Em peças de teatro e obras de ficção (que não sejam fábulas ou histórias para crianças), os nomes de animais nos títulos surgem, quase sempre, em sentido figurado ou metafórico, isto é, remetendo para pessoas ou para as qualidades e atitudes dos humanos que são consideradas animalescas. Alguns exemplos: "As Vespas", do grego Aristófanes; "O Leopardo", do italiano Giuseppe Tomasi di Lampedusa; "O Lobo das Estepes", do alemão Hermann Hesse; "As Moscas", do francês Jean-Paul Sartre; "A Cotovia", do também francês Jean Anouilh; e "Quando os Lobos Uivam", do português Aquilino Ribeiro. Neste último caso, os lobos são as autoridades do regime salazarista que teimaram em levar por diante a florestação de pinhal nos baldios da Serra de Leomil (também chamada Serra da Nave, e que o autor designou na narrativa por Serra dos Milhafres), mesmo contra a vontade das populações locais. Helena Matos, na edição da rubrica "O Mundo ao Ouvido" (Antena 1), em que incluiu uma gravação de uivos de lobos, e teceu algumas considerações sobre aqueles animais, menciona o romance "Quando os Lobos Uivam". A simples citação do título é gratuita, já que as personagens da obra aquiliniana são indivíduos da espécie homo sapiens e não os temidos canídeos selvagens. No entanto, podemos admitir a referência como benévola, e por duas ordens de razões: primeira – porque todos os pretextos são bons para sugerir a leitura da suculenta prosa de Aquilino Ribeiro (um escritor actualmente bastante esquecido, mas que é um dos maiores vultos da Literatura Portuguesa do século XX e de sempre); segunda – porque na região da Beira Alta onde se desenrola a acção do romance havia alcateias, pelo menos até ao momento em que foi escrito e originalmente publicado (1958). Terá sido essa a circunstância que inspirou o título ao escritor e que também deu o mote ao jornalista João Paulo Guerra para incluir uivos de lobos no início da reportagem que, em 1995 no âmbito da série "Viagens com Livros" (TSF), realizou na zona dos baldios que foram alvo da prepotência estatal, e cujo registo áudio aproveitamos para resgatar, com a devida vénia ao autor. Uma boa memória da rádio e um notável exemplo de serviço público cultural! Os lobos, esses foram sendo dizimados, a ponto de desaparecerem das Terras do Demo (como o próprio Aquilino as designou), e se hoje ainda existem em algumas regiões mais setentrionais do território nacional (designadamente no Parque Natural de Montesinho) muito o devemos ao Grupo Lobo, presidido pelo Prof. Francisco Fonseca, que não se tem poupado a esforços em prol do lobo ibérico. A propósito, porque não aproveitou Helena Matos a soberana oportunidade que teve para fazer alusão àquela honorável entidade e ao meritório trabalho que tem desenvolvido no nosso país? Uma omissão absolutamente imperdoável, ademais tratando-se de uma jornalista e suposta investigadora! O apontamento também deixou muito a desejar na opção que foi feita para a ilustração musical. Em vez de trazer o massificado Michael Jackson e o seu "Thriller", que toda a gente conhece, Helena Matos podia ter subido a fasquia e dado a ouvir a sinfonia de uivos que surge na parte final do tema "Lobos, Raposas e Coiotes", de Maria João e Mário Laginha, ou, ainda melhor, o tema "A Lua e os Lobos", de Rão Kyao, em que o músico imita na flauta precisamente os uivos dos lobos. Isso, sim, era prestar bom serviço público. Da rádio que os contribuintes financiam espera-se algo mais do que banalidades e futilidades que nada acrescentam ao universo de quem ouve. Como os leitores do blogue "A Nossa Radio" merecem o melhor, aqui se faculta a audição integral das duas peças musicais atrás referidas. Quando os Lobos Uivam
Reportagem de João Paulo Guerra* (in CD "Viagens com Livros", Vol. 4 – "Quando os Lobos Uivam / Léah e Outras Histórias", Strauss, 1996) (reportagem de rádio) * Guião e reportagem – João Paulo Guerra Sonorização – Alexandrina Guerreiro Transmissão na TSF-Rádio Jornal, de Abril a Setembro de 1995 Masterização digital – Francisco Leal, no Strauss Studio, Lisboa, em Janeiro de 1996 Lobos, Raposas e Coiotes
Música: Mário Laginha Intérpretes: Maria João e Mário Laginha* com a NDR Radio Philharmonic Orchestra Hannover, dir. Arild Remmereit (in CD "Lobos, Raposas e Coiotes", Verve/Universal, 1999)
