05 julho 2013

Celebrando Maria Teresa de Noronha



«Deve-se a Maria Teresa de Noronha uma viragem na História do Fado. Após esta forma musical, vinda da rua, do arraial e da taberna, ter conquistado os salões da fidalguia, era aí cultivada no recato dos serões familiares, das festas intimistas, ou como parte do culto tauromáquico em solares ribatejanos. Para manter a distância das origens condenáveis, jamais os tocadores, cantores e, muito menos, cantoras das famílias tradicionais – que os havia de muito mérito – se expunham publicamente senão nalguma verbena de caridade. Foi Maria Teresa do Carmo de Noronha, nascida em 1918 dos Condes de Paraty e Condessa de Sabrosa pelo casamento, a primeira fidalga que teve a coragem e a ousadia de partilhar com toda a gente, pela rádio, discos, televisão e espectáculos, uma voz excepcional, uma alma fadista de finíssima sensibilidade, um talento musical a quem se devem melodias adoptadas como clássicos desde que as criou. De início afrontando a celeuma dos seus pares, cedo os conquistou, bem como o País inteiro, tornando-se o estandarte do que se convencionou chamar Fado Aristocrático, quando outros nomes de famílias bem nascidas lhe seguiram as pisadas, para bem de um género musical que ganhou foros de marca cultural de uma Nação.
Quer desta atitude de partilha, quer da capacidade criadora e interpretativa, não se pode dissociar a figura incentivadora de seu marido, José António Sabrosa, guitarrista amador e compositor de bom nível, a quem se devem as músicas dos fados "Saudade das Saudades", "Fado da Defesa", e ainda "Minha Guitarra", "O Meu Fado" e "Passos na Rua".
Mas a voz, principal atributo de Maria Teresa de Noronha, essa nasceu com ela e com mais ninguém. Fresca, muito bem timbrada, de uma afinação e colocação naturalmente perfeitas, ia dos agudos suavemente metálicos aos graves envolventes (ouça-se "Fado da Idanha"), sem o mínimo esforço, sem se perceber uma respiração, com uma dicção modelar. Nas suspensões em pianissimo foi inigualável, ficando como exemplos antológicos o seu "Pintadinho" e "Rosa Enjeitada", este a excepção que confirmou a regra de rigor fadista a que sempre obedeceu, cultivando apenas o fado tradicional, caracterizado por estrofes regulares, de métrica constante, sem refrão.
Estabeleceu padrões, como o já citado "Pintadinho", o "Anadia" e outros, baseados nas harmonias simples do Corrido, Menor, ou Meia-Noite, mas cuja originalidade interpretativa transformava em verdadeiros temas, com personalidade melódica própria ("Fado Menor e Maior" ou "Minha Mágoa"). No "Fado das Horas", além da melodia, trouxe-nos a novidade de, em vez do costumeiro "Ai..." intercalado como bordão antes do último verso bisado de cada quadra, cantar com a mesma modulação a primeira sílaba desse verso. Modestamente chamou a estas verdadeiras composições, arranjos. Apenas se declarou autora de "Nosso Fado", com base no Dois Tons, e "Corrido Antigo", um Corrido um pouco mais estruturado.
Ousou também cantar Fado de Coimbra, até então feudo de vozes masculinas. Fê-lo com a mestria patente no "Fado Hilário" e ainda em "Canção duma Tricana" e "Cantiga de Amor-Saudade". Na escolha das letras, foi de um apurado bom gosto, respeitando os cânones fadistas, mas de poética mais elevada, mais culta.
Manteve, na carreira, uma contenção que lhe terá vindo do berço e impediu maior projecção artística, merecida até a nível internacional. Era, porém, de um profissionalismo exemplar. Jamais gravou ou actuou em estúdio lendo uma letra: levava todos os fados decorados, mesmo nos programas da Emissora Nacional, emitidos em directo e sem público, onde cantou 4 fados todas as semanas, durante 23 anos consecutivos, desde que aí se estreou, em 1938, até se retirar, em 1961. Espectáculos fazia poucos, não se escusando, porém, aos de finalidade caritativa. A televisão divulgou a sua figura de uma distinção sóbria, sem xailes ou artifícios cénicos. Actuou, com grande êxito, no Brasil; em Espanha, no Festival da Feira do Livro de Barcelona, em 1946, e numa série de espectáculos em Madrid, a convite do Governo espanhol; em 1964, já retirada, cantou em Londres, na nossa Embaixada, na Casa de Portugal e na BBC (rádio e televisão).
Depois disso, só em privado era possível ouvi-la. Continuou dedicada ao Fado, indo com o marido às casas onde cantavam os seus favoritos. Uma delas era o Faia, onde adorava ouvir Lucília do Carmo e Alfredo Marceneiro, quando aparecia. Nas raras vezes em que aí confluíram esses três gigantes, fechava-se a porta e a luz exterior, depois de sair o último cliente e o pessoal. Ficavam os guitarristas. Pedindo uns aos outros os fados de que mais gostavam, aplaudindo-se mais por comentários, de entendidos que eram, do que por palmas de tão poucos, ficavam, até ao esquecimento das horas, em mútuo deleite. A um canto, um jovem absorvia em êxtase esses momentos irrepetíveis: Carlos do Carmo, a quem devemos a narração deles e confessa terem sido determinantes na decisão da sua própria carreira. Devem os amantes do Fado mais isso, na parte que lhe cabe, a Maria Teresa de Noronha.
António Chainho, que a acompanhou na gravação do último disco [LP "Fado Antigo", em 1971] e na digressão ao Brasil, terá testemunhado a derradeira vez em que Maria Teresa de Noronha cantou. Foi no "Picadeiro", em Cascais, por alturas de 1976. Fora lá para ouvir Manuel de Almeida. Este, depois de actuar, pediu-lhe que cantasse. De início escusou-se, com um sorriso nostálgico e um "Há tantos anos que não canto...". Por fim, cantou. A mesma sensibilidade, o mesmo lamento contido na alma e liberto pela voz da Grande Senhora do Fado derramou-se pela sala e pelos olhos de Manuel de Almeida, que os enxugava comovido.
Tardiamente, o reconhecimento oficial condecorou-a e o popular consagrou-lhe uma Grande Noite do Fado, a que assistiu em casa, pela televisão, já doente.
Esta colectânea é, também, galeria de outros talentos que, muitas vezes esquecidos, estão por detrás da qualidade final discográfica. Tal é o caso de Raul Nery, guitarrista ímpar, acompanhador de Maria Teresa de Noronha ao longo de quase toda a carreira, preferido dos maiores nomes da sua época, pela rara combinação de virtuosismo, sobriedade e bom gosto musical. Solista capaz de execuções dificílimas, mantinha um dedilhado límpido, uma sonoridade cristalina. Mesmo nas tercinas e trilos mais vertiginosos, todas as notas estavam lá, bem diferenciadas, sem atropelos, diríamos que "explicadas". Quando acompanhava, era discreto, remetia-se a apoiar a voz, valorizava-a. Apenas nas pausas trazia a guitarra ao primeiro plano, preenchendo com elegância esse espaço, dialogando. Disso é soberbo exemplo "Minha Dor", onde não é menos notável a viola de Joaquim do Vale, verdadeiramente orquestral.
Outro nome a salientar é Hugo Ribeiro, o técnico por quem passaram nomes grandes e pequenos da música portuguesa, durante quase cinco décadas, no Teatro Taborda (à Costa do Castelo) e nos estúdios de Paço d'Arcos. Bonomia, ilimitada paciência para os caprichos dos artistas, tinha gosto pelo Fado e um raro talento para gravar a guitarra portuguesa, instrumento dos mais difíceis de captar: na verdade, com uma diferença de milímetros, colocando o microfone perto de mais, ouve-se o raspar desagradável das unhas postiças nas cordas; demasiado afastado, ou a uma altura inadequada, perde-se o timbre sineiro e vibrátil que faz da cítara lusitana um instrumento único.
Uma tal combinação dos melhores poetas, compositores, instrumentistas e técnicos, servindo a voz divina de Maria Teresa de Noronha, faz desta antologia, compilada pelo ouvido atento e conhecedor de José Pracana, um tesouro inestimável.» (Daniel Gouveia, Julho de 1997, texto inserto no caderno do CD "Maria Teresa de Noronha", col. Biografias do Fado, EMI-VC, 1997)

