vivamente recomendado: aos mais velhos pela oportunidade de reviverem as músicas da sua juventude e aos mais novos pela possibilidade de descobrirem artistas e músicas que a rádio deixou de passar. No meu caso, devo confessar que Germano Campos me tem proporcionado conhecer a obra de cantores e músicos que conhecia só de nome ou de que nunca ouvira falar. Foi o caso de Nelson Riddle, autor de uma orquestração de “Lisboa Antiga”, tema que esteve no top norte-americano durante várias semanas consecutivas há precisamente 50 anos, em Março de 1956. Quantas pessoas em Portugal sabem que um fado, embora em versão instrumental, foi um êxito comercial nas terras do Tio Sam? Este é um exemplo que podia servir de lição a muitos provincianos da nossa praça que aceitam acriticamente tudo o que vem de fora e ostracizam a nossa música mais autêntica.
Embora não se trate de um programa de discos pedidos, Germano Campos tomou a louvável iniciativa de pedir aos seus ouvintes que apresentem sugestões de peças e ou artistas que gostariam de ouvir. É uma ideia que se aplaude, porque sem desvirtuar o conceito do programa essa interactividade ajuda a criar uma salutar cumplicidade entre o autor e o auditório e tem o efeito benéfico de fidelizar os ouvintes. Eu tenho o prazer de ser um deles.

Nota: O “Café Plaza” situa-se na Antena 2 e está aberto aos domingos das 7 às 10 horas da manhã. Os amantes de música brasileira estejam atentos porque está prometido para breve um espaço alargado dedicado à bossa nova. A não perder!

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