30 abril 2013

"A Vida Breve": a poesia na voz dos autores

Em face da degradação e desqualificação a que a Antena 2 chegou sob a direcção de Rui Pêgo/João Almeida, e como não sou masoquista, deixei de a ter como opção de escuta continuada, cingindo-me actualmente a três ou quatro programas de autor ao fim-de-semana. Por isso, só há cerca de quinze dias, e por amável alerta de uma tertuliana da comunidade de Amigos do LUGAR AO SUL, grande cultora da palavra dita, é que tomei conhecimento do apontamento de poesia chamado "A Vida Breve" (tal como, aliás, uma ópera do espanhol Manuel de Falla e um romance do uruguaio Juan Carlos Onetti, por sua vez inspirado num poema do belga Leon Louis Moreau Constant Corneille van Montenaeken – vide texto abaixo) e que segundo consta no arquivo online terá tido início a 21 de Março de 2012 (Dia Mundial da Poesia). A realização é assegurada por Luís Caetano, fazendo uso do vasto manancial de registos existentes no arquivo histórico da RDP e, subsidiariamente, de edições discográficas, e vai para o ar por volta das 16:50, de segunda a sexta-feira (com repetição às 12:50 do dia subsequente).
A lacuna de uma rubrica regular de poesia dita/recitada/declamada no canal cultural do serviço público de rádio fazia-se sentir desde que se extinguiram "Os Sons Férteis", de Paulo Rato, a 31 de Dezembro de 2008, e de então para cá, por diversas vezes, eu tive o ensejo de levantar a questão neste blogue e em missivas dirigidas à Provedoria do Ouvinte e à direcção de programas, mas sem lograr ser ouvido. Luís Caetano, distinto a atento realizador da nossa rádio, terá lido um desses textos e tomou a iniciativa de meter mãos à realização d' "A Vida Breve", atitude que faço questão de louvar e de agradecer. Calculo que a dupla Rui Pêgo/João Almeida, insensível como tem sido à questão da poesia, não deve ter encarado com entusiasmo a ideia de Luís Caetano, mas ao menos não se atreveu a vetá-la, o que se acontecesse seria gravíssimo.
Bem, o que realmente interessa é que a boa poesia de língua portuguesa, na voz dos próprios autores, tem finalmente a oportunidade de sair da escuridão das catacumbas do arquivo para a luz do éter, pela mão proficiente de Luís Caetano, que escolheu para indicativo o belíssimo e balsâmico "Andante con moto" (segundo andamento), do trio n.º 2 para piano, violino e violoncelo, em Mi bemol maior, op. 100, D. 929, do genial Franz Schubert, de que aqui deixo, à laia de aperitivo, duas aclamadas interpretações: uma mais antiga, pelo Beaux Arts Trio, e outra mais recente, pelo Trio Fontenay.
O novo apontamento de poesia também pode – e deve – ser um bom pretexto para que poetas vivos que ainda não gravaram poesia da sua lavra (e até alheia) o possam fazer, enquanto é tempo, tornando assim mais rico e completo o arquivo da RDP. Não sei se Luís Caetano tem em mente alargar futuramente o âmbito a registos na voz de actores e de reputados 'diseurs'... Eu veria isso com muito bons olhos (ou ouvidos, melhor dizendo) pois só assim será possível comtemplar os autores que viveram antes da idade do registo fonográfico e mesmo os que tendo sido dela contemporâneos já se foram embora sem nunca terem dito, para um aparelho de gravação sonora, poemas seus, por opção pessoal ou simplesmente porque nunca foram convidados para o efeito. Em minha opinião, seria uma pena que ficassem de fora d' "A Vida Breve" nomes como D. Dinis, Gil Vicente, Garcia de Resende, Bernardim Ribeiro, Sá de Miranda, Camões, Diogo Bernardes, D. Francisco Manuel de Mello, Soror Maria do Céu, Francisco Rodrigues Lobo, Filinto Elísio, Nicolau Tolentino, Bocage, Marquesa de Alorna, Almeida Garrett, Alexandre Herculano, Antero de Quental, Gomes Leal, Cesário Verde, António Nobre, Augusto Gil, Eugénio de Castro, Camilo Pessanha, Wenceslau de Moraes, Teixeira de Pascoaes, Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro, Florbela Espanca, e muitos outros menos canónicos na História da Literatura Portuguesa mas não desprovidos de importância e valia estética, sem esquecer – obviamente – insignes autores não lusos de língua portuguesa, como os brasileiros António de Castro Alves e Machado de Assis.

 

Franz Schubert: "Andante con moto", do trio n.º 2, em Mi bemol maior, D. 929, op. 100, pelo Beaux Arts Trio: Menahem Pressler (piano), Daniel Guilet (violino) e Bernard Greenhouse (violoncelo).



Franz Schubert: "Andante con moto", do trio n.º 2, em Mi bemol maior, D. 929, op. 100, pelo Trio Fontenay: Wolf Harden (piano), Michael Mücke (violino) e Niklas Schmidt (violoncelo).
 