Nota: Aquela antologia é hoje difícil de encontrar no mercado, mas o repertório nela incluído é o mesmíssimo que consta noutra mais recente intitulada "O Melhor de Maria Teresa de Noronha" (Edições Valentim de Carvalho/Iplay, 2008), apenas tendo sido alterada a ordenação dos temas. A imagem do topo pertence à capa.


Completam-se hoje 20 anos exactos sobre a data (5 de Julho de 1993) em que a grande (enorme) cantora Maria Teresa de Noronha deixou de pertencer ao número dos vivos. Ficou para a posteridade a obra discográfica que não sendo muito vasta é de superior qualidade, como muito assertivamente refere Daniel Gouveia, e que constitui, sem dúvida alguma, um legado de referência obrigatória no que respeita à arte de bem cantar o fado. Há quem afirme que Maria Teresa de Noronha foi (é) a maior cantora do género, logo depois de Amália – afirmação que eu não hesito em subscrever –, mas tal reconhecimento não tem tido correspondência na divulgação do seu repertório na rádio pública. De tempos a tempos, lá aparece um ou outro tema na rubrica "Alma Lusa" ou no espaço alargado depois da meia-noite de domingo, o que é francamente pouco e está longe de fazer plena justiça à memória da ilustre artista, pois é elevada a dívida que o país tem para com ela pelo notabilíssimo contributo que deu à música e à cultura portuguesa. Será razoável que uma intérprete de tal dimensão não esteja representada na 'playlist' da Antena 1, que é, para todos os efeitos, a grande montra musical da estação? Pois eu convido os senhores que gerem a referida 'playlist' a ouvirem os espécimes de Maria Teresa de Noronha abaixo apresentados. Se não forem desprovidos de um mínimo de sensibilidade musical/artística, terão oportunidade de exclamar para os vossos botões: «É realmente incompreensível que pérolas deste quilate, que nunca nos demos ao cuidado de ouvir atentamente – por preconceito e preguiça –, estejam excluídas da 'playlist' da Antena 1, o canal generalista da rádio estatal que tem a obrigação legal (formalmente estabelecida no contrato de concessão do serviço público de radiodifusão) de divulgar a melhor música portuguesa!!!»



