01 abril 2015

Evocando o programa "Em Órbita"


Elenco do "Em Órbita" em 1968 (da esquerda para a direita):
Pedro Albergaria, Cândido Mota, Jorge Gil e João Manuel Alexandre

No dia 1 de Abril de 1965, às 19:14, começava, na frequência modulada (FM) do Rádio Clube Português, aquele que viria a tornar-se um dos programas de maior culto nos anais da rádio em Portugal: o "Em Órbita". Nessa emissão inaugural, os primeiros sons são os do instrumental "Revenge" ["Vingança"], dos britânicos Kinks, tomado como indicativo, surgindo depois a voz de Pedro Castelo, que se manterá na locução durante um ano, cedendo então o lugar a Cândido Mota. O âmbito editorial do programa é bem definido desde o início:

 - Divulgação, em exclusivo, das realizações mais representativas da música popular anglo-americana.
 - Destaque muito particular ao LP em detrimento do "single". O primeiro enquanto prova múltipla de capacidade contra o carácter eventual do segundo.
 - Destaque muito particular aos autores-intérpretes em detrimento dos intérpretes que não criam.

Bob Dylan, Joan Baez, The Byrds, Crosby, Stills & Nash, Neil Young, Simon & Garfunkel, Peter, Paul and Mary, Procol Harum, The Doors, Janis Joplin, Jimi Hendrix, Nina Simone, Creedence Clearwater Revival, Jefferson Airplane, The Mamas & the Papas, Donovan, Cat Stevens, Fairport Convention, The Beatles, The Rolling Stones, Kinks, Bee Gees, Spencer Davis Group, Traffic, The Animals, Small Faces, Cream, Led Zeppelin, Deep Purple, Mandred Mann, The Who, Jethro Tull, Pink Floyd e Moody Blues contam-se no extenso rol de artistas divulgados, muitos dos quais em primeira mão no éter nacional.
Em Agosto de 1967, é aberta uma excepção para um tema português, "A Lenda de El-Rei D. Sebastião", pelo Quarteto 1111. Tal opção, pelo ineditismo de que se reveste, requer uma explicação ao auditório. Jorge Gil redige, para o efeito, um texto que Cândido Mota lê ao microfone e que, por permanecer perfeitamente actual, aqui se transcreve na íntegra (para que sirva de lição aos directores de rádios e fazedores de 'playlists' que veneram a escória vinda de fora, bem como os subprodutos internos dela macaqueados, e ostracizam a criação de matriz portuguesa, feita com cuidado e bom gosto):

