23 setembro 2019

Jorge Cravo: "Outono à Beira-Rio"


© Gracinha (in blogue "Os Olhares da Gracinha!")


Começou o Outono de 2019. Para assinalar o início da estação que tinge as folhas de tons quentes (amarelos, laranjas, vermelhos, castanhos), apresentamos uma canção que nos leva à Coimbra ribeirinha: "Outono à Beira-Rio", de e por Jorge Cravo. E que bem nos sabe ouvir a música da Lusa Atenas nestes dias amenos de luz coada que convidam à contemplação das telas que a Natureza pintou para inebriamento do nosso olhar!
A talhe de foice, uma pergunta: em que situação está a música de matriz coimbrã na Antena 1? Na 'playlist' nada existe e na programação de autor apenas o espaço "Alma Lusa" (que começa depois do noticiário da meia-noite de domingo e termina às 2:00 da madrugada de segunda-feira) lhe dá, de vez em quando, alguma guarida. O que é pouco e com a agravante do horário ser impraticável por quem trabalha ou estuda e precisa de se levantar cedo na manhã seguinte. Sem prejuízo de outras medidas, impõe-se a criação de uma rubrica diária especialmente consagrada à canção de Coimbra, que sendo um dos géneros mais identitários da nossa música deve merecer da rádio pública portuguesa o devido desvelo.



Outono à Beira-Rio



Letra e música: Jorge Cravo
Intérprete: Jorge Cravo / Quarteto de António José Moreira* (in CD "Canções d'uma Cidade e d'um Rio", Numérica, 2010)


[instrumental]

O fim de tarde em Coimbra
não tem pôr-do-sol igual:
melodia que nos timbra
um tom azul outonal.
    Em Outubro Munda é rio
    onde a brancura se pinta:
    traço azul do casario
    numa aguarela distinta.
        Coimbra a ser vivida
        por dentro do seu poente:
        é senti-la assim esculpida
        aos olhos da sua gente.
        Coimbra a ser vivida
        por dentro do seu poente:
        é senti-la assim esculpida
        aos olhos da sua gente.

No seu olhar de menina
o sol se espelha com graça
no casario da colina
como fogo nas vidraças.
    O ventar faz ondular
    o poisar no rio da ave:
    branda gaivota a adejar
    num planar de asas suave.
        Coimbra a ser vivida
        por dentro do seu poente:
        é senti-la assim esculpida
        aos olhos da sua gente.
        Coimbra a ser vivida
        por dentro do seu poente:
        é senti-la assim esculpida
        aos olhos da sua gente.


* Quarteto de António José Moreira:
António José Moreira – guitarra de Coimbra (construída em 1983, por Manuel Cardoso)
Henrique Ferrão – guitarra de Coimbra (construída em 1988, por Gilberto Grácio)
José Carlos Ribeiro – viola (Alhambra Mod. 6P)
Jorge Cravo – voz

Arranjos e composição final – António José Moreira, com a colaboração de Henrique Ferrão e José Carlos Ribeiro
Gravado nos estúdios da Quinta da Música, Grijó, e nos estúdios da Numérica, Paços de Brandão, de Maio a Julho de 2010
Técnico de som – Jorge Fidalgo
Misturas, edição e masterização – Jorge Fidalgo, em Setembro e Outubro de 2010, no Porto (estúdio particular)
URL: http://numerica-pt.blogspot.com/2011/04/quarteto-de-antonio-jose-moreira.html
http://guitarrasdecoimbra2.blogspot.com/2011/04/homenagem-e-lancamento-do-disco-cancoes.html



Capa do CD "Canções d'uma Cidade e d'um Rio" (Numérica, 2010).
Grafismo – José Carlos Ribeiro.

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