08 março 2026

Tonicha: "Rosa, Rosae" (Ary dos Santos)


© Álvaro João, 1973.


Nascida em Beja, a 8 de Março de 1946, Antónia de Jesus Montes Tonicha começou o seu percurso artístico profissional aos 18 anos de idade, em 1964 (nesse ano gravou o EP colectivo "Canções de Natal", em parceria com Saudade dos Santos, Gina Maria e Paulo Jorge, e no ano seguinte o seu primeiro disco em nome individual, o EP de título genérico "Luar para esta Noite"). Com o repertório que foi gravando nos anos seguintes, mormente o de origem popular/folclórica (por exemplo, o ribatejano "Vira dos Malmequeres"), a que a rádio dá bom acolhimento, Tonicha grangeia assinalável popularidade. Mas é a canção vencedora, em 1971, do VIII Grande Prémio TV da Canção Portuguesa, "Menina do Alto da Serra", com poema de José Carlos Ary dos Santos e música de Nuno Nazareth Fernandes, que catapulta a cantora para um patamar artístico mais elevado e lhe confere amplo reconhecimento e respeitabilidade. Ela própria bem o percebeu ao afirmar «pela primeira vez cantei um poema dum autêntico poeta». Foi o início de uma profícua colaboração entre Ary dos Santos e Tonicha que tornou a distinta intérprete uma das que mais letras/poemas gravou do autor de "Estrela da Tarde" (só ultrapassada por Fernando Tordo e por Carlos do Carmo). Nesse acervo poético conta-se "Rosa, Rosae" que Tonicha cantou, com música de João Henrique e orquestração de José Calvário, para o EP "A Rapariga e o Poeta", publicado em 1973 por Arnaldo Trindade, sob o selo Orfeu. É pois com a belíssima, mas muito pouco divulgada, "Rosa, Rosae" que o escrevente destas linhas se associa à celebração do 80.º aniversário de Tonicha, deixando expresso o seu agradecimento à artista pela oportunidade que lhe concedeu de apreciar esta e outras refulgentes pérolas presentes do seu legado discográfico. O poema-canção ora em destaque serve, ao mesmo tempo, para assinalar o Dia Internacional da Mulher, pois as palavras de Ary dos Santos e a mensagem que transmitem em prol da dignificação da condição feminina no âmbito da conjugalidade, na maviosa e expressiva voz de Tonicha, não podiam vir mais a propósito. E não foi certamente fruto do acaso ter Ary escolhido, para o título do seu poema, o nome da flor mais usado como nome próprio de mulher...
Boa escuta, aromatizada com o irresistível odor das Rosas!

Atendendo à obrigação que a Antena 1 tem, mercê do financiamento público, de acarinhar e divulgar o nosso património musical/discográfico mais valioso e perene, esta "Rosa, Rosae" bem poderia figurar na 'playlist', até como forma de fazer alguma justiça a Tonicha que tão maltratada tem sido pela rádio do Estado há um ror de anos...



Rosa, Rosae



Letra: José Carlos Ary dos Santos
Música: João Henrique
Orquestração: José Calvário
Intérprete: Tonicha* [in EP "A Rapariga e o Poeta", Orfeu/Arnaldo Trindade, 1973; LP "Tonicha" (compilação), Orfeu/Arnaldo Trindade, 1973; CD "Tonicha", Col. O Melhor dos Melhores, vol. 21, Movieplay, 1994]




É nas tuas mãos de vidro
é no teu olhar aberto
que aparece o espelho certo
conseguido.

Amar de longe é tão perto
Amar de perto é tão vivo
que não pode haver decerto
castigo.

Sim eu vejo em ti a minha força
tu vês em mim a tua rosa
formosa.
Sou a flor do espanto e da ternura
não serei casta nem pura
sou rosa.

Mas rosa que vive e dança
amada mas não segura
rosa que nunca se cansa
dos ventos da desventura
rosa, rosae
da ternura.

É nas tuas mãos vazias
que eu deponho a vida inteira
com espinhos todos os dias
roseira.

Roseira mas não lareira
do fogo brando do lar
apenas rosa fronteira
do mar.

Sim eu vejo em ti o meu perfume
a lava densa do ciúme
demente.
Sim eu sou a rosa sem queixume
flor vermelha do meu lume
ardente.

Demente mas sem loucura
formosa mas sem vaidade
apenas rosa brancura
apenas rosa vontade
rosa, rosae
liberdade!

[vocalizos / instrumental]


* Tonicha – voz
Orquestra dirigida por José Calvário
URL: https://pt.wikipedia.org/wiki/Tonicha
https://tonicha-clube-de-fas.blogspot.com/
https://www.youtube.com/@tonichaclubedefas2179/videos
https://music.youtube.com/channel/UC6e6qDCt5CCGFgwf2fxKwnA



Capa do EP "A Rapariga e o Poeta", de Tonicha (Orfeu/Arnaldo Trindade, 1973)
Fotografia – Álvaro João



Capa da compilação em LP "Tonicha" (Orfeu/Arnaldo Trindade, 1973)
Fotografia – Álvaro João



Capa da compilação em CD "Tonicha" (Col. O Melhor dos Melhores, vol. 21, Movieplay, 1994).

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Outros artigos de homenagem à mulher:
Celebrando Vinicius de Moraes
Em memória de Herberto Helder (1930-2015)
"O Fio de Ariadne": em demanda de algumas das mais talentosas artistas do Ocidente
João Lóio: "Cicatriz de Ser Mulher"
Em memória de Tereza Tarouca (1942-2019)
Carlos Mendes: "Calçada de Carriche" (António Gedeão)
Teresa Silva Carvalho: "Mulher da Erva"
João Lóio com Regina Castro: "Uma Criada para Todo o Serviço"
Maria Teresa Horta: "Mulher-Poetisa"
Elisa Lisboa: "Mulher-Mágoa" (Ary dos Santos)
Margarida Bessa: "Fala da Mulher Sozinha"
Virtuosas: as Mulheres na História da Música
Herberto Helder: "Fonte" (II), por Luísa Cruz
Eugénio de Andrade: "As Mães"

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Outro artigo com repertório interpretado por Tonicha:
A infância e a música portuguesa

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Outros artigos com poesia da autoria ou na voz de Ary dos Santos:
Amália: dez anos de saudade
Camões recitado e cantado (II)
Celebrando Carlos Paredes
Elisa Lisboa: "Mulher-Mágoa" (Ary dos Santos)
Poesia trovadoresca adaptada por Natália Correia
Carlos do Carmo: "Fado Varina" (Ary dos Santos)
Ary dos Santos: "As Portas Que Abril Abriu"
Simone de Oliveira: "O País (do Eça de Queiroz)" (Ary dos Santos)

06 janeiro 2026

Coro Sinfónico Lisboa Cantat: "Ai, Acabadas São as Festas" (harm.: Fernando Lopes-Graça)


(in https://www.museodelprado.es/)
David Teniers, o Jovem, "A Décima Segunda Noite" (ou "O Rei Bebe"), 1650-1660, óleo sobre folha de cobre, 58 cm x 70 cm, Museu do Prado, Madrid


É com o Dia de Reis, ou a Festa da Epifania, que se encerra, no calendário litúrgico católico, o Ciclo dos Doze Dias durante o qual os cristãos (e não só) festejam, com esfuziante alegria e repastos a condizer, o nascimento do Menino Jesus. Um dos cantares de Reis que exprime de maneira assaz explícita esse termo da quadra natalícia é o que tem como verso incipit (tomado como título) "Ai, Acabadas São as Festas", recolhido pelo etnógrafo inglês Rodney Gallop em Canas de Senhorim, no coração da Beira Alta, nos primeiros anos da década de 1930, e incluído, com notação musical, no volume "Cantares do Povo Português", publicado pelo Instituto para a Alta Cultura, em 1937. E Fernando Lopes-Graça, cerca de um decénio mais tarde, entendeu por bem harmonizá-lo e integrá-lo, a fechar, na sua "Primeira Cantata do Natal: Sobre Cantos Tradicionais Portugueses de Natividade". Aqui fica, então, "Ai, Acabadas São as Festas", na primorosa interpretação do Coro Sinfónico Lisboa Cantat, superiormente dirigido por Jorge Carvalho Alves. Boa escuta!