(instrumental com vocalizos) * Maria João – voz Mário Laginha – piano Orquestração e arranjos – Mário Laginha NDR Radio Philharmonic Orchestra Hannover, dirigida por Arild Remmereit Produção – Reinhard Karwatky & Wolf-Dieter Karwatky Co-produção – Norddeutscher Rundfunk, Hannover Supervisão de gravação – Reinhard Karwatky Gravado por Manfred Kietzke e Wolf-Dieter Karwatky, nos NDR Studios, Hannover (Alemanha), em 1997 Mistura, masterização e edição digital – Karwatky Bros. (Karcos) e Universal Recording Service (Emil Berliner Haus), Hannover A Lua e os Lobos
Música: Rão Kyao Intérprete: Rão Kyao* (in CD "Porto Alto", Farol Música, 2004) (instrumental) * [Créditos gerais do disco:] Rão Kyao – flautas de bambu Renato Júnior – acordeão António Pinto – guitarras acústicas Ruca Rebordão – tambor africano, caxixi André Sousa Machado – bateria Produção musical – Luís Pedro Fonseca Produção executiva – António Cunha (Uguru) & Luís Pedro Fonseca Gravado por Pedro Rego e Jorge Barata, nos Estúdios Xangrilá, Lisboa, em Dezembro de 2003 e Janeiro de 2004 Misturado e masterizado por Jorge Barata, nos Estúdios Xangrilá, Lisboa Capa do CD "Viagens com Livros", Vol. 4 – "Quando os Lobos Uivam / Léah e Outras Histórias" (Strauss, 1996) Design gráfico – Rogério Taveira Fotografia – Edite Lourenço Capa do CD "Lobos, Raposas e Coiotes" (Verve/Universal, 1999) Capa do CD "Porto Alto" (Farol Música, 2004) Capa do romance "Quando os Lobos Uivam" (Bertrand Editora, edição de 2011)
Qualquer dia é bom para se reflectir e opinar sobre o serviço público de rádio e o de hoje afigura-se assaz oportuno para trazer de novo à liça a Antena 2, tão confrangedor é o mísero estado a que chegou às mãos da tríade de malfeitores Marinho/Pêgo/Almeida. Não há muito a acrescentar ao que foi explanado em textos anteriores (links ao fundo), mas importa frisar dois ou três pontos de capital importância. Persiste a penúria de programas culturais – nas áreas da História, da Sociologia, da Antropologia, das Artes, do Pensamento – e mesmo em matéria de música são escassíssimos os programas de autor. Prevalecem os espaços – longuíssimos! – preenchidos com trechos musicais em jeito de miscelânea: vai-se buscar à prateleira um lote de discos ao acaso e toca de passar uma ou duas faixas de cada um, de tal sorte que durante uma hora (há que não ultrapassar esse tempo porque os 'jingles' e os 'spots' promocionais têm forçosamente de ser disparados, mesmo que já tenham ido para o ar milhentas vezes) podem ser transmitidas as obras mais díspares em género, estilo e época. «Mete-se tudo no mesmo saco e logo se vê o que sai na rifa». Perguntamos: isto é prestar bom serviço público? É com este método desconexo e destruturado que a Antena 2 cumpre a nobre missão para a qual foi criada e que é, por um lado, a de satisfazer os ouvintes mais eruditos e exigentes e, por outro, a de promover o gosto e o conhecimento nos principiantes? Jamais! Não corresponde cabalmente às expectativas dos primeiros e afugenta os segundos, de tão perdidos e desorientados que se sentem no meio de tal babel musical. Vistas bem as coisas, a Antena 2, durante largas horas do dia, não é muito diferente de uma vulgar rádio de 'playlist', se exceptuarmos a atenuante de as peças musicais não estarem sujeitas a padrões de repetição durante o mesmo dia ou nos seguintes (como acontece na Antena 1, por exemplo). No fundo, o que Rui Pêgo fez foi aplicar à Antena 2 a formatação em vigor nas rádios de música pop por onde passou (a começar pela RFM), revelando assim uma evidente incapacidade para perceber as especificidades de um canal vocacionado para a alta cultura. Incapacidade e desinteresse, pois ao mesmo tempo que deixa a Antena 2 na indigência não faz a menor parcimónia em engordar a clientela de colaboradores externos da Antena 1 (como sucedeu já este ano). No Dia Mundial da Rádio, o escrevente destas linhas e, estou em crer, muitos mais ouvintes insatisfeitos com a actual Antena 2 deixam expresso o desejo de que o novo responsável pelos conteúdos na administração da Rádio e Televisão de Portugal, Nuno Artur Silva, olhe para o canal e lhe restitua a dignidade perdida (depois da saída de João Pereira Bastos foi sempre a descer). E o primeiro passo será, inevitavelmente, voltar a autonomizar a direcção de programas e entregá-la a uma pessoa com a necessária e conveniente sensibilidade cultural. Atrevo-me a sugerir um nome: a pianista e ex-ministra da Cultura Gabriela Canavilhas. Textos relacionados: Evocações