Fado Vianinha



Letra: Popular
Música: Francisco Viana (Vianinha)
Intérprete: Maria Teresa de Noronha* (in EP "Triste Fado", Decca/VC, 1961; CD "O Melhor de Maria Teresa de Noronha", EMI-VC, 1989; Livro/4CD "Maria Teresa de Noronha: Integral": CD 2, EMI, 2006)




[instrumental]

Devagar se vai ao longe
E eu bem vou devagarinho;
Vamos ver se me não perco
Nos atalhos do caminho.

Meu amor, não tenhas pressa!
Porque não hás-de esperar?
Tudo aquilo que começa
Tarde ou cedo há-de acabar.

Tudo mudou entretanto,
Vê lá, que pouco juízo:
Rio a pensar no teu pranto,
Choro a pensar no teu riso.

Dá-me os teus olhos profundos
E o mundo pode acabar!
Que importa o mundo se há mundos
Lá dentro do teu olhar!


* Raul Nery – guitarra portuguesa
Joaquim do Vale – viola
Joel Pina – viola baixo
Gravado no Teatro Taborda (Costa do Castelo), Lisboa, em Janeiro de 1961
Técnico de som – Hugo Ribeiro
Assistente – José de Carvalho



O Vento



Letra: Maria da Graça Ferrão
Música: Américo Duarte
Intérprete: Maria Teresa de Noronha* (in EP "Mouraria Antigo", Decca/VC, 1965; LP "Saudade das Saudades", Decca/VC, 1966; CD "O Melhor de Maria Teresa de Noronha", EMI-VC, 1989; Livro/4CD "Maria Teresa de Noronha: Integral": CD 3, EMI, 2006)




Se o vento soubesse ler
Leria em meu pensamento
A loucura de te ver
A toda a hora e momento.

Dizer-te aquilo que sinto
Não sei se parece mal;
Diz que sim, não te desminto,
O que sou eu afinal?

A brisa quando ao passar
Murmura entre a folhagem
Palavras para te adorar,
Carinhos à tua imagem.

Ouve esta frase sentida:
Sem amor não há viver,
Amar é próprio da vida,
Ai se o vento soubesse ler.


* Conjunto de Guitarras de Raul Nery
Gravado nos Estúdios Valentim de Carvalho, Paço d'Arcos, em Dezembro de 1965
Técnico de som – Hugo Ribeiro



Sou Feliz



Letra: José Neto
Música: Frederico de Brito (Fado Britinho)
Intérprete: Maria Teresa de Noronha* (in LP "Fados", Decca/VC, 1962; CD "O Melhor de Maria Teresa de Noronha", vol. 2, EMI-VC, 1993; Livro/4CD "Maria Teresa de Noronha: Integral": CD 2, EMI, 2006)




Meu amor, olha p'ra o mar
Para veres a cor dos olhos
Que ao nasceres Deus te deu!
Olha bem longe e verás
Como ao longe se confundem
As cores do mar e do céu!

Oh meu pobre coração!
Onde tudo é escuridão
Só tem brilho um olhar teu;
Gostava de ser ceguinha
Guiada na vida minha
P'los olhos que Deus te deu.

Fui numa prece ao Senhor
A minha vida depor
Aos pés da Sagrada Cruz;
Dava a minha vida a Deus
Se me desse os olhos teus
Que à minha vida dão luz.

Deus ouviu minha oração
Tão feita de devoção,
Tão magoada e sentida;
Deu-me a luz dos olhos teus,
Sou feliz, graças a Deus,
Tenho luz na minha vida.


* Raul Nery – guitarra portuguesa
Joaquim do Vale – viola
Joel Pina – viola baixo
Gravado no Teatro Taborda (Costa do Castelo), Lisboa, em Julho de 1961
Técnico de som – Hugo Ribeiro
Assistente – José de Carvalho



Vida da Minha Vida



Letra e música: Fernando Farinha
Arranjo: Maria Teresa de Noronha
Intérprete: Maria Teresa de Noronha* (in EP "Pintadinho", Decca/VC, 1959; CD "O Melhor de Maria Teresa de Noronha", vol. 2, EMI-VC, 1993; Livro/4CD "Maria Teresa de Noronha: Integral": CD 1, EMI, 2006)




[instrumental]

Na minha vida vivia só por viver;
No fundo, todo o meu ser
Era noite escura e fria;
Mas quis Deus que o teu amor
Lhe desse sol e calor
E a noite tornou-se dia.

Hoje sinto a claridade
A dar cor e felicidade
À vida que não vivia;
Da minha vida fiz o meu próprio destino
Como se um poder divino
Despertasse o meu viver.