Os ouvintes da Antena 2 que, acaso, aqui vierem deliciar-se com esta pequena (só em duração) pérola do nosso cancioneiro natalício bem podem queixar-se por na sua rádio ("sua" porque suportada com o seu dinheiro) ser extremamente difícil apanhá-la...



Ai, Acabadas São as Festas



Letra e música: Tradicional (Canas de Senhorim, Nelas, Beira Alta)
Recolha: Rodney Gallop (1931-1933, in "Cantares do Povo Português", Lisboa: Instituto para a Alta Cultura, 1937, 1960)
Harmonização: Fernando Lopes-Graça (Canção n.º 19 da "Primeira Cantata do Natal: Sobre Cantos Tradicionais Portugueses de Natividade", Op. 61, LG 15, 1945-50)
Intérprete: Coro Sinfónico Lisboa Cantat*, dir.: Jorge Carvalho Alves (in 2CD "Fernando Lopes-Graça: Obra Coral a cappella - Volume II": CD 1, Numérica, 2012)


Ai, acabadas são as Festas!
Ai, chegados são os três Reis!
Ai, olhem lá por suas casas
Se há alguma coisa que deis.

Ai, senhora que estais ao lume,
Ai, assentada na cortiça,
Ai, levantai-vos, ó senhora,
Vinde-nos dar a choiriça.

Ai, cá esp'ramos confiados
Ai, que a esmola nos dareis:
Ai, quer a deis, quer a não deis,
Sempre vós ao Céu ireis.

Ai, acabadas são as Festas!


* Coro Sinfónico Lisboa Cantat
Direcção – Jorge Carvalho Alves

Produção musical – Manon Marques
Produção – Associação Musical Lisboa Cantat
Gravado por Luís Delgado no Auditório da Faculdade de Medicina Veterinária, Lisboa, a 12 de Setembro de 2008, e no Pequeno Auditorio do Centro Cultural de Belém, Lisboa, em 2011
Edição e mistura – Luís Delgado, no estúdio Sonic State
URL: https://www.lisboacantat.com/
https://www.facebook.com/people/CORO-SINF%C3%93NICO-LISBOA-CANTAT/100063495156162/
https://www.facebook.com/corodecamaralisboacantat/
https://www.youtube.com/@corodecamaralisboacantat7555/videos



Capa do livro "Cantares do Povo Português", estudo crítico, recolha e comentário de Rodney Gallop; tradução de António Emílio de Campos (Lisboa: Instituto para a Alta Cultura, 1937)



Capa do duplo CD "Fernando Lopes-Graça: Obra Coral a cappella - Volume II", de Lisboa Cantat (Coro Sinfónico | Coro de Câmara), dir. Jorge Carvalho Alves; Coro convidado: Coro Infantil da Universidade de Lisboa, dir. Erica Mandillo (Numérica, 2012)
Concepção – Ana Ribeiro de Carvalho
Design gráfico, selecção e tratamento da fotografia de Fernando Lopes-Graça – Mrmito e Numérica

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Outros artigos com repertório de Janeiras e/ou de Reis:
Música portuguesa de Natal
Celebrando a Ronda dos Quatro Caminhos
Catarina Moura, Ariel Ninas e César Prata: "Entrada de Aninovo"
Miguel Pimentel com Maria José Victória: "Bons Anos"
Rafael Carvalho: "Bons Anos e Anos Bons"
Terra a Terra: "Estas Casas São Mui Altas"
Grupo de Baile da Canção Regional Terceirense: "Cantar à Porta"
Grupo Coral e Etnográfico "As Camponesas de Castro Verde": "Os Bons Anos"
Grupo de Cantares Alentejanos da Brigada Territorial N.º 3 da G.N.R.: "Quais São os Três Cavalheiros?"
Coro Sinfónico Lisboa Cantat: "Moradoras desta Casa" (harm.: Fernando Lopes-Graça)

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Outros artigos com canções musicadas ou harmonizadas por Fernando Lopes-Graça:
Música portuguesa de Natal
A infância e a música portuguesa
A vitória do azeite
Celebrando Sophia de Mello Breyner Andresen
Celebrando Eugénio de Andrade
Camões recitado e cantado (VII)
Canções portuguesas de Natal harmonizadas/musicadas por Fernando Lopes-Graça
Camões recitado e cantado (VIII)
Eugénio de Andrade e Fernando Lopes-Graça: "Aquela Nuvem e Outras"
Camões recitado e cantado (IX)
Camões recitado e cantado (X)
Camões musicado por Fernando Lopes-Graça (obras corais 'a cappella')
Miguel Torga e Fernando Lopes-Graça: "História Trágico-Marítima"
Canções de Natal portuguesas pelo Coro de Câmara de Lisboa
Coro Sinfónico Lisboa Cantat: "Moradoras desta Casa" (harm.: Fernando Lopes-Graça)

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Outros artigos com canções interpretadas pelo Coro Lisboa Cantat (Sinfónico ou de Câmara):
A vitória do azeite
Celebrando Sophia de Mello Breyner Andresen
Canções portuguesas de Natal harmonizadas/musicadas por Fernando Lopes-Graça
Coro Sinfónico Lisboa Cantat: "Moradoras desta Casa" (harm.: Fernando Lopes-Graça)

01 janeiro 2026

Coro Sinfónico Lisboa Cantat: "Moradoras desta Casa" (harm.: Fernando Lopes-Graça)




Em 1906, a 17 de Dezembro, nascia numa casa da cidade de Tomar um menino chamado Fernando Lopes-Graça que, depois de tomado o ensino de bem tocar piano e de compor, viria a afirmar-se um dos maiores compositores do século XX português, e ainda um prolífico harmonizador de cantigas populares e um distinto etnomusicólogo. Queremos acreditar que múltiplas entidades públicas e privadas não irão ficar à espera da data exacta da efeméride do 120.º aniversário do nascimento para celebrarem tão eminente figura da nossa música e cultura, e que um bom número de iniciativas em devida conformidade será levado a cabo ao longo do ano. O blogue "A Nossa Rádio", mesmo não tendo as obrigações e as responsabilidades inerentes a quem recebe financiamento público para honrar os maiores criadores portugueses e as respectivas obras, faz questão de começar (bem) o ano sob a égide de Fernando Lopes-Graça dando destaque a uma canção de janeiras, como se impõe na presente data, harmonizada pelo ilustre compositor: a que tem por título "Moradoras desta Casa" e ocupa a 15.ª posição na sequência da sua "Primeira Cantata do Natal: Sobre Cantos Tradicionais Portugueses de Natividade". A gravação escolhida é a do Coro Sinfónico Lisboa Cantat, sob a regência do maestro Jorge Carvalho Alves, que integra o duplo CD "Fernando Lopes-Graça: Obra Coral a cappella - Volume II", editado em 2012 pela Numérica. Esperamos que seja do agrado dos prezados visitantes...