 
"A Vida Breve"
Na Antena 2, de segunda a sexta-feira, às 16:50 (repete às 12:50 do dia subsequente)
http://www.rtp.pt/play/p1109/a-vida-breve (arquivo online)
http://www.rtp.pt/play/podcast/1109 ('podcast')
 

Peu de Chose et Presque Trop
 
La vie est vaine:
Un peu d'amour,
Un peu de haine...
Et puis – bonjour!
 
La vie est brève:
Un peu d’espoir,
Un peu de rêve...
Et puis – bonsoir!
 
(Leon Louis Moreau Constant Corneille van Montenaeken, poeta belga, 1859-?)

 

Capa do romance "A Vida Breve", de Juan Carlos Onetti – edição Relógio d'Água (2008)

21 março 2013

Sebastião da Gama: "Poesia", por Carmen Dolores


Portinho da Arrábida
© Pedro Vidigal (24-Fev-2008)


O que é um poeta? Ser poeta é, em primeiro lugar, encarar de espírito aberto e atento a vida e o mundo, não destruindo, antes apreciando e desfrutando a beleza que uma e outro têm para nos oferecer. Uns possuem o talento de exprimir isso por palavras, outros não. Sebastião da Gama pertence à primeira categoria e é dele que ora se apresenta um belo poema intitulado "Poesia", que Carmen Dolores em boa hora resgatou ao silêncio dos livros e deu voz, de forma admirável, no CD "Poemas da Minha Vida" (2003).

Aproveito o ensejo para voltar a apontar o dedo à direcção da Antena 2 por ainda não se ter dado ao cuidado de colmatar a lacuna de uma rubrica diária de poesia, decorridos mais de quatro anos sobre o fim d' "Os Sons Férteis", de Paulo Rato em colaboração com a actriz Eugénia Bettencourt. Interpelado com este assunto, calculo que Rui Pêgo alegue (hipocritamente) algo do seguinte teor: «Bem gostaríamos de ter na grelha um apontamento de poesia do género d' "Os Férteis", mas não há verba para contratar um 'diseur' e/ou uma 'diseuse' para esse efeito.» Pois eu respondo-lhe: Não é preciso! É perfeitamente possível manter na Antena 2 (vale o mesmo para as Antenas 1 e 3) um apontamento diário de poesia sem gastar um chavo. Basta fazer uso do fabuloso manancial existente (e a apodrecer) no arquivo histórico da RDP e, complementarmente, de edições discográficas, que as há e boas, como é o caso da que contém o presente espécime.
Se Rui Pêgo teimar na sua caturrice obscurantista de ostracismo à poesia, totalmente ao arrepio do que é expectável e razoável que aconteça no serviço público de rádio, ao menos que a administração tenha a clarividência de entregar a direcção de programas a alguém mais competente e ciente da missão cultural que cumpre à RDP prosseguir.


POESIA



Poema de Sebastião da Gama (in "Serra-Mãe", Lisboa: Portugália Editora, 1945; Lisboa: Edições Ática, Colecção Poesia, 6.ª edição, 1991 – p. 132-133)
Recitado por Carmen Dolores* (in CD "Poemas da Minha Vida", Dito e Feito, 2003)


Ai deixa, deixa lá que a Poesia
no perfume das flores, no quebrar
das ondas pela praia,
na alegria
das crianças que riem sem porquê
— deixa-a lá que se exprima, a Poesia.

Fica sentado aí onde estás, Poeta,
e não mexas os lábios nem os braços:
deixa-a viver em si;
não tentes segurá-la nos teus braços,
não pretendas vesti-la com palavras...

Se a queres ter,
se a queres sempre ver pairando à flor das coisas, fica aí
no teu cantinho, e nem respires, Poeta, e não te bulas,
p'ra que ela não dê por ti.

Não a faças fugir, toda assustada
com a tua presença...
Deixa-a, nua, pairando à flor das coisas,
que ela não sabe que a viste,
nem sabe que está nua,
nem sequer sabe que existe...


2-2-1945


* Produção – Dito e Feito
Gravado nos Estúdios Goya, Lisboa, em Dezembro de 2002
URL: http://pt.wikipedia.org/wiki/Carmen_Dolores
http://www.infopedia.pt/$carmen-dolores
http://www.imdb.com/name/nm0231221/
http://marcadordelivros.blogspot.com/2013/01/sextante-publica-vida-de-carmen-dolores_29.html
http://www.rtp.pt/play/p328/e109884/vidas-que-contam
http://www.youtube.com/user/DoTempoDosSonhos/search?query=carmen+dolores

15 fevereiro 2013

Anúncio da Linha Rara: mau serviço público



«Sabe o que é uma doença rara? Sabe que pode ter uma sem saber? Não se conforme! Informe-se! O 707 100 200 é uma linha profissional e especializada que o aconselha e esclarece: Quais os médicos a consultar? Que apoios sociais existem? E onde se deve dirigir?
Linha Rara: 707 100 200
Custo de chamada local.»