Dos teus braços fiz dois laços,
Do teu andar os meus passos,
Do teu sofrer meu sofrer;
Dos teus olhos fiz dois guias
Que hão-de dar luz aos meus dias
E aos meus olhos p'ra te ver.

[instrumental]

Dos teus olhos fiz dois guias
Que hão-de dar luz aos meus dias
E aos meus olhos p'ra te ver.


* Raul Nery – guitarra portuguesa
Joaquim do Vale – viola
Gravado no Teatro Taborda (Costa do Castelo), Lisboa, em Maio de 1959



Alexandrino



Letra: Carlos Freire
Música: Alfredo Duarte "Marceneiro" (Fado Alexandrino "Eu Lembro-me de Ti")
Intérprete: Maria Teresa de Noronha* (in EP "Minha Mágoa", Decca/VC, 1961; LP "Fados", Decca/VC, 1962; CD "O Melhor de Maria Teresa de Noronha", EMI-VC, 1989; CD "Maria Teresa de Noronha", col. Biografias do Fado, EMI-VC, 1997; Livro/4CD "Maria Teresa de Noronha: Integral": CD 2, EMI, 2006; CD "O Melhor de Maria Teresa de Noronha", Edições Valentim de Carvalho/Iplay, 2008)




[instrumental]

Cantava antigamente
P'ra expandir a alegria
No tempo em que vivia
Risonha mocidade;
Tal qual os passarinhos,
Soltava meus trinados,
Ingénuos, descuidados,
Tudo felicidade.

Achei o teu olhar
Perdido nos meus olhos
Que p'ra mim foram escolhos
De tão dura paixão;
Hoje já não te olho,
Já não te quero ver,
Basta-me para sofrer
Ver-te com o coração.

Porém, assim ceguinha,
Cega de amor por ti,
Nada melhor eu vi
Que um amor verdadeiro;
E se mais nada vejo,
Nada melhor sem ti,
Pois vendo-te a ti
Eu vejo o mundo inteiro.


* Raul Nery – guitarra portuguesa
Joaquim do Vale – viola
Joel Pina – viola baixo
Gravado no Teatro Taborda (Costa do Castelo), Lisboa, em Janeiro de 1961
Técnico de som – Hugo Ribeiro
Assistente – José de Carvalho



Fado das Horas



Letra: D. António José de Bragança
Música: Popular (Fado Mouraria)
Arranjo: Maria Teresa de Noronha
Intérprete: Maria Teresa de Noronha* (in LP "Saudade das Saudades", Decca/VC, 1966; CD "O Melhor de Maria Teresa de Noronha", vol. 2, EMI-VC, 1993; CD "Maria Teresa de Noronha", col. Biografias do Fado, EMI-VC, 1997; Livro/4CD "Maria Teresa de Noronha: Integral": CD 3, EMI, 2006; CD "O Melhor de Maria Teresa de Noronha", Edições Valentim de Carvalho/Iplay, 2008)




[instrumental]

Chorava por te não ver,
Por te ver eu choro agora;
Mas choro só por querer,
Querer ver-te a toda a hora.

Passa o tempo de corrida,
Quando falas eu te escuto;
Nas horas da nossa vida
Cada hora é um minuto.

Quando estás ao pé de mim
Sinto-me dona do mundo;
Mas o tempo é tão ruim,
Tem cada hora um segundo.

Deixa-te estar a meu lado
E não mais te vás embora,
P'ra meu coração, coitado,
Viver na vida uma hora.

[instrumental]


* Conjunto de Guitarras de Raul Nery
Gravado nos Estúdios Valentim de Carvalho, Paço d'Arcos, em Dezembro de 1965
Técnico de som – Hugo Ribeiro



Fado da Defesa



Letra: António Calem
Música: José António Sabrosa (Fado Zé António)
Intérprete: Maria Teresa de Noronha* (in EP "Ave-Maria da Serra", Decca/VC, 1969; CD "O Melhor de Maria Teresa de Noronha", EMI-VC, 1989; CD "Maria Teresa de Noronha", col. Biografias do Fado, EMI-VC, 1997; Livro/4CD "Maria Teresa de Noronha: Integral": CD 4, EMI, 2006; CD "O Melhor de Maria Teresa de Noronha", Edições Valentim de Carvalho/Iplay, 2008)




[instrumental]

Lembras-te da nossa rua
Que hoje é minha, já foi tua,
Talhada para nós dois?
Foi aberta pela amizade,
Construída com saudade
P'ra o amor morar depois.

[instrumental]

Mas um dia tu partiste
E um vento frio e triste
Varreu toda a Primavera;
E agora veio o Outono
E as folhas ao abandono
Morreram à tua espera.

[instrumental]

Certas noites, o luar
Traça o caminho do mar
Para chegares até mim;
Mas é tão longa a viagem
Que só te vejo em miragem
Num sonho que não tem fim.