e programas culturais Formas
de poluição sonora na rádio pública Antena
2: quando os 'spots' promocionais se tornam um flagelo Bach
achincalhado na Antena 2 Promoção
à RTP-1 na Antena 2 Antena
0,2: a arte que destoca A 'macdonaldização' da Antena 2 Poesia na rádio (II) Antena 2: zero euros para a aquisição de novos discos Sobre o estado da Antena 2 Porquê
o fim do "Teatro Imaginário"? Um
requiem cortado em pedacinhos Em
defesa do programa "Questões de Moral" Antena
2: uma pobreza de rádio "A
Vida Breve": a poesia na voz dos autores Antena
2: uma miséria de rádio Teatro
radiofónico: criminosamente ausente do serviço público
Fernando Machado Soares nasceu em S. Roque do Pico (distrito da Horta - Açores), em 3 de Setembro de 1930 e licenciou-se nos finais da década de 50, na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Este cantor, poeta e compositor, começou a cantar em Coimbra, nos anos 50, integrado num histórico grupo de fados e guitarradas, do qual faziam parte, entre outros, Luiz Goes, José Afonso, Fernando Rolim e Florêncio de Carvalho, e ainda António Brojo, António Portugal (guitarras), Aurélio Reis e Mário de Castro (violas). Machado Soares colaborou intensamente com os organismos académicos da altura, tendo-se deslocado ao Brasil com o Orfeon em 1954 e feito o périplo de África com a Tuna, em 1956. Em 1961, já licenciado em Direito, acompanhou o Orfeon aos Estados Unidos da América. Em 1957, com António Portugal e Jorge Godinho (guitarras) e Manuel Pepe e Levy Baptista (violas), Fernando Machado Soares prepara a gravação de um disco que ficará para a História como um dos momentos mais altos do fado de Coimbra e onde toda a sua criatividade renovadora ficou bem patente: o LP do "Coimbra Quintet", gravado para a Philips, em Madrid, num estúdio de excelentes condições técnico-acústicas. Apesar da sua importante colaboração na concepção dos arranjos e de algumas composições suas figurarem no disco, acabou por ser Luiz Goes, e não Machado Soares, a registar a sua voz no vinil: pura e simplesmente, o cantor decidiu não se deslocar à gravação e, à última hora, foi substituído por Luiz Goes, o qual, rápida e talentosamente, recebeu o testemunho de Machado Soares e realizou uma brilhante performance em estúdio. Machado Soares é talvez, depois de Menano e Bettencourt, o nome mais importante do fado de Coimbra (mais pela renovação que promoveu e pela qualidade e quantidade das suas composições, do que pela sua forma de interpretar, aliás também excelente). Na realidade, foi este açoriano quem criou as condições da transição do fado clássico para as baladas e para as trovas, que as vozes de José Afonso e Adriano Correia de Oliveira vieram a imortalizar: sem o contributo de Machado Soares, seguramente que teria sido outra, diferente e menos rica, a trajectória do Zeca e do Adriano (o qual, aliás, gravou muitas composições de Machado Soares). Durante os seus tempos de Coimbra não era fácil conseguir ouvir cantar Machado Soares: ele só cantava quando lhe apetecia. E não lhe apetecia muitas vezes... Curiosamente, foi depois de deixar Coimbra e iniciar a sua carreira de magistrado (em comarcas como Guimarães, Santarém, Almada e outras) que Machado Soares, aos fins-de-semana, rumava à Lusa Atenas para cantar e conviver, acolhendo-se à "sua" República Baco, onde vivera durante os seus tempos de estudante e onde, nessa altura, residiam José Niza (que o acompanhava à guitarra e à viola), Fernando Gomes Alves (outro cantor de fados), Manuel Pepe (já médico, mas ainda residente na República e viola do grupo de António Portugal) e ainda Francisco Bandeira Mateus, que fez versos para alguns dos fados de Machado Soares. Entretanto, com a transferência para o Tribunal de Almada – já como juiz corregedor – a carreira de Machado Soares conhece imprevistos desenvolvimentos. Nas noites de Lisboa começa a ser frequentador assíduo de casas de fado, acabando por se "fixar" no "Senhor Vinho", da fadista Maria da