"Em Órbita" vai proceder hoje à transmissão de um trecho de música popular portuguesa. Porque se trata de uma medida sem precedentes neste programa, e por termos o maior respeito pela nossa própria coerência e por todos quantos nos acompanham com a sua adesão consciente e construtiva, têm pleno cabimento algumas palavras introdutórias ao trecho que vamos apresentar. Desde sempre que alguns dos mais conhecidos intérpretes e conjuntos portugueses de música ligeira nos têm procurado, seguindo modalidades várias de aproximação no sentido de "Em Órbita" divulgar as suas respectivas realizações, em amostra, em disco ou em registo magnético. Em face dessas sucessivas tentativas, sempre nos recusámos a elas aludir, por considerarmos que a totalidade dessas realizações não justificava o nosso interesse em abrir excepções, quer por entendermos que a sua transmissão iria ocupar tempo que poderia ser preenchido com larga vantagem pela nossa música habitual, quer por considerarmos que nenhuma delas reunia as condições mínimas para poder representar qualquer coisa de semelhante a uma tentativa honesta e inédita do lançamento das bases da música popular portuguesa que todos nós, em boa consciência, queremos renovada por inteiro, de alto a baixo.
Por várias vezes e sob diversos pretextos, temos aqui exprimido alto e bom som que somente transmitiríamos qualquer modalidade de música popular portuguesa que tivesse um mínimo daqueles requisitos que poderemos condensar assim:
  1. Autenticidade aferida em função do ambiente e da sociedade portuguesa e da tradição folclórica do nosso país.
  2. Afastamento radical da utilização puramente oportunista de padrões internacionais e pseudo-internacionais, impossíveis de transpor com verdadeira honestidade para o nosso meio.
  3. Rompimento frontal com as formas de música popular comercial mais divulgadas em Portugal e que se caracterizam pela teimosa insistência em seguir os figurinos caducos e provincianos de Aranda do Douro, San Remo ou Benidorm.
  4. Demonstração de um poder criador e interpretativo que ultrapassasse, de forma a não deixar dúvidas, o apelo a uma imitação grotesca do que se faz no estrangeiro, quer na forma de cópia pura e simples, quer na de adaptações apressadas, quer na utilização de uma língua, de um estilo ou de um som de importação, tudo defeituosamente assimilado.
Estes, portanto, os requisitos mínimos que sempre exigimos a nós próprios e aos que nos procuraram com pedidos de transmissão. Nunca nos limitámos, porém, a uma recusa seca e peremptória. Os nossos pontos de vista sempre os exprimimos desenvolvidamente, em particular e em público.
Os que nos ouvem com regularidade devem recordar-se do que aqui foi dito sobre este mesmo tema no ano passado. As nossas sugestões sobre os caminhos a seguir na nossa opinião ficaram então bem claras. Recordemos algumas delas:
  • Recurso ao folclore português nas suas múltiplas variedades e manifestações.
  • A ligação íntima à realidade portuguesa nos seus mil e um aspectos e facetas.
  • Recurso à poesia portuguesa popular ou erudita, medieval, clássica ou contemporânea.
  • O aproveitamento das formas melódicas e rítmicas da música popular portuguesa, ainda não adulterada.
  • A revisão total dos temas e respectiva forma de expressão com base na construção lírica dos poetas da literatura portuguesa, do "Cancioneiro Geral", de Garcia de Resende, aos poetas da actual geração de Coimbra.
Sem preocupações de síntese, estas são algumas das formas possíveis, no nosso entender, de encarreirar a música popular portuguesa para alguma coisa de novo, de verdadeiro e de autêntico. Há anos que vimos proclamando isto. Nunca ninguém demonstrou ou procurou demonstrar que no plano dos princípios, e em concreto, estávamos errados. Posto isto, temos, para nós, que o trecho que vamos hoje apresentar, preenche os requisitos mínimos para a sua divulgação por este programa com todas as implicações que a sua transmissão através de "Em Órbita" acarretam.
Tendo por título "A Lenda de El-Rei D. Sebastião", é escrito por um português, é tocado e cantado por portugueses. Não vamos fazer uma apreciação exaustiva desta gravação, das suas qualidades que são muitas, e dos seus defeitos que terá alguns.
Vamos apenas apontar o que nela se nos afigura existir de importante e de novo. Assim é desde logo um apontamento especial sobre os aspectos puramente interpretativos, instrumentais e vocais, e num período em que neste programa se dá cada vez mais importância aos criadores e cada vez menos aos intérpretes, a gravação que vamos apresentar tem qualidade interpretativa mais do que suficiente – é uma nota que sobressai com rara evidência.
O que neste trecho impressiona mais, o que nele se inclui de mais nitidamente inédito, é que em cima de uma melodia de encantadora simplicidade, há uma história singela, popular, portuguesa, dita em versos precisos, directos, certeiros, desenfeitados. Conta-se uma história, uma lenda. Como lenda que é, trazida até hoje pela herança popular, pertence ao folclore, ao património mais íntimo da comunidade e dos costumes do nosso país.
Depois, é um tema eterno, de criação nacional e de validade perene e universal. É um Sebastianismo colectivo que na lenda se retrata. É a ideologia negativista dos que têm uma crença irracional em coisas, em valores e em poderes que não existem, dos que se deixam enganar pelos falsos Messias do oportunismo e da mistificação. A Lenda de El-Rei D. Sebastião – escreveu José Cid – é o Quarteto 1111. (texto de Jorge Gil lido por Cândido Mota, na edição em que foi transmitida "A Lenda de El-Rei D. Sebastião", em Agosto de 1967).