* Conjunto de Guitarras de Raul Nery, aumentado por:
José António Sabrosa – guitarra portuguesa
Joaquim do Vale – viola
Gravado nos Estúdios Valentim de Carvalho, Paço d'Arcos, em Novembro de 1969
Técnico de som – Hugo Ribeiro



Triste Fado



Letra: Popular
Música: João Maria dos Anjos
Intérprete: Maria Teresa de Noronha* (in EP "Triste Fado", Decca/VC, 1961; CD "O Melhor de Maria Teresa de Noronha", vol. 2, EMI-VC, 1993; Livro/4CD "Maria Teresa de Noronha: Integral": CD 2, EMI, 2006)




[instrumental]

Assim que te conheci,
O amor logo senti
Invadir-me o coração;
Se é pecado tanto amar
Nunca me posso emendar,
Morrerei sem ter perdão.

A toda a hora e momento
Invades meu pensamento,
Ó cruel destino nosso;
Penso em ti e desespero,
Desejo ver-te e não quero,
Quero esquecer-te e não posso.

Se esquecer-te não consigo
Serão remorsos, castigo?
Vai responder a verdade:
Remorsos não quero crer,
Castigo não deve ser;
Ou são penas ou saudade.


* Raul Nery – guitarra portuguesa
Joaquim do Vale – viola
Joel Pina – viola baixo
Gravado no Teatro Taborda (Costa do Castelo), Lisboa, em Janeiro de 1961
Técnico de som – Hugo Ribeiro
Assistente – José de Carvalho



Fado Menor e Maior



Letra: Vicente Arnoso
Música: Popular (Fado Corrido e Fado Menor)
Arranjo: Maria Teresa de Noronha
Intérprete: Maria Teresa de Noronha* (in LP "Fado Antigo", Decca/VC, 1972, reed. Edições Valentim de Carvalho/Som Livre, 2007; CD "O Melhor de Maria Teresa de Noronha", EMI-VC, 1989; Livro/4CD "Maria Teresa de Noronha: Integral": CD 4, EMI, 2006)




[instrumental]

De saudade fala a gente
Quantas vezes sem razão;
Saudades só quem as sente
É que sabe o que elas são.

Saudade, mágoa sem dor
Vivida por toda a gente
Que traz no peito um amor
Que a vida tornou ausente.

Quis-te falar e não pude,
Nada te pude dizer;
Se os meus olhos te não falam
Como havias de entender?

Pedi a Deus que me desse
Alguma coisa do Céu;
Quem sabe se foste tu
Aquilo que Deus me deu?


* Raul Nery e António Chainho – guitarras portuguesas
Joaquim do Vale – viola
Joel Pina – viola baixo
Gravado nos Estúdios Valentim de Carvalho, Paço d'Arcos, em 1971
Técnico de som – Hugo Ribeiro



Mouraria



Letra: Maria Helena Bota Guerreiro
Música: Jaime Santos
Intérprete: Maria Teresa de Noronha* (in EP "Minha Mágoa", Decca/VC, 1961; LP "Fados", Decca/VC, 1962; CD "O Melhor de Maria Teresa de Noronha", EMI-VC, 1989; CD "Maria Teresa de Noronha", col. Biografias do Fado, EMI-VC, 1997; Livro/4CD "Maria Teresa de Noronha: Integral": CD 2, EMI, 2006; CD "O Melhor de Maria Teresa de Noronha", Edições Valentim de Carvalho/Iplay, 2008)


[instrumental]

Porque será que não canto
Como canta a cotovia?
O meu cantar nem é pranto,
É gemer duma agonia!

Chora sim, meu coração!
Tens razão para o fazer:
Matou a vida a ilusão
Que não tornas a viver.

"Sofrer fez-me diferente!"
Dizes tu e tens razão,
Pois não é impunemente
Que se tem um coração.

Ando a cumprir uma pena
Mas crime não cometi;
Só sei que ela me condena
A viver longe de ti.


* Raul Nery – guitarra portuguesa
Joaquim do Vale – viola
Joel Pina – viola baixo
Gravado no Teatro Taborda (Costa do Castelo), Lisboa, em Janeiro de 1961
Técnico de som – Hugo Ribeiro
Assistente – José de Carvalho



Rosa Enjeitada



Letra: José Galhardo
Música: Raul Ferrão
Criação: Hermínia Silva (na revista "Arre Burro!", 1936)
Intérprete: Maria Teresa de Noronha* (in LP "Fados", Decca/VC, 1962; CD "O Melhor de Maria Teresa de Noronha", EMI-VC, 1989; CD "Maria Teresa de Noronha", col. Biografias do Fado, EMI-VC, 1997; Livro/4CD "Maria Teresa de Noronha: Integral": CD 2, EMI, 2006; CD "O Melhor de Maria Teresa de Noronha", Edições Valentim de Carvalho/Iplay, 2008)




Sou essa rosa,
Caprichosa,
Sem ser má,
Flor d'alma pura
E de ternura
Ao deus-dará,

Que viu um dia,
Que sentia
Um grande amor
E de paixão
O coração
Estalar de dor.

Rosa enjeitada
Sem mãe, sem pão, sem ter nada!
O teu destino te deu!
Rosa enjeitada,
Rosa humilde e perfumada!
E, afinal, desventurada.
Quem és tu?
Rosa enjeitada,
Uma mulher que sofreu.