Fé [e do poeta José Luís Gordo], onde começou a ser acompanhado pelo grande guitarrista Fontes Rocha, pelos violas da casa e, muitas vezes, por Durval Moreirinhas. No "Senhor Vinho", Machado Soares actuava integrado no elenco dos artistas residentes, cantando sempre canções suas ou do repertório de Coimbra, e deliciando os frequentadores com a expressão da sua voz fortíssima e as "nuances" pianíssimas que imprimia às suas interpretações. Aliás, o facto de ser juiz de dia e cantor à noite, não caiu bem no Ministério da Justiça, que considerava lesivas da dignidade da magistratura as suas actuações públicas. Machado Soares em nada alterou este seu "desdobramento de personalidade", continua a cantar onde lhe apetece e, entretanto, chegou ao topo da sua carreira de magistrado, sendo actualmente Juiz Conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça. De toda a sua riquíssima obra destaca-se um tema que será um dos mais conhecidos e cantados da música popular portuguesa: a Balada do 6.º ano médico "Coimbra tem mais encanto / na hora da despedida". Para Machado Soares – e já lá vão mais de 35 anos passados sobre a despedida – Coimbra continua a ter encantos infinitos e a servir de motivação para uma das obras mais importantes da música portuguesa da segunda metade do século. JOSÉ NIZA (texto publicado no livro apenso ao duplo CD "Fados e Guitarradas de Coimbra: Vol. 1", Movieplay, 1996) Fernando Machado Soares faleceu em Almada, a 7 de Dezembro de 2014. A notícia veio a lume no dia 10 (vide artigo de Gonçalo Fragata no "Público") mas a rádio estatal manteve-se completamente alheada do triste acontecimento. Como se explica que a Antena 1, atendendo às especiais obrigações que tem no domínio da música portuguesa, não tenha feito a devida homenagem ao eminente artista? A explicação encontra-se, evidentemente, no já sobejamente conhecido obscurantismo cultural de quem a dirige... O blogue "A Nossa Rádio" pauta-se por uma atitude bem diferente e faz o serviço público de apresentar um punhado dos mais belos espécimes do repertório de Fernando Machado Soares, pois a melhor forma de render tributo à sua memória é ouvi-lo. E como se afigura muito a propósito na presente quadra, o rol termina com a canção "Oh Meu Menino Jesus", uma das mais maravilhosas peças do cancioneiro natalício que até hoje se criaram em Portugal (e no mundo). Uma pérola perdida no vinil... Balada do Entardecer
Letra e música: Fernando Machado Soares Intérprete: Fernando Machado Soares* (in EP "Fados e Guitarradas de Coimbra", Alvorada MEP 60109, 1958; "Fados e Guitarradas de Coimbra: Vol. 1": CD1, Movieplay, 1996) [instrumental] Ó Mondego, ó Mondego, Diz-me se corres p'ró mar! Ao meu amor, em segredo, Saudades quero mandar. Ó Mondego, ó Mondego, Diz-me se corres p'ró mar! [instrumental] Quero saudades mandar Em troca das minhas dores. Diz-me se corres p'ró mar, Espelho das minhas dores!
Diz-me se corres p'ró mar, Espelho das minhas dores! * António Portugal e Jorge Godinho – guitarras de Coimbra Manuel Pepe e Levy Baptista – violas O Que Mais me Prende ao Mundo
Letra: Popular (1.ª quadra) e Fernando Machado Soares Música: Fernando Machado Soares Intérprete: Fernando Machado Soares* (in EP "Fados e Guitarradas de Coimbra", Alvorada MEP 60110, 1958; "Fados e Guitarradas de Coimbra: Vol. 1": CD1, Movieplay, 1996) [instrumental] O que mais me prende ao mundo Não é amor de ninguém; É que a morte, de esquecida, Deixa o mal e leva o bem. [instrumental] Quando eu um dia morrer, Não chores, ó minha amada! Também a morte é viver Quando a vida não é nada. * António Portugal e Jorge Godinho – guitarras de Coimbra Manuel Pepe e Levy Baptista – violas Fado da Noite
Letra: Popular Música: Jorge de Morais (Xabregas) Intérprete: Fernando Machado Soares* (in EP "Fados e Guitarradas de Coimbra", Alvorada MEP 60111, 1958; "Fados e Guitarradas de Coimbra: Vol. 1": CD2, Movieplay, 1996) [instrumental] A vida é negra, tão negra, Como a noite nos pinhais; Mas é nas noites mais negras Que as estrelas brilham mais. [instrumental] Dá-me os teus olhos profundos E pode o mundo acabar! Que importa o mundo se há mundos Lá dentro do teu olhar! * António Portugal e Jorge Godinho – guitarras de Coimbra Manuel Pepe e Levy Baptista – violas Balada da Despedida (Coimbra Tem Mais Encanto)
