31 maio 2013

Em memória de Georges Moustaki (1934-2013)



«Vinha do tempo em que os animais falavam, se quisermos perceber a doçura que há nesta expressão e na ideia quando olhamos a música popular. Significa que era um dos pilares, um dos últimos guardiões de uma época em que as palavras em francês ainda tinham – passe a redundância – uma palavra a dizer na definição das regras da canção antes da hegemonia esmagadora do império anglo-americano. Mais: o homem era um dos exemplos da disponibilidade gaulesa para aceitar gente de fora entre os seus maiores. Basta lembrar que Henri Salvador veio da Guiana, Jacques Brel e Adamo eram belgas, Serge Reggiani e Yves Montand nasceram em Itália, Charles Aznavour pertence a uma família da Arménia, Dalida nasceu no Egipto. Tal e qual como o homem que aqui nos traz, filho de gregos judeus [de língua italiana], mais um dos talentos descobertos por Edith Piaf, admirador incondicional de Georges Brassens ao ponto de lhe ter pedido emprestado para sempre o nome próprio, a que juntou depois uma adaptação do apelido. Símbolo do Maio de 68, vagabundo incorrigível das canções: é de Georges Moustaki [de seu verdadeiro nome Giuseppe Mustacchi] que aqui se fala, ao mesmo tempo que nos lembramos de "Le Métèque" ou de "Ma Liberté", de "Milord" ou de "Il Faudra Mourir un Jour". E voltamos a concluir que este parceiro de barba e cabelos soltos, tantas vezes fotografado com a viola que o seguia para toda a parte, personificou o lado bom da globalização ao assumir sem preconceitos, e com todas as vantagens para quem o ouvia, a sua miscigenação cultural. Gravou em, pelo menos, meia-dúzia de idiomas – francês, italiano, castelhano, português, grego e árabe – e teve oportunidade de completar os cinquenta anos de carreira, até que uma insuficiência respiratória ditou o irreversível e amargo adeus aos palcos e aos estúdios. Antes de oferecer "Milord", um clássico, a Edith Piaf [1958], já tinha mergulhado nas causas e nas boémias parisienses, tendo chegado à cidade em 1951. Tinha dezassete anos. Acabaria por ser cantado por muitos dos grandes: de Salvador a Herbert Pagani, sem esquecer Barbara, Montand, Reggiani, Françoise Hardy ou a eterna Juliette Gréco, a mesma que sobre a sua morte deixou justas sentenças: "Georges possuía uma doçura infinita e imenso talento. Era, como todos os poetas, alguém diferente, porque acaba sempre por ser essa diferença que conduz ao talento". Colaborou com alguns dos seus músicos de eleição, de Astor Piazzolla a António Carlos Jobim. Deixa cerca de trezentas canções como bandeiras de um património em que a simplicidade sempre andou de braço dado com a convicção, tendo igualmente assinado adaptações memoráveis como, por exemplo, a do "Fado Tropical", de Chico Buarque, a que chamou simplesmente "Portugal". Usou-a para festejar a Revolução Portuguesa. Despediu-se de nós na última digressão em 2008, quando lançou o espantoso disco "Vagabond". Com ele, morto aos 79 anos, desaparece provavelmente o último de um grupo, mais do que de uma geração, de geniais autores, daqueles que usamos como faróis de nevoeiro nos dias cinzentos como os de agora. Dele disse Leo Ferré: "Georges sussurra onde eu grito, mas é a mesma coisa". Ferré sabia o que dizia: depois de "Avec le Temps" não há canção maior sobre a erosão e o desgaste do amor do que "La femme qui est dans mon lit / N'a plus vingt ans depuis longtemps" [canção "Sarah"]. É de Georges Moustaki, um daqueles que parte mas fica para sempre.» (João Gobern, na crónica "Parceiro de palavra", da rubrica "Pano para Mangas", 24-Mai-2013).