Nesse ano, o "Em Órbita" foi distinguido com dois prestigiosos galardões: o Prémio da Casa da Imprensa (para melhor programa de rádio) e o Prémio Internacional Ondas (numa das poucas vezes em que foi atribuído a Portugal). Em 1969, nasceram as "Novas Aventuras do 'Em Órbita'", com a introdução de música erudita, a qual passou a exclusivo a partir de Janeiro de 1974. «Foi uma opção consciente. A música anglo-saxónica já nada me dizia. A minha transformação operou-se enquanto estudante de Arquitectura, em Belas-Artes, com as lições de "Conjugação das Três Artes", de Manuel Rio de Carvalho», confessará Jorge Gil, mais tarde, a Luís Pinheiro de Almeida (in "Público", 01-Abr-2000)
No PREC, que se seguiu ao 25 de Abril de 1974, o Rádio Clube Português foi nacionalizado, passando, em 1979, a denominar-se Rádio Comercial. João David Nunes, o director de programas da estação, apesar da incompreensão de alguns que consideravam o programa demasiadamente elitista, teve a clarividência de mantê-lo na grelha e, paulatinamente, o auditório foi aumentando, a tal ponto que, nos anos 80, o "Em Órbita" não era apenas um dos programas mais relevantes da rádio portuguesa – era uma verdadeira instituição cultural do país, circunstância que motivou ao musicólogo Rui Veira Nery a redacção do seguinte testemunho, por ocasião do 25.º aniversário (1990):

Tudo começou com um grupo de jovens profissionais da rádio que em meados da década de 60, em pleno reino do nacional-cançonetismo, de Rafael e de Gianni Morandi, tocava regularmente o que de melhor e mais avançado se fazia na música popular anglo-americana, constituindo um espaço radiofónico alternativo que serviu de referência de qualidade a toda uma geração marcada pelo movimento associativo universitário, pela resistência antifascista, pelo trauma da guerra colonial, pela ruptura com os códigos morais pequeno-burgueses dos filmes cor-de-rosa de Doris Day e Marisol. Depois veio o 25 de Abril, a geração que se formara ao som do "Em Órbita" entrou de uma vez por todas na esfera do poder e o próprio grupo dos responsáveis pelo programa se dissolveu enquanto tal para gradualmente se ir convertendo – com diferentes graus de felicidade conforme os casos no novo núcleo dirigente da rádio portuguesa.
Mas a vocação alternativa do "Em Órbita" não se tinha esgotado, quando a consagração institucional do seu primeiro figurino ameaçava transferi-lo das convulsões do desafio para a rotina fácil do sucesso, o programa reconverteu-se radicalmente em termos que muitos consideram quase suicidas e dedicou-se exclusivamente à música erudita, com destaque para o repertório barroco. Os seus níveis de audiência desceram vertiginosamente e tudo indicava que a sua própria sobrevivência estaria em breve seriamente ameaçada.
A nova aposta do "Em Órbita" assenta sobretudo não só na promoção de um repertório pré-romântico quase desconhecido entre nós como na insistência na sua execução com instrumentos e práticas interpretativas originais, um movimento que em toda a Europa lutava ainda arduamente pela conquista de uma credibilidade que lhe era negada pelos herdeiros da tradição interpretativa oitocentista.
O combate de Jorge Gil, que ficara sozinho à frente do programa, começou pouco a pouco a surtir efeito. Os níveis de audiência começaram de novo a subir (no início da década de 80 eram já dos mais altos da rádio portuguesa) e a consequência mais evidente deste fenómeno que se foi verificando foi uma procura crescente de gravações de música antiga no mercado discográfico nacional.
A partir de 1985, o "Em Órbita" passou a promover concertos de música antiga. Começou com a Orquestra Barroca de Amsterdão, dirigida por Ton Koopman, para celebrar os tricentenários de Bach e Händel, e prosseguiu com produções tão importantes como a primeira audição moderna de "La Guerra de los Gigantes" de Sebastian Duron, pelo Hesperion XX, o "Tristão e Isolda" medieval pela Boston Camerata, os concertos de música de câmara de Jordi Savall, Ton Koopman e do Musica Antiqua de Colónia ou a apresentação monumental das "Vésperas" de Monteverdi dirigidas por Savall, poucos dias antes da sua gravação num dos álbuns mais unanimemente aclamados da discografia europeia dos últimos anos.
O "Em Órbita", que soube sempre ir à frente e desbravar caminhos novos na vida musical portuguesa, deveria ser hoje, após vinte e cinco anos de provas excelentes, uma realidade sólida, acreditada e disputada pelos grupos económicos deste país como interlocutor privilegiado para as suas iniciativas de mecenato cultural. (Rui Vieira Nery, in jornal "Expresso", 1990; livro "Telefonia", de Matos Maia, Lisboa: Círculo de Leitores, 1994 – retirado do blogue "Rádio Crítica")