Tão pobrezinha
Ainda tinha
Uma ilusão:
Alguém que amava,
Em quem sonhava
Uma afeição.

Mas esse alguém
Por outro bem
Se apaixonou;
«E assim fiquei
Sem ele que amei,
Que me enjeitou!»

Rosa enjeitada
Sem mãe, sem pão, sem ter nada!
Que vida triste e chorada
O teu destino te deu!
Rosa enjeitada,
Rosa humilde e perfumada!
E, afinal, desventurada.
Quem és tu?
Rosa enjeitada,
Uma mulher que sofreu.

[instrumental]

Rosa enjeitada,
Rosa humilde e perfumada!
E, afinal, desventurada.
Quem és tu?
Rosa enjeitada,
Uma mulher que sofreu.


* Raul Nery – guitarra portuguesa
Joaquim do Vale – viola
Joel Pina – viola baixo
Gravado no Teatro Taborda (Costa do Castelo), Lisboa, em Julho de 1961
Técnico de som – Hugo Ribeiro
Assistente – José de Carvalho



Desengano



Letra: Mário Piçarra Almeida
Música: José Marques "Piscarelete" (Fado Triplicado)
Intérprete: Maria Teresa de Noronha* (in LP "Fados", Decca/VC, 1962; CD "O Melhor de Maria Teresa de Noronha", vol. 2, EMI-VC, 1993; CD "Maria Teresa de Noronha", col. Biografias do Fado, EMI-VC, 1997; Livro/4CD "Maria Teresa de Noronha: Integral": CD 2, EMI, 2006; CD "O Melhor de Maria Teresa de Noronha", Edições Valentim de Carvalho/Iplay, 2008)




[instrumental]

E adorei-te, acreditei
No bem que eu ambicionei
Dum amor, sinceridade;
As tuas promessas puras
E o calor das tuas juras
Tinham a luz da verdade.

Mas um dia te esqueceste
De tudo o que me disseste
Em confissões tão ardentes;
Iludiste duas vidas
Com mil palavras fingidas
Que não sentiste nem sentes!

Ao contemplar o passado,
Como um golpe já fechado
Que ainda sinto doer,
Vejo em teus falsos carinhos
Que as rosas têm espinhos
E também fazem sofrer.


* Raul Nery – guitarra portuguesa
Joaquim do Vale – viola
Joel Pina – viola baixo
Gravado no Teatro Taborda (Costa do Castelo), Lisboa, em Janeiro de 1961
Técnico de som – Hugo Ribeiro
Assistente – José de Carvalho



Fado Anadia



Letra: Marques dos Santos
Música: José Maria dos Cavalinhos (1874, dedicada ao 4.º Conde da Anadia, D. José Maria de Sá Pereira e Menezes Pais do Amaral de Almeida e Vasconcelos Quifel Barberino, amante de fado, falecido a 10 de Julho de 1870, com 31 anos de idade)
Arranjo: Maria Teresa de Noronha
Intérprete: Maria Teresa de Noronha* (in LP "Fados", Decca/VC, 1962; CD "O Melhor de Maria Teresa de Noronha", vol. 2, EMI-VC, 1993; CD "Maria Teresa de Noronha", col. Biografias do Fado, EMI-VC, 1997; Livro/4CD "Maria Teresa de Noronha: Integral": CD 2, EMI, 2006; CD "O Melhor de Maria Teresa de Noronha", Edições Valentim de Carvalho/Iplay, 2008)




[instrumental]

Eu sei que no céu profundo
Nunca brilhou minha estrela;
Sinto que a vida do mundo
Jamais poderei vivê-la.

[instrumental]

Penso que a vida que vivo
Não passa duma ilusão,
Pois não encontro o motivo
Do bater do coração.

[instrumental]

Creio viver sem ter vida,
Viver vida sem alento
Tal como folha caída
Andando ao sabor do vento.

[instrumental]

Não quero sofrer a sorte
Nesta má sina contida;
Prefiro pedir à morte
Que me leve à outra vida.

[instrumental]


* Raul Nery – guitarra portuguesa
Joaquim do Vale – viola
Joel Pina – viola baixo
Gravado no Teatro Taborda (Costa do Castelo), Lisboa, em Janeiro de 1961
Técnico de som – Hugo Ribeiro
Assistente – José de Carvalho



Fado da Idanha



Letra: Popular
Música: Ricardo Borges de Sousa
Intérprete: Maria Teresa de Noronha* (in EP "Fado Antigo", Decca/VC, 1959; CD "O Melhor de Maria Teresa de Noronha", vol. 2, EMI-VC, 1993; CD "Maria Teresa de Noronha", col. Biografias do Fado, EMI-VC, 1997; Livro/4CD "Maria Teresa de Noronha: Integral": CD 1, EMI, 2006; CD "O Melhor de Maria Teresa de Noronha", Edições Valentim de Carvalho/Iplay, 2008)




[instrumental]

Quem me dera que voltasse
O doce tempo d'além:
Sentada junto à lareira
Ai a ouvir cantar minha mãe!