Logo que João Gobern terminou a leitura desta crónica, que subscrevo e aplaudo, o locutor António Macedo teve a louvável atitude de passar, extra-'playlist', o grande cartão-de-visita de Georges Moustaki, "Le Métèque". Não obstante, a rádio pública (mormente com as Antenas 1 e 3) devia fazer muito mais em tributo ao grande (enorme) cantautor, ademais tendo ele também gravado canções em língua portuguesa. Sem prejuízo da realização de um programa especial, bem poderia ser transmitido, a cada hora do dia em que a triste notícia foi veiculada, um dos mais belos espécimes do repertório de Georges Moustaki. Alguns exemplos: "Le Métèque" (o original e a versão em português), "Natalia" (instrumental), "Ma Solitude", "Lettre à Marianne" (instrumental), "Il Est Trop Tard", "Rue des Fosses Saint-Jacques"  (instrumental), "Ma Liberté", "Margot" (instrumental), "Marche de Sacco et Vanzetti" (versão do tema "Here's to You", criado por Joan Baez), "Kim" (instrumental) e "Portugal" (versão do "Fado Tropical", de Chico Buarque).
De todos eles se faculta a audição nesta página. É serviço público que o blogue "A Nossa Rádio" se orgulha de prestar aos seus leitores, designadamente aos ouvintes das Antenas 1 e 3 que gostariam de revisitar ou de descobrir um dos vultos maiores da canção francesa – e do mundo.
Tivesse dado um fanico a Lady Gaga (ou a qualquer outra nulidade artística fabricada pela MTV), que a levasse desta para melhor, e é certo que a "perda" seria objecto de amplo destaque nas Antenas 1 e 3 (e até nos noticiários da Antena 2). Com esta aberrante e empobrecedora inversão de valores é que eu jamais poderei contemporizar no serviço público de rádio, pelo menos enquanto for obrigado a desembolsar, anualmente, a quantia (não tão irrisória assim) de 28,62 euros.





Le Métèque



Letra e música: Georges Moustaki
Intérprete: Georges Moustaki* (in LP "Georges Moustaki", Polydor, 1969, reed. Polydor, 1998)





Avec ma gueule de métèque
De juif errant, de pâtre grec
Et mes cheveux aux quatre vents
Avec mes yeux tout délavés
Qui me donnent l'air de rêver
Moi qui ne rêve plus souvent


Avec mes mains de maraudeur
De musicien et de rôdeur
Qui ont pillé tant de jardins
Avec ma bouche qui a bu
Qui a embrassé et mordu
Sans jamais assouvir sa faim


Avec ma gueule de métèque
De juif errant, de pâtre grec
De voleur et de vagabond
Avec ma peau qui s'est frottée
Au soleil de tous les étés
Et tout ce qui portait jupon


Avec mon cœur qui a su faire
Souffrir autant qu'il a souffert
Sans pour cela faire d'histoires
Avec mon âme qui n'a plus
La moindre chance de salut
Pour éviter le purgatoire


Avec ma gueule de métèque
De juif errant, de pâtre grec
Et mes cheveux aux quatre vents
Je viendrai, ma douce captive
Mon âme sœur, ma source vive
Je viendrai boire tes vingt ans


Et je serai prince de sang
Rêveur ou bien adolescent
Comme il te plaira de choisir
Et nous ferons de chaque jour
Toute une éternité d'amour
Que nous vivrons à en mourir


Et nous ferons de chaque jour
Toute une éternité d'amour
Que nous vivrons à en mourir



* [Créditos gerais do disco:]
Georges Moustaki – voz, guitarra
Françoise Walch – voz
Raymond Gimenez – guitarra
Sylvano – guitarra
Arranjos e direcção musical – Alain Goraguer
Direcção artística – Jacques Bedos
Produção – Henri Belolo
Engenheiro de som – Jean-Pierre Dupuy




O Estrangeiro



Letra: Georges Moustaki; versão de Nara Leão
Música: Georges Moustaki
Intérprete: Georges Moustaki





Com minha cara de estrangeiro,
Judeu errante, aventureiro,
Com meu riso e minha dor,
Com esses meus olhos descorados,
Que parecem desbotados
E me dão ar de sonhador;


Com minha mão de marinheiro,
Marginal e seresteiro,
Que roubou tantos jardins,
E minha boca que bebeu,
Muito beijou, tanto mordeu
Numa fome que não tem fim;