As palavras de Rui Viera Nery seriam ouvidas, ainda que algo tardiamente, pois a Portugal Telecom viria a patrocinar algumas temporadas de concertos (de 1997 a 2003). Na Rádio Comercial, o "Em Órbita" terminou em 1993, pois na sequência da privatização, os novos donos entenderam (tacanhamente, diga-se de passagem) que já não havia lugar para ele. Recomeçou, em 1994, no ressurgido Rádio Clube Português (na frequência que fora da Rádiogeste), com locução de Cândido Mota, mas apenas se manteve no ar durante seis meses. A 3 de Abril de 1998, sexta-feira, às 23:00, o programa voltaria às ondas hertzianas, desta vez na Antena 2, para duas horas de emissão semanais, preenchidas com a fascinante música antiga, devidamente enquadrada com textos lidos por Paulo Rato. Ter encontrado, finalmente, uma nova guarida para o "Em Órbita", quando o panorama radiofónico em Portugal já se revelava assaz deprimente, foi motivo de regozijo para Jorge Gil. Para ele – acrescente-se – e para todos aqueles (que não eram poucos) que se sentiam órfãos com a sua ausência.

Há dias festivos que merecem aplauso da praça pública numa cerimónia qualquer. A passagem de 33 anos sobre a primeira emissão do "Em Órbita" podia ser um deles, mas não interessa celebrar com serpentina cinzenta, guloseima e rugido de foguete em fogo-de-artifício precário, as vicissitudes dum projecto cultural acidentado que, sabe Deus como, sobreviveu até hoje. Em Portugal, o "Em Órbita" foi pioneiro na divulgação do trabalho dos intérpretes que melhor têm protagonizado o movimento de redescoberta e reavaliação do património musical europeu anterior ao advento do Romantismo, que permaneceu em jazida desleixada até meados do século XX. Com transferência marcada para 3 de Abril, o "Em Órbita" passa a ser transmitido na Antena 2 da RDP. Num tempo em que o nivelamento canalha ganhou estatuto triunfante, é um remédio saber da existência de lugares onde não há morada para os difusores de um vírus sem nome próprio, no qual germina a vaga e perigosa luxúria da distracção. (Jorge Gil, in boletim de programação da Antena 2, Abril de 1998)