Nestes exactos termos reza um anúncio que vem sendo emitido pelas Antenas 1 e 2 (desconheço se também pelos demais canais da RDP). Quando o ouvi, pela primeira vez, interroguei-me: «Sabendo-se que as pessoas têm uma tendência quase natural para a hipocondria, anda agora o Ministério da Saúde a levantar fantasmas nas cabecinhas de portadores imaginários de doenças raras? Parece-me muito pouco razoável e bastante questionável, à luz da deontologia médica, o rastreio de eventuais doenças (raras ou não), ou o mero aconselhamento médico que seja, por telefone, independentemente da idoneidade profissional da pessoa que atende as chamadas.» "Quais os médicos a consultar?", diz-se no anúncio. Como assim? Com que fundamento clínico se vai indicar às pessoas que ligam para aquele número médicos especialistas em doenças raras sem se saber se elas sofrem efectivamente de uma dessas enfermidades? As palavras do doente dizendo que lhe dói isto ou aquilo são bastantes para se chegar à conclusão de que se trata de uma doença rara? E qual a doença rara especificamente, se há uma miríade delas? E havendo vários médicos especialistas numa determinada doença, com que base ética se encaminha o doente para Fulano, Sicrano ou Beltrano? E é acaso aceitável que uma "consulta" por telefone substitua o médico de família, esse sim a quem cabe atender o paciente e, caso se confirme ser portador de uma doença não vulgar, depois de feitos os adequados exames de diagnóstico, encaminhá-lo para especialistas? Tudo muito estranho e esquisito...
Mas o que me deixou ainda mais apreensivo foi a indicação de um número de telefone iniciado por 707 que, ao contrário do que é dito no anúncio, corresponde a uma tarifa de valor acrescentado e não a custo de chamada local (se assim fosse o número começaria por 808). «Com que então o Ministério da Saúde a convidar a população a ligar para um número de valor acrescentado para assim obter receitas extraordinárias? Muito pouco ético e deveras censurável vindo da parte do Estado», disse para os meus botões. «Este anúncio cheira-me a negócio privado...»
Tratei de averiguar e fiquei então a saber que a Linha Rara (http://www.linharara.pt/) não pertence ao Ministério da Saúde, mas a uma entidade privada, de nome Raríssimas – Associação Nacional de Deficiências Mentais e Raras (http://www.rarissimas.pt/). Não me custa nada admitir que o dinheiro que aquela associação recebe do Estado e dos seus associados não chegue para desenvolver cabalmente a sua actividade, decerto muito louvável e meritória (isso está fora de questão) e, nessa conformidade, tem toda a legitimidade para angariar fundos junto da população. O que não pode nem deve fazer é recorrer a métodos desonestos e falhos de ética, fazendo cair no logro as pessoas mais sugestionáveis e menos avisadas. Pessoalmente, já não levantaria qualquer objecção a que a associação Raríssimas lançasse, por exemplo, o sorteio de um automóvel, como já fez a ACAPO – Associação de Cegos e Amblíopes de Portugal. É claro que a associação Raríssimas, a exemplo de quaisquer outras entidades sem fins lucrativos e de reconhecida utilidade pública, tem todo o direito de recorrer à rádio pública para se dar a conhecer aos ouvintes que dela poderão tirar proveito. Mas aí o anúncio teria de ter forçosamente outra redacção. Qualquer coisa como isto:
 
É portador de uma doença rara? Ou tem a seu cargo uma pessoa com deficiência mental ou doença rara? Se sim, sabia que existe uma associação para o informar dos seus direitos. Consulte-nos! Ligue para a Linha Rara: [número começado por 800 ou 808].
 
No meio disto tudo quem também fica muito mal na fotografia é a direcção da RDP, ao abster-se do escrutínio que lhe compete fazer ao teor dos anúncios que lhe são propostos para radiodifusão, no âmbito de publicidade institucional, não salvaguardando assim a posição dos cidadãos/ouvintes. Enfim, mais um caso que serve para exemplificar a desconsideração que António Luís Marinho e Rui Pêgo nutrem por quem lhes enche a barriga.