Com minha cara de estrangeiro,
Judeu errante, aventureiro,
De ladrão e vagabundo,
Com essa pele bem curtida,
Acarinhando sempre a vida
E o sol de todo esse mundo;


E o coração que sofreu tanto,
Muito amou, e sem espanto
Vive ainda a sua história,
E minha alma que sem sorte
Não espera nem na morte
Seu consolo, sua glória;


Com minha cara de estrangeiro,
Judeu errante, aventureiro,
E meus cabelos pelo vento,
Vou encontrar minha querida,
A alma irmã, a fonte viva,
E celebrar esse bom tempo;


E vou ser príncipe valente,
Sonhador adolescente,
O que você quiser de mim...
E viveremos cada dia
O amor sem fim, a alegria
Intensamente até o fim;


E viveremos cada dia
O amor sem fim, a alegria
Intensamente até o fim.




Natalia



Música: Georges Moustaki
Intérprete: Georges Moustaki* (in LP "Georges Moustaki", Polydor, 1969, reed. Polydor, 1998)





(instrumental)


* [Créditos gerais do disco:]
Georges Moustaki – voz, guitarra
Françoise Walch – voz
Raymond Gimenez – guitarra
Sylvano – guitarra
Arranjos e direcção musical – Alain Goraguer
Direcção artística – Jacques Bedos
Produção – Henri Belolo
Engenheiro de som – Jean-Pierre Dupuy




Ma Solitude



Letra e música: Georges Moustaki
Intérprete: Georges Moustaki* (in LP "Georges Moustaki", Polydor, 1969, reed. Polydor, 1998)





Pour avoir si souvent dormi
Avec ma solitude
Je m'en suis fait presqu'une amie
Une douce habitude
Elle ne me quitte pas d'un pas
Fidèle comme une ombre
Elle m'a suivi ça et là
Aux quatre coins du monde

Non, je ne suis jamais seul
Avec ma solitude

Quand elle est au creux de mon lit
Elle prend toute la place
Et nous passons de longues nuits
Tous les deux face à face
Je ne sais vraiment pas jusqu'où
Ira cette complice
Faudra-t-il que j'y prenne goût
Ou que je réagisse?

Non, je ne suis jamais seul
Avec ma solitude

Par elle j'ai autant appris
Que j'ai versé de larmes
Si parfois je la répudie
Jamais elle ne désarme
Et si je préfère l'amour
D'une autre courtisane
Elle sera à mon dernier jour
Ma dernière compagne

Non, je ne suis jamais seul
Avec ma solitude
Non, je ne suis jamais seul
Avec ma solitude



* [Créditos gerais do disco:]
Georges Moustaki – voz, guitarra
Françoise Walch – voz
Raymond Gimenez – guitarra
Sylvano – guitarra
Arranjos e direcção musical – Alain Goraguer
Direcção artística – Jacques Bedos
Produção – Henri Belolo
Engenheiro de som – Jean-Pierre Dupuy




Lettre à Marianne



Música: Georges Moustaki
Intérprete: Georges Moustaki* (in LP "Les Amis de Georges", Polydor, 1974, reed. Polydor, 1994)



(instrumental)


* Arranjos e direcção musical – Hubert Rostaing, Jean Musy
Direcção artística – Jacques Bedos
Engenheiro de som – William Flageollet




Il Est Trop Tard



Letra e música: Georges Moustaki
Intérprete: Georges Moustaki* (in LP "Georges Moustaki", Polydor, 1969, reed. Polydor, 1998)





Pendant que je dormais, pendant que je rêvais
Les aiguilles ont tourné, il est trop tard
Mon enfance est si loin, il est déjà demain
Passe, passe le temps, il n'y en a plus pour très longtemps


Pendant que je t'aimais, pendant que je t'avais
L'amour s'en est allé, il est trop tard
Tu étais si jolie, je suis seul dans mon lit
Passe, passe le temps, il n'y en a plus pour très longtemps