Infelizmente, volvidos três anos, Jorge Gil daria por finda a realização do "Órbita", indo para o ar, a 30 de Março de 2001, a última edição original. Por decisão de João Pereira Bastos, director de programas da Antena 2, o programa passaria a regime de reposição, o que aconteceu até 29 de Junho do mesmo ano. Desapareceu então do éter mas não sem deixar muitas saudades. No meu caso, tomei contacto com ele em finais dos anos 80 e logo me conquistou. Ficava literalmente imobilizado diante do aparelho a sorver, verdadeiramente deliciado, aquela maravilhosa nova música antiga, à qual a Antena 2 ainda permanecia indiferente. Convém lembrar que, por esses tempos, a rádio pública transmitia pouquíssima música anterior ao classicismo. Bach, Haendel e Vivaldi, nas esporádicas vezes em que apareciam, era invariavelmente em gravações "romantizadas", não raras vezes bem pouco aliciantes. A milhas de distância, portanto, das cativantes e sedutoras interpretações segundo os preceitos estético-estilísticos de abordar a música barroca e pré-barroca, que começaram a afirmar-se nos anos 60, com Nikolaus Harnoncourt, Gustav Leonhardt, Frans Brüggen, Alfred Deller, Anner Bylsma, os irmãos Kuijken, Jordi Savall, Hopkinson Smith e outros.
São muitas as obras e interpretações cuja descoberta devo a Jorge Gil, e entre elas há duas que sempre que as ouço me fazem evocar de imediato o "Em Órbita". Uma é o concerto para duas charamelas, cordas e baixo contínuo, em ré menor, de Telemann, pelo agrupamento Musica Antiqua de Colónia, sob a direcção de Reinhard Goebel. A outra é a marcha da "Música para o Funeral da Rainha Mary", de Henry Purcell, na leitura de John Eliot Gardiner à frente da Monteverdi Orchestra e do Equale Brass Ensemble. A melodia da segunda nem era estranha aos meus ouvidos pois havia-a escutado, em versão electrónica, no filme "Laranja Mecânica" [>> YouTube] mas a interpretação, historicamente informada, de John Eliot Gardiner teve o sortilégio de me tocar de modo tão profundo e impressivo que deixou marca indelével no meu espírito. O blogue "A Nossa Rádio" apresenta essas duas magníficas gravações, que, conjuntamente com "Revenge" e a "A Lenda de El-Rei D. Sebastião", funcionam como tributo (singelo, mas penhorado) ao "Em Órbita" e ao seu autor, Jorge Gil.

Registo com agrado que a rádio pública não tenha ficado alheada da efeméride dos 50 anos: a Antena 1 transmitiu, a partir das 19:14, um programa especial conduzido por António Macedo, no qual falaram Pedro Castelo, Pedro Albergaria, Cândido Mota e o técnico José Ribeiro [>> RTP-Play: 1.ª hora2.ª hora]; e a Antena 2 repôs uma edição do "Em Órbita", consagrada a Johann Sebastian Bach, logo a seguir a um depoimento de João David Nunes, o carismático primeiro director de programas da Rádio Comercial que também fez a locução do programa durante largos anos.
Não obstante, mais haveria a fazer para celebrar o "Em Órbita" e nessa medida prestando bom serviço público. Enuncio duas ideias. A primeira é a criação, na Antena 3, de um espaço musical, que até podia chamar-se "Memória do Primeiro 'Em Órbita'", onde só entrasse o repertório que foi divulgado na primeira fase. Oportunidade para o auditório mais jovem descobrir uma imensa plêiade de artistas de primeira água da música anglo-americana que hoje apenas podem ser ouvidos no canal codificado VH1 Classic (para quem o pode pagar, evidentemente) ou em plataformas da internet, como o YouTube ou o Spotify (mas, neste caso, é preciso saber que a música existe para se ir à procura dela). A segunda ideia diz respeito à reposição na Antena 2, diariamente (o que podia muito bem ser entre as 19:00 e as 21:00), de todo o acervo erudito do "Em Órbita", desde Janeiro de 1974. Eu parto do princípio de que os registos existem em arquivo; caso contrário estamos na presença de "terrorismo cultural" (a expressão não é minha – é de João Maria de Freitas Branco ao pronunciar-se acerca da bárbara destruição de boa parte do acervo do programa "O Gosto pela Música" que o pai realizou, nos anos 60 e 70, para a Lisboa 2 e o Programa 2 – a denominação "Antena 2" passou a vigorar a partir dos anos 80, se estou bem informado).