Letra: Francisco Bandeira Mateus Música: Fernando Machado Soares Arranjo: José Fontes Rocha Intérprete: Fernando Machado Soares* (in LP "Coimbra Tem Mais Encanto", Philips/Polygram, 1986; CD "Fernando Machado Soares", Philips/Polygram, 1988)
Coimbra tem mais encanto Na hora da despedida. [bis] Que as lágrimas do meu pranto São a luz que lhe dá vida. Coimbra tem mais encanto Na hora da despedida. [bis] Quem me dera estar contente, Enganar a minha dor, Mas a saudade não mente Se é verdadeiro o amor. Coimbra tem mais encanto Na hora da despedida. [bis] Não me tentes enganar Com a tua formosura, Que para além do luar Há sempre uma noite escura. Coimbra tem mais encanto Na hora da despedida. [bis] Que as lágrimas do meu pranto São a luz que lhe dá vida. Coimbra tem mais encanto Na hora da despedida. [4x] * José Fontes Rocha – guitarra portuguesa Durval Moreirinhas – viola O Fado dos Passarinhos (Passarinho da Ribeira)
Letra: Popular Música: António Menano Arranjo: José Fontes Rocha Intérprete: Fernando Machado Soares* (in LP "Coimbra Tem Mais Encanto", Philips/Polygram, 1986; CD "Fernando Machado Soares", Philips/Polygram, 1988)
[instrumental] Passarinho da ribeira, Se não és meu inimigo, Empresta-me as tuas asas, Deixa-me ir voar contigo! Passarinho da ribeira, Ai... deixa-me ir voar contigo! Ao longe, cortando o espaço, Vai um bando de andorinhas... Que te leva um abraço E muitas saudades minhas. Ao longe, cortando o espaço, Ai... vai um bando de andorinhas... * José Fontes Rocha – guitarra portuguesa Durval Moreirinhas – viola Canção das Lágrimas
Letra e música: Armando Goes Arranjo: Fernando Machado Soares Intérprete: Fernando Machado Soares* (in LP "Coimbra Tem Mais Encanto", Philips/Polygram, 1986; CD "Fernando Machado Soares", Philips/Polygram, 1988)
[instrumental] Lágrimas que a gente chora E sufocam nossos ais, Deixai-as lá ir embora, Que elas vão, nem voltem mais. [instrumental] Tanta dor, tanta amargura, A sulcar faces tão belas; E tanta água que é pura A lavar sujas vielas. * José Fontes Rocha – guitarra portuguesa Durval Moreirinhas – viola Fado da Mentira
Letra: António Menano Música: António Menano e Fernando Machado Soares Arranjo: José Fontes Rocha Intérprete: Fernando Machado Soares* (in LP "Coimbra Tem Mais Encanto", Philips/Polygram, 1986; CD "Fernando Machado Soares", Philips/Polygram, 1988)
[instrumental] Fiz uma cova na areia P'ra enterrar minha mágoa; Entrou por ela o mar todo, Não encheu a cova d'água. [instrumental] Ninguém conhece no rosto Todo o bem que a alma inspira; A vida é gosto e desgosto: Mentira, tudo mentira. [instrumental] * José Fontes Rocha – guitarra portuguesa Durval Moreirinhas – viola Rosas Brancas
Letra e música: António de Sousa Arranjo: José Fontes Rocha Intérprete: Fernando Machado Soares* (in LP "Coimbra Tem Mais Encanto", Philips/Polygram, 1986; CD "Fernando Machado Soares", Philips/Polygram, 1988)
[instrumental] Quando eu morrer, nem sequer Na campa uma cruz erguida! Para calvário, já basta A cruz que eu levo da vida. Quando eu morrer, nem sequer Na campa uma cruz erguida! [instrumental] Quando eu morrer, rosas brancas Para mim ninguém as corte! Quem as não teve na vida Também as não quer na morte. Quando eu morrer, nem sequer Na campa uma cruz erguida! * José Fontes Rocha – guitarra portuguesa Durval Moreirinhas – viola Vira de Coimbra
Letra e música: Popular (anterior ao século XVIII) Arranjo: José Fontes Rocha Intérprete: Fernando Machado Soares* (in LP "Coimbra Tem Mais Encanto", Philips/Polygram, 1986; CD "Fernando Machado Soares", Philips/Polygram, 1988)
[instrumental] Coimbra, p'ra ser Coimbra, Três coisas há-de contar: Guitarras, tricanas lindas E um estudante a cantar. Ó Portugal que mais queres Que mais podes desejar, Se tem tão lindas mulheres, O teu fado, o teu luar? Dizem que amor de estudante Não dura mais que uma hora; Só o meu é tão velhinho E inda se não foi embora. [instrumental] * José Fontes Rocha – guitarra portuguesa Durval Moreirinhas – viola O Meu Menino
Letra: Popular (1.ª quadra) e Alexandre Resende Música: Alexandre Resende Arranjo: José Fontes Rocha Intérprete: Fernando Machado Soares* (in LP "Coimbra Tem Mais Encanto", Philips/Polygram, 1986; CD "Fernando Machado Soares", Philips/Polygram, 1988)