31 janeiro 2013

Antena 2: uma pobreza de rádio



Após a última edição original do "Questões de Moral", a 29 de Outubro de 2012 (cf. Em defesa do programa "Questões de Moral"), o programa permaneceu no ar em regime de reposições e temia-se que viesse a ser eliminado da grelha a breve prazo. E, de facto, isso veio mesmo a acontecer logo no início do corrente ano, o que não pode deixar de suscitar o vivo e veemente repúdio do seu fiel auditório. Não sendo a solução ideal, a reposição sempre era melhor do que nada, visto não haver interesse de quem manda (ou desmanda) na RDP em que Joel Costa continue a colaborar com a Antena 2, nos termos previstos na lei. Mas não foi só o "Questões de Moral" a ser (criminosamente) expurgado da grelha do canal supostamente cultural do serviço público de rádio. Desapareceram vários outros programas de autor, dos quais destaco "Descobertas", da autoria de Maria Augusta Gonçalves, que no início das tardes dominicais divulgava interessantíssimas novas edições discográficas, não raro de obras nunca antes gravadas em disco, designadamente de música barroca e de períodos anteriores. A justificação apresentada ou a apresentar será, presumo, do seguinte teor: «em face do aperto financeiro imposto pelo Governo à Rádio e Televisão de Portugal, era inevitável cortar nas despesas do sector rádio e a Antena 2 não podia ficar de fora». Em primeiro lugar, tenho de contestar o critério ao abrigo do qual se extingue um programa de inegável interesse como "Descobertas" e se mantém essa autêntica aberração editorial que dá pelo nome de "Fuga da Arte". Isto para já não falar no inefável (de desmedida erudição) Pedro Malaquias e no verborrento/comedor de sílabas Paulo Alves Guerra... Em segundo lugar, e olhando para a programação das três antenas nacionais da RDP (faço questão de não deixar cair esta prestigiada sigla, ademais tendo sido salvaguardada na legislação vigente), é facilmente constatável que a foi a Antena 2 que sofreu os cortes mais significativos, tendo as Antenas 1 e 3 ficado quase intactas. Como se explica tal opção? Foi o Presidente do Conselho de Administração, Alberto da Ponte, que fez questão de direccionar os cortes a fazer no orçamento da RDP para a Antena 2, quiçá por ter menor número de ouvintes do que as outras, ou foram os responsáveis directos pelos conteúdos e programas, António Luís Marinho e Rui Pêgo, dois indivíduos "nados e criados" em rádios de música pop, que resolveram poupar as Antenas 1 e 3, por serem aquelas em que mais se revêem? Bem, independentemente de se saber quem tomou a decisão, não se pode deixar de a questionar, precisamente por ir completamente ao arrepio da missão mais nobre do serviço público de rádio: a promoção/satisfação cultural dos cidadãos. Quando se opta por sacrificar a antena que melhor cumpre essa obrigação (apesar das deficiências, que decorrem sobretudo da inépcia dos locatários da direcção de programas) e se poupa as antenas vocacionadas para o entretenimento, acaba-se inevitavelmente por dar razão a quem questiona o financiamento público, designadamente a contribuição do audiovisual, justamente por não servir para a prestação de um serviço formativo e altamente diferenciado daquele que é oferecido pelas estações privadas.
A drástica redução dos programas de autor na Antena 2 e o consequente alargamento da componente estritamente musical podia ter sido mitigada mediante uma efectiva arrumação e estruturação da grelha. Em vez de espaços alargados de música a esmo, sequenciada aleatoriamente, misturando numa imensa caldeirada os mais variados géneros, estilos e épocas (como acontece em "Boulevard", "Vibrato" e "Baile de Máscaras"), que não dão cabal satisfação aos melómanos mais exigentes nem proporcionam efectivo enriquecimento a quem deseja cultivar-se na vertente erudita, importaria ter espaços temáticos/conceptuais, a exemplo dos que houve durante o consulado de João Pereira Bastos: "Das Origens ao Barroco", "Barroco Vocal", "Barroco Instrumental", "Música Sinfónica e Coral-Sinfónica", "Música de Câmara", "Instrumentos Solistas", "Música de Dança", "Canções", "Árias e Duetos de Ópera", "Música Sacra", "Perfil de um Autor", "Intérprete da Semana", etc... Infelizmente, a dupla Rui Pêgo/João Almeida, fiel ao timbre laxista e preguiçoso que a tem caracterizado, deixou tudo na mesma (como a lesma). Para ajudar à desgraça, continua a praga de 'spots' e 'jingles' disparados sacro-santamente de hora a hora, ou quando dá na real gana dos "locutores" de serviço (ponho a palavra "locutores" entre aspas porque na verdade a alguns falta perfil e competência para o exercício da função), assim como o quase total deserto de matéria não musical, se exceptuarmos alguma coisa de História e Literatura por vezes presente no exíguo "Além-Tempo" e na componente textual do "Musica Aeterna", e um ou outro assunto abordado nos programas de Luís Caetano ("A Força das Coisas" e "Última Edição"). Por que motivo não foi ainda colmata a lacuna de um apontamento diário de poesia recitada, quatro anos decorridos sobre o fim d' "Os Sons Férteis"? É assim tão complicado desenterrar o que de bom existe – e é muito – no arquivo histórico? E onde está o teatro radiofónico tão proficientemente realizado por Eduardo Street?
Pode afirmar-se com toda a propriedade que a Antena 2, longe de ser "uma classe de rádio", como foi há uns dez-quinze anos, é hoje uma triste e comiserativa "pobreza de rádio". Pobreza essa que, como é bom de ver, não resulta apenas de ter menos dinheiro à sua disposição mas, em boa medida, da incapacidade e tacanhez de quem a dirige.
 