Os ouvintes da Antena 2 menos dados a recorrer à fonoteca pessoal ou ao ciberespaço é que não devem ter a sorte de escutar na rádio que pagam, num destes dias inaugurais do novo ano, esta e outras canções de janeiras harmonizadas por Fernando Lopes-Graça, por não existir na grelha um espaço reservado à música coral a cappella, nem a oferta musical genérica de continuidade contemplar o repertório português do género...



Moradoras desta Casa



Letra e música: Tradicional (Cardigos, Mação, Beira Baixa)
Recolha: Francisco Serrano [in "Romances e Canções Populares da Minha Terra", Braga: Tipografia a electricidade de A. Costa & Matos, 1921, 2.ª edição, Câmara Municipal de Mação, 1998, 3.ª edição (fac-similada), Câmara Municipal de Mação, 1998]
Harmonização: Fernando Lopes-Graça (Canção n.º 15 da "Primeira Cantata do Natal: Sobre Cantos Tradicionais Portugueses de Natividade", Op. 61, LG 15, 1945-50)
Intérprete: Coro Sinfónico Lisboa Cantat*, dir.: Jorge Carvalho Alves (in 2CD "Fernando Lopes-Graça: Obra Coral a cappella - Volume II": CD 1, Numérica, 2012)


Moradoras desta casa,
Aquelas que são casadas, [bis]
Ouvi os nossos descantes,
Vinde-nos dar janeiradas. [bis]

Moradoras desta casa,
Aquelas que são solteiras, [bis]
Ouvi os nossos descantes,
Vinde-nos dar as janeiras. [bis]


* Coro Sinfónico Lisboa Cantat
Direcção – Jorge Carvalho Alves

Produção musical – Manon Marques
Produção – Associação Musical Lisboa Cantat
Gravado por Luís Delgado no Auditório da Faculdade de Medicina Veterinária, Lisboa, a 12 de Setembro de 2008, e no Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém, Lisboa, em 2011
Edição e mistura – Luís Delgado, no estúdio Sonic State
URL: https://www.lisboacantat.com/
https://www.facebook.com/people/CORO-SINF%C3%93NICO-LISBOA-CANTAT/100063495156162/
https://www.facebook.com/corodecamaralisboacantat/
https://www.youtube.com/@corodecamaralisboacantat7555/videos



Capa da 1.ª edição do livro "Romances e Canções Populares da Minha Terra", de Francisco Serrano (Braga: Tipografia a electricidade de A. Costa & Matos, 1921) [edição fac-similada: Câmara Municipal de Mação, 1998]



Capa da 2.ª edição do livro "Romances e Canções Populares da Minha Terra", de Francisco Serrano (Câmara Municipal de Mação, 1998)



Capa do duplo CD "Fernando Lopes-Graça: Obra Coral a cappella - Volume II", de Lisboa Cantat (Coro Sinfónico | Coro de Câmara), dir. Jorge Carvalho Alves; Coro convidado: Coro Infantil da Universidade de Lisboa, dir. Erica Mandillo (Numérica, 2012)
Concepção – Ana Ribeiro de Carvalho
Design gráfico, selecção e tratamento da fotografia de Fernando Lopes-Graça – Mrmito e Numérica

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Outros artigos com repertório de Janeiras e/ou de Reis:
Música portuguesa de Natal
Celebrando a Ronda dos Quatro Caminhos
Catarina Moura, Ariel Ninas e César Prata: "Entrada de Aninovo"
Miguel Pimentel com Maria José Victória: "Bons Anos"
Rafael Carvalho: "Bons Anos e Anos Bons"
Terra a Terra: "Estas Casas São Mui Altas"
Grupo de Baile da Canção Regional Terceirense: "Cantar à Porta"
Grupo Coral e Etnográfico "As Camponesas de Castro Verde": "Os Bons Anos"
Grupo de Cantares Alentejanos da Brigada Territorial N.º 3 da G.N.R.: "Quais São os Três Cavalheiros?"

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Outros artigos com canções musicadas ou harmonizadas por Fernando Lopes-Graça:
Música portuguesa de Natal
A infância e a música portuguesa
A vitória do azeite
Celebrando Sophia de Mello Breyner Andresen
Celebrando Eugénio de Andrade
Camões recitado e cantado (VII)
Canções portuguesas de Natal harmonizadas/musicadas por Fernando Lopes-Graça
Camões recitado e cantado (VIII)
Eugénio de Andrade e Fernando Lopes-Graça: "Aquela Nuvem e Outras"
Camões recitado e cantado (IX)
Camões recitado e cantado (X)
Camões musicado por Fernando Lopes-Graça (obras corais 'a cappella')
Miguel Torga e Fernando Lopes-Graça: "História Trágico-Marítima"
Canções de Natal portuguesas pelo Coro de Câmara de Lisboa

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Outros artigos com canções interpretadas pelo Coro Lisboa Cantat (Sinfónico ou de Câmara):
A vitória do azeite
Celebrando Sophia de Mello Breyner Andresen
Canções portuguesas de Natal harmonizadas/musicadas por Fernando Lopes-Graça

24 dezembro 2025

Canções de Natal portuguesas pelo Coro de Câmara de Lisboa


(in https://commons.wikimedia.org/)
Simão Rodrigues, "Adoração dos Pastores", c.1595, óleo sobre madeira, Museu de Arte Sacra de Elvas


Fundado em 1978 pela Professora Teresita Gutierrez Marques, então como Coro de Câmara do Conservatório Nacional de Lisboa, o Coro de Câmara de Lisboa, pela actividade que foi desenvolvendo, quer em concertos quer em gravações, afirmou-se um dos agrupamentos mais importantes de Portugal na interpretação de obras corais a cappella. E o repertório natalício – em português e noutras línguas (latim, castelhano, italiano, francês, inglês, alemão...) – tem recebido especial atenção, disso sendo testemunho as gravações publicadas em CD, dois dos quais integralmente preenchidos com canções do ciclo do Natal. Uma vez que no blogue "A Nossa Rádio" privilegiamos o nosso património poético e musical, é com canções de Natal portuguesas interpretadas pelo Coro de Câmara de Lisboa que celebramos a quadra natalícia de 2025. A língua em que se canta é, obviamente, a portuguesa, excepto no celebérrimo "Adeste Fidelis", que está em latim e não se sabe ao certo por quem foi composto (não terá sido pelo rei D. João IV, segundo advoga o musicólogo Rui Vieira Nery [cf. "Adeste Fideles: quem é o autor?"]), não se podendo, todavia, excluir a hipótese de o autor ser lusitano, provavelmente de finais do século XVII ou de inícios do XVIII. O manuscrito mais antigo conhecido é do inglês John Francis Wade (1711-1786) mas isso não nos garante que a composição seja originalmente sua. O facto de ser cantado na capela da embaixada portuguesa em Londres, muito antes do levantamento da proibição do culto católico em Inglaterra (1829), o que lhe valeu ser apelidado de "Portuguese Hymn" ("Hino Português"), pode ser um indício da origem lusitana. Foi à luz dessa possibilidade que achámos por bem incluir também o "Adeste Fidelis", admiravelmente interpretado pelo Coro de Câmara de Lisboa, na sequência ora apresentada. Boa escuta e Festas Felizes!

