04 janeiro 2006

A desarticulação do aparelho de Produção da RDP

Gostar de alguém é desejar-lhe o melhor, é sentir mágoa quando esse alguém é magoado, é partilhar alegrias mas também procurar estar presente nos momentos difíceis e de tristeza.
E no campo dos sentimentos, os nossos afectos podem abarcar lugares, objectos, instituições… como o nosso clube, a associação que ajudámos a construir, a nossa rádio, etc. etc. etc.

Custa assistir de forma passiva ao modo como todo o aparelho de produção da RDP foi aos poucos sendo desarticulado: não há quase programas… mas apenas um computador que debita uma play list, quase já nem há produção própria e tudo se resume a "outsourcing", comprando fora o que se não quer que seja produzido no seu seio. Nesta altura, descontando a Informação e o Desporto, restarão uns três ou quatro programas a cargo de profissionais da Antena 1.

O que passará então a distinguir o Serviço Público de Rádio quando o respectivo concessionário quase se limita a ir ao mercado comprar produtos que, devidamente testados na área privada, se revelaram capazes de conseguir audiências e shares para a Antena 1?
Na vaga neoliberal onde os números pesam mais que as consciências, comprando fora aquilo que lhe não deixam produzir dentro, restar-lhe-à ser o quê? um entreposto, uma central de compras? um conjunto de emissores? É é também essa a estratégia que agora vai ser seguida pela Antena 2?

As formas e os modos de produção não são inócuos nem bacteriologicamente puros.
Por isso, estas questões revelam-se fundamentais.

1 comentário:

Anónimo disse...

Falem de Coimbra