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21 dezembro 2012

"Viva a Música": lugar à música portuguesa (II)



«Desde 1996, a Antena 1 tem no ar o programa "Viva Música", único espaço regular no panorama audiovisual nacional que apresenta semanalmente, durante uma hora, música cantada na nossa língua, ao vivo e em directo». Assim se apresenta, na respectiva página do arquivo online, este já histórico e paradigmático programa da rádio pública. Em rigor, já não se trata do único programa radiofónico português de música ao vivo, pois há que ter em conta o "Estrela da Tarde", da Rádio Amália, reservado ao fado. Não deixa, contudo, de ser o único em rádios de cobertura nacional. E único também pelo amplo leque de géneros e estilos musicais que abarca, dos mais arreigados à matriz portuguesa aos mais vanguardistas, sem descurar a produção instrumental que tão marginalizada tem sido por tudo quanto é rádio hertziana (exceptuando a Antena 2 para a clássica, o jazz e a étnica).
São escassos os programas de rádio que atingem os dezasseis anos de idade, e se o "Viva a Música" ainda existe foi porque o amor e a paixão de um homem pela música (de expressão) portuguesa e pelos seus criadores e intérpretes foram suficientemente fortes para resistir às vicissitudes e contornar os obstáculos que foi encontrando pelo caminho. Esse homem chama-se Armando Carvalhêda e não será exagero dizer que é hoje credor de um imenso capital de gratidão, quer dos artistas aos quais tem dado acolhimento e divulgação, quer do público amante de boa música portuguesa e lusófona. Diversos músicos e cantores têm feito questão de reconhecer publicamente, no próprio programa, esse persistente e empenhado labor de Armando Carvalhêda, e também muitos ouvintes têm tido o ensejo de o fazer, quer em correio dirigido ao eminente realizador ou à Provedoria do Ouvinte, quer em textos colocados na blogosfera (como foi o caso de um publicado pelo autor destas linhas em Fevereiro de 2006).
O "Viva Música" é, sem sombra de dúvida, um programa modelar e uma grande referência na cena mediática nacional, muito (ou tudo) graças ao saber, experiência e carisma comunicacional do seu autor e realizador. Merecia, por isso, maior projecção e visibilidade junto do grande público e, concomitantemente, maior capacidade de integrar os artistas mais descentrados, por assim dizer, da região metropolitana de Lisboa. Para o efeito, duas medidas importaria tomar:
 
1. Transmissão televisiva
Estando a Antena 1 e a RTP integradas na mesma empresa, a Rádio e Televisão de Portugal, não se percebe qual a razão do "Viva a Música" não ser filmado na íntegra e transmitido pela RTP-1, em horário nobre, ademais não havendo na televisão pública um programa exclusivo de música ao vivo. Actualmente, o único espaço da RTP onde é possível ouvir (alguma) música portuguesa tocada ao vivo é o "Herman 2012", mas que por ser um programa essencialmente de conversa e de humor, e não durar mais do que uma hora, não pode contemplar muito mais do que uma ou duas canções em cada emissão. Mesmo assim, muitos artistas da nossa praça agradecem o convite do afamado humorista para lá marcarem presença, o que diz bem da falta clamorosa que se faz sentir no serviço público de televisão de um programa regular no qual os diversos artistas de reconhecida qualidade (nomes consagrados e novos valores) pudessem apresentar o trabalho que vão produzindo. A esse respeito se pronunciaram dois dos recentes convidados de Herman José, Rui Veloso e Teresa Salgueiro, a que eu, na qualidade de contribuinte e apreciador de boa música, junto a minha voz. Quem dirige a RTP-1 até pode alegar que existem na grelha vários programas com actuações de artistas, como é o caso da "Praça da Alegria", do "Portugal no Coração" e do "Portugal sem Fronteiras", mas tal argumento peca por falta de razoabilidade. Na verdade, não são espaços de entretenimento fácil e pobre, como aqueles, em que a música (invariavelmente em "playback" e geralmente pouco qualificada) surge a título meramente decorativo entremeando conversas geralmente de uma insuportável banalidade (para não dizer indigência mental), que podem ser tomados pelos verdadeiros artistas como uma opção válida e digna para mostrarem o seu trabalho. Tal basta aos "pimbas", que até podem preferir o "playback" (que serve para esconder as respectivas limitações), mas não aos artistas dignos desse nome, que pelo respeito que o público lhes merece, se recusam a alinhar em tal intrujice. Artista que se preze não abdica de tocar ao vivo, nem enjeitará – presumo eu – a possibilidade de alargar o seu auditório (para os rádio-ouvintes e os telespectadores), desde que a sua música não saia amesquinhada e seja devidamente valorizada. É o que faz Armando Carvalhêda no seu "Viva a Música", que tendo sido originalmente concebido para a rádio, possui todos os predicados para ser igualmente objecto de transmissão televisiva. O que teria a vantagem acrescida, em tempo de contenção de custos, de ficar mais económico do que criar um programa televisivo de raiz, pois a produção já está feita. E ainda com a mais-valia de ser conduzido por um profissional carismático que conhece profundamente o nosso meio musical – muito diferente, portanto, de uma qualquer vedeta fútil da pantalha que se limita a ler, mais ou menos mecanicamente, os textos do teleponto escritos por outrem, como é usual acontecer na cobertura televisiva de determinados eventos com música ao vivo.
 