Se a Antena 2 tivesse (que já teve) espaços musicais editorialmente bem definidos, tais como "Intérpretes Portugueses" e "Música Coral", e os profissionais encarregados de os manter tivessem o calendário em consideração, é certo que os ouvintes saberiam de antemão que neles poderiam escutar por esta altura, com grande probabilidade, algumas canções natalícias (portuguesas ou não) gravadas pelo Coro de Câmara de Lisboa e, bem assim, por outros que estão (ou estiveram) activos em Portugal. Coisa bem diferente, portanto, dos espaços alargados de música a esmo e variada hoje prevalecentes, nos quais só com uma sorte danada se consegue apanhar música coral a cappella. Fica apontada a deficiência, mais uma vez, para que os novos locatários da direcção de programas não possam alegar que não há ouvintes descontentes com o figurino de 'jukebox' sortida em vigor e que ele satisfaz perfeita e cabalmente os objectivos de serviço público legalmente estipulados.
E a Antena 1, que música de Natal tem transmitido este ano? Nas incursões que fizemos nos últimos dias à respectiva emissão, mesmo não sendo prolongadas (pois importa, acima de tudo, não pôr em risco a sanidade mental), deu para apanhar uma caterva de canções e cançonetas anglo-saxónicas, quase todas possíveis de ouvir na Rádio Comercial, na M80, na RFM, na RR, na TSF e na Rádio Observador. De canções portuguesas, apenas uma lográmos apanhar: "Podia Ser Natal", pelos UHF, em versão ao vivo. É miserabilismo a mais, tendo em conta a riqueza, em quantidade e qualidade, do acervo de gravações disponível, parte do qual pode ser apreciado nos artigos referenciados ao fundo, mormente em "Música portuguesa de Natal". Optando por marginalizar o nosso património musical (no caso, o de temática natalícia), quem ocupa a direcção de programas do canal generalista tem, porventura, real consciência de que está a dar argumentos àqueles que defendem a extinção ou privatização da empresa pública de rádio e televisão precisamente por não marcar a diferença em relação às privadas?



Pela Noite de Natal



Letra e música: Tradicional (Beira Baixa e Alentejo)
Harmonização: Fernando Lopes-Graça (7.ª canção da "Segunda Cantata do Natal sobre Cantos Tradicionais Portugueses da Natividade", Op. 61, LG 15, 1945-50)
Intérprete: Coro de Câmara de Lisboa*, dir. Teresita Gutierrez Marques (in CD "Canções de Natal / Christmas Songs", Numérica, 1997; CD "Canções Populares Portuguesas", Numérica, 1998)




Pela noite de Natal,
Noite de tanta alegria,
Caminhando vai José,   | bis
Caminhando vai Maria, |

Ambos os dois p'ra Belém,
Mais de noite que de dia;
E chegaram a Belém,     | bis
Já toda a gente dormia. |

Abri a porta, porteiro,
Porteiro da portaria!
Não deu resposta o porteiro, | bis
Porque também já dormia.    |

Só encontraram pousada
Dentro duma 'strebaria!
Ali ficaram os dois      | bis
Até ao romper do dia. |



Adeste Fideles



Letra e música: Autor anónimo (sécs. XVII-XVIII) [Tradução da letra >> abaixo]
Intérprete: Coro de Câmara de Lisboa*, dir. Teresita Gutierrez Marques (in CD "Natal A Cappella", Numérica, 1998)




Adeste Fideles,
Laeti triumphantes:
Venite, venite
In Bethlehem!
Natum videte
Regem angelorum!

Venite, adoremos...
Venite, adoremos...
Venite, adoremus Dominum!

En grege relicta
Humiles ad cunas;
Vocati pastores
Ad properant.
Et nos ovanti
Gradu festinemus.

Venite, adoremos...
Venite, adoremos...
Venite, adoremus Dominum!


* Coro de Câmara de Lisboa:
Sopranos – Jael Martins, Lucina Silva, Mafalda Nascimento, Matilde de Castro, Susana de Oliveira, Teresa Cordeiro
Contraltos – Ana Ferro, Isabel Torres, Marta Gregório, Sílvia Fontão
Tenores – Aníbal Coutinho, Carlos Quintelas, José Pereira, Pedro Marques, Sérgio Fontão, Vítor Gonçalves
Baixos – António Marques, João Camacho, Jorge Leal, Marcelo Tusto, Pedro Pires
Direcção – Teresita Gutierrez Marques

Produção – Teresita Gutierrez Marques, António Marques, Jorge Leal, Sérgio Fontão
Gravado na Igreja Anglicana de S. Jorge, Lisboa, em 1997
Gravação e editing – Fernando Rocha (Numérica)



Vinde, Fiéis

[tradução apresentada no caderno do CD "Natal A Cappella", do Coro de Câmara de Lisboa, Numérica, 1998]


Vinde, Fiéis,
Alegrai-vos triunfantes:
Vinde, vinde
A Belém!
Vinde adorar
O Menino Rei dos Anjos.

Vinde, adoremos...
Vinde, adoremos...
Vinde, adoremos o Senhor!

O berço a avistar,
Pastores humildes
Deixando os rebanhos
Vêm a aproximar-se
E nós, vitoriosos,
A apressar o passo.

Vinde, adoremos...
Vinde, adoremos...
Vinde, adoremos o Senhor!



Três Natais Góticos



Letra e música: Tradicional ("Deus vos salva, Sol brilhante", Cércio, Duas Igrejas, Miranda do Douro, Trás-os-Montes e Alto Douro / "Belo Infante dos meus olhos", Boa Ventura, São Vicente, Madeira / "Vinde, vinde já, ó Deus", Casegas, Covilhã, Beira Baixa)
Recolhas ("Deus vos salva, Sol brilhante" e "Vinde, vinde já, ó Deus"): Rodney Gallop (in "Cantares do Povo Português", Lisboa: Instituto de Alta Cultura, 1937, 1960)
Harmonização: Eurico Carrapatoso ("Três Natais Góticos", 2001)
Intérprete: Coro de Câmara de Lisboa*, dir. Teresita Gutierrez Marques (in CD "Eurico Carrapatoso: A Cappella", Numérica, 2005)




Deus vos salva, Sol brilhante,
Que ao mundo alumiais:
Em louvor da religião,
Sempre louvado sejais!

[vocalizos]

Deus vos salva, Sol brilhante,
Que ao mundo alumiais:
Em louvor da religião,
Sempre louvado sejais!

Belo Infante dos meus olhos, | bis
Da minha alma, luz divina,    |
Aparecei hoje ao mundo,
Pois Deus assim o destina.

[vocalizos]

Vinde, vinde já, ó Deus,
Ai, Filho da Virgem Maria!
Em Vosso louvor cantemos
Ao seu filho de alegria.

Os anjos o acompanham,
Ai, acompanham; o nosso cura
Lá traz nas suas mãos  | bis
A divina formosura.      |


* Coro de Câmara de Lisboa:
Sopranos – Bárbara Faria, Mariana Nina, Raquel Oliveira, Sofia Pedro, Susana Gaspar, Teresa Cordeiro
Contraltos – Isabel Torres, Liliana Silva, Sílvia Fontão, Vanessa Gonçalves
Tenores – Carlos Reis, José Pereira, Pedro Araújo, Pedro Marques, Pedro Sousa, Vítor Gonçalves
Baixos – António Henriques, Luís Bourgard, Miguel Correia, Nuno Rodrigues, Pedro Pires
Direcção – Teresita Gutierrez Marques

Produção – Teresita Gutierrez Marques, Carlos Reis
Gravado na Igreja Anglicana de S. Jorge, Lisboa, em 2005
Gravação, editing e masterização – Fernando Rocha (Numérica)



Natal (Elvas)



Letra e música: Tradicional (Elvas, Alto Alentejo)
Harmonização: Mário de Sampayo Ribeiro
Intérprete: Coro de Câmara de Lisboa*, dir. Teresita Gutierrez Marques (in CD "Canções de Natal / Christmas Songs", Numérica, 1997; CD "Canções Populares Portuguesas", Numérica, 1998, Coro de Câmara de Lisboa, 2017; CD "Natal A Cappella", Numérica, 1998)




Eu hei-de m'ir ao presépio
E assentar-me num cantinho,
A ver como o Deus-Menino
Nasceu lá tão pobrezinho.