[instrumental] O meu Menino é d'oiro, É d'oiro o meu Menino; Hei-de levá-lo ao céu Enquanto for pequenino! [instrumental] Enquanto for pequenino, Tão puro como o luar, Hei-de levá-lo ao céu, Hei-de ensiná-lo a cantar! * José Fontes Rocha – guitarra portuguesa Durval Moreirinhas – viola Santa Clara
Letra e música: Ângelo de Araújo Arranjo: Ângelo de Araújo Intérprete: Fernando Machado Soares* (in LP "Coimbra Tem Mais Encanto", Philips/Polygram, 1986; CD "Fernando Machado Soares", Philips/Polygram, 1988)
[instrumental] Santa Clara, Santa Clara, A teus pés corre o Mondego, A namorar-te em segredo, Minha linda Santa Clara! [instrumental] Beija-te os pés, Santa Clara, O Mondego sonhador; E nesse beijo de amor Vão mil preces, Santa Clara! [instrumental] * José Fontes Rocha – guitarra portuguesa Durval Moreirinhas – viola Fado das Andorinhas
Letra e música: António Almeida d'Eça Arranjo: José Fontes Rocha Intérprete: Fernando Machado Soares* (in LP "Coimbra Tem Mais Encanto", Philips/Polygram, 1986; CD "Fernando Machado Soares", Philips/Polygram, 1988)
[instrumental] Porque os meus olhos se apartam Dos teus, não lhes queiras mal, Que as andorinhas que partem Voltam ao mesmo beiral! [instrumental] Eu hei-de voltar um dia, Eu sou como as andorinhas, Se as tuas saudades forem Bater à porta das minhas. * José Fontes Rocha – guitarra portuguesa Durval Moreirinhas – viola Fado Corrido
Letra: Augusto Hilário (1.ª quadra) e Popular Música: Popular Arranjo: António Portugal Intérprete: Fernando Machado Soares* (in LP "Coimbra Tem Mais Encanto", Philips/Polygram, 1986; CD "Fernando Machado Soares", Philips/Polygram, 1988)
[instrumental] A minha capa velhinha É da cor da noite escura; Nela quero amortalhar-me Quando for p'ra a sepultura. [instrumental] Coimbra, rio Mondego Dos roussinóis ao luar, Em tuas margens de sonho Ficou minha alma a chorar. [instrumental] Hei-de perguntar um dia Ao vento o que diz às flores, Para ver se é só uma Esta linguagem de amores. [instrumental] * José Fontes Rocha – guitarra portuguesa Durval Moreirinhas – viola Produção – José Luís Gordo Canto de Amor e de Amar
Letra: Ana Costa Nunes, Luís de Camões e Fernando Machado Soares Música: Fernando Machado Soares Arranjo: José Fontes Rocha Intérprete: Fernando Machado Soares* (in LP "Serenata", Philips/Polygram, 1988; CD "Fernando Machado Soares", Philips/Polygram, 1988)
[instrumental] Um amor p'ra ser amor Dura sempre a vida inteira; Quem amar segunda vez Não amou bem da primeira. Um amor p'ra ser amor Dura sempre a vida inteira... De qualquer modo que existas, És a minha divindade; Ventura quando te vejo, Se te não vejo, saudade. Um amor p'ra ser amor Dura sempre a vida inteira... [bis] E quando já for saudade Sem que nada nos conforte, É sinal que ainda vive Mesmo para além da morte. Um amor p'ra ser amor Dura sempre a vida inteira; Quem amar segunda vez Não amou bem da primeira. Um amor p'ra ser amor Dura sempre a vida inteira... [bis] [instrumental] * José Fontes Rocha – guitarra portuguesa Durval Moreirinhas – viola Serra d'Arga
Letra: Popular Música: Fernando Machado Soares Arranjo: José Fontes Rocha Intérprete: Fernando Machado Soares* (in LP "Serenata", Philips/Polygram, 1988; CD "Fernando Machado Soares", Philips/Polygram, 1988)
[instrumental] Abaixa-te, ó Serra d'Arga, Que eu quero ver São Lourenço! Quero ver o meu amor, Acenar-lhe com o lenço. [instrumental] Menina do lenço preto, Diga-me quem lhe morreu: Se foi pai ou se foi mãe? Que por ela morro eu! [instrumental] * José Fontes Rocha – guitarra portuguesa Durval Moreirinhas – viola Balada do Outono
Letra e música: José Afonso Arranjo: José Fontes Rocha Intérprete: Fernando Machado Soares* (in LP "Serenata", Philips/Polygram, 1988; CD "Fernando Machado Soares", Philips/Polygram, 1988)
[instrumental] Águas passadas do rio, Meu sono vazio Não vão acordar! Águas das fontes calai, Ó ribeiras chorai, Que eu não volto a cantar! Rios que vão dar ao mar, Deixem meus olhos secar! Águas das fontes calai, Ó ribeiras chorai, Que eu não volto a cantar! [instrumental] Águas das fontes calai, Ó ribeiras chorai, Que eu não volto a cantar! [instrumental] Águas do rio correndo, Poentes morrendo P'rás bandas do mar... Águas das fontes calai, Ó ribeiras chorai, Que eu não volto a cantar! Rios que vão dar ao mar, Deixem meus olhos secar! Águas das fontes calai, Ó ribeiras chorai, Que eu não volto a cantar! [instrumental] Águas das fontes calai, Ó ribeiras chorai, Que eu não volto a cantar! * José Fontes Rocha – guitarra portuguesa Durval Moreirinhas – viola Maria