Pendant que je chantais ma chère liberté
D'autres l'ont enchaînée, il est trop tard
Certains se sont battus, moi je n'ai jamais su
Passe, passe le temps, il n'y en a plus pour très longtemps


Pourtant je vis toujours, pourtant je fais l'amour
M'arrive même de chanter sur ma guitare
Pour l'enfant que j'étais, pour l'enfant que j'ai fait
Passe, passe le temps, il n'y en a plus pour très longtemps


Pendant que je chantais, pendais que je t'aimais
Pendant que je rêvais il était encore temps



* [Créditos gerais do disco:]
Georges Moustaki – voz, guitarra
Françoise Walch – voz
Raymond Gimenez – guitarra
Sylvano – guitarra
Arranjos e direcção musical – Alain Goraguer
Direcção artística – Jacques Bedos
Produção – Henri Belolo
Engenheiro de som – Jean-Pierre Dupuy




Rue des Fosses Saint-Jacques



Música: Georges Moustaki
Intérprete: Georges Moustaki* (in LP "Georges Moustaki", Polydor, 1969, reed. Polydor, 1998)





(instrumental)


* [Créditos gerais do disco:]
Georges Moustaki – voz, guitarra
Françoise Walch – voz
Raymond Gimenez – guitarra
Sylvano – guitarra
Arranjos e direcção musical – Alain Goraguer
Direcção artística – Jacques Bedos
Produção – Henri Belolo
Engenheiro de som – Jean-Pierre Dupuy




Ma Liberté



Letra e música: Georges Moustaki
Intérprete: Georges Moustaki* (in LP "Bobino 70", Polydor, 1970, reed. Polydor, 1998)





Ma liberté
Longtemps je t'ai gardée
Comme une perle rare
Ma liberté
C'est toi qui m'a aidé
A larguer les amarres
Pour aller n'importe où
Pour aller jusqu'au bout
Des chemins de fortune
Pour cueillir en rêvant
Une rose des vents
Sur un rayon de lune


Ma liberté
Devant tes volontés
Mon âme était soumise
Ma liberté
Je t'avais tout donné
Ma dernière chemise
Et combien j'ai souffert
Pour pouvoir satisfaire
Tes moindres exigences
J'ai changé de pays
J'ai perdu mes amis
Pour gagner ta confiance


Ma liberté
Tu as su désarmer
Toutes mes habitudes
Ma liberté
Toi qui m'a fait aimer
Même la solitude
Toi qui m'as fait sourire
Quand je voyais finir
Une belle aventure
Toi qui m'as protégé
Quand j'allais me cacher
Pour soigner mes blessures


Ma liberté
Pourtant je t'ai quittée
Une nuit de décembre
J'ai déserté
Les chemins écartés
Que nous suivions ensemble
Lorsque sans me méfier
Les pieds et poings liés
Je me suis laissé faire
Et je t'ai trahi pour
Une prison d'amour
Et sa belle geôlière

Et je t'ai trahi pour
Une prison d'amour
Et sa belle geôlière



* [Créditos gerais do disco:]
Georges Moustaki – voz, guitarra
Catherine Le Forestier – voz
Joël Favreau – guitarra
Michel Gaudry – contrabaixo
Philippe Combelle – tabla
Jean-Charles Capon – violoncelo
Direcção artística – Jacques Bedos
Produção – Henri Belolo
Engenheiro de som – Claude Martenot




Margot



Música: Georges Moustaki
Intérprete: Georges Moustaki* (in LP "Il Y Avait Un Jardin", Polydor, 1971, reed. Polydor/Universal, 2012)



(instrumental)


* [Créditos gerais do disco:]
Joël Favreau – guitarra
Michel Gaudry – contrabaixo
Jean-Charles Capon – violoncelo
Benoit Charvet – flauta
Michel Delaporte – percussões
Orquestra dirigida por Hubert Rostaing
Arranjos e direcção musical – Hubert Rostaing
Direcção artística – Jacques Bedos




Marche de Sacco et Vanzetti



Letra: Joan Baez (tema "Here's to You", do filme "Sacco e Vanzetti", de Giuliano Montaldo, 1971); versão de Georges Moustaki
Música: Ennio Morricone
Intérprete: Georges Moustaki* (in LP "Il Y Avait Un Jardin", Polydor, 1971, reed. Polydor/Universal, 2012)