2. Descentralização das actuações
É bastante extenso o rol de artistas que já actuaram no "Viva a Música", e com um nível médio de qualidade elevado, o que só abona a favor do Sr. Armando Carvalhêda. Há, no entanto, ainda muitos artistas de mérito que nunca pisaram o chamado palco da rádio (vide lista ao fundo). Quero acreditar que uma boa parte já terá sido convidada e que a não comparência se deveu, nalguns casos, a incompatibilização de agendas e, noutros (certamente a maioria), a questões logísticas e/ou financeiras ligadas às deslocações (de pessoas e de material). Refiro-me evidentemente a artistas, mormente grupos, radicados nos extremos (norte ou sul) de Portugal continental ou nos arquipélagos dos Açores e da Madeira. Em face desta realidade, e dado que a geografia não pode ser uma condicionante de acesso dos artistas à estação pública que tem forçosamente de ter abrangência nacional, eu proponho a realização de edições do "Viva a Música" descentralizadas, isto é, nas diversas capitais de distrito de Portugal Continental e Insular (talvez com excepção de Setúbal e de Santarém dada a relativa proximidade à capital). Suponho que actualmente não haja uma capital de distrito que não tenha uma sala (teatro, cineteatro ou auditório) com condições tão boas ou melhores do que as oferecidas pelo decrépito e acanhado Teatro Dom Luiz Filipe, mais conhecido por Teatro da Luz. Assim sendo, afigura-se pertinente a descentralização do "Viva a Música" por forma a dar visibilidade/audibilidade nacional a uma multiplicidade de bons artistas (individuais ou grupos) que existem por esse país fora, mas que são praticamente ignorados pelo público português fora das respectivas regiões. Por exemplo, quantos artistas dos Açores e da Madeira são conhecidos no continente? Não andarei longe da verdade se disser que não serão mais que os dedos de uma mão. O que é flagrantemente pouco, atendendo à muita e boa produção musical daquelas regiões de Portugal.
 

Artistas que ainda não actuaram no "Viva a Música"
:

(incluem-se os cantores/músicos que podendo já ter pisado o palco da rádio, nunca o fizeram em nome próprio)
 
Açores:
 
- Alexandra Boga (https://myspace.com/alexandraboga)
- Bandarra (https://myspace.com/sitiobandarra)
- Belaurora (http://www.belaurora.com/)
- Bruno Walter Ferreira (http://www.reverbnation.com/brunowalterferreira)
- Carlos Medeiros (http://carlosmedeiros.bandcamp.com/)
- Grupo de Baile da Canção Regional Terceirense (https://myspace.com/gbcrt)
- Grupo de Cantares do Nordeste (https://myspace.com/grupodecantaresdonordeste)
- Luís Alberto Bettencourt (https://myspace.com/labett)
- Manuel Ermelindo "Canarinho" (https://myspace.com/manuelcanarinho)
- Miguel Pimentel http://www.emilianotoste.pt/editora/ver.php?id=146)
- Musica Nostra (http://musicanostra.no.sapo.pt/repert.htm)
- Pedro Lucas / O Experimentar Na M'Incomoda (http://oexperimentar.bandcamp.com/)
- Raquel Dutra (http://www.reverbnation.com/raqueldutra)
- Ronda da Madrugada (http://www.reverbnation.com/rondadamadrugada)
- Sons Íntimos (http://www.facebook.com/sonsintimos)
- Susana Coelho (http://www.susanacoelho.com/muacutesica.html)
 
 
Madeira:

- Alencante (http://www.youtube.com/user/Alencante)
- Alma de Coimbra (http://www.almadecoimbra.com/)
- Almaplana (https://myspace.com/almaplana)
- António Crespo (http://campeaoprovincias.com/pt/index.php?option=com_content&view=article&id=10552:album-de-antonio-crespo-couto-e-apresentado-hoje-em-coimbra)
- António Eustáquio & Quarteto Ibero-Americano (http://cantosevariacoes.blogspot.com/2011/03/concerto-de-guitolao-antonio-eustaquio.html)
- António Pinho Vargas (http://www.antoniopinhovargas.com/)
- Arrefole (http://palcoprincipal.sapo.pt/arrefoleoficial)
- Artesãos da Música (https://myspace.com/grupoartesaosdamusica)
- Assembly Point (https://myspace.com/assemblytrio)
- Azeituna (https://myspace.com/azeituna25paus)
- B Fachada (http://bfachada.bandcamp.com/)
- Caminhos da Romaria ( https://myspace.com/caminhosdaromaria)
- Cantares da Terra (https://myspace.com/cantaresdaterra)
- Cantigas do Baú (https://myspace.com/cantigasdobau)
- Canto d'Alma (http://palcoprincipal.sapo.pt/canto_dalma)
- Canto Livre (http://palcoprincipal.sapo.pt/canto_livre)
- Cantorias (http://grupo-cantorias.blogspot.com/)
- Capa Grilos (https://myspace.com/capagrilos)
- Carlos Macedo (https://myspace.com/carlosmacedofado)
- Comvinha Tradicional (http://palcoprincipal.sapo.pt/comvinha_tradicional)
- Coro dos Antigos Orfeonistas da Universidade de Coimbra (http://www.uc.pt/antorf/)
- Cristina Navarro (https://myspace.com/cristina.navarro.fado)
- Dança dos Homens (https://myspace.com/dancadoshomens)
- Deolinda Bernardo (https://myspace.com/deolindabernardo)
- Eduardo Ramos (https://myspace.com/eduardoramosmocarabe)
- Entr'o Cante (http://palcoprincipal.sapo.pt/entro_cante)
- Estudantina Universitária de Coimbra (https://myspace.com/estudantinacoimbra)
- Fado ao Centro (http://www.fadoaocentro.com/)
- Fado Violado (http://www.facebook.com/pages/Fado-Violado/102319689811130)
- Fadvocal (http://www.advocal.pt/)
- Fausto Bordalo Dias (http://marius709.com.sapo.pt/index.html)
- Filipe Lucas (https://myspace.com/filipelucas14cordas)
- Ginga (https://myspace.com/gingafolk)
- Grupo de Cantares Tradicionais Mulheres do Minho (http://mulheresdominho.com/)
- Grupo Vocal Canto Décimo (http://cantodecimo.blogspot.com/)
- Guitarras de Coimbra - Grupo de Fados e Guitarradas (http://www.accmm.pt/grupofados.html)
- Haja Saúde (https://myspace.com/bandahajasaude)
- Helena Sarmento (https://myspace.com/ahelenasarmento)
- Joana Machado (https://myspace.com/joanamachado)
- João Filipe Silva / Contarolando (https://myspace.com/contarolando)
- João Paulo Esteves da Silva (https://myspace.com/joaopauloestevesdasilva)
- João Vasco / Alémfado (http://vimeo.com/user2467188/videos)
- Joel Xavier (https://myspace.com/joelxaviersite)
- Jorge Cravo (http://numerica-pt.blogspot.com/2011/04/quarteto-de-antonio-jose-moreira.html)
- José Campos e Sousa (http://www.josecamposesousa.com.pt/?page_id=5)
- José Peixoto (https://myspace.com/josepeixoto)
- Karrossel (https://myspace.com/karrossel)
- Lenga Lenga - Gaiteiros de Sendim (https://myspace.com/lengalengagaiteirodesendim)
- La Çaramontaina (https://myspace.com/laaramontaina)
- Lara Li & Miguel Braga (http://www.facebook.com/events/159463690748273/)
- Lula Pena (https://myspace.com/lulapena)
- Macacos das Ruas de Évora (http://metoscano.blogspot.com/2007/09/macacos-das-ruas-de-vora_20.html)
- Manuel d'Oliveira (https://myspace.com/manueldoliveira)
- Marco Figueiredo (http://www.gproducoes.com/index.php/artistas/mfigueiredo)
- Marenostrum (https://myspace.com/marenostrumportugal)
- Mickael Salgado (http://musica.sapo.pt/album/4647526)
- Miguel Calhaz (http://palcoprincipal.sapo.pt/miguel_calhaz)
- MU (https://myspace.com/muuuuuu)
- NMB - No Mazurka Band (https://myspace.com/nomazurkaband)
- Nem Truz Nem Muz (http://palcoprincipal.sapo.pt/nem_truz_nem_muz_musica_portuguesa_tradicional_)
- Norberto Lobo (http://norbertolobo.bandcamp.com/)
- Notas & Voltas (http://notasevoltas.no.sapo.pt/discografia.htm)
- O Baú (https://myspace.com/obaumusicaportuguesa)
- Óai d'Ir (https://myspace.com/oai_dir)
- Origem (https://myspace.com/origem)
- Orquestra Típica de Águeda (http://www.otagueda.pt.vu/)
- Os Quais (http://osquais.bandcamp.com/)
- Os Tocadores (https://myspace.com/ostocadores)
- Outorga (http://palcoprincipal.sapo.pt/outorga)
- Paulo Soares (http://www.paulosoares.com/)
- Pinhal d'El-Rei (https://myspace.com/570148406)
- Quatro Ventos (https://myspace.com/grupoquatroventos)
- Quiné (https://myspace.com/quineteles)
- Quintarolas (https://myspace.com/quintarolas)
- Raquel Peters (https://myspace.com/musica_raquel_peters)
- Revisitar, Descobrir Guerra Junqueiro (http://www.artes.ucp.pt/guerrajunqueiro/)
- Ricardo Gordo (http://palcoprincipal.sapo.pt/ricardogordo)
- Roda Pé (http://palcoprincipal.sapo.pt/grupo_de_musica_portuguesa_roda_pe)
- Roncos do Diabo (https://myspace.com/roncosdodiabo)
- Samuel (http://soundcloud.com/samuel-quedas)
- Sanfonices (http://www.facebook.com/pages/Centro-de-M%C3%BAsica-Tradicional-Sons-da-Terra/270043473031098)
- Seara Jovem (http://www.ovacao.pt/compra/seara-jovem-a-descoberta-51284)
- Segue-me à Capela (https://myspace.com/seguemecapela)
- Sons do Vagar (http://www.doimaginario.org/crbst_1.html)
- Strella do Dia (https://myspace.com/strelladodia)
- Toada Coimbrã (http://toadacoimbra.blogspot.com/)
- Tó Trips (https://myspace.com/totripsguitar)
- Tramadix (http://www.facebook.com/tramadix)
- Trasga (http://grupo-trasga.blogspot.com/)
- Trilhos - Novos Caminhos da Guitarra (https://myspace.com/trilhosdaguitarra)
- Trovas à Tôa (http://palcoprincipal.sapo.pt/trovas_a_toa)
- Trovas ao Vento (http://palcoprincipal.sapo.pt/trovasaovento)
- Tuna Popular Lousense (http://torredemoncorvoinblog.blogspot.com/2009/07/tuna-popular-lousense.html)
- Urze de Lume (https://myspace.com/urzedelume)
- Ventos da Líria (https://myspace.com/ventosdaliria)
- Vozes do Imaginário (http://www.doimaginario.org/crbst_2.html)
- Xícara (https://myspace.com/xicaramusic)
- Zé Manel Martins (https://myspace.com/zemanelmartins)