Letra e música: Ângelo de Araújo Arranjo: José Fontes Rocha Intérprete: Fernando Machado Soares* (in LP "Serenata", Philips/Polygram, 1988; CD "Fernando Machado Soares", Philips/Polygram, 1988)
[instrumental] Maria, se fores ao baile, Leva o teu xaile, Pode chover! De manhã, de madrugada Cai a geada, Podes morrer. [instrumental] Maria, se ouvires cantar, Vem ao luar Ouvir quem canta! Que a noite, com seu luar, Lembra o olhar De quem me encanta. * José Fontes Rocha – guitarra portuguesa Durval Moreirinhas – viola Maria Faia
Letra e música: Popular (Beira Baixa) Intérprete: Fernando Machado Soares* (in LP "Serenata", Philips/Polygram, 1988; CD "Fernando Machado Soares", Philips/Polygram, 1988)
[instrumental] Eu não sei como te chamas, Ó Maria Faia, Nem que nome te hei-de eu pôr, Ó Maria Faia, ó Faia Maria! Cravo não, que tu és rosa, Ó Maria Faia; Rosa não, que não tem flor, Ó Maria Faia, ó Faia Maria! [instrumental] Não te quero chamar cravo, Ó Maria Faia, Que te vou engrandecer, Ó Maria Faia, ó Faia Maria! Chamo-te antes espelho, Ó Maria Faia, Onde espero de me ver, Ó Maria Faia, ó Faia Maria! [instrumental] Dizem que a saudade espera, Ó Maria Faia, A ausência para chegar, Ó Maria Faia, ó Faia Maria! Eu tenho saudades tuas, Ó Maria Faia, Inda antes de te deixar, Ó Maria Faia, ó Faia Maria! * José Fontes Rocha – guitarra portuguesa Durval Moreirinhas – viola Mário Duarte – adufe Foi Deus
Letra e música: Alberto Janes Arranjo: José Fontes Rocha Intérprete: Fernando Machado Soares* (in LP "Serenata", Philips/Polygram, 1988; CD "Fernando Machado Soares", Philips/Polygram, 1988)
[instrumental] Não sei... Não sabe ninguém Porque canto o fado Neste tom magoado De dor e de pranto; E neste tormento, Todo sofrimento, Eu sinto que a alma Cá dentro se acalma Nos versos que canto. Foi Deus Que deu voz ao vento, Luz ao firmamento E deu o azul às ondas do mar; Foi Deus Que me pôs no peito Um rosário de penas Que eu vou desfiando e choro a cantar. Pôs as estrelas no céu, Fez o espaço sem fim, Deu o luto às andorinhas Ai... e deu-me esta voz a mim. Se canto... Não sei o que canto: Misto de ventura, Saudade, ternura E talvez amor; Mas sei que cantando Sinto o mesmo quando Se tem um desgosto E o pranto no rosto Nos deixa melhor. Foi Deus Que deu luz aos olhos, Perfumou as rosas, Deu oiro ao sol e prata ao luar; Foi Deus Que me pôs no peito Um rosário de penas Que eu vou desfiando e choro a cantar. Fez poeta o rouxinol, Pôs no campo o alecrim, Deu as flores à Primavera Ai... e deu-me esta voz a mim. [instrumental] Deu as flores à Primavera Ai... e deu-me esta voz a mim. * José Fontes Rocha – guitarra portuguesa Durval Moreirinhas – viola Estrelinha do Norte
Letra: Popular (1.ª quadra) e Ângelo de Araújo Música: João Gonçalves Jardim Arranjo: José Fontes Rocha Intérprete: Fernando Machado Soares* (in LP "Serenata", Philips/Polygram, 1988; CD "Fernando Machado Soares", Philips/Polygram, 1988)
[instrumental] Ó estrelinha do norte, Espera por mim que eu já vou! Alumia meu caminho, Já que o luar me enganou! [instrumental] Seguirei sempre a teu lado No rasto da tua luz; Não quero mais o luar Alumiar minha cruz. * José Fontes Rocha – guitarra portuguesa Durval Moreirinhas – viola Fado Resende
Poema: Manuel Laranjeira Música: Alexandre Resende Arranjo: José Fontes Rocha Intérprete: Fernando Machado Soares* (in LP "Serenata", Philips/Polygram, 1988; CD "Fernando Machado Soares", Philips/Polygram, 1988) [instrumental] Ao morrer, os olhos dizem: – «Pára, Morte, e espera aí! Vida, não vás tão depressa Que eu inda te não vivi...» [instrumental] A Vida foge e a Morte É quem responde em vez dela: – «Mas que culpa tem a Vida De que não saibam vivê-la?» * José Fontes Rocha – guitarra portuguesa Durval Moreirinhas – viola Produção – João Calado Gravado e misturado no Estúdio Angel 2, Lisboa A Ilha e o Sonho