Oh tempo, tempo ditoso
Da vida eterno sorriso
Ai que tornas em paraíso
O mundo tão enganoso
Quando à minha mãe, choroso,
Após um beijo na face
Lhe pedia que cantasse
Uma trova de bonança,
E esse tempo de criança
Quem me dera que voltasse.

Tempos que não voltam mais
Da nossa infância ridente
Ai em que eu vivia contente
Correndo atrás dos pardais,
Das paredes dos casais
Que a nossa aldeia contém
Branquinhas como a cecém,
Mudas como a gratidão
E recordam com paixão
O doce tempo d'além.

[instrumental]


* Raul Nery – guitarra portuguesa
Joaquim do Vale – viola
Gravado no Teatro Taborda (Costa do Castelo), Lisboa, em Março de 1959



Fado João



Letra: Maria Carlota de Noronha
Música: D. João de Noronha
Intérprete: Maria Teresa de Noronha* (in EP "Desengano", Decca/VC, 1962; CD "O Melhor de Maria Teresa de Noronha", EMI-VC, 1989; CD "Maria Teresa de Noronha", col. Biografias do Fado, EMI-VC, 1997; Livro/4CD "Maria Teresa de Noronha: Integral": CD 2, EMI, 2006; CD "O Melhor de Maria Teresa de Noronha", Edições Valentim de Carvalho/Iplay, 2008)




[instrumental]

Não posso cantar o fado,
O fado faz-me chorar:
Faz-me lembrar o passado
Que já não pode voltar.


Eu cantava noite e dia
Sem nada me dar cuidado;
Não tenho a mesma alegria,
Não posso cantar o fado.

Se quando canto entristeço,
Não é para admirar;
Tenho saudades de tudo,
O fado faz-me chorar.

Quando ouço alguma guitarra
Ou alguém cantando o fado
Sinto que minha alma chora,
Faz-me lembrar o passado.

Cantigas à desgarrada
Que sempre me hão-de lembrar;
Adeus tempo em que as cantava
Que já não pode voltar.

[instrumental]


* Raul Nery – guitarra portuguesa
Joaquim do Vale – viola
Joel Pina – viola baixo
Gravado no Teatro Taborda (Costa do Castelo), Lisboa, em Janeiro de 1961
Técnico de som – Hugo Ribeiro
Assistente – José de Carvalho



Sete Letras



Letra: D. António José de Bragança
Música: Alfredo José dos Santos "Correeiro" (Fado Marcha do Correeiro)
Intérprete: Maria Teresa de Noronha* (in EP "Pintadinho", Decca/VC, 1959; CD "O Melhor de Maria Teresa de Noronha", vol. 2, EMI-VC, 1993; Livro/4CD "Maria Teresa de Noronha: Integral": CD 1, EMI, 2006)


[instrumental]

Saudade, palavra linda
Que nos diz tristeza infinda
Ou grata recordação;
Palavra bem portuguesa
Está ligada e sempre presa
À palavra coração.

Por capricho as abrigou
O destino e as ligou
Em tão íntima união;
Que é perfeita a igualdade:
Sete letras tem saudade,
Sete letras coração.

E as saudades, se não cantas,
São tão grandes e são tantas,
São para mais de um milhão;
Mas se cantas, que tristeza!
À saudade fica presa
Minh'alma, meu coração!

E esta contradição
Ao meu pobre coração,
Inocente e sem maldade,
Faz-lhe sofrer tal horror
Que um dia ele morre de dor
P'ra não morrer de saudade.


* Raul Nery – guitarra portuguesa
Joaquim do Vale – viola
Gravado no Teatro Taborda (Costa do Castelo), Lisboa, em Maio de 1959



Saudade das Saudades



Letra: D. António José de Bragança
Música: José António Sabrosa
Intérprete: Maria Teresa de Noronha* (in EP "Mouraria Antigo", Decca/VC, 1965; LP "Saudade das Saudades", Decca/VC, 1966; CD "O Melhor de Maria Teresa de Noronha", EMI-VC, 1989; CD "Maria Teresa de Noronha", col. Biografias do Fado, EMI-VC, 1997; Livro/4CD "Maria Teresa de Noronha: Integral": CD 3, EMI, 2006; CD "O Melhor de Maria Teresa de Noronha", Edições Valentim de Carvalho/Iplay, 2008)




[instrumental]

Cansada de ter saudade
Tudo fiz para esquecer;
E hoje tenho saudade
De saudade já não ter.


Sem força p'ra suportar
A minha fatalidade
Ajoelhei a rezar,
Cansada de ter saudade.

Roguei a Deus dar-me a sorte,
Esta dita até morrer;
Essa saudade de morte
Tudo fiz para esquecer.

Foi minha prece atendida
Por Deus na sua bondade;
Como estou arrependida
E hoje tenho saudade.

Castigo p'ra quem não pensa
Quem não sabe o que é sofrer,
Pois sinto saudade imensa
De saudade já não ter.