— «Ó meu Menino Jesus,
Que tendes? Porque chorais?»
— «Deu-me minha mãe um beijo,
Choro por que me dê mais.»

O Menino chora, chora,
Chora com toda a razão:
Fizeram-Lhe a cama curta,
Tem os pezinhos no chão.

— «Ó meu Menino Jesus,
Que tendes? Porque chorais?»
— «Deu-me minha mãe um beijo,
Choro por que me dê mais.»



O Menino nas Palhas



Letra e música: Tradicional (Beira Baixa)
Recolha: Jaime Lopes Dias (in "Etnografia da Beira", Vol. VII, 1948)
Harmonização: Fernando Lopes-Graça (4.ª canção da "Segunda Cantata do Natal sobre Cantos Tradicionais Portugueses da Natividade", Op. 135, LG 33, 1960-61)
Intérprete: Coro de Câmara de Lisboa*, dir. Teresita Gutierrez Marques (in CD "Canções de Natal / Christmas Songs", Numérica, 1997; CD "Canções Populares Portuguesas", Numérica, 1998)




Ó Jesus Menino,
Mal agasalhado,
Tremendo com frio,
Em palhas deitado.

Bendito e louvado seja
O Menino de Deus
Na sua igreja.

Filhos de homens ricos
Em alvas toalhas;
Só Vós, meu Menino,
Numas pobres palhas.

Bendito e louvado seja
O Menino de Deus
Na sua igreja.

Não é pelos teres
Que Vós tendes tudo:
É só para dardes
Exemplo ao mundo.

Bendito e louvado seja
O Menino de Deus
Na sua igreja.

Bendito seja!



Ó Bento Airoso



Letra e música: Tradicional (Paradela, Miranda do Douro, Trás-os-Montes e Alto Douro)
Recolha: Michel Giacometti (1960, in "Cancioneiro Popular Português", Lisboa: Círculo de Leitores, 1981 – p. 43)
Harmonização: Eurico Carrapatoso (1.ª canção de "Natal Profano", 29 Mai. 1997)
Intérprete: Coro de Câmara de Lisboa*, dir. Teresita Gutierrez Marques (in CD "Canções de Natal / Christmas Songs", Numérica, 1997; CD "Canções Populares Portuguesas", Numérica, 1998, Coro de Câmara de Lisboa, 2017; CD "Natal A Cappella", Numérica, 1998)




Oh bento airoso, mistério divino!
Encontrei a Maria à beira do rio
Lavando os cueiros do bendito Filho.

Maria lavava, S. José estendia;
O Menino chorava com o frio que fazia. [bis]

Calai, meu Menino! Calai, meu amor!
É que as vossas verdades me matam com dor. [bis]

Oh bento airoso, mistério divino!
Encontrei a Maria à beira do rio
Lavando os cueiros do bendito Filho.



José Embala o Menino



Letra e música: Tradicional (Beira Baixa)
Harmonização: Eurico Carrapatoso (2.ª canção de "Natal Profano", 29 Mai. 1997)
Intérprete: Coro de Câmara de Lisboa*, dir. Teresita Gutierrez Marques (in CD "Canções de Natal / Christmas Songs", Numérica, 1997; CD "Canções Populares Portuguesas", Numérica, 1998, Coro de Câmara de Lisboa, 2017; CD "Natal A Cappella", Numérica, 1998)




José embala o Menino, [bis]
Que a Senhora logo vem. [bis]

[vocalizos]

O meu Menino tem sono,
Tem sono, quer-se dormir;
Durma-se aqui, meu Menino,
Até a Senhora vir.

[vocalizos]

Vai-te embora, passarinho!
Deixa a baga do loureiro!
Deixa dormir o Menino
Que está no sono primeiro!

[vocalizos]



Ó Meu Menino



Letra e música: Tradicional (Pias, Serpa, Baixo Alentejo)
Harmonização: Eurico Carrapatoso (3.ª e última canção de "Natal Profano", 29 Mai. 1997)
Intérprete: Coro de Câmara de Lisboa*, dir. Teresita Gutierrez Marques (in CD "Canções de Natal / Christmas Songs", Numérica, 1997; CD "Canções Populares Portuguesas", Numérica, 1998, Coro de Câmara de Lisboa, 2017; CD "Natal A Cappella", Numérica, 1998)




Ó meu Menino,
Meu doce Jesus,
Ó meu Redentor,
Salvai-me, Senhor!

Ponde em nós os Vossos olhos,
Misericórdia, Amor!
[bis]

Oh meu Menino
Sorrindo na dor!
Quem tudo sustém
Do mundo, Senhor!

Ponde em nós os Vossos olhos,
Misericórdia, Amor!
[bis]

Oh meu Menino,
Que pobre que estais,
Na gruta despido,
Por entre animais!

Ponde em nós os Vossos olhos,
Misericórdia, Amor!
[bis]

Ó meu Menino,
Meu doce Jesus!

[vocalizos]


* Coro de Câmara de Lisboa:
Sopranos – Jael Martins, Lucina Silva, Mafalda Nascimento, Matilde de Castro, Susana de Oliveira, Teresa Cordeiro
Contraltos – Ana Ferro, Isabel Torres, Marta Gregório, Sílvia Fontão
Tenores – Aníbal Coutinho, Carlos Quintelas, José Pereira, Pedro Marques, Sérgio Fontão, Vítor Gonçalves
Baixos – António Marques, João Camacho, Jorge Leal, Marcelo Tusto, Pedro Pires
Direcção – Teresita Gutierrez Marques

Produção – Teresita Gutierrez Marques, António Marques, Jorge Leal, Sérgio Fontão
Gravado na Igreja Anglicana de S. Jorge, Lisboa, em 1997
Gravação e editing – Fernando Rocha (Numérica)
URL: https://corodecamaradelisboa.com/
https://www.meloteca.com/portfolio-item/coro-de-camara-de-lisboa/
https://www.facebook.com/corodecamaradelisboa/
https://www.youtube.com/@corodecamaradelisboa
https://www.youtube.com/@DoTempoDosSonhos/videos?query=coro+camara+lisboa



Capa do CD "Canções Populares Portuguesas", do Coro de Câmara de Lisboa (Numérica, 1998)



Capa da reedição do álbum anterior comemorativa do 40.º aniversário do Coro de Câmara de Lisboa (2018)



Capa do CD "Natal A Cappella", do Coro de Câmara de Lisboa (Numérica, 1998)
Reprodução da pintura, de Josefa d'Óbidos, "Virgem com o Menino", c.1640-60, óleo sobre cobre, 15,7 x 12,2 cm, Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa



Capa do CD "Eurico Carrapatoso: A Cappella", do Coro de Câmara de Lisboa (Numérica, 2005)
Fotografia e design – Vítor Ferreira