[instrumental]

Maintenant Nicolas et Bart,
Vous dormez au fond de nos cœurs,
Vous étiez tous seuls dans la mort,
Mais par elle vous vaincrez!
[6x]



* [Créditos gerais do disco:]
Joël Favreau – guitarra
Michel Gaudry – contrabaixo
Jean-Charles Capon – violoncelo
Benoit Charvet – flauta
Michel Delaporte – percussões
Orquestra dirigida por Hubert Rostaing
Arranjos e direcção musical – Hubert Rostaing
Direcção artística – Jacques Bedos




Kim



Música: Georges Moustaki
Intérprete: Georges Moustaki* (in LP "Si Je Pouvais t'Aider", Polydor, 1979, reed. Polydor/Universal, 2000)



(instrumental)


* [Créditos gerais do disco:]
Marta Contreras – voz e percussões
Mário Lima – guitarras e voz
Kimpoh Cheah – flauta e percussões
Benhamadi Ameziane – voz, bateria e congas
Lionel Lecreux – bateria
Tony Bonfils – guitarra baixo
Pierre-Yves Sorin – contrabaixo e voz
Christian Chevallier – teclados e orquestrações
Claude Maisonneuve – oboé e corne inglês
Les Troubadours – guitarras e coros
Gérard Niobey – guitarra
Marcel Azzola – acordeão
Engenheiro de som – Christian Chevallier




Portugal



Letra: Ruy Guerra ("Fado Tropical") e Georges Moustaki
Música: Chico Buarque ("Fado Tropical")
Intérprete: Georges Moustaki* (in LP "Les Amis de Georges", Polydor, 1974, reed. Polydor, 1994)





Oh muse, ma complice
Petite sœur d'exil
Tu as les cicatrices
D'un 21 avril


Mais ne sois pas sévère
Pour ceux qui t'ont déçue
De n'avoir rien pu faire
Ou de n'avoir jamais su


A ceux qui ne croient plus
Voir s'accomplir leur idéal
Dis leur qu'un œillet rouge
A fleuri au Portugal


On crucifie l'Espagne
On torture au Chili
La guerre du Viêt-Nam
Continue dans l'oubli


Aux quatre coins du monde
Des frères ennemis
S'expliquent par les bombes
Par la fureur et le bruit


A ceux qui ne croient plus
Voir s'accomplir leur idéal
Dis leur qu'un œillet rouge
A fleuri au Portugal


Pour tous les camarades
Pourchassés dans les villes
Enfermés dans les stades
Déportés dans les îles


Oh muse ma compagne
Ne vois-tu rien venir
Je vois comme une flamme
Qui éclaire l'avenir


A ceux qui ne croient plus
Voir s'accomplir leur idéal
Dis leur qu'un œillet rouge
A fleuri au Portugal


Oh musa do meu fado,
Oh minha mãe gentil,
Te deixo consternado
No primeiro Abril!


Mas não sê tão ingrata!
Não esquece quem te amou
E em tua densa mata
Se perdeu e se encontrou.


[instrumental]

Débouche une bouteille
Prends ton accordéon
Que de bouche à oreille
S'envole ta chanson


Car enfin le soleil
Réchauffe les pétales
De mille fleurs vermeilles
En avril au Portugal


Et cette fleur nouvelle
Qui fleurit au Portugal
C'est peut-être la fin
D'un empire colonial


Et cette fleur nouvelle
Qui fleurit au Portugal
C'est peut-être la fin
D'un empire colonial



* Arranjos e direcção musical – Hubert Rostaing, Jean Musy
Direcção artística – Jacques Bedos
Engenheiro de som – William Flageollet
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http://pt.wikipedia.org/wiki/Georges_Moustaki
http://fr.wikipedia.org/wiki/Georges_Moustaki
http://en.wikipedia.org/wiki/Georges_Moustaki
http://www.moustaki.nl/
http://www.lastfm.com.br/music/Georges+Moustaki

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