* Conjunto de Guitarras de Raul Nery
Gravado nos Estúdios Valentim de Carvalho, Paço d'Arcos, em Dezembro de 1965
Técnico de som – Hugo Ribeiro



Pintadinho



Letra: José Mariano
Música: José António Sabrosa
Arranjo: Maria Teresa de Noronha
Intérprete: Maria Teresa de Noronha* (in EP "Pintadinho", Decca/VC, 1959; CD "O Melhor de Maria Teresa de Noronha", EMI-VC, 1989; CD "Maria Teresa de Noronha", col. Biografias do Fado, EMI-VC, 1997; Livro/4CD "Maria Teresa de Noronha: Integral": CD 1, EMI, 2006; CD "O Melhor de Maria Teresa de Noronha", Edições Valentim de Carvalho/Iplay, 2008)


[instrumental]

Eu vi outrora o luar
À porta de Santa Cruz:
Era o silêncio a rezar
Ave-marias de luz.

Fiquei na sombra, discreta,
E murmurei: Que primor!
Não és apenas poeta,
Ó luar, tu és pintor!

Passou o tempo, voltei,
Vi a mesma claridade;
E fui eu que então rezei
Padre-nossos de saudade.

[instrumental]


* Raul Nery – guitarra portuguesa
Joaquim do Vale – viola
Gravado no Teatro Taborda (Costa do Castelo), Lisboa, em Maio de 1959



Castanheiro



Letra: João de Vasconcellos e Sá
Música: Pedro Rodrigues
Intérprete: Maria Teresa de Noronha* (in LP "Saudade das Saudades", Decca/VC, 1966; CD "Maria Teresa de Noronha", col. Biografias do Fado, EMI-VC, 1997; Livro/4CD "Maria Teresa de Noronha: Integral": CD 3, EMI, 2006; CD "O Melhor de Maria Teresa de Noronha", Edições Valentim de Carvalho/Iplay, 2008)




No cimo daquele outeiro
Debruçado castanheiro
Morre de sede e fadiga;
Torcendo os braços ao vento,
Dando à visão tormento
Sobre uma rocha inimiga.

Tão velhinho e tão mirrado,
Perdeu as folhas, coitado,
Fogem dele os passarinhos;
Nem mesmo em noites suaves
Ele pode abrigar as aves
Nem pode embalar os ninhos.

E um ramo de hera viçosa,
Que viveu sempre amorosa
Ao pobre tronco segura,
Abraça o pobre velhinho
Cada vez com mais carinho,
Cada vez com mais ternura.

Ó hera que não dás flor,
Teu coração para amor
Deve ser igual ao meu;
Singela planta que eu amo
Jamais se esquece do ramo
Onde uma vez se prendeu.


* Conjunto de Guitarras de Raul Nery
Gravado nos Estúdios Valentim de Carvalho, Paço d'Arcos, em Dezembro de 1965
Técnico de som – Hugo Ribeiro



Folhas Caídas



Letra: D. António José de Bragança
Música: Joaquim Campos (Fado Tango)
Intérprete: Maria Teresa de Noronha* (in LP "Fado Antigo", Decca/VC, 1972, reed. Edições Valentim de Carvalho/Som Livre, 2007; Livro/4CD "Maria Teresa de Noronha: Integral": CD 4, EMI, 2006)




[instrumental]

Outono, folhas caídas,
Com sangue Deus as pintou;
Folhas tão cedo nascidas,
Pobres folhas mal vividas,
Um vento louco as levou.

Nasceram na Primavera,
Fê-las Deus da cor da esperança;
Sonharam uma quimera:
Serem como as folhas da hera,
De saudade e de lembrança.

Mas chega o Verão, o calor,
E as folhas verdes tão belas
Vão perdendo o seu frescor;
Pressentem a sua dor,
Ficam tristes, amarelas.

Ao Inverno não chegaram,
Foram curtas suas vidas;
Da cor do sangue as pintaram,
Ventos loucos as levaram,
Outono, folhas caídas.


* Raul Nery e António Chainho – guitarras portuguesas
Joaquim do Vale – viola
Joel Pina – viola baixo
Gravado nos Estúdios Valentim de Carvalho, Paço d'Arcos, em 1971
Técnico de som – Hugo Ribeiro
URL: http://www.museudofado.pt/personalidades/detalhes.php?id=346
http://www.portaldofado.net/content/view/879/280/
http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/54209.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_Teresa_de_Noronha
http://www.infopedia.pt/$maria-teresa-de-noronha
http://armazemdefados.blogspot.pt/search/label/Maria%20Teresa%20de%20Noronha
http://jsilva.bloguedemusica.com/r306/Maria-Teresa-de-Noronha/
http://grooveshark.com/artist/Maria+Teresa+De+Noronha/884018
http://palcoprincipal.sapo.pt/bandasMain/maria_teresa_de_noronha
http://cotonete.iol.pt/artistas/home.aspx?id=1693
http://www.last.fm/pt/music/Maria+Teresa+de+Noronha



Capa da edição da integral de Maria Teresa de Noronha (Livro/4CD, EMI, 2006)
Retrato pintado por Victor Câmara (1921-1998)

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