Teresita Gutierrez Marques, maestrina (filipina)
Fotografia – Carlos Santos

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Outros artigos com repertório natalício:
Miguel Torga: "Natal"
Música portuguesa de Natal
Celina da Piedade: "Este Natal"
Em memória de Fernando Machado Soares (1930-2014)
António Gedeão: "Dia de Natal", por Afonso Dias
Vozes do Imaginário: "Não Há Noite Mais Alegre"
Miguel Torga: "Natividade"
Um Natal à viola da terra, por Rafael Carvalho
Cantos de Natal da Galiza e de Portugal
Canções portuguesas de Natal harmonizadas/musicadas por Fernando Lopes-Graça
Um Natal madeirense com o grupo Xarabanda
"Ó Meu Menino Jesus" (tradicional do Alto Alentejo)
Cantes ao Menino

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Outros artigos com repertório interpretado pelo Coro de Câmara de Lisboa:
Em memória de Manoel de Oliveira (1908-2015)
Luís de Camões: "Endechas a Bárbara Escrava"
Camões musicado por Fernando Lopes-Graça (obras corais 'a cappella')
Celebrando Jorge Croner de Vasconcellos

13 dezembro 2025

Em memória de Clara Pinto Correia (1960-2025)


Clara Pinto Correia, em Janeiro de 1995
© Pedro Cunha/"Público" (in https://www.publico.pt/)


Aquela ditadura antiga, a que veio abaixo ao som da terra da fraternidade, poderá ter mergulhado para o fundo do subconsciente colectivo por forma a deixar de estar à vista, mas na realidade nunca chegou a desaparecer completamente. E, entretanto, na sua face visível, foi substituída por outra ditadura diferente, que nós ainda entendemos mal, e que não se faz anunciar por hino absolutamente nenhum.

      CLARA PINTO CORREIA
      (in "Trinta Anos de Democracia: E Depois, Pronto",
      Lisboa: Relógio d'Água Editores, 2004 – p. 12)


«Escritora, bióloga e professora universitária, Clara Pinto Correia destacou-se em diferentes frentes. Foi tradutora, jornalista no extinto semanário O Jornal, cronista do Diário de Notícias e da Visão, e até se estreou como actriz, com António da Cunha Telles, em Kiss Me (2004). Foi também responsável científica do Jornal de Letras, Artes e Ideias, de 1983 a 1986, tendo trabalhado frequentemente em rádio e televisão. Deixou mais de cinco dezenas de títulos publicados, entre os quais se destaca o romance Adeus, Princesa [1985], publicado quando tinha apenas 25 anos e que viria a ser adaptado ao pequeno e grande ecrã [pelo realizador Jorge Paixão da Costa].
Na ficção, escreveu também Ponto Pé de Flor [1990] e Mais que Perfeito [1997]. Na literatura infantil, assinou Quem Tem Medo Compra um Cão [1991], A Minha Alma Está Parva [1992] e A Ilha dos Pássaros Doidos [1994]. Escreveu ainda, no campo da divulgação científica, O Essencial sobre os "Bebés-Proveta" [1986], Histórias Naturais [1988], Clonai e Multiplicai-vos: Verdades e Mentiras [1997] e O Ovário de Eva [1998].
Nascida em 1960, licenciou-se em Biologia pela Universidade de Lisboa e doutorou-se, em 1992, em Biologia Celular pelo Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar. Prosseguiu uma carreira universitária e de investigação no domínio da Embriologia no Instituto Gulbenkian de Ciência e também nos Estados Unidos, onde trabalhou até 1994 em clonagem de mamíferos na Universidade de Massachusetts. De 1994 até 1996 esteve na Universidade de Harvard, no Departamento de História das Ciências.
[...]»

            Leonor Alhinho e Sofia Neves, 9 Dez. 2025
            (in https://www.publico.pt/)


Principal bibliografia (oficial) de Clara Pinto Correia em:
https://atiraniadadistancia.wordpress.com/bibliografia/



Capa do livro "O Essencial sobre os 'Bebés-Proveta'", de Clara Pinto Correia (Col. Essencial, Vol. 12, Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1986)



Capa do livro "Histórias Naturais", de Clara Pinto Correia (Col. Várias Seduções, Lisboa: Edições 'O Jornal', 1988)
Ilustração – Pedro Salgado



Sobrecapa do livro "Portugal Animal", de Clara Pinto Correia (texto) e António José Cidadão (fotografia) (Lisboa: Círculo de Leitores / Publicações Dom Quixote, Abr. 1991)
Projecto gráfico – José Teófilo Duarte



Capa do livro "Clonai e Multiplicai-vos: Verdades & Mentiras ", de Clara Pinto Correia (Lisboa: Texto Editora, Abr. 1997)



Capa do livro "O Ovário de Eva: ovo e esperma e preformação", de Clara Pinto Correia; pref. Stephen Jay Gould; trad. Miguel D'Abreu (Col. Ciência, Lisboa: Relógio d'Água Editores, Mar. 1998)
Reprodução parcial invertida do quadro, de Piero di Cosimo, "Vénus, Marte e Cupido", c.1505, óleo sobre painel de madeira, 72 cm x 182 cm, Staatliche Museen zu Berlin / Gemäldegalerie, Berlim [imagem integral >> aqui]



Capa do livro "Clones Humanos: A nossa autobiografia colectiva", de Clara Pinto Correia; trad. Margarida Vale de Gato (Col. Ciência, Lisboa: Relógio d'Água Editores, Abr. 1999)
Reprodução parcial da obra, de William Blake, "Newton", c.1795, gravura em cobre com caneta, tinta e aguarela, 46 x 60 cm, Tate Gallery, Londres [imagem integral >> aqui]



Capa do livro "O Mistério dos Mistérios: uma história breve das teorias de reprodução animal", de Clara Pinto Correia (Col. Ciência, Lisboa: Relógio d'Água Editores, Abr. 1999)



Capa do livro "Dodologia: um voo planado sobre a modernidade", de Clara Pinto Correia; pref. Jorge Calado (Col. Ciência, Lisboa: Relógio d'Água Editores, Abr. 2001)



Capa do livro "Assim na Terra Como no Céu: Ciência, Religião e estruturação do pensamento ocidental", de Clara Pinto Correia e José Pedro Sousa Dias (Col. Ciência, Lisboa: Relógio d'Água Editores, Abr. 2003)



Capa do livro "O Testículo Esquerdo: Alguns aspectos da demonização do feminino", de Clara Pinto Correia (Col. Mosaicos da Ciência, Lisboa: Relógio d'Água Editores, Nov. 2004)



Capa do livro "A Maravilhosa Aventura da Vida: uma lição de biologia do desenvolvimento em que se percebe tudo", de Clara Pinto Correia (Col. Aventura da Ciência, Vol. 2, Barcarena: Editorial Presença, Mai. 2009)



Capa do livro "Canções das Crianças Mortas", de Clara Pinto Correia (poemas) e José Afonso Furtado (fotografias) (Lisboa: Relógio d'Água Editores, Abr. 1989)



Capa do livro "Canções Que Já Não Existem", de Clara Pinto Correia (poemas) e José Pedro Sousa Dias (fotografias) (Col. Trabalhos do Olhar, Vila Nova de Famalicão: Edições Quasi, Jun. 2005)



Capa do livro "Trinta Anos de Democracia: E Depois, Pronto", de Clara Pinto Correia (Col. Argumentos, Lisboa: Relógio d'Água Editores, Abr. 2004)
Reprodução de pormenor da parte superior do painel esquerdo do tríptico, de Jheronimus Bosch, "As Tentações de Santo Antão", 1505-1506, óleo sobre madeira, Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa [imagem integral >> aqui]