Revenge



Música: Ray Davies e Larry Page
Intérprete: Kinks* (in LP "Kinks", Pye Records, 1964)




(instrumental)


* Ray Davies – guitarra ritmo e harmónica
Dave Davies – guitarra base
Peter Quaife – baixo
Mick Avory – bateria
Produção – Shel Talmy



A Lenda de El-Rei D. Sebastião



Letra e música: José Cid
Intérprete: Quarteto 1111* (in EP "A Lenda de El-Rei D. Sebastião", Columbia/VC, 1967)




[instrumental]

Depois de Alcácer Quibir
El-Rei D. Sebastião
Perdeu-se num labirinto
Com o seu cavalo real

As bruxas e adivinhos
Das altas serras beirãs
Juravam que nas manhãs
De cerrado nevoeiro
Vinha D. Sebastião

Pastoras e trovadores
Das regiões litorais
Afirmaram terem visto
Perdido entre os pinhais
El-Rei D. Sebastião

Ciganos vindos de longe
Falcatos desconhecidos
Tentando iludir o povo
Afirmaram serem eles
El-Rei D. Sebastião
E que voltava de novo

Todos foram desmentidos
Condenados às galés
Pois nas praias dos Algarves
Trazidos pelas marés
Encontraram o cavalo
E farrapos do seu gibão
Pedaços de nevoeiro
A espada e o coração
De El-Rei D. Sebastião

[instrumental]

Depois de Alcácer Quibir
Virá D. Sebastião

E uma lenda nasceu
Entre a bruma do passado
Chamam-lhe o Desejado
Pois que nunca mais voltou
El-Rei D. Sebastião
El-Rei D. Sebastião


* Quarteto 1111:
José Cid – voz e teclas
António Moniz Pereira – guitarra eléctrica
Jorge Moniz Pereira – viola baixo
Miguel Artur da Silveira (Michel) – bateria



Concerto para duas charamelas, cordas e baixo contínuo, em ré menor, TWV 52:d1



Música: Georg Philipp Telemann
Intérpretes: Eric Hoeprich & Lisa Klewitt / Musica Antiqua Köln, dir. Reinhard Goebel (in LP/CD "Telemann: Bläserkonzerte / Wind Concertos / Concertos Pour Instruments à Vent", Archiv Produktion, 1987)




I. Largo
II. Allegro [a partir de 4':14'']
III. Adagio [a partir de 7':16'']
IV. (Vivace) [a partir de 9':41'']


* Eric Hoeprich & Lisa Klewitt – charamelas
Phoebe Carrai – violoncelo
Thierry Maeder – cravo
Orquestra – Musica Antiqua Köln
Direcção – Reinhard Goebel
Gravado na Deutschlandfunk Sendesaal, Colónia (Alemanha), por Wolfgang Mitlehner, em Junho de 1986



Música para o Funeral da Rainha Mary: Marcha



Música: Henry Purcell (1695)
Intérpretes: Monteverdi Orchestra / Equale Brass Ensemble, dir. John Eliot Gardiner* (in LP "Music for Queen Mary", Erato/Éditions Costallat, 1977, reed. Erato, 1995, Erato/Warner Classics, 2014)




(instrumental)


* Monteverdi Orchestra
Equale Brass Ensemble
Direcção – John Eliot Gardiner
Gravado por Peter Willemoës, na Rosslyn Hill Chapel, Hampstead (Londres), em Fevereiro de 1976
Supervisão de gravação – Michel Garcin



Capa do LP "Kinks" (Pye Records, 1964)





Capa e contracapa do EP "A Lenda de El-Rei D. Sebastião" (Columbia/VC, 1967)
Na contracapa vem reproduzido um excerto do texto de Jorge Gil, que fora lido no "Em Órbita" por Cândido Mota



Capa do LP "Telemann: Bläserkonzerte / Wind Concertos / Concertos Pour Instruments à Vent" (Archiv Produktion, 1987)



Capa do CD "Telemann: Bläserkonzerte / Wind Concertos / Concertos Pour Instruments à Vent" (Archiv Produktion, 1987)



Capa do LP "Music for Queen Mary" (Erato/Éditions Costallat, 1977)



Capa do CD "Music for Queen Mary" (Erato, 1995)



Capa do CD "Music for the Queen Mary" (Erato/Warner Classics, 2014)

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