 
Nota: Procurei ser zeloso e diligente na constituição desta lista. Ainda assim, é bem possível que se verifique a ausência de alguns artistas de mérito, no activo, que nunca actuaram no "Viva a Música". A esses solicito a amabilidade de me darem notícia, a fim de que eu tenha o ensejo de colmatar as lacunas.
Contacto: ajferreira74@gmail.com

12 dezembro 2012

"Ainda Sou do Tempo" / "Tradição XXI"

"Ainda Sou do Tempo"

Programa em quatro edições, produzido no âmbito da Academia RTP para a Antena 1, que procura trazer para o presente tradições que caíram em desuso e das quais poucos se recordam. A repórter Cátia Fernandes parte à descoberta de regiões marcadas por costumes antigos, ouvindo as pessoas que ainda os guardam na memória.
 
Operadoras de som: Helena Nunes e Filipa Gomes
Guionista: Cátia Fernandes
Edição de som: Helena Nunes
Pós-edição de som: Filipa Gomes
Produção: Flavie Paula
Repórter: Cátia Fernandes
Operadoras de câmara: Flavie Paula, Filipa Gomes e Helena Nunes

Emissão na Antena 1: 02, 09, 16 e 23 de Dezembro de 2012, às 07h10.

Edições já disponíveis:
02 Dez: Arte da Filigrana
09 Dez: Vinho dos Mortos
 

Filigrana em prata (Norte de Portugal)  


Filigrana em ouro (Norte de Portugal)

 
"Tradição XXI"
 
Programa em quatro capítulos, produzido no âmbito da Academia RTP para a Antena 1, que pretende mostrar a reinvenção actual da música tradicional portuguesa. Dos vestígios do mundo rural até aos novos projectos urbanos, de Norte a Sul do país, a voz da tradição, sem preconceitos ou purismos e aberta ao grande público.

Autoria e realização: João Torgal e Manuel Feijão
 
Emissão na Antena 1: 02, 09, 16 e 23 de Dezembro de 2012, às 07h27.
Arquivo online: http://www.rtp.pt/play/p1007/tradicao-xxi
Edições já disponíveis:
02 Dez: Alentejo
09 Dez: Beira Baixa


Viola campaniça: a maior das violas portuguesas, típica do Baixo Alentejo (concelhos de Castro Verde, Ourique e Odemira)
 

Bonecos de Santo Aleixo: Adão e Eva (Centro Dramático de Évora)

 
Saúda-se o aparecimento destes programas consagrados à cultura e música tradicional portuguesa. O que não pode deixar de se lamentar é o horário absolutamente indecente em que foram colocados: entre as 07:10 e as 08:00 de domingo quando a generalidade dos ouvintes estão a dormir (só os caçadores é que devem já estar acordados – nem sequer os padeiros e os camionistas, como acontece durante a semana!). Será que Rui Pêgo não tinha à sua disposição um horário menos esconso na grelha da Antena 1? Com certeza que tinha: depois do noticiário das 19:00 de sábado, por exemplo. Que haja pois o bom senso de os repor num horário audível pela generalidade do auditório, em especial pelo que não tem internet. Como é bom de ver, constitui um perfeito absurdo que os melhores exemplos de serviço público fiquem fora do alcance dos ouvintes/contribuintes. Além de um incompreensível desperdício de recursos, acaba por estar em causa o reconhecimento do trabalho de quem, com amor e diligência, se empenhou na realização dos programas na expectativa de que pudessem ser ouvidos (com proveito cultural) pelo maior número possível de pessoas.