Capa do livro (romance) "A Primeira Luz da Madrugada", de Clara Pinto Correia (Cruz Quebrada: Oficina do Livro, Out. 2006)
Concepção – António Belchior, com imagens © Photonica / Getty Images / Imageone
Fotografia – José Pedro Sousa Dias


Luís Caetano, nos vários espaços que vem mantendo na Antena 2 – "A Força das Coisas", "A Ronda da Noite", "A Vida Breve" e "Última Edição" – teve o ensejo de honrar ampla e mui dignamente a memória de Clara Pinto Correia, recuperando entrevistas que a autora lhe concedeu, por ocasião do lançamento de livros seus, mais o registo da palestra que ela proferiu no dia 22 de Fevereiro passado n' As Correntes d'Escritas, e ainda leituras que a escritora fez a 28 de Abril de 1995, na Biblioteca do Congresso dos E.U.A.. Uma nota de grande louvor para Luís Caetano pelo elevado profissionalismo e assinável zelo que uma vez mais demonstrou no seu trabalho ao serviço dos ouvintes e em prol da Cultura! Juntamos, abaixo, os links de acesso directo à plataforma RTP-Play para cada uma dessas edições e ainda os relativos a outros programas da rádio e da televisão públicas disponíveis em RTP-Arquivos nos quais Clara Pinto Correia foi a convidada de honra.
Quanto à Antena 1, não sabemos se acaso foi feito algo em homenagem a Clara Pinto Correia, quanto mais não fosse a reposição da edição da conversa com João Gobern a uma "Mesa para Dois", posta (no ar) à hora de jantar do dia 19 de Novembro de 2024. Nada lográmos apanhar, mas como as nossas incursões à emissão foram esparsas, não podemos afiançar que se verificou a mesma negligência e inércia aquando do desaparecimento de outras figuras notáveis da Cultura Portuguesa. Dando o benefício da dúvida em contrário, importa concretizar uma iniciativa de cariz menos fugaz. Tratando-se do canal da rádio estatal que tem particulares obrigações no que concerne à divulgação da melhor música portuguesa (não erudita) e havendo canções gravadas com letras de Clara Pinto Correia, por Anabela e por Rui Veloso (pelo menos), é da mais elementar justiça à memória da malograda autora que algumas entrem na 'playlist' e lá permaneçam durante uns tempos. Aqui deixamos três delas, com as quais rematamos esta singela homenagem a Clara Pinto Correia. Da primeira, intitulada "Avenidas", os versos do refrão («O rio vai voltar a encher / De novo vai entrar pela aldeia / Mas eu não estarei cá para ver / O regresso certo da cheia») não podiam ser mais actuais nestes dias de chuva copiosa que são já de saudade da brilhante cientista e historiadora de ciência, prolífica escritora e cidadã lúcida que muito amava o seu país e se inquietava com o caminho de progressiva degradação cívica, cultural e moral que ele levava e que só por milagre não conduziria à problemática situação presente...


A RONDA DA NOITE | 9 Dez. 2025 [>> RTP-Play]
Clara Pinto Correia lendo o seu poema "Absoluto" e outros textos, e falando de si na Biblioteca do Congresso dos E.U.A. a 28 de Abril de 1995 [áudio integral >> Library of Congress] + Entrevista concedida por Clara Pinto Correia a Luís Caetano, em 2005, a propósito do livro "Trinta Anos de Democracia: E Depois, Pronto" (Relógio d'Água Editores, 2004).

A VIDA BREVE | 10 Dez. 2025 [>> RTP-Play]
Clara Pinto Correia lendo, na Biblioteca do Congresso dos E.U.A. a 28 de Abril de 1995, o seu poema "Absoluto", publicado no livro "Canções das Crianças Mortas" (Relógio d'Água Editores, 1989).

ÚLTIMA EDIÇÃO | 10 Dez. 2025 [>> RTP-Play]
Clara Pinto Correia entrevistada por Luís Caetano, em 2009, por ocasião do lançamento do livro "A Maravilhosa Aventura da Vida: uma lição de biologia do desenvolvimento em que se percebe tudo" (Editorial Presença, 2009).

ÚLTIMA EDIÇÃO | 11 Dez. 2025 [>> RTP-Play]
Clara Pinto Correia entrevistada por Luís Caetano, em 2006, por ocasião do lançamento do romance "A Primeira Luz da Madrugada" (Oficina do Livro, 2006).

A FORÇA DAS COISAS | 13 Dez. 2025 [>> RTP-Play]
Clara Pinto Correia lendo o seu poema "Absoluto" e outros textos na Biblioteca do Congresso dos E.U.A. a 28 de Abril de 1995 (excerto) [áudio integral >> Library of Congress] + Clara Pinto Correia palestrando n' As Correntes d'Escritas, a 22 de Fevereiro de 2025, tendo como mote o quadro "Guerra" ("War", 2003), de Paula Rego [>> imagem] + Clara Pinto Correia falando das suas predilecções culturais no programa "A Ilha de Orpheu", de João Paes (Fev. 1994) (excerto) [áudio integral >> abaixo] + Entrevista concedida por Clara Pinto Correia a Luís Caetano, em 2005, a propósito do livro "Trinta Anos de Democracia: E Depois, Pronto" (Relógio d'Água Editores, 2004) + Clara Pinto Correia entrevistada por Luís Caetano, em 2006, por ocasião do lançamento do romance "A Primeira Luz da Madrugada" (Oficina do Livro, 2006).

UMA BOA IDEIA I | 14 Nov. 1986 [>> RTP-Arquivos]
Programa apresentado por Isabel Bahia, em entrevista com Clara Pinto Correia, escritora e bióloga, sobre a sua carreira profissional e sugestões de ocupação dos tempos livres.

JÁ ESTÁ | 29 Out. 1987 [Parte III >> RTP-Arquivos]
Programa apresentado por Joaquim Letria com entrevista em estúdio à convidada Clara Pinto Correia, professora universitária, bióloga, escritora e historiadora de ciência; participação musical de Paulo de Carvalho e a rubrica "Fotomaton" com o actor Guilherme Leite.

INTERIORES | 9 Out. 1992 [Parte I >> RTP-Arquivos / Parte II >> RTP-Arquivos]
Maria João Avilez entrevista Clara Pinto Correia, professora universitária, bióloga e escritora, sobre temas da sua vida profissional e particular, realizada na sua casa no bairro da Graça, precedida por pequena biografia ilustrada com imagens do seu quotidiano.

CARLOS CRUZ - QUARTA FEIRA | 20 Jan. 1993 [Parte I >> RTP-Arquivos / Parte II >> RTP-Arquivos / Parte III >> RTP-Arquivos]
Carlos Cruz entrevista Clara Pinto Correia, jornalista, escritora e bióloga, sobre a sua vida pessoal, com destaque para a pluralidade de campos de trabalho e interesse, e a explicação do número de ouro ou divina proporção, já utilizada na construção das pirâmides egípcias e templos gregos, e também presente na Natureza.

A ILHA DE ORPHEU | 25 Fev. 1994 [>> RTP-Arquivos]
Clara Pinto Correia, em conversa com João Paes (compositor e director de programas da RDP-Rádio Cultura), falando de algumas das suas predilecções artísticas e literárias.