Letra e música: Fernando Machado Soares Arranjo: José Fontes Rocha Intérprete: Fernando Machado Soares* (in CD "Le Fado de Coimbra", Ethnic/Auvidis, 1994) [instrumental] No meu sonho de menino Via-te ao longe a vogar, Como Bela Adormecida Entre o céu e o azul do mar. Em noites de tempestade, Enfrentando a maresia, Eras um Barco Encantado No meu sonho e fantasia. Tantos anos já passaram, Foi-se a vida, foi-se a esperança, Mas ficou sempre em minha alma Esse sonho de criança. [instrumental] Senhora d'Aires
Letra e música: Popular (Alentejo) Arranjo: Fernando Machado Soares Intérprete: Fernando Machado Soares* (in CD "Le Fado de Coimbra", Ethnic/Auvidis, 1994) [instrumental] A Senhora d'Aires De ao pé de Viana Tem o seu altar Feito à romana. Tem o seu altar Feito à romana A senhora d'Aires De ao pé de Viana. As cobrinhas d'água São minhas comadres; Quando lá passares Dá-lhes saudades. Dá-lhes saudades, Saudades minhas, Quando lá passares Ao pé das cobrinhas. As cobrinhas d'água São minhas comadres; Quando lá passares Dá-lhes saudades. Dá-lhes saudades, Saudades minhas, Quando lá passares Ao pé das cobrinhas. [instrumental] A Senhora d'Aires De ao pé de Viana Tem o seu altar Feito à romana. Tem o seu altar Feito à romana A senhora d'Aires De ao pé de Viana. [instrumental] A Senhora d'Aires De ao pé de Viana Tem o seu altar Feito à romana. [instrumental]
Viana do Alentejo: Santuário de Nossa Senhora de Aires. O altar em baldaquino faz lembrar o da Basílica de São Pedro, em Roma. Santa Luzia
Letra: Popular da Beira Baixa (1.ª quadra) e Fernando Machado Soares Música: Fernando Machado Soares Arranjo: José Fontes Rocha Intérprete: Fernando Machado Soares* (in CD "Le Fado de Coimbra", Ethnic/Auvidis, 1994) [instrumental] Para que quero eu olhos, Senhora Santa Luzia, Se eu não vejo meu amor Nem de noite, nem de dia? [instrumental] Senhora Santa Luzia, Senhora do meu pesar, Porque não me dais os olhos P'ra o meu amor encontrar? Teu Nome
Letra e música: Fernando Machado Soares Arranjo: José Fontes Rocha Intérprete: Fernando Machado Soares* (in CD "Le Fado de Coimbra", Ethnic/Auvidis, 1994) [instrumental] Teu nome na voz do vento, Teu nome na voz do mar, Teu nome encantamento Da vida só por te amar. Teu nome na voz do vento, Teu nome na voz do mar... [instrumental] Teu nome traz o luar, Traz o sonho, traz a esperança De um dia eu te encontrar Como um barco, a bonança. Balada para uma Vida
Letra e música: Fernando Machado Soares Arranjo: José Fontes Rocha Intérprete: Fernando Machado Soares* (in CD "Le Fado de Coimbra", Ethnic/Auvidis, 1994) [instrumental] Meu amor na primavera, Flor de sol do meu jardim Que me enlaça como a hera No corpo que nasce em mim. Meu amor na primavera, Flor de sol do meu jardim... [instrumental] Pôr-do-sol, morto, sem cor Nas sombras do meu Outono Onde agoniza uma flor E a minha noite, sem sono. Pôr-do-sol, morto, sem cor Nas sombras do meu Outono... Noites de Festa
Letra e música: Fernando Machado Soares Arranjo: José Fontes Rocha Intérprete: Fernando Machado Soares* (in CD "Le Fado de Coimbra", Ethnic/Auvidis, 1994) [instrumental] Todos gostam de Coimbra, Todos querem lá passar Mas ninguém sabe o que custa Ter um dia que a deixar. [instrumental] És tão velha, tão antiga, Ninguém sabe a tua idade, Mas ainda és tão bela Que a todos deixas saudades. [instrumental] Minha dor já era grande Ao cantar nas tuas ruas, Pois ainda em estudante Já tinha saudades tuas. [instrumental] Trova do Vento Que Passa
Poema: Manuel Alegre Música: António Portugal Arranjo: António Portugal Intérprete: Fernando Machado Soares* (in CD "Le Fado de Coimbra", Ethnic/Auvidis, 1994) [instrumental] Pergunto ao vento que passa Notícias do meu país O vento cala a desgraça O vento nada me diz.
[instrumental] Mas há sempre uma candeia Dentro da própria desgraça Há sempre alguém que semeia Canções no vento que passa.
[instrumental] Mesmo na noite mais triste Em tempo de servidão Há sempre alguém que resiste Há sempre alguém que diz não. [instrumental] * Fernando Machado Soares – voz e viola José Fontes Rocha – guitarra portuguesa Ricardo Rocha – guitarra portuguesa Durval Moreirinhas – viola Direcção artística – Frédéric Deval Gravado e misturado em Arles à la Chapelle du Méjan, em Setembro de 1993, por Jean-Claude Chabin, assistido por Gérard Faucilhon Oh Meu Menino Jesus