FALATÓRIO | 17 Mar. 1997 [Parte I >> RTP-Arquivos / Parte II >> RTP-Arquivos / Parte III >> RTP-Arquivos]
Pedro Rolo Duarte entrevista Clara Pinto Correia, sobre o seu percurso de vida pessoal e profissional enquanto escritora e bióloga, sendo destacado o tema da clonagem.

O AMIGO PÚBLICO I | 2 Abr. 1999 [Parte III >> RTP-Arquivos]
Programa recreativo apresentado por Júlio Isidro que entrevista Clara Pinto Correia.

A FERRO E FOGO | 27 Jun. 1999 [Parte I >> RTP-Arquivos / Parte II >> RTP-Arquivos]
Programa apresentado por Rita Ferro Rodrigues, em entrevista com Clara Pinto Correia, professora universitária, bióloga, escritora, investigadora e vice reitora da Universidade Lusófona, sobre momentos da vida pessoal, carreira profissional e as suas ideias sobre várias temáticas, e com a participação da convidada musical, Isabel Silvestre.

LER PARA CRER | 29 Jun. 1999 [Parte I >> RTP-Arquivos / Parte II >> RTP-Arquivos]
Programa apresentado por Francisco José Viegas, que conversa com Clara Pinto Correia, professora universitária, ensaísta, bióloga e escritora, a propósito da publicação do seu último romance "O Mistério dos Mistérios", e sobre a sua carreira académica e literária.

MESA PARA DOIS | 19 Nov. 2024 [>> RTP-Play]
Clara Pinto Correia, em conversa com João Gobern, falando das suas preferências gastronómicas e musicais, e ainda acerca do seu último romance, "Antares" (Editora Exclamação, Jun. 2024).



Avenidas



Letra: Clara Pinto Correia
Música: Rui Veloso
Arranjo: Rui Veloso e Fernando Nunes (Naná)
Intérprete: Anabela* (in CD "Primeiras Águas", Movieplay, 1996)




[instrumental]

Os que foram embora esta tarde
Já não esperam pela ceifa do trigo
Quando a minha vez chegar
Não vou levar nada comigo
Este ano depois da vindima
Nos dias das primeiras chuvas
Os velhos vão ficar sozinhos
A ouvir fermentar as uvas

O rio vai voltar a encher
De novo vai entrar pela aldeia
Mas eu não estarei cá p'ra ver
O regresso certo da cheia

[instrumental / vocalizos]

Na cidade o rio é o mesmo
Mas tem faróis e petroleiros
E os guindastes despejam os molhos
Nos caixotes dos cargueiros
O rio encheu as redes dos velhos
Mas eu não aprendi a pescar
E na cidade há avenidas
Que vão directas ao mar

O rio vai voltar a encher
De novo vai entrar pela aldeia
Mas eu não estarei cá p'ra ver
O regresso certo da cheia

[instrumental]

O rio vai voltar a encher
De novo vai entrar pela aldeia
Mas eu não estarei cá p'ra ver
O regresso certo da cheia
[3x]



Provérbios



Letra: Clara Pinto Correia
Música: José Salgueiro
Arranjo: José Salgueiro
Intérprete: Anabela* (in CD "Primeiras Águas", Movieplay, 1996)


[instrumental / vocalizos]

Nunca limpei armas em tempo de guerra
E só hei-de pagar uma dívida à terra

Os dias de tudo são véspera de nada
E meti-me ao caminho de muito amar a estrada

Quantos mais são os mouros melhor é a guerra
Não chegamos ao céu sem os ossos na terra

Quem se deitar à sorte aprende uma arte
Deus dá-nos as nozes, não é ele quem as parte

Porque se Deus é bom, não é mau o Diabo
Quem nunca se aventurou
nunca perdeu nem ganhou

Eu parti muito cedo sem olhar para trás
Filho meu a casa não voltarás

Quero-me livre de fome e de guerra,
livre de peste e de bispo na terra

Porque se Deus é bom, não é mau o Diabo
Quem nunca se aventurou
nunca perdeu nem ganhou

Aprendi que quem foje depressa se agarra
E se o outro mundo é de quem o ganha,
este é de quem o apanha

[instrumental / vocalizos]

Cada um enterra o seu pai como pode
Quem já perdeu tudo já ninguém lhe acode

Hão-de ser sempre mais as vozes que as gentes
Mas Deus só dá nozes a quem não tem dentes

Porque se Deus é bom, não é mau o Diabo
Quem nunca se aventurou
nunca perdeu nem ganhou
[bis]

Porque se Deus é bom...
Porque se Deus é bom...
Porque se Deus é bom...

[instrumental]


* Anabela – voz

Produção, direcção musical e repertório – José Salgueiro
Co-produção – Fernando Nunes (Naná)
Assistente de produção – Eduardo de Sousa
Gravado nos Estúdios Namouche, Lisboa
Misturas – José Salgueiro, João Pedro de Castro e Fernando Nunes (Naná)
Edição digital e masterização – João Pedro de Castro
URL: https://pt.wikipedia.org/wiki/Anabela_(cantora_portuguesa)
https://www.facebook.com/anabelaomeumundobom/
https://www.instagram.com/anabela.oficial/
https://www.youtube.com/@Anabelaoficialpt/videos
https://music.youtube.com/channel/UC22HaISotsBY8B_81PGye9g



Moby Dick



Letra: Clara Pinto Correia
Música: Rui Veloso
Intérprete: Rui Veloso* (in CD "Avenidas", EMI-VC, 1998, EMI Music Portugal, 2010, 2012, Warner Music Portugal, 2013)




[instrumental / vocalizos]

O meu avô atravessou todas as ondas
Cruzou as monções e arpoou as baleias
Cantava de noite uma canção mágica
Que chama às redes os bandos de moreias

Contou-me histórias de grutas azuis
Onde as medusas estão de guarda às maresias
E de mulheres como estátuas de sal
Para sempre à sua espera em praias vazias

[instrumental / vocalizos]

O meu avô amou a baleia branca
Por ela se foi perder nos dentes do mar
Mas deixou um mapa no meu travesseiro
P'ra quando também eu já não quiser voltar

Só eu conheço o rumo do norte
Que atravessa os olhos verdes das sereias
Até às baías de cristais de gelo
Onde em segredo se vão amar as baleias

[instrumental / vocalizos]


* Rui Veloso – voz
John Themis – guitarras acústicas
The London Session Orchestra – cordas / Concertino – Gavin Wright

Arranjos de cordas – Godfrey Wang
Programações e samplers – Luís Jardim
Produção – Luís Jardim
Co-Produção – Rui Veloso e Carlos Tê
Produção Executiva – Manuel Moura dos Santos
Gravado e misturado por Jon Mallison no Livingston Recording Studios, Ltd., Londres, de 21 de Setembro a 9 de Outubro de 1998
Assistentes – Simon Burnwell, Nick Coplowe e Mike Body
Masterizado por Tim Burrel, no The Town House Studio, Londres
URL: https://ruiveloso.pt/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Rui_Veloso
https://www.facebook.com/rui.veloso.oficial/
https://www.instagram.com/ruivelosoficial/
https://www.youtube.com/@ruivelosotv/videos
https://music.youtube.com/channel/UC47p_M4XH5xN2cADep6U2mA



Capa do CD "Primeiras Águas", de Anabela (Movieplay, 1996)
Fotografia – Roberto Giostra
Design gráfico – Dupla



Capa do CD "Avenidas", de Rui Veloso (EMI-VC, 1998)
Fotografia – Ray Burmiston
Design e tratamento gráfico da fotografia – Fátima Rolo Duarte.